RUPTURA? JAMAIS! É, EM TUDO, O PAÍS DO JEITINHO!
Quando se fala que se está construindo um novo tempo, assuma -se mais a afirmação como uma quase licença poética do que como um verdadeiro processo de ruptura com o status quo ou com o estado das artes vigente. Na verdade, o que de fato estar a ocorrer ou que se espera que venha a ocorrer no país, é, pelo menos, uma alteração no tom, no ritmo e nas caras das lideranças políticas. Essas, em parte, serão temporariamente substituidas sem que isto represente uma mudança de conteúdo, de proposta e de ética de responsabilidade e de compromisso dos supostos “novos” velhos donos do poder.
O fato histórico fundamental é a constatação de que nunca houve uma efetiva revolução no Brasil. Cruenta, menos ainda. E, as revoltas que ocorreram, nunca representaram rupturas que alterassem a estrutura de força e de poder do País. Tudo sempre se reduziu a arranjos destinados a manter o poder nas mãos das elites, alterando, apenas, os plantonistas. Ou seja, o poder sempre esteve onde sempre esteve.
Desde o Fico, passando pela Independência e pela República e, nos golpes de 30, 45, 61 e 64, tais episódios nunca representaram rupturas ou mudanças substanciais ou paradigmáticas, como ocorreu, por exemplo, quando da Revolução Francesa, da luta pela independência americana ou da própria guerra civil americana.
Tal comentário vem a propósito da pertinente e brilhante avaliação do jornalista Luiz Carlos Azedo, no Correio Brasiliense, de 19 de Abril último onde, valendo-se de uma oportuna tentativa de interpretação histórica de José Honório Rodrigues, em uma de suas obras clássicas, buscou avaliar as ações e movimentos de Renan Calheiros e identificou um gestos no sentido de transformar as negociações políticas ora em curso, notadamente sobre o rito do impeachment no Senado, como um instrumento que permita e garanta espaços para o estabelecimento de limites do alcance da Lava Jato e para que os políticos de alto coturno, sejam eles poupados, em “nome do entendimento, da conciliação e da pacificação nacionais”.
Ou seja, na essência e na profundidade que alguns imaginavam e até sonhavam, as coisas não vão e nem poderiam mudar de forma substancial pois, de fato, as elites dirigentes manter-se-ão praticamente as mesmas, apenas estabelecendo acomodações e compromissos para que se abram espaços para solucionar os problemas mais urgentes que são os de superar a incompetência gerencial que comanda o País, recobrar o respeito as instituições, recuperar a credibilidade dos entes públicos e fazer com que a economia volte a crescer e a retomar o dinamismo perdido. E, se tal se conseguir já será um grande avanço na causa da reorganização da economia, do estado e da sociedade brasileira!
O perigo de tais entendimentos e acordos entre as elites é que, as vezes, o povo se sinta usado e lesado e, aí, as manifestações populares recrudescerão em dimensões bem maiores. A não ser que as as medidas a serem adotadas, de imediato, na área econômica, gerarem ambiente mais propício aos negócios, criarem novas expectativas para os agentes econômicos , acenarem com a manutenção das conquistas sociais e com a chance de serem experimentados novos tempos.
A reação contra Lula, o PT e Dilma, é, acima de tudo, fruto da frustração, do desencanto e da decepção pois “se acreditou tanto” que ali, a partir dos governos petistas, se implantaria uma estrutura de poder liderado por um homem das massas, que contava com o amplo apoio de intelectuais, de artistas, de empresários, de políticos e de formadores de opinião e que, pela proposta estabelecida e levada a efeito no primeiro mandato, representaria a mudança de paradigmas no conceito de gestão da coisa pública voltada, especialmente, para os sem vez e sem voz.
Tanto é que Lula, cá dentro e lá fora, representou uma quase unanimidade e levou a muitos a acreditarem que o Brasil seria “a bola da vez”, tanto em termos de desenvolvimento com participação politica ampliada e com alto conteúdo social como um projeto de desenvolvimento econômico e social capaz de reduzir a miséria a zero, combater as desigualdades sociais e regionais e criar um clima de permanente entusiasmo e euforia na população do País.
Era, aparentemente, uma proposta dos sonhos que combinava uma nova ética na condução da política e do poder; uma nova orientação a ser dada ao crescimento com distribuição de renda e que, no sonho de se construir aqui a verdadeira civilização dos trópicos, se lançavam as bases para a construção de uma nação forte, moderna, democrática e dinâmica.
Mas, como diz a letra da música, “tudo foi um sonho, acordei”!
Agora o desafio dos brasileiros é ter ânimo e entusiasmo para começar de novo, sem muitos sonhos, com um otimismo controlado e expectativas bem dosadas, pois que “a matéria prima não era tão fina” e, o País tem que ter consciência das limitações de seus líderes e de sua própria capacidade de forjar novos protagonistas com outras visões e propósitos que não sejam aqueles manifestados pelos atuais.
O que se quer agora é muito pouco, apenas que o País tenha rumo e busque o equacionamento de alguns problemas que impedem que, mesmo com todas as limitações e percalços, retome um pouco de crescimento para que se gere alento e esperança para os hoje milhões de desempregados e para um número ainda significativo de miseráveis, além de milhões de jovens que apenas querem uma chance de construirem um destino melhor para as suas vidas.
PARA PROVOCAR OS CANDIDATOS!