Scenarium de 19/05/09

BOAS NOTÍCIAS PARECEM QUE SE APRESENTAM NO CENÁRIO ECONÔMICO, JÁ QUE NO CENÁRIO POLÍTICO…

Este Scenarium não se propõe a assumir a postura de Pitonisa e dispor do condão de antever o futuro. Mas, em se tratando de cenário, é fundamental que se ouse antecipar possíveis desdobramentos de ações e manobras políticas e/ou econômicas que venham a mudar o curso das coisas ou a mantê-las como se encontram.

Há algumas edições atrás, afirmava-se, aqui neste espaço, que a crise econômica no Brasil estava desacelerando pois além das faixas de variação das subidas e decidas da bolsa, ou seja, a redução da volatilidade, os sinais de recuperação ou de inversão de tendências ou de diminuição dos agravamentos ou redução de sua intensidade, permitiam antever que as coisas começavam a mudar.

Inclusive este Scenarium atribuía a boa saúde das contas externas, o volume das reservas cambiais, a manutenção das metas de inflação, do câmbio flutuante, da Lei de Responsabilidade Fiscal, além das medidas destinadas a estimular algumas atividades produtivas como responsáveis por tal inflexão na curva das expectativas econômicas.

Mas, mais que tais razões, atribuía-se uma responsabilidade significativa pelo que estava começando a ocorrer, a atitude, comportamento e medidas do Banco Central.

E, na verdade, se o PAC tivesse realmente andado bem como as decisões relativas a estimular o mercado – vide o caso das geladeiras! – talvez os efeitos dessa reversão de tendência já fossem mais claros e mais intensos.

É verdade que, segundo o Ministro da Fazenda, o país deve crescer de 0 a 2% – aliás um range muito largo! – neste primeiro trimestre mas que existem algumas manifestações do mercado que tornam as expectativas mais otimistas. Por exemplo, o comportamento da balança comercial que tem surpreendido positivamente, por três meses seguidos e, segundo alguns indicadores, tende a melhorar, ainda mais, no decorrer do ano. Por outro lado, os ganhos da BMF/BOVESPA estão superando as expectativas e, pelo andar da carruagem, voltará a superar, em muito, os cinqüenta mil pontos de média.

Além disso, os preços das commodities estão melhorando, a China voltou a comprar bem no mercado internacional, o dólar está derretendo, o fluxo de capitais externos crescendo, o crédito chegando aos 40% do PIB, aliado a desaceleração da inadimplência e aos sinais de recuperação em todos os setores da economia.

A nível internacional, os emergentes, à exceção da Rússia, estão se recuperando muito bem; os Estados Unidos mostram um aumento na confiança dos consumidores bem como um mercado imobiliário que mostra sinais de que as coisas estão melhorando.

Diante disso, o que se pode dizer é que se conseguiu demonstrar que este Scenarium procurou juntar peças e informações, estabeleceu uma certa ousadia em tentou especular o que poderia ocorrer no quadro de referência da economia brasileira. E parece que no caminho certo!

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QUANTO A SUCESSÃO PRESIDENCIAL O SCENARIUM ESTÁ NO RUMO!

Alguém há de se lembrar que se fez aqui uma tentativa de antever os desdobramentos da sucessão presidencial. Ousou-se afirmar que dificilmente Aécio Neves seria candidato à Presidência da República porquanto ele enfrentaria sérias dificuldades. A primeira delas era que Serra, melhor posicionado junto a opinião pública e mais viável para enfrentar um candidato de Lula, seria pule de dez na proposta de prévia para a escolha de candidatos sugerida por Aécio Neves. Em segundo lugar, Aécio não conseguiria se impor como candidato dentro do partido e, perdendo uma prévia, uma negociação para o cargo de Vice-Presidente, ficaria mais difícil. Como exemplo, vide o que ocorreu com Hillary Clinton. Em terceiro lugar não arriscaria a aventura de tentar mudar de partido e ir para o PMDB pois, se Ulysses que era Ulysses foi cristianizado pelo partido, imagine Aécinho!

Por outro lado, aguardar que o PT o veja como opção para conseguir o apoio de Lula e da estrutura partidária, Aécio já tem a experiência e o exemplo da última eleição para prefeito em Belo Horizonte. Não dá para acreditar que o PT apóie um candidato como Ciro Gomes ou Aécio Neves.

Finalmente, ser candidato ao Senado, dentro do processo de crise que vive a instituição, é ficar obrigado a esperar oito anos de Serra no poder e perder as referências do tempo e do prestígio atuais. Assim, a hipótese lançada pelo jornalista Kennedy Alencar, da Folha de São Paulo, de que Aécio comporia chapa com Serra como Vice, não deveria pegar de surpresa os analistas políticos pois os graus de liberdade de Aécinho, no momento, para uma disputa presidencial, são quase nulos.

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REFORMA POLÍTICA: LISTAS FECHADAS ESTÃO PEGANDO

Pesquisa realizada entre parlamentares, na Câmara dos Deputados, mostra que 79% deles não aceita um terceiro mandato para Lula. Claro que, como dizia Magalhães Pinto, a política é como nuvem: a gente olha para cima e está de um jeito. Baixa a vista e quando olha de novo, ela mudou. Assim, essa aferição contrária a idéia talvez conflite com o levantamento de assinaturas feito por um parlamentar que já coletara mais de 130 apoios a uma PEC para permitir o terceiro mandato para Lula. Embora isto ocorra, diante da crise de desconfiança e de desapreço ao Congresso Nacional, os parlamentares discutem seriamente a proposta das chamadas listas partidárias fechadas para a escolha dos candidatos proporcionais. Ou seja, através da convenção partidária e a partir de critérios de escolha da posição dos postulantes na lista, definir-se-ia quem seria eleito deputado federal ou estadual.

O eleitor votaria no partido, no seu programa, nas suas propostas e nos seus compromissos. Por outro lado, acabaria a guerra fratricida dentro do partido entre os companheiros para ver quem superaria quem. Ao fazer com que o eleitor vote na legenda e não no candidato, não enfraquece a posição do eleitor pois que a maioria nunca lembra em quem votou para deputado na última eleição.

Uma outra vantagem das chamadas listas fechadas é o de reduzir os custos eleitorais, máxime se a mudança vier acompanhada do financiamento público de campanha. Há o risco de os tiranetes e os controladores dos partidos tentarem compor a lista só com os seus apaniguados na ordem de preferência prioritária.

Mas, a escolha de nomes desconhecidos, de homens e mulheres com folha corrida na polícia ao invés de currículo e de pessoas sem qualquer preparo ou destaque na sociedade, leva um embate entre partidos no sentido de que, quem não botar o melhor time em campo, “vai ser roubado”.

A única alternativa a não aprovar as chamadas listas fechadas seria permitir que alguém que concorre a um cargo majoritário pudesse concorrer também a um cargo proporcional – e somente em um único estado – como ocorria no passado e como hoje ocorre na França e em outros países. Tal alternativa fortalece o partido por não deixar na chuva líderes expressivos – vide o caso de Alckimin em São Paulo, entre outros – e fazer com que o mesmo seja um grande puxador de votos para a legenda. Também estimularia a muitos, a serem candidatos na chapa pois isso levaria a que todos se empenhassem na expectativa de virem a ser contemplados com uma cadeira, mesmo que não tivessem o potencial de votos para tanto. Se o líder que disputasse a majoritária fosse eleito, ele não só teria carregado um número significativo de votos para a legenda e eleito uns dois ou três deputados a mais como permitiria ainda que o último da fila tivesse a chance de assumir uma cadeira em seu lugar. Mas esta é uma proposta polêmica e como disse Temer, reforma política só se for em 2014!

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