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	<title>Scenarium</title>
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	<description>Por Paulo Lustosa</description>
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		<title>TANCREDO, O ARAUTO DA ESPERANÇA QUE NÃO SE CONCRETIZOU!</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 15:44:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PauloLustosa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<br/>As celebrações do centenário de Tancredo Neves revelaram, para as novas gerações, a dimensão política de um homem que, em momentos cruciais da história do Brasil, deu lições de brasilidade, de transigência e de conciliação e de capacidade de encontrar soluções para os impasses construídos pela incompetência de uns, pela prepotência de outros e pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<br/><p>As celebrações do centenário de Tancredo Neves revelaram, para as novas gerações, a dimensão política de um homem que, em momentos cruciais da história do Brasil, deu lições de brasilidade, de transigência e de conciliação e de capacidade de encontrar soluções para os impasses construídos pela incompetência de uns, pela prepotência de outros e pela arrogância de muitos.</p>
<p>O mineiro de São João Del Rey, se iguala, na visão e ótica deste cenarista, no mesmo nível de estadistas como Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa, Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek, sendo que, na habilidade e no desprendimento político, supera os dois últimos. Ele faz parte de um tempo onde os políticos eram cassados por defender a democracia e a Constituição, diferente dos tempos amargos de hoje, onde quando não vagam impunes, são cassados por corrupção e desrespeito às leis do país.</p>
<p>Este cenarista fez política, ainda no tempo em que o eleitor se orgulhava do seu representante, quando o representado lembrava-se dos bons momentos e das boas ações, das iniciativas e dos discursos do seu deputado; onde, por exemplo, este cenarista teve o privilégio de ser chamado por Tancredo Neves de &#8220;o Vanguardeiro do Nordeste&#8221;, não só pelo seu papel no Colégio Eleitoral que o elegeu, mas pela sua crença inabalável de que era crucial que o nordestino vivenciasse e experimentasse uma espécie de &#8220;ideologia da nordestinidade&#8221;, sentimento de amor a terra tal qual o que liga os mineiros a Minas, a Minas de todos os brasis.</p>
<p>Ministro da Desburocratização, escolhido tão somente pelo próprio Tancredo, como é testemunha o Senador Pedro Simon, este cenarista procurou honrar a opção que lhe fez &#8220;o arauto da esperança&#8221; e construiu, no período em que foi ministro, toda a estrutura da defesa do consumidor no Brasil, além de ter dado enorme impulso à informatização do Judiciário e a proposta de agilização de suas ações, através de um amplo trabalho de organização e métodos nos fóruns e cartórios espalhados pelo Brasil afora.</p>
<p>Se tal não bastasse, construiu todo um conceito e um trabalho a favor do empreendedorismo nacional, não só como ministro, mas depois, quando implantou o próprio SEBRAE, com S, dando-lhe autonomia administrativa, orçamentária e financeira e desenvolvendo o programa Pequenas Empresas, Grandes Negócios!</p>
<p>Tudo sob a inspiração daquele homem pequeno, mas que foi capaz de responder, aos trinta e cinco anos, como Ministro da Justiça de Getúlio, ao desafio de se propor a enfrentar os militares golpistas da época. E que garantiu, com sua ação negociatória e conciliatória, a posse de JK na Presidência da República. Foi fiador da posse de Jango, com a engenhosa criação da figura do parlamentarismo no Brasil, respeitando o direito do presidente constitucional do País, João Goulart, e que, pelo seu papel histórico de estadista, teve profundo respeito por parte de Castelo Branco, ao rejeitar, com um duro, &#8220;Este não!&#8221; a proposta de militares radicais pedindo a sua cassação nos pesados anos de chumbo do golpe militar.</p>
<p>E foi Tancredo, representando o espírito libertário de Minas quem aceitou o desafio de confrontar o poder e, num difícil colégio eleitoral, mudar a história do Brasil e iniciar a construção do estado democrático de direito. Tancredo, que tinha como farol dos seus sentimentos democráticos, o protomartir da independência, Tiradentes, a quem chamada &#8220;desse herói ensandecido de esperança&#8221;. E essa saga de Tancredo, quando ao tomar posse no Governo de Minas, de maneira tão oportuna e precisa, iniciava o seu discurso, com a frase símbolo das alterosas: &#8220;Minas, teu nome é liberdade”!</p>
<p>Quando os brasileiros e o mundo assistiram a um pedreiro cubano, depois de oitenta e cinco dias de greve de fome, morrer, enaltecendo  o seu próprio gesto ao afirmar que &#8220;morrer pela liberdade e pela democracia é viver eternamente&#8221; ou como está a afirmar uma outra vítima do estado ditatorial cubano, Guillermo &#8220;Coco&#8221; Fariñas, ao afirmar que &#8220;há momentos na história em que é preciso haver mártires&#8221;, a gente se orgulha de Tancredo que deu uma vida pela preservação das liberdades e dos direitos civis dos brasileiros. E sonha com um retorno glorioso a um passado de ética e do respeito ao  múnus públicos de homens como ele, Ulysses, Teotônio e tantos outros.</p>
<p>Parece que estes dois cubanos estariam, de forma indireta, homenageando aquele que, para nós, não apenas criou a Nova República, como nos deu a maior das lições de que &#8220;tudo vale a pena, até mesmo a  vaidade de ajudar a construir a liberdade e lançar as bases do respeito a cidadania&#8221;.</p>
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		<title>QUAIS AS PROPOSTAS QUE DEVERÃO SER LEVADAS A PÚBLICO PELOS CANDIDATOS?</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 10:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PauloLustosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Scenarium]]></category>

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		<description><![CDATA[<br/>Muita gente começa a mostrar preocupação com o discurso e com as propostas dos candidatos à Presidência da República, máxime as idéias daqueles com maiores possibilidade de êxito eleitoral, no caso, Dilma e Serra.
Não satisfaz ao grande público o belo fraseado de que &#8220;não interessa o embate entre o ontem e o anteontem&#8221;. Nem tampouco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<br/><p>Muita gente começa a mostrar preocupação com o discurso e com as propostas dos candidatos à Presidência da República, máxime as idéias daqueles com maiores possibilidade de êxito eleitoral, no caso, Dilma e Serra.</p>
<p>Não satisfaz ao grande público o belo fraseado de que &#8220;não interessa o embate entre o ontem e o anteontem&#8221;. Nem tampouco que são &#8220;as idéias e não as pessoas que devem brigar&#8221;. Não importa as adjetivações do tipo, &#8220;continuidade sem continuísmo&#8221; ou as indicações mais chulas do tipo &#8220;time que está ganhando não se mexe&#8221;. Tampouco, dizer como este cenarista tem dito que as pessoas querem saber o que propõem os candidatos para o seu amanhã e não falar de coisas já conquistadas. Nem tampouco que se vendam sonhos e esperanças. O que se cobra é que sejam consequentes.</p>
<p>Na verdade as pessoas querem respostas para os seus dramas e, de um modo geral, não são os seus chamados direitos difusos ou as propostas para a coletividade que lhes interessam. Preocupam-se com a saúde, a educação e a segurança, de maneira mais geral. Estão atrás é do emprego, da vaga do filho na escola pública, do atendimento hospitalar, do transporte coletivo mais adequado e da chance de sonhar que o amanhã será bem melhor do que o ontem. No fundo, as pessoas querem respostas para os seus problemas pessoais e suas angústias mais imediatas. </p>
<p>Lembra tal comportamento das pessoas, muito o que, se não se engana o cenarista, uma passagem do livro de Eça de Queiroz, &#8220;O Conde D’Abranhos&#8221;, quando um seu humilde eleitor foi levá-lo o seu também humilde pleito. O Conde, deputado representante do pobre homem, começou a discorrer sobre os conflitos da humanidade, as crises existenciais e os problemas humanitários maiores. E o pobre homem, segurando o chapéu, após ouvir tão longo discurso disse, humildemente: Seu Conde, eu só vim aqui atrás do meu emprego!</p>
<p>Na verdade, não adianta dizer o candidato  que promoverá um crescimento sustentável ambiental e socialmente; que a estabilidade econômica é condição sine qua non para um crescimento seguro; que as conquistas sociais serão mantidas e ampliadas; que educação, saúde e segurança são prioridades maiores do governo, etc. e etc., pois tudo isto não cala junto ao povo.</p>
<p>Provavelmente um discurso com vista a solução de problemas de forma mais pontual, atenda melhor e seja melhor compreendido pela população, não apenas pelos filhos do bolsa família mas também pelos mais abastados.</p>
<p>Se alguém quiser fazer um discurso convincente para os cariocas, por exemplo, que tal propor que apoiará a montagem das UPPs em todas as grandes favelas do Rio? Que tal propor programa de mudança de populações de áreas de risco desde que seja de todo impossível urbanizar e dar segurança as atuais ocupações? Que tal garantir que o metrô estará atendendo a, pelo menos, 80% da população do Rio até 2014? Que tal garantir aos nordestinos que, até 2014, toda a questão de água estará resolvida com a transposição, as adutoras do sertão e outras soluções capazes de superar de vez o drama das populações do semi-árido? Que tal prometer aos paulistanos que, nunca mais, o desastre de 2009/2010 se repetirá,  pois se montará sistema assemelhado ao de Tóquio de proteção contra inundações? Que tal prometer um &#8220;tour de force&#8221; no sentido de superar os gargalos de infra-estrutura acelerando os investimentos em portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, comunicações, etc., quer via investimentos diretos, PPPs, investimentos internacionais, concessões, etc.? </p>
<p>Enfim, propostas pontuais que respondam aos grandes desafios do país, mas que a população perceba a relevância e a urgência bem como a capacidade do governo de fazê-las e viabiliza-las, deverão representar o discurso mais interessante e confiável dos candidatos. </p>
<p>O pontual vai superar o geral.</p>
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		<title>DEPOIS DE MINAS, O QUE VIRÁ?</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Mar 2010 12:34:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PauloLustosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Scenarium]]></category>

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		<description><![CDATA[<br/>Muitas foram as confabulações, as articulações e as tramas de bastidores ocorridas em Minas, na última quinta-feira. Muitas foram as especulações, as interpretações de gestos e as tentativas de avaliar o que queriam dizer alguns próceres, de forma direta e expressa ou, talvez, nas próprias entrelinhas. Nunca houve uma circunstância em que cada gesto foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<br/><p>Muitas foram as confabulações, as articulações e as tramas de bastidores ocorridas em Minas, na última quinta-feira. Muitas foram as especulações, as interpretações de gestos e as tentativas de avaliar o que queriam dizer alguns próceres, de forma direta e expressa ou, talvez, nas próprias entrelinhas. Nunca houve uma circunstância em que cada gesto foi pensado, medido; cada palavra ponderada; cada indagação respondida com cautela e avaliando as suas consequências, como nesta festiva e apoteótica quinta-feira, em Minas Gerais.</p>
<p>A hora, para os políticos, para os analistas políticos e para os jornalistas,  é a de buscar interpretações, fazer conjecturas e ilações sobre o que sobrará das comemorações dos cem anos de Tancredo Neves. Os mineiros sonhavam que ali, dar-se-ia a concretização de seu &#8220;wishful thinking&#8221;, qual seja, ver o seu menino-homem, ungido candidato das oposições, à Presidência da República. Mas, o calabrês José Serra, com muita estrada e muita vivência, é muito mais frio, mais experimentado, mais calculista e mais senhor de seus destinos do que a &#8220;vã filosofia imagina&#8221;, de tal forma que, nem as grandes emoções ai sofridas ou vivenciadas por ele, abalaram, aparentemente, o seu &#8220;mood&#8221;. Serra saiu do evento, para muitos, com determinação ainda maior de ser candidato, já tendo mandado Goldman, seu vice, preparar-se para assumir o governo e Aluisio Nunes Ferreira e o seu marqueteiro, prepararem-se para estabelecer orientações e diretrizes para que o comando nacional do partido ajuste-se a linha e aos ditames do que é o seu estilo e seu &#8220;jeitão&#8221; de comandar o processo.</p>
<p>Ciro Gomes, parceiro de empreitada de Aécio na eleição do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, também torcia, desesperadamente, para que fosse Aécio o candidato, pois que, em tal ocorrendo, resolveria os problemas seus, de Tasso e do governador, seu irmão. Ciro até provocou Tasso chamando-o, carinhosamente, de &#8220;meu vice-presidente&#8221;, vez que, o que se especula é que, caso Aécio não aceite ser vice, Serra buscaria um vice do Nordeste e, o mais adequado e oportuno para a empreitada, seria o Senador Tasso Jereissati. Claro que alguns acham tal possibilidade remota porquanto Tasso sempre teve e, parece ainda ter, as suas diferenças com Serra. Mas, como o que interessa é ganhar o pleito, Serra &#8220;engoliria&#8221; Tasso. Isto porque o Ceará é o quinto maior colégio eleitoral do País e, até agora, é o mais &#8220;embrulhado&#8221; no que tange a formação de palanque para Serra. Tasso não se entusiasmou, aparentemente, com a idéia, pela provocação que se fez de sua possível candidatura a vice de Serra. Mas, como dizia Gonzaga Motta, ex-governador do Ceará, &#8220;a política é dinâmica&#8221; e, tudo pode acontecer!</p>
<p>Por seu turno, o PT continua querendo aprontar das suas, ameaçando lançar o nome de José Alencar como candidato ao governo de Minas, numa nítida provocação aos demais partidos, fazendo jogo com o estado de saúde do Vice-Presidente, para tirar proveito eleitoral em Minas.</p>
<p>Por outro lado, os petistas estão apavorados com a hipótese de Lula credenciar-se, efetivamente, para assumir a candidatura de Dilma, afastando-se do governo por três meses. Deixar o governo, para os petistas, nem pensar. E o principal partido aliado de Lula, o PMDB, nem piscou para dizer que apoiaria a idéia.</p>
<p>Finalmente, um dos grandes temores da Oposição é que Dilma assuma muito a postura de &#8220;filha do Lula&#8221; e que, o seu papel de candidata a Presidente, seja deveras reforçado.</p>
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		<title>FALANDO DE COISAS BOAS!</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 12:55:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PauloLustosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Scenarium]]></category>

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		<description><![CDATA[<br/>Há quase unanimidade, entre economistas brasileiros e analistas de fundos de investimentos, além de alguns autodenominados cenaristas, de que, em 2010, o País crescerá mais que 5% e, talvez, menos que 6%.
E isto sem se falar no &#8220;constrangimento externo&#8221; onde se admite dificuldades em buscar financiamento para um déficit nas contas com o exterior, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<br/><p>Há quase unanimidade, entre economistas brasileiros e analistas de fundos de investimentos, além de alguns autodenominados cenaristas, de que, em 2010, o País crescerá mais que 5% e, talvez, menos que 6%.</p>
<p>E isto sem se falar no &#8220;constrangimento externo&#8221; onde se admite dificuldades em buscar financiamento para um déficit nas contas com o exterior, que deverá superar os 60 bilhões de dólares. Também, mesmo sabendo-se das restrições provocadas pelos gargalos da infraestrutura de transportes, energia e comunicações, ainda assim, o país terá um bom ano, inclusive na geração de empregos diretos.</p>
<p>Aliás, os resultados alcançados pelo emprego, com carteira assinada, em janeiro de 2010 &#8211; mais de 180 mil postos criados! &#8211; colocam uma perspectiva, bastante otimista, de que o Brasil superará mais de 2,4 milhões de postos de trabalho em 2010. Tais dados são bastante alvissareiros na proporção em que, em 2009, o crescimento econômico foi zero e, pelo andar da carruagem, 2011 deverá ser um ano extremamente difícil, pois as restrições institucionais, a limitação de mão de obra qualificada para a indústria, as repercussões dos problemas fiscais criados em 2009, poderão comprometer os resultados desejados ou esperados. E, em não se mencionando os problemas relativos à elevação da taxa de investimentos do país, que continua patinando no entorno dos 17%.</p>
<p>Ainda este ano, mas com repercussão em 2011, os problemas na zona do euro, a redução de fluxos financeiros de investimentos, além dos atrasos nas obras de infra-estrutura do famigerado PAC, deverão comprometer as expectativas de crescimento do país. Também, os dados relativos aos problemas fiscais, vez que, até agora, medidas restritivas e corretivas ainda não foram sequer aventadas, podem ampliar o conjunto de desafios para fazer com que as bases da estabilidade econômica sejam mantidas, sem atropelos.</p>
<p>Ademais, o &#8220;estatismo&#8221; proposto pelos lulistas, a tendência em retirar das mãos da empresa privada certas iniciativas, como por exemplo, o caso da formação de mão de obra para a indústria realizada pelo sistema S, além das dificuldades de superação dos impasses na área do meio ambiente, poderão comprometer os anseios de um crescimento sustentável e vigoroso da economia brasileira. Também é importante considerar que a &#8220;enxugada&#8221; de liquidez promovida pelo Banco Central ao aumentar o compulsório dos bancos &#8211; de mais de 71 bilhões de reais &#8211; aliado ao discurso do Presidente do Banco Central que ameaçou com &#8220;medidas duras e antipáticas&#8221;, tais como o aumento da taxas de juros básicas, pode levar a uma certa &#8220;travada&#8221; no crescimento.</p>
<p>Uma boa discussão a ser estabelecida agora é por que, para controlar uma tendência inflacionária, não se busca o aumento da capacidade produtiva das empresas, a redução das ineficiências, a diminuição da burocracia e a diminuição da carga de impostos, ao invés de se buscar o caminho de redução do crescimento? Por que não se aproveita o fato de que, para reduzir o impacto da crise econômica, foram realizadas, em 2009, várias renúncias fiscais setoriais, o que levou a redução da carga tributária do País em mais de um ponto percentual, e, planejadamente, tenta-se reduzir, em mais um ponto este ano? Seria uma boa contribuição do governo Lula, nos seus estertores, de ganhar ainda mais simpatias para a sua candidata.</p>
<p>Ainda quanto as bem sucedidas ações desenvolvidas pela iniciativa privada, é fundamental não podá-las, sob pena de enorme prejuízo para o País. É fundamental, portanto, lembrar que o SENAI, na sua função de gerar mão de obra qualificada para a indústria, em 1982, quando concorreu às primeiras Olimpíadas Internacionais sobre a qualidade da mão de obra qualificada, não teve sequer registro de sua qualificação ou do seu ranqueamento. Em 2008, chegou, pasmem, ao segundo lugar no mundo, superando Estados Unidos, Suíça e outros países desenvolvidos.</p>
<p>Isto vem a demonstrar que, certas iniciativas como o sistema S, devem ser estimuladas, apoiadas e fortalecidas tal como o que acontece com cerca de 30 mil alunos da rede escolar privada de Fortaleza que, nos dias que correm, levam mais vagas nas disputas dos vestibulares do IME, do ITA e da Escola Naval do que os estados de São Paulo e do Rio, juntos. Além disso, nas chamadas olimpíadas de química, física, biologia e matemática, de um modo geral, os cabeças-chatas levam 43% de todos os troféus. </p>
<p>Tal fato vem a demonstrar que, um pouco de visão estratégica, ousadia e capacidade gerencial dos governos, poderiam multiplicar, só no Ceará, por exemplo, a experiência de trinta mil alunos para 300 mil, em quatro anos e, dentro de um projeto bem concebido, estender os seus efeitos aos alunos da escola pública. Pelo que se vê o país não vive só da política e de más notícias.</p>
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		<title>A OPOSIÇÃO EM BUSCA DE UM DISCURSO!</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 18:26:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PauloLustosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Scenarium]]></category>

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		<description><![CDATA[<br/>O &#8220;mantra&#8221; de Dilma, usando as metáforas e as expressões futebolísticas de seu guru, já é por demais conhecido: &#8220;em time que está ganhando, não se mexe&#8221;. Ou dizendo melhor, &#8220;continuidade sem continuísmo&#8221;, pois que, a essência do que foi plantado por Lula, precisa de uma guardiã para que tais programas  não sofram solução [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<br/><p>O &#8220;mantra&#8221; de Dilma, usando as metáforas e as expressões futebolísticas de seu guru, já é por demais conhecido: &#8220;em time que está ganhando, não se mexe&#8221;. Ou dizendo melhor, &#8220;continuidade sem continuísmo&#8221;, pois que, a essência do que foi plantado por Lula, precisa de uma guardiã para que tais programas  não sofram solução de continuidade. </p>
<p>Aliás, para convalidar tal tese, Lula deverá mandar já, ao Congresso, a sua CLS ou uma versão, para a área social, do que foi a CLT, para a área trabalhista. Pretende, inclusive, mandar também um projeto de lei, criando a Lei de Responsabilidade Social!</p>
<p>Dilma continuará &#8220;colada&#8221; a Lula, ficará &#8220;vendendo o peixe&#8221; de que ela foi quem engendrou e fez operar todos os programas do atual governo e que, tais iniciativas melhoraram a vida dos brasileiros. Ademais, Lula, como seu fiador maior, garante que ela será uma governante com capacidade gerencial indiscutível e um conhecimento profundo de como funciona o governo e a sua máquina.</p>
<p>À oposição só restará a alternativa de dizer que, &#8220;o passado já foi conquistado e o que o povo quer saber é o que o futuro lhe reserva&#8221;. Para tanto a oposição, na busca de desconstrução do discurso do governo, deverá mostrar, em primeiro lugar,  que o que se tem hoje é fruto de um processo e não fruto do acaso ou de uma ação de um governo, um homem ou um líder isolado. Sem a EMBRAPA, por exemplo, sem a infra-estrutura de comunicações do centro-oeste, sem a ousadia empreendedora dos que se dispuseram a ocupar áreas antes inóspitas e sem a força do crédito oficial, não existiria o vigoroso, eficiente e competitivo agronegócio brasileiro. Sem o Plano Real, sem a Lei de Responsabilidade Fiscal, sem o PROER, sem o cambio flutuante e sem as metas de inflação, o País não teria atravessado as várias crises econômicas internacionais e não teria criado o ambiente propício para os negócios e a retomada do crescimento. A quem creditar tais conquistas e tais êxitos? À sociedade brasileira, em primeiro lugar. A homens, até mesmo  o próprio Sarney com o seu experimentalismo do  malfadado Plano Cruzado; as maluquices do curto período de Collor na Presidência, com novos planos de combate à inflação e a abertura da economia; e a determinação de Itamar Franco e de seu ministro da Fazenda em intentarem, mais uma vez, a busca e a conquista da estabilidade da moeda do País com o Plano Real.</p>
<p>Portanto, as conquistas de uma sociedade e de uma nação não são obra de um homem só e nem de um só momento. São fruto de um processo que, não só se fez ao longo de um período de tempo como contou com a participação de muitos. Quanto das conquistas brasileiras não se devem a Getúlio Vargas? Quanto não se deve a Juscelino Kubitscheck? Quanto não se deve aos governos militares e sua visão estatizante?</p>
<p>Se se pretendesse estabelecer tal processo de fulanização da história, agora mesmo, a classe empresarial estaria debitando parte significativa da desindustrialização que vem enfrentando o País, nos últimos anos, ao governo do Presidente Lula que, ao não estabelecer políticas industriais que contivesse o processo de perda de posição relativa da indústria na economia nacional, máxime num país onde 80% de sua população é urbana, seria o responsável maior por tal problema. Mas, se o processo ocorreu, diferentemente do que ocorreu com a Coréia e a China, não pode ser de responsabilidade de um governante, mas de um conjunto de ações, omissões e erros de política econômica, praticados pelos governos e pela própria classe industrial.</p>
<p>Portanto, a grande &#8220;deixa&#8221; ou chance da oposição é buscar construir um discurso que fale do amanhã, mas de um amanhã que &#8220;venda&#8221; ao povo &#8220;esperança consequente&#8221; e fale daquilo que diz respeito ao seu universo de problemas e aspirações.</p>
<p>E aí vão duas recomendações. A oposição deve esquecer a sua linguagem empolada e saber que o grande eleitorado é aquele que entende e processa bem a linguagem de Lula. A segunda coisa é propor coisas que agreguem valor a vida dessas pessoas que tentam sair da faixa de pobreza absoluta bem como aquelas que conseguiram se transformar, orgulhosamente, em classe C ou em classe média. Além de quererem ver garantidas as conquistas que fizeram até agora, gostariam de vislumbrar o que mais se lhes poderá dar para a sua ascensão social, notadamente de seus filhos. </p>
<p>A classe C quer ouvir, dentro do que cabe na sua compreensão e entendimento, como reduzir a violência a que está sujeita; a ver, claramente, como o acesso à saúde poderá vir a ser bem melhor e como mais e mais oportunidades de emprego surgirão a sua frente.<br />
Ou seja, o discurso tem que falar de sonho, de esperança e de amanhã, mas de um amanhã que as pessoas possam vislumbrar e perceber. Há que mexer com o imaginário coletivo.</p>
<p>Este cenarista lembra-se de um estudo que foi feito, há alguns anos, sobre preocupações, demandas, aspirações e sonhos da população, dividindo-a por nível de escolaridade. Foi colocado em um gráfico, nas abscissas, o espaço e nas ordenadas, o tempo. A maior parte das pessoas de menor escolaridade e de mais baixa renda se localizava no entorno da origem, querendo demonstrar, com isso, que só na proporção em que as pessoas avançam em termos de escolaridade, elas vão se preocupando com o universo em seu entorno. Primeiro preocupam-se com o vizinho e com a semana, os mais limitados em renda e culturalmente. Depois com a rua e com o mês. Depois com o bairro e com o ano. Depois, bem pouca gente, com o amanhã mais distante e com o estado e o país. E é dentro dessa perspectiva que as coisas devem ser montadas em termos de estratégias da oposição, se ela quiser competir com o discurso, por enquanto, imbatível, do &#8220;mito&#8221; Lula e repetido, à saciedade, por Dilma.</p>
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