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9 mar 2010

TANCREDO, O ARAUTO DA ESPERANÇA QUE NÃO SE CONCRETIZOU!

Escrito por PauloLustosa. Nenhum Comentário

As celebrações do centenário de Tancredo Neves revelaram, para as novas gerações, a dimensão política de um homem que, em momentos cruciais da história do Brasil, deu lições de brasilidade, de transigência e de conciliação e de capacidade de encontrar soluções para os impasses construídos pela incompetência de uns, pela prepotência de outros e pela arrogância de muitos.

O mineiro de São João Del Rey, se iguala, na visão e ótica deste cenarista, no mesmo nível de estadistas como Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa, Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek, sendo que, na habilidade e no desprendimento político, supera os dois últimos. Ele faz parte de um tempo onde os políticos eram cassados por defender a democracia e a Constituição, diferente dos tempos amargos de hoje, onde quando não vagam impunes, são cassados por corrupção e desrespeito às leis do país.

Este cenarista fez política, ainda no tempo em que o eleitor se orgulhava do seu representante, quando o representado lembrava-se dos bons momentos e das boas ações, das iniciativas e dos discursos do seu deputado; onde, por exemplo, este cenarista teve o privilégio de ser chamado por Tancredo Neves de “o Vanguardeiro do Nordeste”, não só pelo seu papel no Colégio Eleitoral que o elegeu, mas pela sua crença inabalável de que era crucial que o nordestino vivenciasse e experimentasse uma espécie de “ideologia da nordestinidade”, sentimento de amor a terra tal qual o que liga os mineiros a Minas, a Minas de todos os brasis.

Ministro da Desburocratização, escolhido tão somente pelo próprio Tancredo, como é testemunha o Senador Pedro Simon, este cenarista procurou honrar a opção que lhe fez “o arauto da esperança” e construiu, no período em que foi ministro, toda a estrutura da defesa do consumidor no Brasil, além de ter dado enorme impulso à informatização do Judiciário e a proposta de agilização de suas ações, através de um amplo trabalho de organização e métodos nos fóruns e cartórios espalhados pelo Brasil afora.

Se tal não bastasse, construiu todo um conceito e um trabalho a favor do empreendedorismo nacional, não só como ministro, mas depois, quando implantou o próprio SEBRAE, com S, dando-lhe autonomia administrativa, orçamentária e financeira e desenvolvendo o programa Pequenas Empresas, Grandes Negócios!

Tudo sob a inspiração daquele homem pequeno, mas que foi capaz de responder, aos trinta e cinco anos, como Ministro da Justiça de Getúlio, ao desafio de se propor a enfrentar os militares golpistas da época. E que garantiu, com sua ação negociatória e conciliatória, a posse de JK na Presidência da República. Foi fiador da posse de Jango, com a engenhosa criação da figura do parlamentarismo no Brasil, respeitando o direito do presidente constitucional do País, João Goulart, e que, pelo seu papel histórico de estadista, teve profundo respeito por parte de Castelo Branco, ao rejeitar, com um duro, “Este não!” a proposta de militares radicais pedindo a sua cassação nos pesados anos de chumbo do golpe militar.

E foi Tancredo, representando o espírito libertário de Minas quem aceitou o desafio de confrontar o poder e, num difícil colégio eleitoral, mudar a história do Brasil e iniciar a construção do estado democrático de direito. Tancredo, que tinha como farol dos seus sentimentos democráticos, o protomartir da independência, Tiradentes, a quem chamada “desse herói ensandecido de esperança”. E essa saga de Tancredo, quando ao tomar posse no Governo de Minas, de maneira tão oportuna e precisa, iniciava o seu discurso, com a frase símbolo das alterosas: “Minas, teu nome é liberdade”!

Quando os brasileiros e o mundo assistiram a um pedreiro cubano, depois de oitenta e cinco dias de greve de fome, morrer, enaltecendo  o seu próprio gesto ao afirmar que “morrer pela liberdade e pela democracia é viver eternamente” ou como está a afirmar uma outra vítima do estado ditatorial cubano, Guillermo “Coco” Fariñas, ao afirmar que “há momentos na história em que é preciso haver mártires”, a gente se orgulha de Tancredo que deu uma vida pela preservação das liberdades e dos direitos civis dos brasileiros. E sonha com um retorno glorioso a um passado de ética e do respeito ao  múnus públicos de homens como ele, Ulysses, Teotônio e tantos outros.

Parece que estes dois cubanos estariam, de forma indireta, homenageando aquele que, para nós, não apenas criou a Nova República, como nos deu a maior das lições de que “tudo vale a pena, até mesmo a  vaidade de ajudar a construir a liberdade e lançar as bases do respeito a cidadania”.

7 mar 2010

QUAIS AS PROPOSTAS QUE DEVERÃO SER LEVADAS A PÚBLICO PELOS CANDIDATOS?

Escrito por PauloLustosa. Nenhum Comentário

Muita gente começa a mostrar preocupação com o discurso e com as propostas dos candidatos à Presidência da República, máxime as idéias daqueles com maiores possibilidade de êxito eleitoral, no caso, Dilma e Serra.

Não satisfaz ao grande público o belo fraseado de que “não interessa o embate entre o ontem e o anteontem”. Nem tampouco que são “as idéias e não as pessoas que devem brigar”. Não importa as adjetivações do tipo, “continuidade sem continuísmo” ou as indicações mais chulas do tipo “time que está ganhando não se mexe”. Tampouco, dizer como este cenarista tem dito que as pessoas querem saber o que propõem os candidatos para o seu amanhã e não falar de coisas já conquistadas. Nem tampouco que se vendam sonhos e esperanças. O que se cobra é que sejam consequentes.

Na verdade as pessoas querem respostas para os seus dramas e, de um modo geral, não são os seus chamados direitos difusos ou as propostas para a coletividade que lhes interessam. Preocupam-se com a saúde, a educação e a segurança, de maneira mais geral. Estão atrás é do emprego, da vaga do filho na escola pública, do atendimento hospitalar, do transporte coletivo mais adequado e da chance de sonhar que o amanhã será bem melhor do que o ontem. No fundo, as pessoas querem respostas para os seus problemas pessoais e suas angústias mais imediatas.

Lembra tal comportamento das pessoas, muito o que, se não se engana o cenarista, uma passagem do livro de Eça de Queiroz, “O Conde D’Abranhos”, quando um seu humilde eleitor foi levá-lo o seu também humilde pleito. O Conde, deputado representante do pobre homem, começou a discorrer sobre os conflitos da humanidade, as crises existenciais e os problemas humanitários maiores. E o pobre homem, segurando o chapéu, após ouvir tão longo discurso disse, humildemente: Seu Conde, eu só vim aqui atrás do meu emprego!

Na verdade, não adianta dizer o candidato que promoverá um crescimento sustentável ambiental e socialmente; que a estabilidade econômica é condição sine qua non para um crescimento seguro; que as conquistas sociais serão mantidas e ampliadas; que educação, saúde e segurança são prioridades maiores do governo, etc. e etc., pois tudo isto não cala junto ao povo.

Provavelmente um discurso com vista a solução de problemas de forma mais pontual, atenda melhor e seja melhor compreendido pela população, não apenas pelos filhos do bolsa família mas também pelos mais abastados.

Se alguém quiser fazer um discurso convincente para os cariocas, por exemplo, que tal propor que apoiará a montagem das UPPs em todas as grandes favelas do Rio? Que tal propor programa de mudança de populações de áreas de risco desde que seja de todo impossível urbanizar e dar segurança as atuais ocupações? Que tal garantir que o metrô estará atendendo a, pelo menos, 80% da população do Rio até 2014? Que tal garantir aos nordestinos que, até 2014, toda a questão de água estará resolvida com a transposição, as adutoras do sertão e outras soluções capazes de superar de vez o drama das populações do semi-árido? Que tal prometer aos paulistanos que, nunca mais, o desastre de 2009/2010 se repetirá, pois se montará sistema assemelhado ao de Tóquio de proteção contra inundações? Que tal prometer um “tour de force” no sentido de superar os gargalos de infra-estrutura acelerando os investimentos em portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, comunicações, etc., quer via investimentos diretos, PPPs, investimentos internacionais, concessões, etc.?

Enfim, propostas pontuais que respondam aos grandes desafios do país, mas que a população perceba a relevância e a urgência bem como a capacidade do governo de fazê-las e viabiliza-las, deverão representar o discurso mais interessante e confiável dos candidatos.

O pontual vai superar o geral.

6 mar 2010

DEPOIS DE MINAS, O QUE VIRÁ?

Escrito por PauloLustosa. Nenhum Comentário

Muitas foram as confabulações, as articulações e as tramas de bastidores ocorridas em Minas, na última quinta-feira. Muitas foram as especulações, as interpretações de gestos e as tentativas de avaliar o que queriam dizer alguns próceres, de forma direta e expressa ou, talvez, nas próprias entrelinhas. Nunca houve uma circunstância em que cada gesto foi pensado, medido; cada palavra ponderada; cada indagação respondida com cautela e avaliando as suas consequências, como nesta festiva e apoteótica quinta-feira, em Minas Gerais.

A hora, para os políticos, para os analistas políticos e para os jornalistas, é a de buscar interpretações, fazer conjecturas e ilações sobre o que sobrará das comemorações dos cem anos de Tancredo Neves. Os mineiros sonhavam que ali, dar-se-ia a concretização de seu “wishful thinking”, qual seja, ver o seu menino-homem, ungido candidato das oposições, à Presidência da República. Mas, o calabrês José Serra, com muita estrada e muita vivência, é muito mais frio, mais experimentado, mais calculista e mais senhor de seus destinos do que a “vã filosofia imagina”, de tal forma que, nem as grandes emoções ai sofridas ou vivenciadas por ele, abalaram, aparentemente, o seu “mood”. Serra saiu do evento, para muitos, com determinação ainda maior de ser candidato, já tendo mandado Goldman, seu vice, preparar-se para assumir o governo e Aluisio Nunes Ferreira e o seu marqueteiro, prepararem-se para estabelecer orientações e diretrizes para que o comando nacional do partido ajuste-se a linha e aos ditames do que é o seu estilo e seu “jeitão” de comandar o processo.

Ciro Gomes, parceiro de empreitada de Aécio na eleição do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, também torcia, desesperadamente, para que fosse Aécio o candidato, pois que, em tal ocorrendo, resolveria os problemas seus, de Tasso e do governador, seu irmão. Ciro até provocou Tasso chamando-o, carinhosamente, de “meu vice-presidente”, vez que, o que se especula é que, caso Aécio não aceite ser vice, Serra buscaria um vice do Nordeste e, o mais adequado e oportuno para a empreitada, seria o Senador Tasso Jereissati. Claro que alguns acham tal possibilidade remota porquanto Tasso sempre teve e, parece ainda ter, as suas diferenças com Serra. Mas, como o que interessa é ganhar o pleito, Serra “engoliria” Tasso. Isto porque o Ceará é o quinto maior colégio eleitoral do País e, até agora, é o mais “embrulhado” no que tange a formação de palanque para Serra. Tasso não se entusiasmou, aparentemente, com a idéia, pela provocação que se fez de sua possível candidatura a vice de Serra. Mas, como dizia Gonzaga Motta, ex-governador do Ceará, “a política é dinâmica” e, tudo pode acontecer!

Por seu turno, o PT continua querendo aprontar das suas, ameaçando lançar o nome de José Alencar como candidato ao governo de Minas, numa nítida provocação aos demais partidos, fazendo jogo com o estado de saúde do Vice-Presidente, para tirar proveito eleitoral em Minas.

Por outro lado, os petistas estão apavorados com a hipótese de Lula credenciar-se, efetivamente, para assumir a candidatura de Dilma, afastando-se do governo por três meses. Deixar o governo, para os petistas, nem pensar. E o principal partido aliado de Lula, o PMDB, nem piscou para dizer que apoiaria a idéia.

Finalmente, um dos grandes temores da Oposição é que Dilma assuma muito a postura de “filha do Lula” e que, o seu papel de candidata a Presidente, seja deveras reforçado.

5 mar 2010

FALANDO DE COISAS BOAS!

Escrito por PauloLustosa. Nenhum Comentário

Há quase unanimidade, entre economistas brasileiros e analistas de fundos de investimentos, além de alguns autodenominados cenaristas, de que, em 2010, o País crescerá mais que 5% e, talvez, menos que 6%.

E isto sem se falar no “constrangimento externo” onde se admite dificuldades em buscar financiamento para um déficit nas contas com o exterior, que deverá superar os 60 bilhões de dólares. Também, mesmo sabendo-se das restrições provocadas pelos gargalos da infraestrutura de transportes, energia e comunicações, ainda assim, o país terá um bom ano, inclusive na geração de empregos diretos.

Aliás, os resultados alcançados pelo emprego, com carteira assinada, em janeiro de 2010 – mais de 180 mil postos criados! – colocam uma perspectiva, bastante otimista, de que o Brasil superará mais de 2,4 milhões de postos de trabalho em 2010. Tais dados são bastante alvissareiros na proporção em que, em 2009, o crescimento econômico foi zero e, pelo andar da carruagem, 2011 deverá ser um ano extremamente difícil, pois as restrições institucionais, a limitação de mão de obra qualificada para a indústria, as repercussões dos problemas fiscais criados em 2009, poderão comprometer os resultados desejados ou esperados. E, em não se mencionando os problemas relativos à elevação da taxa de investimentos do país, que continua patinando no entorno dos 17%.

Ainda este ano, mas com repercussão em 2011, os problemas na zona do euro, a redução de fluxos financeiros de investimentos, além dos atrasos nas obras de infra-estrutura do famigerado PAC, deverão comprometer as expectativas de crescimento do país. Também, os dados relativos aos problemas fiscais, vez que, até agora, medidas restritivas e corretivas ainda não foram sequer aventadas, podem ampliar o conjunto de desafios para fazer com que as bases da estabilidade econômica sejam mantidas, sem atropelos.

Ademais, o “estatismo” proposto pelos lulistas, a tendência em retirar das mãos da empresa privada certas iniciativas, como por exemplo, o caso da formação de mão de obra para a indústria realizada pelo sistema S, além das dificuldades de superação dos impasses na área do meio ambiente, poderão comprometer os anseios de um crescimento sustentável e vigoroso da economia brasileira. Também é importante considerar que a “enxugada” de liquidez promovida pelo Banco Central ao aumentar o compulsório dos bancos – de mais de 71 bilhões de reais – aliado ao discurso do Presidente do Banco Central que ameaçou com “medidas duras e antipáticas”, tais como o aumento da taxas de juros básicas, pode levar a uma certa “travada” no crescimento.

Uma boa discussão a ser estabelecida agora é por que, para controlar uma tendência inflacionária, não se busca o aumento da capacidade produtiva das empresas, a redução das ineficiências, a diminuição da burocracia e a diminuição da carga de impostos, ao invés de se buscar o caminho de redução do crescimento? Por que não se aproveita o fato de que, para reduzir o impacto da crise econômica, foram realizadas, em 2009, várias renúncias fiscais setoriais, o que levou a redução da carga tributária do País em mais de um ponto percentual, e, planejadamente, tenta-se reduzir, em mais um ponto este ano? Seria uma boa contribuição do governo Lula, nos seus estertores, de ganhar ainda mais simpatias para a sua candidata.

Ainda quanto as bem sucedidas ações desenvolvidas pela iniciativa privada, é fundamental não podá-las, sob pena de enorme prejuízo para o País. É fundamental, portanto, lembrar que o SENAI, na sua função de gerar mão de obra qualificada para a indústria, em 1982, quando concorreu às primeiras Olimpíadas Internacionais sobre a qualidade da mão de obra qualificada, não teve sequer registro de sua qualificação ou do seu ranqueamento. Em 2008, chegou, pasmem, ao segundo lugar no mundo, superando Estados Unidos, Suíça e outros países desenvolvidos.

Isto vem a demonstrar que, certas iniciativas como o sistema S, devem ser estimuladas, apoiadas e fortalecidas tal como o que acontece com cerca de 30 mil alunos da rede escolar privada de Fortaleza que, nos dias que correm, levam mais vagas nas disputas dos vestibulares do IME, do ITA e da Escola Naval do que os estados de São Paulo e do Rio, juntos. Além disso, nas chamadas olimpíadas de química, física, biologia e matemática, de um modo geral, os cabeças-chatas levam 43% de todos os troféus.

Tal fato vem a demonstrar que, um pouco de visão estratégica, ousadia e capacidade gerencial dos governos, poderiam multiplicar, só no Ceará, por exemplo, a experiência de trinta mil alunos para 300 mil, em quatro anos e, dentro de um projeto bem concebido, estender os seus efeitos aos alunos da escola pública. Pelo que se vê o país não vive só da política e de más notícias.

4 mar 2010

A OPOSIÇÃO EM BUSCA DE UM DISCURSO!

Escrito por PauloLustosa. 4 Comentários

O “mantra” de Dilma, usando as metáforas e as expressões futebolísticas de seu guru, já é por demais conhecido: “em time que está ganhando, não se mexe”. Ou dizendo melhor, “continuidade sem continuísmo”, pois que, a essência do que foi plantado por Lula, precisa de uma guardiã para que tais programas não sofram solução de continuidade.

Aliás, para convalidar tal tese, Lula deverá mandar já, ao Congresso, a sua CLS ou uma versão, para a área social, do que foi a CLT, para a área trabalhista. Pretende, inclusive, mandar também um projeto de lei, criando a Lei de Responsabilidade Social!

Dilma continuará “colada” a Lula, ficará “vendendo o peixe” de que ela foi quem engendrou e fez operar todos os programas do atual governo e que, tais iniciativas melhoraram a vida dos brasileiros. Ademais, Lula, como seu fiador maior, garante que ela será uma governante com capacidade gerencial indiscutível e um conhecimento profundo de como funciona o governo e a sua máquina.

À oposição só restará a alternativa de dizer que, “o passado já foi conquistado e o que o povo quer saber é o que o futuro lhe reserva”. Para tanto a oposição, na busca de desconstrução do discurso do governo, deverá mostrar, em primeiro lugar, que o que se tem hoje é fruto de um processo e não fruto do acaso ou de uma ação de um governo, um homem ou um líder isolado. Sem a EMBRAPA, por exemplo, sem a infra-estrutura de comunicações do centro-oeste, sem a ousadia empreendedora dos que se dispuseram a ocupar áreas antes inóspitas e sem a força do crédito oficial, não existiria o vigoroso, eficiente e competitivo agronegócio brasileiro. Sem o Plano Real, sem a Lei de Responsabilidade Fiscal, sem o PROER, sem o cambio flutuante e sem as metas de inflação, o País não teria atravessado as várias crises econômicas internacionais e não teria criado o ambiente propício para os negócios e a retomada do crescimento. A quem creditar tais conquistas e tais êxitos? À sociedade brasileira, em primeiro lugar. A homens, até mesmo o próprio Sarney com o seu experimentalismo do malfadado Plano Cruzado; as maluquices do curto período de Collor na Presidência, com novos planos de combate à inflação e a abertura da economia; e a determinação de Itamar Franco e de seu ministro da Fazenda em intentarem, mais uma vez, a busca e a conquista da estabilidade da moeda do País com o Plano Real.

Portanto, as conquistas de uma sociedade e de uma nação não são obra de um homem só e nem de um só momento. São fruto de um processo que, não só se fez ao longo de um período de tempo como contou com a participação de muitos. Quanto das conquistas brasileiras não se devem a Getúlio Vargas? Quanto não se deve a Juscelino Kubitscheck? Quanto não se deve aos governos militares e sua visão estatizante?

Se se pretendesse estabelecer tal processo de fulanização da história, agora mesmo, a classe empresarial estaria debitando parte significativa da desindustrialização que vem enfrentando o País, nos últimos anos, ao governo do Presidente Lula que, ao não estabelecer políticas industriais que contivesse o processo de perda de posição relativa da indústria na economia nacional, máxime num país onde 80% de sua população é urbana, seria o responsável maior por tal problema. Mas, se o processo ocorreu, diferentemente do que ocorreu com a Coréia e a China, não pode ser de responsabilidade de um governante, mas de um conjunto de ações, omissões e erros de política econômica, praticados pelos governos e pela própria classe industrial.

Portanto, a grande “deixa” ou chance da oposição é buscar construir um discurso que fale do amanhã, mas de um amanhã que “venda” ao povo “esperança consequente” e fale daquilo que diz respeito ao seu universo de problemas e aspirações.

E aí vão duas recomendações. A oposição deve esquecer a sua linguagem empolada e saber que o grande eleitorado é aquele que entende e processa bem a linguagem de Lula. A segunda coisa é propor coisas que agreguem valor a vida dessas pessoas que tentam sair da faixa de pobreza absoluta bem como aquelas que conseguiram se transformar, orgulhosamente, em classe C ou em classe média. Além de quererem ver garantidas as conquistas que fizeram até agora, gostariam de vislumbrar o que mais se lhes poderá dar para a sua ascensão social, notadamente de seus filhos.

A classe C quer ouvir, dentro do que cabe na sua compreensão e entendimento, como reduzir a violência a que está sujeita; a ver, claramente, como o acesso à saúde poderá vir a ser bem melhor e como mais e mais oportunidades de emprego surgirão a sua frente.
Ou seja, o discurso tem que falar de sonho, de esperança e de amanhã, mas de um amanhã que as pessoas possam vislumbrar e perceber. Há que mexer com o imaginário coletivo.

Este cenarista lembra-se de um estudo que foi feito, há alguns anos, sobre preocupações, demandas, aspirações e sonhos da população, dividindo-a por nível de escolaridade. Foi colocado em um gráfico, nas abscissas, o espaço e nas ordenadas, o tempo. A maior parte das pessoas de menor escolaridade e de mais baixa renda se localizava no entorno da origem, querendo demonstrar, com isso, que só na proporção em que as pessoas avançam em termos de escolaridade, elas vão se preocupando com o universo em seu entorno. Primeiro preocupam-se com o vizinho e com a semana, os mais limitados em renda e culturalmente. Depois com a rua e com o mês. Depois com o bairro e com o ano. Depois, bem pouca gente, com o amanhã mais distante e com o estado e o país. E é dentro dessa perspectiva que as coisas devem ser montadas em termos de estratégias da oposição, se ela quiser competir com o discurso, por enquanto, imbatível, do “mito” Lula e repetido, à saciedade, por Dilma.

3 mar 2010

AÉCIO ESTÁ DE VOLTA?

Escrito por PauloLustosa. 2 Comentários

Há quem diga que toda essa exposição de mídia, nos últimos dias, reiterando, continua e sistematicamente, que não será candidato a vice, tem muito a ver com uma criativa e bem mineira, estratégia de marketing de Aécio Neves. Pelo que se assiste hoje, no País, o PSDB “e toda a torcida do Flamengo e do Corinthians”, estão insistindo, pelo bem da democracia – será? – para que ele aceitasse ser vice de Serra. Será que isto não é mais do que um bem engendrado esquema de exposição de seu nome à mídia, para, mais uma vez, colocar-se como candidato a Presidente da República, na eventual desistência de José Serra?

Isto porque, mesmo que, há mais de um mês haver declarado que não era mais candidato a presidente e nem a vice, Aécio, continua com, no mínimo, os seus dezoito por cento de preferência popular e, na hora que se disser candidato, necessariamente, os votos de Serra migrarão para ele. É bom lembrar que, caso assim ocorra, a primeira manifestação virá de Ciro Gomes que, em recente entrevista, admitiu a possibilidade de ser candidato a vice de Aécio. Aliás, isto, se assim ocorresse, resolveria o problema do Ceará, onde Tasso, pelo que todo mundo sabe, sonharia com tal evento e, de repente, resolveria o seu também dilema hamletiano, qual seja, votar em Ciro, não ver o governo do Ceará aliado ao PMDB e ao PT e, sair consagrado senador sem tem que fazer concessões ou ginásticas de ajustes de alianças.

E, coincidentemente, para quem gosta de numerologia, Aécio faz cinquenta anos no próximo dez de março, mas a serem comemorados amanhã na festança do centenário de Tancredo – os mesmos cinquenta anos da ora sofrida Brasília! -, seu avô, o maior presidente que o Brasil nunca teve que, se vivo fosse, faria cem anos e, inaugura a “obra do século” em Belo Horizonte. E, para quem quer mais, se já foi reeleito com 73% dos votos dos mineiros, termina o seu mandato com 75% de aprovação do seu governo.

Estranhamente, como só os mineiros sabem fazer e agir, há um “movimento” do povo das alterosas, que não aceita que Minas assuma um papel de coadjuvante na disputa presidencial. E claro, agregam que Minas, sendo a segunda maior economia do País, mais que isso, Minas são todos os brasis reunidos, desde o Nordeste – norte de Minas -, o Rio – Juiz de Fora -, São Paulo – o triângulo mineiro – e o Sul com tantos migrantes que hoje “tocam” o agronegócio mineiro.

Se se acha pouco para fundamentar a opção por Aécio, Minas uma vez perdeu, de direito, a chance de fazer o Presidente, nos anos trinta, quando Washington Luís descumpriu o acordo do “café com leite” e impôs a candidatura do paulista Júlio Prestes contra a acordada candidatura de Antonio Carlos de Andrada. E deu no que deu!

Diante de tudo isto, este cenarista acredita, “tal e qual” Eremildo, o idiota, que amanhã surgirão “nos céus”, sinais evidentes de que Serra desistirá da candidatura em favor de Aécio. Isto porque, os estragos provocados pelas enchentes em São Paulo, o enorme desgaste do DEM em função do “affair” Brasília e as dificuldades já sendo enfrentadas por Serra, frente aos seus correligionários e aliados, pela chamada estratégica “demora” de encontrar o “timing” certo para o anúncio de sua candidatura, levaram a problemas que começam a se mostrar difíceis de serem administrados, notadamente em alguns estados do País. Aliás, basta mencionar o fato de que, em Minas, Lula já conseguiu e, parece que falta pouco para fechar o acerto, convencer aos seus pares de que, sem Minas, Dilma não ganha a eleição e, portanto, é preciso apoiar Hélio Costa para Governador. Se isto ocorrer, será um prejuízo enorme para as oposições. Mas, para que isto não ocorra, basta que Aécio seja anunciado, já e já, o candidato e, aí, como todos sabem, os mineiros votarão, em massa, no seu filho dileto e, até Hélio Costa se dobrará a tal desideratum. E, se Aécio for o candidato, com certeza, o PMDB, aderirá, praticamente, na sua integralidade, ao charme e ao encanto do neto da Nova República e, portanto, neto do Brasil. “Se você não pode votar mais no filho do Brasil, vote no neto do Brasil. Mas vote no mesmo sangue”.

É por aí que este cenarista, tendo tido uma crise de pitonisa, resolveu definir o que ele considera o quadro surpreendente mas bastante plausível para o processo sucessório do país.

1 mar 2010

OS ESPAÇOS ESTÃO SE ESTREITANDO!

Escrito por PauloLustosa. Nenhum Comentário

As oposições, se é que existe algo concatenado, funcional e orgânico que possa ser chamado de oposições, entra em uma fase onde o tempo conspira contra ela. Os resultados da última pesquisa Datafolha mostram um quase empate técnico entre Serra e Dilma, revelando que a estratégia de Lula, de massificar a exposição de mídia de sua candidata e colar nela a sua “imagem e semelhança” tem sido, substancialmente amparada por um aumento da rejeição a Serra, uma demonstração de que os eventos como o “dilúvio” que se abateu sobre São Paulo, o desgaste de Kassab e o “tsunami” sobre o DEM, notadamente diante do escândalo brasiliense, tiveram impacto sobre as preferências da população, em termos da sua candidatura.

Ademais, a própria indefinição sobre o lançamento da candidatura e as incertezas que ainda a cercam – será que ele é ou não é? – levam ao desgaste de Serra.

Aí duas coisas já estão a ocorrer. A primeira é que Dilma, cada vez mais, dispensa a candidatura de Ciro para garanti-la no segundo turno. E aí, rapidamente, o que sobrará a Ciro, é já e já, acertar a sua candidatura a governador de São Paulo ou rezar para que o seu sonho se realize: Serra desista e Aécio seja o candidato.

Por outro lado, Aécio está “como o diabo gosta”. Ou seja, é o homem indispensável. Se quiser salvar a candidatura de Serra, aceitaria ser candidato a vice. Se não, deixaria a situação se desgastar um pouquinho mais e esperaria que as oposições fossem até a ele, e, num apelo patético, insistissem para que ele saísse candidato a Presidente, ao invés de Serra.

Uma outra constatação que a pesquisa demonstra é que a recuperação de mensaleiros, cuequeiros, aloprados e sanguessugas; as estripulias de José Dirceu; o “pisar na bola” de Lula no caso dos direitos humanos em Cuba e no “abraço de afogados” com o Presidente do Irã, tão repudiado pela comunidade internacional, além dos problemas fiscais no País, nada disso chega ao povo e nada disso afeta o  itinerário de sua candidata.

Mais uma vez, o que se nota e sente é que política é mais sentimento e emoção e, se o eleitor “is feeling good”, não interessa a cara, a simpatia, a proposta e nem as idéias do candidato. Sequer o seu passado ou os pecadilhos cometidos. Isto se assemelha a um candidato populista do Ceará, que o seu adversário, ao fazer um discurso interativo com o eleitorado perguntava a uma grande massa reunida na praça mais popular de Fortaleza: “Quem foi o prefeito mais irresponsável que Fortaleza já teve? E o povo, em coro, respondia: Bentinho! Quem foi o prefeito mais preguiçoso que Fortaleza já teve? E o povo bradava, em coro: Bentinho. Quem foi o prefeito mais ladrão que Fortaleza já teve? E o povo, mais uma vez, respondia: Bentinho! E, num coroamento de sua catilinária contra aquele que foi, sem dúvida, o maior líder populista do Ceará, o orador perguntou: Agora, pensem bem, no dia 3 de outubro, em quem vocês irão votar para prefeito de Fortaleza? E o povo, uníssono, respondeu: Bentinho! Bentinho! Bentinho!” Assim, desconstruir Dilma, chamando-a de mandona, autoritária, guerrilheira, pouco simpática e boneco de ventríloquo de Lula, não pegou e, pelo jeitão, não vai pegar. Há que ter um novo mote, junto com uma nova cara e um novo jeito de ser do candidato da oposição para a coisa começar a abrir perspectivas de que a disputa, como acham os “experts”, venha a ser muito disputada. Uma “chapa” Aécio e Ciro, bem que poderia incendiar a campanha. Mas, como fazer isto? Será que Aécio, nos entendimentos que fez com Serra, acenou com tal possibilidade? Todos sabem que Aécio Neves, o mais bem  “ranqueado” ou o mais bem avaliado governador do País, do segundo maior colégio eleitoral, com toda carga mística do avô e com capacidade de articulação e negociação invejáveis, seria o ideal para as oposições. Mas, daria tempo? E Aécio, estaria disposto a abrir mão da senatória garantida e tranquila? Este cenarista acha que sim e, se Serra não quiser correr riscos de abrir mão do controle dos dois maiores orçamentos do País, então esta semana será decisiva para clarear o cenário político-eleitoral do País.

Finalmente, a única coisa que se sabe é o que a pesquisa comprovou sobre o PMDB. O partido não tem comando nacional e o dito comando não manda quase nada.  O PMDB, pelo jeitão, não vai entregar a mercadoria, ou seja, 46% dos peemedebistas consultados não votariam em Dilma e, sim, em José Serra. Aí a candidatura de Michel Temer, que já estava mal das pernas, vai, definitivamente, para o brejo.

28 fev 2010

CIRO: “TO BE OR NOT TO BE”, THAT’S THE QUESTION!

Escrito por PauloLustosa. 1 Comentário

Como bom sobralense, marcado e estigmatizado pelo idioma bretão, Ciro vive a mais profunda crise existencial de sua carreira artística: ser ou não ser candidato a Presidente da República. Inobstante os seus arroubos, as suas manifestações incisivas de que, ou seria candidato a Presidente ou não seria candidato a mais nada, Ciro dobrou-se às circunstâncias e, do alto de sua presunção, segundo os seus adversários, deu uma de Imperador Dom  Pedro I: Se é para o bem de todos e felicidade geral do País, diga ao povo que… posso vir a ser candidato a governador de São Paulo! Exatamente da forma e do jeito que queria Lula!

A sua entrevista mais recente, após o seu encontro com os dez partidos paulistas que, neste momento,  estão matando “cachorro a grito”, pois que o governo não tem candidato viável ao governo de São Paulo, diante da “avalanche” Alckmin, abre a perspectiva de que tal hipótese venha a ocorrer. E numa hipótese, embora remota, de Serra partir para a reeleição ao governo do estado, então é que crescem as dificuldades para o PT e para Dilma, em São Paulo. E, diante de tal quadro, cresce a angústia dos líderes ligados a Lula, no maior colégio eleitoral do país, só lhes restando, como única alternativa, a clara indicação de que o caminho é Ciro. E, a esta altura dos acontecimentos, só Ciro seria  capaz de lhes garantir sobrevivência ou sobrevida política. Aliás, tanto tal alternativa serve ao PT e aos aliados, como ao próprio Ciro, pois fecharam-se as alternativas político-eleitorais para ele.

Assim, Ciro está deveras inclinado a atender aos apelos insistentes de Lula e, como é sabido, dobrar-se no sentido de atender às pré-condições, necessárias à reeleição do Presidente do PSB, Eduardo Campos, para Governador de Pernambuco. Então, como tudo vai se fechar nas “águas de março”, provavelmente, Ciro irá “desocupar a moita” e assumir a sua candidatura a governador de São Paulo, muito em breve.

A última e emblemática frase de Ciro foi aquela de que se “for para o bem do Brasil e se o seu partido assim determinar, disputará o Governo de São Paulo”. Mas, Ciro, ainda sonha com a possibilidade de que, Serra, diante dos problemas e dificuldades, resolva abrir o espaço para Aécio Neves e, então, provavelmente, ele seria convidado para ser candidato a vice, na chapa de Aécio. Será possível tal ocorrer diante de todo o seu envolvimento pessoal com o PT? O único caminho que se deve trilhar é esperar e esperar para ver o que vai acontecer. No mais, é só especular! Pois que, “política, como dizia o velho Magalhães Pinto, é como nuvem. Você olha para cima ela está de um jeito. Baixa a vista e quando a levanta de novo, ela já mudou de forma e de posição”.

28 fev 2010

O QUE ELES PENSAM?

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Marina Silva,  a candidata “low profile”, a frágil, moreninha, “a que se fez por si só”, de saúde precária mas de gestos doces, conseguiu, com determinação e humildade, agora a pouco, um grupo excelente para ajudá-la a formular o seu programa de governo. A política ensinou-a a conceber e ser capaz de ensaiar um discurso do tipo “paz e amor”, mas também a ensinou que o monocórdio discurso da sustentabilidade não somaria pontos na proporção que seria uma proposição quase que, hermética e não mexeria no inconsciente coletivo. O que começou a fazer foi afirmar algo diferente de seu perfil dito eco-xiita.

Habilmente, ao não deixar de elogiar Lula – mas não o seu governo! – não fica com o estigma de traidora, ingrata e de quem “cospe no prato em que comeu” mas, também, numa espécie de contraponto – dando ora  “uma no cravo e outra na ferradura!” – afirma que “governaria apoiada no que há de melhor do PT e do PSDB”. Ou seja, recoloca os partidos ditos de esquerda e, doutrinária e programaticamente, com enormes afinidades, numa aproximação que já existiu outrora e que as conveniências do poder os afastou. E, de maneira talentosa, demonstra que, na verdade, PT e PSDB, pensam da mesma forma só que um “aparentemente de tamancos” e o outro, “de punhos de renda”.

Se Marina assim fala, Aecinho, quando ainda era pleiteante a uma possível pré-candidatura a Presidente, martelava o seu discurso de que não seria um anti-lula, mas um pós Lula, como manda a tradição mineiro-pedessista. Ou seja, mineiro não vai para o confronto, mas para o entendimento e a conciliação. Com isto Aecinho nem abriu um flanco de divergências com os petistas, nem com os filhos do bolsa-família e, nem sequer com a esquerda – se é que ainda existe! – país afora.

Ciro, por sua vez, querendo convencer à classe política, à mídia e ao próprio Lula de que é fundamental para a democracia e para os próprios propósitos de Lula, fugir do caráter plebiscitário da eleição além de sugerir que o discurso não pode ser o confronto do “ontem com o anteontem e nem do ontem com o agora”, mas sim, um grande encontro com o amanhã.

Dilma, por outro lado, tenta criar uma “cara” própria, embora continue a dizer que quer continuar a obra de Lula, quer agregar, a tal esforço, a sua competência gerencial e os condicionamentos dos novos tempos, inclusive revendo o seu discurso de contemporizar com a banca e as grandes empresas nacionais. Ademais, repaginando-se para aparecer, “simpática, risonha e original”, reduzindo as restrições de quem a acha mandona e durona.

Serra, rumina idéias, estabelece o “timing” que considera adequado para botar a cara na janela e ter que começar a enfrentar o embate que, nesse momento, não lhe agregaria pontos e, segundo os seus assessores mais diretos, só lhe faria desgastar a imagem perante o seu eleitorado cativo. Assim, gasta o seu precioso tempo costurando alianças, construindo palanques e superando divergências que produzam problemas na sua base de apoio.

Por outro lado, aos analistas da cena política nacional, há a descoberta óbvia de que, dificilmente os discursos dos candidatos terão diferenças fundamentais. Todos irão defender a estabilidade da economia com os seus instrumentos já consolidados; buscarão o desenvolvimento com sustentabilidade ambiental e social; proporão uma presença mais significativa do Brasil na economia internacional e sugerirão idéias para priorizar tudo o que sempre já foi dito prioritário como educação, saúde, segurança, ciência, tecnologia e etc.

No final, no Brasil, como todos são progressistas e ninguém é liberal, sobraria o desafeto de Franklin Martins, o jornalista Diogo Mainardi, mas como é muito impiedoso na crítica ao obscurantismo, a esperteza e a “dita” incompetência de Lula e da companheirada, fica “stand by”, como o último dos liberais.

A pergunta que não quer calar, independente da postura ou da autodenominação de qualquer dos pretendentes ao papel de Magistrado da Nação, é saber qual a proposta de cada um e que tipo de país cada um pretende oferecer ao imaginário coletivo.

Por enquanto, tudo que vai ocorrer nesse período deverá ser a enxurrada de movimentos de desconstrução dos adversários e de comparações entre governos. E, os mais sábios, buscarão, acima de tudo, a boa exposição de mídia e, os mais tolos, o enfrentamento do perfil conservador da mídia nacional.

26 fev 2010

AS VÁRIAS FACES DO PT!

Escrito por PauloLustosa. 1 Comentário

A caleidoscopia petista não se diferencia, pelo perfil ideológico, de cada grupo de poder dentro da agremiação. Como sói ocorrer nos demais partidos  políticos nacionais, o PT, nos dias que correm, é um amontoado de militantes com  perspectivas, valores e propósitos, de visão extremamente pragmática. Na verdade, hoje, diante das circunstâncias, o PT se caracteriza por uma divisão  de grupos, cujos critérios não mais são doutrinários, ideológicos ou sequer programáticos. Seguindo o que dizia Ortega y Gasset, no “eu sou eu e as minhas circunstâncias”, o PT vive mais de suas circunstâncias e conveniências do que da essência de suas convicções ideológicas.

Dentro de uma possível classificação, numa perspectiva  nitidamente pragmática, hoje o PT, não se divide, como no passado – e põe passado nisto! – como o PMDB, entre moderados e autênticos. No PT a classificação é  hoje outra, em função das experiências vivenciais dos dirigentes partidários e da sua “dura e difícil” exposição ao poder.

Hoje o PT tem quatro grandes divisões, quais sejam:

a) os ideológicos, revolucionários e “bolivarianos”, como bem mostra a foto “orgástica” do condestável Franklin Martins, abraçando o “Coma Andante” Fidel, como o consagrado “novo Goebbels”, da república tupiniquim, dos tempos modernos; Dilma que, competentemente, é, mais faz de conta, que não é; Luis Dulci, Tarso Genro, Paulo Vanucci, Valter Pomar, entre outros;

b)  os chamados pragmáticos ou os “espertos” pragmáticos, que são os controladores do partido e da máquina de governo, incluindo-se aí José Dirceu,  LUis Gushinken, José Genuíno, Virgilio Guimarães, José Mentor, Professor Luisinho, Gilberto Carvalho, João Paulo Cunha, Palocci e outros menos votados;

c) os chamados excluídos, que apostaram as suas fichas em um projeto de poder e viram as coisas serem alteradas e desviadas do curso idealizado por eles, de tal forma que, ao não vislumbrarem mais quaisquer perspectivas de que seus sonhos se transformassem em realidade objetiva, resolveram abandonar o barco e seguirem outros caminhos.  Entre eles estariam Frei Beto, Leonardo Boff, Xico Oliveira, Plínio de Arruda Sampaio, Marina Silva, e outros;

d) os “aparelhadores” ou detentores da providencial “boquinha”, onde, a expressão maior, assumindo uma “bocona”, seria o Presidente da Previ, Sérgio Rosa, bem como os ocupantes dos quase cem mil cargos de confiança, distribuídos, Brasil afora,  entre as várias alas e correntes petistas.

Esse é, sem dúvida, o perfil do partido dos trabalhadores nos dias que correm. Assumiram, não sei se por vocação intrínseca ou pela convivência com o PMDB, a postura do chamado pragmatismo responsável, para eles e irresponsável para o país, de que o que vale é o itinerário e o resultado político e não velhas crenças e ultrapassadas convicções políticas. O resto é conversa para candidato sem viabilidade e sem sucesso político-eleitoral.

Pelo que se sabe, não há mais petismo e sim um lulismo que, sem o carisma do seu líder maior, vai-se, aos poucos, dismilinguindo-se. A militância, não é  mais dos sonhos e das esperanças alimentadas por um socialismo fabiano. Hoje, para que ela opere, há que ser paga e, sem Lula, ela, praticamente, inexistirá.  E Lula, será, apenas, um símbolo e um mito, a ser lembrado e exaltado pelos bolsa-família e saudosistas e não será mais o fiador e garantidor de que os excluídos terão vez. Aí, provavelmente, vai começar o processo de desconstrução de Dilma, nua e só!

23 fev 2010

RECONSTRUIR, DESPRIVATIZAR OU FORTALECER O ESTADO?

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O PT não é prosa. Aparentemente, a linha albanesa venceu o embate e impôs um programa partidário que, realmente, se não houvesse uma bruta encenação no processo, onde o pragmatismo cínico e a esperteza dos “condestáveis” de volta ao proscênio, com todo o poder, darão o tom do que vai ser o discurso e a prática da candidata Dilma Roussef.

Ou seja, aquietai-vos assustados liberais, direitistas, conservadores ou pessoas de bom senso. Não temais o que há por vir. Os “lulistas”, já que os petistas mais radicais foram para o PSOL e o PSTU, desistiram da luta ou se desencantaram de tudo e com todos, estão mais preocupados em manter o poder, segurar os empregos e garantir a boa mordomia que aprenderam a usufruir.

Assim, embora Franklin Martins, o chamado Goebbels da esquerda, tenha conseguido influenciar “corações e mentes”, claro que contando com a condescendência e a conivência de Dilma, para apresentar os pontos que assustam banqueiros, empresários internacionais e nacionais, agronegócio, inexperientes políticos, classe média assustada e os petistas que ora aparelham o estado, eles, na verdade, não levam tais bandeiras a sério. E quais são tais bandeiras?

1. Imposto sobre grandes fortunas;

2. Reforma agrária – aceitação da idéia do fim da criminalização dos movimentos sociais com reintegração de posse, sem violência;

3.  Programa Nacional de Direitos Humanos ou uma nova constituição, na linha bolivariana, pela extensão dos temas tratados;

4. Combate ao monopólio dos meios de comunicação eletrônicos com a possibilidade de o Executivo poder cassar outorgas, concedidas pelo Legislativo, caso a linha e o conteúdo não estejam de acordo com o Projeto Nacional de Transformação da Sociedade do Governo;

5. Jornada de 40 horas semanais.

E, para arrematar, Dilma fez seu discurso apoiada na idéia de fortalecimento do estado, na opção de política externa pelo terceiro-mundismo e no distributivismo dos programas sociais, sem avaliar o seu papel efetivo na inclusão social definitiva e sustentável dos vários segmentos sociais. Segundo alguns analistas, com a carga tributária que temos; com um sistema previdenciário de primeiro mundo e em processo de inviabilização contábil e financeira e com bancos estatais que controlam boa parte da economia, a medida adicional – taxação de grandes fortunas – restringe, bastante, os estímulos ao investidor.

Se se considerar a chance de intervenção direta nos meios de comunicação; a lei do pré-sal; a lei de mineração; a lei de distribuição de lucros dos 5% adicionais; aí então se terá o ambiente propicio para inviabilizar qualquer negócio. E, se se proíbe a compra de terras agrícolas por estrangeiros, estará o país no pior dos mundos.

Tudo parece uma bruta encenação, uma espécie de manobra diversionista e uma estratégia também para melhor negociar as suas idéias com a sociedade civil e com os aliados potenciais. A manobra diversionista é, talvez, para esquecer o episódio dos quarenta dos mensalão, os dossiês dos aloprados, as estripulias do compadre Roberto Teixeira, os negócios de Lulinha, os cuequeiros, os sanguessugas e as demais espertezas, fazendo com que a mídia, os empresários e os consumidores temam pela desestabilização das instituições e da economia, diante de propostas tão agressivas e ousadas.

A outra razão para tais diatribes é dar uma idéia de que o partido será quem decidirá tudo e não mais o Lulinha, paz e amor. E o interessante disso tudo é que na Rússia, o Primeiro Ministro está lançando um ousado programa de atração de investimentos externos apoiado na privatização de estatais estratégicas, no corte de impostos e na diminuição da burocracia, acreditando que está no caminho do crescimento e do desenvolvimento. E na China, o programa de governo continua apoiado no simbólico “um centro e dois pontos”, onde o centro é a reestruturação e modernização da economia e os dois pontos são a desestatização e a abertura da economia.

Mas, todo mundo sempre soube que aqui a genialidade aflora com muita espontaneidade, para o deslumbramento do mundo. E se os gênios petistas acham que este é o caminho, é por que é e tem que ser. Ou é apenas cortina de fumaça, manobra diversionista ou o ouro dos tolos?

22 fev 2010

A “TCHURMA” VOLTOU PARA A ALEGRIA DE TODOS!

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O novo diretório do PT trouxe de volta os antigos dirigentes que, segundo José Dirceu, “injustamente denunciados por algo que faz parte da prática política, pois que, o mensalão nada mais era do que uma espécie de caixa dois para o financiamento de campanha”. Inobstante tal acusação, a enfática defesa feita pelo homem que ainda hoje detém 33% do controle do Diretório Nacional do Partido, através de seus fiéis escudeiros, é das mais eloquentes. Não só a sua própria defesa, mas a de colegas seus também injustiçados “por essa falsa moral burguesa”. Graças aos “ingentes esforços dos companheiros”, os injustiçados como José Dirceu, José Genuíno, João Paulo Cunha, José Mentor, Virgílio Guimarães, José Guimarães, entre outros, foram “recuperados” ou “resgatados” ou “regenerados” pelo partido dos trabalhadores.
 

Na verdade, foi uma reentre de gala no Diretório Nacional do partido com direito a referência elogiosa do novo Presidente do partido que, em seu discurso de posse, afirmou que “iria se inspirar no compromisso, no trabalho e nas realizações dos ex-presidentes José Dirceu e José Genuíno”! Não importa a denominação que se pretenda dar a tal gesto da agremiação, muito embora o Ministério Público e a Polícia Federal, e, pasmem, até o Supremo, concordem que houve abusos e crimes por parte dessas figuras proeminentes do partido, contra valores éticos e contra o patrimônio público! E os quarenta do mensalão, juntam-se aos companheiros aloprados, aos sanguessugas, aos cuequeiros, aos produtores de dossiês e aos compadres do Presidente e, até mesmo, o “neto” do Brasil, para a obra de reconstrução do novo PT. E, para tanto, assumiram um discurso agressivo de esquerda, de natureza estatizante embora a prática política dos dirigentes maiores do partido seja, prudente e objetivamente, a do chamado “lulismo de resultados”.

É interessante como o PT, realmente, talvez até como uma manobra diversionista, tenha apresentado um programa tão esquerdizante e estatizante, para entreter a mídia, segmentos conservadores e um empresariado que nunca entendeu o jogo político. E assim, faz-se a campanha de Dilma, esquecendo os pecadilhos, os pecados mortais e as dúvidas existenciais quanto a pureza de princípios e propósitos da companheirada. E, a própria Dilma, orientada por Lula, dá uma “no cravo e outro na ferradura” ao dizer que as idéias expostas pelo coordenador do programa de governo que ela apresentará à sociedade, serão objeto de exaustiva discussão com a sociedade civil brasileira e com o PMDB, que mereceu especial menção da pré-candidata face as suas excelsas virtudes como parceiro de empreitada, para que represente uma síntese do sentimento da maioria dos brasileiros.

Na verdade, Dilma cumpre bem o “script” desenvolvido por Lula que, objetivamente, se propõe não a defender idéias, mas, tão somente ganhar a eleição. Depois aí a coisa se define e se estabelece. E assim “caminha a brasilidade”.

20 fev 2010

DESEMPENHOS DA ECONOMIA!

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Aos poucos, os dados de desempenho da economia, do emprego e das finanças públicas brasileiros, vêm à lume, estabelecendo a chance de se discutir o que espera o País para este ano e para 2011.

Em primeiro lugar, quanto ao emprego. Em dezembro de 2009 foram para o brejo mais de 400 mil vagas, levando a um desempenho pobre, a geração de empregos naquele ano, apesar de todas as medidas anticíclicas aplicadas pelo governo brasileiro. Mas, já o início do ano, com a recuperação de dezembro, a coisa bombou e mais de 180 mil vagas foram abertas, demonstrando que, se a tendência se mantiver e se o crescimento for além de 5,5% como o mercado projeta para o PIB, então o emprego poderá superar os dois milhões e quatrocentos mil vagas até o fim do ano.

A expectativa em relação ao crescimento é a de que, em 2009, talvez tenhamos a desagradável surpresa de ter tido um crescimento zero ou até mesmo negativo. O que poderá deixar os petistas de crista baixa. Se 2010 deve superar os 5,5%, já a expectativa para 2011 não é tão favorável assim.

Quanto as finanças públicas, o desempenho da União foi extravagante, em parte justificada pelas pretensas medidas anticíclicas, mas que, na verdade, optando mais pelos gastos de custeio, com ampliação do número de funcionários públicos, polpudos reajustes e aumento dos cargos comissionados – uma média de sessenta por dia – fizeram com que os resultados alcançados pela União ficassem substancialmente inferiores aos estados de São Paulo, Rio e Minas que conseguiram segurar as finanças públicas, reduzir a dívida e não comprometer o futuro com gastos de custeio incomprimíveis.

É bom ponderar sobre o que advertem economistas e gestores públicos ao antecipar problemas para segurar a inflação, manter a taxa básica de juros, não aumentar a relação Dívida Interna/PIB e não ter que justificar o não atingimento do superávit primário previsto para este ano, com sérias implicações no ano de 2011.

20 fev 2010

HUGO CHAVEZ: SIMON BOLÍVAR EM COMPOTA!

Escrito por PauloLustosa. Nenhum Comentário

Para gáudio de Marco Aurélio Garcia, seu ídolo e ícone, El Comandante Hugo Chavez, cujo orientador espiritual é o “Coma andante” cubano, resolveu comentar a eleição brasileira, com os seguintes temores: “A eleição de um presidente de direita no Brasil seria um desastre, pois tornaria o país refém do Imperialismo Yankee”. A única pergunta que surge no ar é, quem no Brasil se declara de direita, a não ser o ex-Ministro da Justiça Armando Falcão que acaba de falecer? Quem sequer tem a coragem de se dizer liberal? “Somos todos, no mínimo, de centro, mas de centro progressista”, como diria o último candidato a ser chamado de direita, no Brasil, o Diogo Mainardi.

Portanto, Chavez está mais para o Chavez do programa da SBT do que para estadista ou, sequer, para analista político.

19 fev 2010

CIRO DESISTIRÁ OU NÃO?

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Para alguns, Ciro esperará até Abril para decidir se vai em frente ou não na sua pretensão à disputa da Presidência da República. Para outros, o desenlace não vai além da próxima semana depois da leitura das pesquisas sobre a repercussão dos seus dez minutos de glória no programa partidário de ontem.

O fato é que, sem alianças partidárias adicionais que lhe permita mais tempo de televisão, fica difícil convencer da viabilidade de sua postulação, embora que, qualquer analista político mais isento e consistente, diria que a manutenção de sua candidatura só favorece ao governo e ao PT. Quando Ciro sai de cena, os seus votos, em sua maioria, não vão para Dilma, mas sim para Serra. Na verdade, com a exclusão de seu nome da pesquisa de intenção de votos, cerca e 8 pontos vão para Serra e apenas 3 vão para Dilma. Se se considerar que, neste momento, Marina está com 8 pontos percentuais de preferência popular, os dois juntos, levam, com certeza, as eleições para o segundo turno. E, se não machucarem muito Ciro e Marina, provavelmente, pela história com Lula de cada um, migrarão para o apoio a Dilma. E o mote de campanha de Ciro é bem mais interessante que o de Dilma: “nem ontem, nem hoje, mas amanhã, é disso que os brasileiros precisam e querem”.