O QUE É QUE É ISTO, MINHA GENTE?

 

Há uma tese básica bastante difundida nos dias que correm, de que os governos cada vez mais fogem da influência do personalismo do líder maior e passam mais a representar os valores e os critérios institucionais já consolidados no tempo. Ou seja, as marcas pessoais, as idiossincrasias dos dirigentes e do grupo no seu entorno, parecem que não mais prevalecem para a definição de políticas, estratégias e ações do poder constituído. Assim, o voluntarismo de um líder popular ou populista, seus sonhos quiméricos e suas vontades, teimosamente mantidas, mesmo terminado o pleito, não mais definem as linhas e as estratégias de orientação da ação de governo. Parece que é o que se assiste com o governo Bolsonaro pois que, a sua formação e as suas tendências políticas, bem como as influências sofridas pela sua história e, em face de seu entorno familiar, levam-no a manifestar-se, de forma incisiva, sobre o irrelevante ou sobre o que as redes sociais sugerem como o sentimento de plantão do cidadão comum!

Ou seja, o Presidente faz declarações desnecessárias e, as vezes, polêmicas, sobre assuntos sérios e demonstra um enorme interesse em comentar, num estilo aproximado de Jânio Quadros, questões e situações pouco relevantes — proibição de brigas de galo, uso do biquíni, etc — enquanto as pessoas gostariam de verem discutidos assuntos do tipo “como o governo enfrentará o monumental déficit público; como negociará com os congressistas a reforma da previdência; como conduzirá o processo de descentralização político-administrativo e, como adotará as providências destinadas a reduzir a interferência do estado na economia.

Na verdade, as declarações as vezes estapafúrdias ou desconectadas da realidade ou das necessidades e carências do País, revelam, de um lado, as próprias limitações do horizonte de pensamento e de especulação do próprio Bolsonaro como, de outro, parecem mostrar inexistir uma espécie de alter ego ou um formulador de idéias ou alguém que ajude o Presidente a articular ideias e fazer declarações para além do que estimulam as suas consultas ao tweeter. Em verdade, as opiniões externadas pelo Presidente, até agora, não transmitiram, para a sociedade, a ideia de que o comandante da nação sabe o que quer, sabe para onde vai e tem o adequado descortinio do que o país mais urgentemente precisa e requer.

Por outro lado, os temores de que alguns bons auxiliares como Sérgio Moro ou Paulo Guedes poderiam vir a abandonarem “o barco” diante de desmentidos, de declarações controversas ou de manifestação de interesse do Presidente ou de alguém no seu entorno de ver determinadas figuras, escolhidas como assessores pelos ministros, fora do governo ou “desconvidadas” pelos próprios ministros, tem sido uma constante ou algo preocupante. Tais desagradáveis circunstâncias já foram enfrentadas, inclusive, pelo próprio Sérgio Moro mas que, ao que parece, diante de sua responsabilidade político -institucional e de seu compromisso histórico, foram relegadas.

Se ministros como Paulo Guedes e Sérgio Moro conseguirem atravessar esse “momento” crítico e continuarem apresentando propostas estratégicas fundamentais ao enfrentamento de problemas estruturais do Brasil e, também, pondo em execução e prática medidas essenciais a condução do estado, pouca repercussão e consequências terão as ideias e ações de Sua Excelência nem os arroubos mais que autoritários de seus familiares!
Assim o que se assiste é que o institucional, até agora, sobrepõe-se a vontades individuais e atitudes personalísticas fazendo com que, as questões mais relevantes e urgentes do País comecem a ser realmente discutidas . Isto parece que está sendo a condução das propostas de reforma institucionais como a da previdência e aquelas exigidas para a liberação
dos excessos de intervenção do estado na economia. Ademais as ideias de privatização, de desburocratização e simplificação capazes de liberar a economia para operar mais ágil e objetivamente e permitir uma maior dinamização da economia. Se estas reformas não ocorrerem o crescimento econômico continuará a operar nesse triste e limitado nível de 1 a 1,5% ao ano!

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