NADA DE NOVO SOB O SOL!

 

O tempo passa, o tempo voa e tudo continua numa… mesma! Ou seja, ingressa o Brasil num processo politico-eleitoral em pleito quase que, geral, onde as mais relevantes escolhas serão feitas pelos cidadãos brasileiros, com vistas ao seu hoje e ao seu amanhã! Mas, mesmo diante de tal relevância, o que está, realmente, a ocorrer? Uma total indiferença, um total descaso e um total desinteresse como se o evento nada tivesse a ver com os destinos de cada membro dessa mesma sociedade! Objetos da avaliação de cada brasileiro, os homens e os nomes que ocuparão as mais relevantes funções que definirão os rumos e caminhos do País, transformando sonhos e aspirações em algo real concreto ou em possíveis pesadelos, mesmo assim ninguém dá bolas para as escolhas e para as possíveis opções! E, o mais grave é que, na ante-véspera de tão relevante evento, nada se move, nada se mexe e tudo “fica como dantes no quartel de Abrantes”!

Diante de tal quadro de desentusiasmo que talvez seja a expressão do inconformismo diante das frustrações e dos desencantos experimentados  pelos brasileiros nos últimos quatro anos, frutos de decisões equivocadas tomadas por dirigentes, homens públicos e politicos, fica a indagação sobre que rumos tomará a sociedade brasileira.

A tendência esperada é que essa enxurrada de desconfortos e insatisfações se manifeste no pleito que se aproxima. A tendência seria que pudesse vir a se verificar uma avalanche de votos brancos e nulos e se tivesse uma das eleições menos legítimas e menos representativas da história republicana! E tal fato nada mais espelharia e explicitaria do que a descrença, a indignação e a revolta do povo em relação a classe política do País.

E o mais grave é que a reforma politico-eleitoral recente que buscava, entre outros objetivos, disciplinar e moralizar os gastos eleitorais, não irá colaborar, em nada, para propiciar uma possível renovação dos quadros eleitorais e partidários. Ao contrário,  a criação e a utilização dos fundos eleitoral e partidário, ao conferir aos dirigentes partidários a prerrogativa de promover a distribuição dos referidos meios entre os candidatos, acabará privilegiando os atuais detentores de mandatos, em detrimento de uma possível renovação de quadros! Ademais as próprias restrições estabelecidas as contribuições financeiras, de pessoas físicas e jurídicas, também contribuirão para a não renovação politico-eleitoral desejada!         Assim, as eleições de outubro proximo não terão o condão nem de empolgar e nem de reacender esperanças pois que as próprias manifestações dos candidatos não trazem novidades, nem ideias polêmicas e nem propostas que levantem o debate e promovam a contradição e o confronto de idéias.

Ou seja, nada há a se esperar senão, mais e mais, do mesmo! É uma pena! Nem sequer atitudes exóticas, declarações inusitadas ou propostas estapafúrdias surgem no horizonte na boca de pretensos candidatos. Até a esperada reação pelo tamanho da indignação da sociedade, que poderia ser demostrada por uma esperada avalanche de votos brancos e nulas, imagina-se que venha a ocorrer! Mesmo nas pesquisas de avaliação preliminar das preferências eleitorais, tal fato tem se manifestado.

Alguns atribuem ao fato de que, uma grande maioria do eleitorado é dependente do bolsa-família e buscará votar em quem lhes, presumidamente, garantir a manutenção desse e de outros benefícios assemelhados. Por outro lado, pelo desânimo que toma conta dos petistas e a dispersão e o sem rumo das chamadas esquerdas, a tendência é que o processo marche sem grandes expectativas, sem grandes novidades e venha a consolidar a posição de quem hoje consegue angariar a simpatia dos revoltados e dos indignados país afora.

Assim, poucos são os elementos e as circunstâncias que venham a favorecer esperanças de tempos e dias melhores e que as reformas institucionais necessárias, as mudanças desejadas e os novos caminhos sonhados, a se concretizar. Permanecerá a sociedade nessa mesmice sem rumo, sem prumo e sem capacidade de acreditar que tem um enorme potencial a explorar e resultados a aocançar!

O PROCESSO MARCHA PORÉM SEM GRANDES NOVIDADES!

Uma semana deveras movimentada no que respeita ao andamento do processo politico-eleitoral. As candidaturas se definem, os vices são anunciados e as coligações e acertos estão se estabelecendo. Algumas idéias são colocadas pelos candidatos, mas, na verdade, nada que defina um projeto para o Brasil. Até agora nenhum dos nomes foi capaz de despertar paixões e emoções nem tampouco lançar idéias  capazes de sensibilizar ou entusiasmar segmentos do eleitorado. Na verdade, a campanha ainda é chocha e desinteressante. No entanto, aos poucos, parece, que o pleito, começa a sensibilizar o entusiasmo do eleitor nos estados onde já há uma tendência de um maior acirramento das paixões e dos ânimos pois os interesses, por serem mais próximos, ativam mais tais sentimentos. Porém, o que interessa mais imediatamente aos eleitores como um todo e aos analistas, em particular, é aferir e avaliar quais as tendências e perspectivas do processo eleitoral e como os vários atores vão assumindo o seu papel.

Bolsonaro, por exemplo, com seu estilo peculiar, continua a entusiasmar os saudosistas do regime militar e aqueles que querem um pouco mais, nas relações sociais, da presença de valores como a hierarquia, a disciplina e o respeito extremo aos valores democráticos. O seu modelo ou seu protótipo, escolhido estrategicamente, parece querer reeditar uma espécie de Trump tupininquim, pois os valores que defende e os objetivos nacionais que propaga, são aqueles assemelhados aos do Presidente americano. Ao que parece procura derrubar mitos de que um presidente do tipo de que o mesmo seria uma espécie de salvador da pátria, um enviado dos deuses ou um homem com todo o saber capaz de dispor de respostas para todos os desafios e problemas. E assim passa, pela sua própria forma de responder a questionamentos, a mostrar que governará como fizeram os presidentes do regime autoritário que o fizeram montados numa aliança com a técnico-burocracia e com profunda reverência e respeito aos profissionais de saber técnico-econômico social e Juridico por eles escolhidos.

Ciro, por outro lado, intenta ser uma proposta diferente caracterizando-se como nem de esquerda, nem de direita e também não se rotula de centro. Procura dar una demonstração de ser um homem acima de seu tempo e de professar ideias que ainda estão por vir. Com seu ar imperial, detentor como se mostra,  de todo o conhecimento e de todas as verdades, denunciando a todos e a tudo, sendo crítico impiedoso de todos os gestores públicos do país, não reservando um elogio, sequer ao irmão, procura demonstrar não ter compromissos e nem amarras com partidos, agremiações,  grupos, pessoas ou líderes. Com isso vai tentando angariar simpatias e apoios para um projeto de poder que até hoje não explicitou claramente as suas bases e os seus apelos. Continua irônico, crítico mordaz, polêmico e, muitas vezes, até agressivo, no enfrentamento de críticas ou de adversários.

Alkimim parece querer capitalizar, nesse ambiente tão pesado, de visão crítica e até belicoso,  experimenta a sociedade brasileira, o epíteto que lhe marca a atitude e o comportamento nos embates: picolé de xuxu! Ou seja, não se irrita, não faz grosserias e não perde a tramontana, em qualquer circunstância, dando a entender, a todos, que o País precisa mais da conciliação e do entendimento do que do confronto e da agressividade. Trabalha com o capital que construiu em todos  esses anos, desde vereador em Pindamonhangaba, até candidato à Presidência da República, em 2006, quando disputou o segundo turno com Lula. Procura, sem exageros e sem excessos, mostrar a ficha limpa, os feitos e o que sabe de gestão pública e de negociação de interesses e pressões que um executivo do naipe de um presidente,  tem que enfrentar. Fechou acordos partidários muito relevantes e já conta com apoios significativos como os dos candidatos a governador do Rio, Eduardo Paes, do candidato a governador de Minas, Antônio Anastasia e, com a escolha de Ana Amélia, um significativo apoio do Rio Grande do Sul. Também a lealdade de líderes expressivos de seu partido como Tasso Jereissati, Theotonio Vilella Filho, entre outros. Se não bastasse, tem a seu favor, o temor do empresariado paulista e nacional, que não quer ser surpreendido por uma opção eleitoral voluntariosa e de difícil relacionamento como seria Ciro Gomes ou o estilo militarista de Bolsonaro, ou ainda o temor de uma nova surpresa de esquerda. Isto os leva a uma pesada aposta de suas fichas no conservadorismo e no equilíbrio de gestor que representa Alkimim.

Os demais pretendentes, desde Marina Silva, com seu ar “de já vue” até a possível proposta petista que se encaminha talvez para o ex- governador da Bahia, Jacques Wagner ou para o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, nada mais parece representar alternativa de poder passível de sensibilizar o eleitorado a ponto de empolgã-lo no quadro que aí está. Na verdade, mesmo com as composições partidárias possíveis, é difícil acreditar numa arrancada de Meirelles, de Álvaro Dias, de Guilherme Boulos, de Manuela D’Avila ou de outro pretendente. Todos têm pouco a mostrar e potencial para ser capaz de virar o jogo e  tornar-se uma figura carismática nacional.

O que chama a atenção dos discursos de tais pré-candidatos é que, até agora, nenhum dos candidatos ainda não apresentou uma espécie de idéia-força de seu projeto de poder ou o que se poderia qualificar de uma espécie de estruturação de pensamento sobre o que querem para o Brasil,  capaz de empolgar e sensibilizar o eleitorado. Dizer, por exemplo, que em dois anos liquidará o estoque de desemprego não sensibiliza ninguém se não for explicitado como e com que meios tal objetivo ou meta seria alcançado. Propor que nos próximos quatro anos proverá meios para que os 63 milhões de cidadãos devedores estarão fora do SERASA, parece um sonho de uma noite de verão. Sugerir que fará as reformas institucionais fundamentais também não acena nada de esperança consequente para os brasileiros.

O que o eleitorado quer saber é como se diminui o tamanho do estado, quer simplificando-o, quer desestatizando uma série de funções e atribuições ou quer descentralizando as suas ações, não apenas para municípios e estados mas, também, para a própria sociedade civil. Isto representará uma reforma do estado e uma revisão de suas políticas tributária e fiscal com vista a esse redesenho de atribuições, competências e funções. Não adianta manifestar ideias sobre como enfrentar as demandas mais urgentes  da sociedade relacionadas à segurança pública, à educação, â saúde, a questões urbanas como transporte de massa, saneamento básico e melhoria de acesso a serviços públicos essenciais. Isto porque, diante da rigidez do orçamento público federal e dos reduzidos graus de liberdade para geri-lo, nenhuma proposta mostrar-se-á consistente se não se definir como tais gastos serão financiados.

Ou seja, como superar a rigidez orçamentária, melhorar a eficiência do gasto público, diminuir desperdícios e garantir foco as prioridades governamentais, representam pontos cruciais a serem claramente explicitados por cada um dos candidatos, definindo as estratégias que deverão adotar para tornar real-concreto tais propostas. Isto é algo objetivo que se quer ver acontecer.

Um dos fatos auspiciosos dessa eleição é o efeito já sentido da lei da ficha limpa na escolha dos nomes para disputar os cargos executivos mais relevantes do Pais. Representou um grande avanço da mesma forma que a nova lei de financiamento das campanhas eleitorais e a futura aplicação do diploma legal sobre as chamadas coligações proporcionais,  já estão a produzir efeitos sobre o quadro político-eleitoral do Brasil. É claro que um sistema com tantas distorções e com tantos vícios não consegue ser mudado, integralmente, de uma só vez e em toda a extensão e dimensão que se deseja e quer. Mas, o fundamental é iniciar o processo de limpeza ética do quadro ora apresentado.

A indecisão e o ceticismo dominam os sentimentos dos brasileiros e marcam a atual visão e percepção do eleitorado sobre políticos e sobre a própria atividade política. Espera-se que tais posturas possam vir a ser mudadas a partir das propostas apresentadas e dos debates que se processarão pois caso não haja uma mudança de atitude a partir de tais manifestações, isto se refletirá não apenas na quantidade de eleitores que comparecerão às urnas bem como na natureza da atitude perante o volo onde a anulação será a marca maior.

Finalmente a revolução das comunicações e o desenvolvimento da chamada realidade virtual levaram a um desenlace extremamente vexaminoso, por exemplo, as ditas explicações que a direção da Rede Globo fez ao comentário de Jair Bolsonaro, no encontro promovido pela Globonews. Ali Bolsonaro explicitou o sentimento, o pensamento e o apoio de Robero Marinho a intervenção militar ou o apoio da instituição, ao regime militar. Sem que por que e pra que, a atual direção da Rede Globo vem, através de uma insegura Miriam Leitão, apresentar uma triste versão de esperteza e de oportunismo, ao impor a jornalista a leitura de uma nota pobre e desprovida de relevância, contestando a postura do próprio Roberto Marinho, 10 anos após a sua morte! Triste e lamentável!

 

O JOGO AFINAL, COMEÇOU!

 


As pré-condições institucionais ou os chamados pré-requisitos legais para o deslanchar do processo eleitoral, praticamente foram estabelecidos no último fim de semana: convenções nacionais partidárias para a definição dos candidatos e para a aprovação de possíveis coligações,  já foram caracterizadas. A explicitação dos nomes ou dos candidatos bem como a definição dos candidatos a vice, já foram parcialmente  atendidas. Nos estados, praticamente os nomes dos postulantes aos cargos de governador, vice-governador e senador já se definiram em consonância com as possíveis  alianças dos respectivos partidos, a nível nacional.

Agora a campanha, as mobilizações, os debates e os acertos de apoios e financiamentos bem como a definição das propostas de comunicação, já começaram a ser postas em prática. O jogo, afinal, já começou. Claro que ainda  sem o entusiasmo de eleições passadas em decorrência do quadro de crise econômico-social em que está mergulhado o País. Some-se aos seus efeitos, o pessimismo que domina mentes e corações brasileiros. Mesmo assim, aos poucos, os chamados profissionais da politica — candidatos, dirigentes partidarios, marqueteiros, jornalistas, analistas, etc — entram em cena e a mobilização começa a se evidenciar. A própria mídia começa a dar o ar de sua graça promovendo debates entre candidatos, estabelecendo discussões sobre os problemas mais relevantes do país e buscando propor caminhos e alternativas para que o País saia da crise.

Por outro lado, já são apresentados ao público quem são os coordenadores e os responsáveis pelos discursos dos candidatos onde figuras expressivas do mundo acadêmico ou da comunidade de profissionais da área técnico-econômica, aportam a sua contribuição e definem o seu compromisso com os candidatos. Nomes como Eduardo Giannneti da Fonseca, Pérsio Arida, Paulo Guedes, Mauro Benevides Filho, entre outros, sáo vistos como os homens a quem cabe a coordenação da montagem do discurso e das propostas dos candidatos a Presidência da Republica.

Uma discussão que está sendo levantada agora diz respeito a pouca relevância que tem sido dado ao papel e importância do vice — apenas 37% da população acham a função importante! — chamando a atenção para o fato de que o Brasil tem uma história recente marcada pela presença de vices que assumiram o poder e marcaram a história do País. Itamar Franco, o responsável pelo Plano Real; Sarney, condutor da redemocratização do País e Michel Temer que respondeu e responde pela interrupção do processo de controle do Brasil pelos petistas, são exemplos dessa afirmação. Tais episódios são marcas desse processo que demonstra a relevância do vice- presidente no processo institucional do País.

Dessa forma a escolha do vice não deve ser apenas para  buscar apoios partidários adicionais ou para agregar apoios financeiros. Há que se considerar sempre a hipótese de que o vice venha  a assumir o mando maior do país e tenha efetivas condições de mostrar que estar à altura do cargo e que tenha a estabilidade político-emocional e a maturidade para vir a administrar os graves conflitos e interesses inerentes à função maior de comandante máximo do País.

Um outro aspecto fundamental a ser considerado diz respeito as propostas que os candidatos tem para o Brasil e, em que cada uma delas se diferencia das demais, efetivamente. Não basta apenas um discurso crítico sobre os problemas e as limitações apresentadas pela gestão pública atual indicando restrições e problemas. Também não agrega nada aquela idéia de que o país requer significativas reformas institucionais sem explicitar a forma como fazê-las. Também é crucial definir as reformas fundamentais e demonstrar quais efeitos poderão ser sentidos, de forma explícita, na proporção em que elas forem sendo implementadas.

Finalmente, preocupa muito o fato de que as pessoas se fixam mais e mais e nomes e homens, muitas vezes sem a preocupação com a capacidade e a competência de cada um dos candidatos em conduzir os destinos do País. Ou seja,  se há clara demonstração de sua habilidade ou talento para fazer renascer sonhos e criar esperança consequente para os brasileiros.

Lula, provavelmente hoje apontado nas pesquisas de opinião como o melhor avaliados pela população, parece que não conquistará uma decisão favorável do TSE para que possa vir a ser definido como o candidato do PT. Em seu lugar o partido deve escolher entre Fernando Haddad ou o ex-governador da Bahia, Jacques Wagner, isto sem que se considerar a surpresa de um nome novo, como o atual senador pelo Acre, Jorge Viana. A possibilidade de o PT apoiar um candidato de outra legenda  parece remota pois tal opção não ajuda a garantir a unidade partidária e não contribui para manter viva a lenda ou o mito Lula, questão fundamental para a sobrevivência dele e da legenda.

Ciro Gomes, pelo seu estilo agressivo, “sem papas na língua”, atirando em todos e em tudo, poderia até ter sido uma opção viável  se a sociedade partisse do pressuposto de que a alternativa eleitoral estaria numa proposta de disputa mais radical e polarizada. Ai sim o embate, em um provável segundo turno, pudesse vir a ser entre Ciro e Bolsonaro. Mas, a natureza autofágica de seu discurso e a quase desconfiança generalizada da população nas suas propostas, talvez retire as opções de alianças que pudessem garantir êxito a candidatura de Ciro.  Bolsonaro, por seu turno, embora mantendo-se, até agora, com um nível de aceitação significativo, talvez seja bombardeado por candidaturas como as de Alkimim, de Meirelles, de Marina Silva e de Alvaro Dias. Também há de se considerar o impacto que os embates frutos dos debates entre os candidatos, poderão ampliar os espaços  de popularidade dos candidatos. E, no caso dele, alguns analistas admitem que ele poderá perder sibstancia e apoios por prrsumido despreparo para a discussao dos grandes tenas nacionais.

Assim,  o segundo turno tenda a se orientar para um candidato que resuma as expectivas dos conservadores nacionais, os chamados . E, nessa perspectiva crescem as possibilidades de Alkimim. E, de outro lado, considerando que Lula tem o nível de aceitação que tem e que transfere, para qualquer candidato que ele apresentar,  mais de 10% das preferências eleitorais, dificilmente  o PT não fará 20% das opções de votos. Assim, Alkimim, ao vir construindo uma candidatura de centro, parece que cairia bem no pensamento do eleitorado nacional, apesar do clima adverso de confronto, de insatisfação, de indignação e até de belicosidade com relação à classe politica hoje experimentado pelos brasileiros. A tendência é que o ex-governador de São Paulo, pela sua história, pelo apoio dos partidos do Centrão, e de ter um forte empresariado interessado em vê-lo comanandando os destinos do Brasil, além de dispor do maior tempo de televisão, tem tudo para representar essa opção centrista.

Os demais candidatos, inclusive Marina Silva, parecem pouco agregarem e pouco mostrarao de viabilidade no processo. A tendência é que se chegue, ao fim da campanha, com duas candidaturas consolidadas. A de Alkimim e do representante do PT , sendo este ultimo,  talvez, representante talvez, das chamadas esquerdas, que não se sabe ainda quem virá a ser.

O fato é que a tendencia  conservadora do eleitorado ficou demonstrada em pesquisa recente onde as pessoas afirmaram preferir a experiência, embora a ética seja uma preocupação essencial, mas que, surpreendentemente, fica percentualmente abaixo da experiência!

POLÍTICA E FUTEBOL: A CARA DO PAÍS!

Nada melhor para definir a cara e o sentimento dos brasileiros do que essas duas faces de sua vida e do seu cotidiano, quais sejam o futebol e a política. O futebol, ao despertar paixões e emoções, ao promover sonhos e provocar flutuações de sentimentos que, as vezes,  caracterizam uma espécie de ciclotimia,  gerando altos e baixos no “mood” e no humor dos brasileiros, marca, mais que qualquer outra coisa, a forma como reagem os patrícios. A politica, por outro lado, ciência, presumidamente, “do domínio” de todos os cidadãos brasileiros, que, pasmem, são capazes de externar opiniões e avaliações, às vezes tão peremptórias, sobre personagens, o quadro e as perspectivas dessa atividade! Diga-se, estranhamente, tal complexa matéria, muito mais do controle e do domínio da maioria dos patrícios do que qualquer outro ramo do conhecimento humano, ainda afeta, em muito,  o humor e o sentimento dos conterrâneos.

Lamentavelmente, as duas atividades hoje estão em baixa e despertam muito menos interesse do que em passado recente. Isto talvez decorra, também, em muito, da profunda crise que se abateu sobre os brasileiros afetando seus bolsos, seus sonhos e suas esperanças. O futebol, no caso mais específico, há vinte anos experimenta um jejum que desnorteia e desestimula os brasileiros. E, o pior,mostrou a seleção uma mesmice que nem o talento de Neymar conseguiu fazer com que ela  não se exteriorizasse, na copa recém finda. Inclusive a chance de outros talentos, ao lado dele, até que se mostraram mas, com certeza,  não configuraram a presença do Brasil no cenário futebolístico mundial, como uma potência diferenciada do esporte bretão.

Atualmente, sem graça, sem novidades, sem “glamour” e sem protagonistas exóticos ou, pelo menos, de um populismo carismático, tanto o futebol como a política, não tem muito a dizer aos brasileiros. O resultado da Copa do Mundo deixou os patrícios de crista baixa. Já a política, na antevéspera de eleições quase gerais, até agora não sensibilizou e não mostrou a sua fase de antagonismos a despertar paixões e nem levou também a disputas verbais que entusiasmassem.  Tampouco, tais disputas ainda não  trouxeram, ao palco, algo diferente ou inusitado,  que levassem a que a platéia tivesse uma maior  participação.

Os saudosistas do regime militar apostam as suas fichas no militar Jair Bolsonaro que representa, com legitimidade, a expressão maior de seus sentimentos e de suas aspirações. Mas Bolsonaro não fica restrito a militares ou saudosistas do regime. Agregam-se apoios outros daqueles que, cansados das indefinições, da desordem e da falta de um poder que realmente mande, veem em Bolsonaro a figura de alguém capaz de colocar a casa em ordem. Por outro lado, os que temem ou não querem mudanças muito bruscas, que são tentados pelos conflitos entre o que sobrou dos modernistas e dos conservadores ou ainda que querem o previsível, pretendem apostar em alguém que tenha experiência, um bom curriculum como gestor e que represente um ficha limpa. Dessa forma parece que Alkimim seja a opção mais próxima de suas aspirações.

As ditas esquerdas, confusas e desnorteadas, ainda esperam o quase “milagre” de assistir que a justiça eleitoral autorize o registro da candidatura de Lula, embora, diante do esgotamento dos prazos que viabilizem candidaturas, já ensaiam a indicação de nomes alternativos como o do ex- governador da Bahia, Jacques Wagner,  ou do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad ou ainda de um outro nome do petismo que ainda sobrevive a todo o processo de desgaste do lulismo.

Vive-se um momento político deveras estranho pois o passado recente registrou episódios traumatizantes como o “impeachment” de Dilma, a prisão de Lula e da maioria dos dirigentes do petismo, alêm do fim de Eduardo Cunha, o desmoronamento de Sérgio Cabral e a desmoralização de Aecio Neves e de outros menos votados. O espaço político encontra-se bastante vazio e não se encontra no horizonte nomes e homens capazes de levantar sonhos e estimular esperanças nos brasileiros.  Praticamente não sobra e não sobrou ninguém pois é difícil encontrar nomes que a Lava-Jato não tenha maculado ou que outros escândalos não hajam envolvido suas personagens.

Na verdade, fora o chamado Centrão, a direita mais intransigente são os que apoiam Bolsonaro e no chamado espectro das ditas esquerdas, desorganizadas e desnorteadas, surge o polêmico e agressivo Ciro Gomes com um discurso moralista e buscando mostrar-se um gestor ético, modernizador e capaz de aproveitar as potencialidades econômicas nacionais. Mas, pelas suas contradições e pela sua postura deveras agressiva,  não consegue assegurar o apoio de um número maior de partidos como acaba conseguindo Alkimim com o previsível e quase acertado apoio do Centrão. Meirelles, com o apoio do maior partido do País, o MDB, dispondo de grana pessoal e do possível apoio ou simpatia da maioria do empresariado nacional, não conseguiu deslanchar, até agora, pois falta-lhe carisma e a sua comunicação está distante do perfil capaz de sensibilizar o atual mood do eleitorado nacional.

Alvaro Dias pareceria ser um bom nome mas “subiu no telhado” além de “morar muito longe”. Nomes como o do Economista Paulo Rabello de Castro, não têm tempo, nem nome, nem dinheiro e nem apoios para viabilizar uma candidatura como sói ocorrer com Manuela D’Avila, Guilherme Boulos e outros menos votados. Finalmente, a candidatura Marina Silva, apesar de mostrar bons índices de aceitação popular, não parece ser  uma candidatura que o momento requer. Não arrebata sentimentos mais entusiastas, não se mostra alguém com a força para domar as circunstâncias adversas vivenciadas pelo País e, a própria figura física, traduz uma fragilidade muito grande para o momento que a política nacional experimenta.

Assim, apesar dos nomes já lançados, o que se pode esperar de movimentação e de mobilização popular até 15 de agosto? Faltando apenas, quarenta e cinco dias, os contendores de campanha parece que não terão o condão de empolgar um eleitorado que não se mostra apenas apático e desinteressado mas, acima de tudo, descrente de tudo e de todos e, pelo que se avalia, também pretende “dar o troco” e demonstrar a sua desilusão e revolta votando nulo ou em branco.  Pelo que se pode concluir esta eleição não renovará e nem melhorará o processo pois, ao que parece, com essa reação do eleitorado talvez o que sobre seja a não renovação do quadro eleitoral e os atuais detentores mantenham-se no controle do poder! Será que esta visão é tão pessimista ou será que algo possa vir a ocorrer para melhorar tal pespectiva?

 

SERÁ QUE TUDO CONSPIRA PARA A AMPLIAÇÃO DO PESSIMISMO?

Nenhuma boa nova no horizonte. O crime organizado está  por toda parte do paÍs e os seus  vários grupos, como o  Comando Vermelho, o PCC, o  GDE e tantos outros que hoje se multiplicam por todo o Brasil, assusta a todos os cidadãos. O ir e vir dos cidadãos hoje, praticamente está sendo determinado por tais organizações criminosas. O cenarista recebeu um mapa da distribuição espacial do poder por tais grupos, nos limites da cidade de Fortaleza que, simplesmente, é estarrecedor. A divisão de áreas de atuação e de domínios dos vários grupos está de tal maneira estabelecida, como que num pacto de sangue e, o descumprimento do acordado, é guerra, na certa! O setor público só age quase que, de comum acordo com os grupos do crime organizado ou, do contrário, não age e se omite de ações mais duras em relação aos descalabros que tais grupos promovem na ordem pública.

O pior é que eles têm hoje seus representantes em todos os poderes da República. Também hoje eles, por acaso, já bancam a formatura de um sem número de advogados para defender as suas causas e os seus interesses. A sua “parceria” com as estruturas policiais, políticas e judiciárias parece que vai além do que a imaginação criadora admite supor. É nesse ambiente que as atividades produtivas, as ações políticas e as manifestações sociais são desenvolvidas porém, sujeitas a um controle e a uma “adequação” aqueles “valores e princípios” que referidos grupos do crime organizado, se estabeleceram.

Ademais, eles se “financiam”, não apenas pelos assaltos e roubos de toda ordem mas, principalmente, pelo controle total da distribuição de drogas, pelo roubo de carga e pelo assalto a agências bancárias. No entanto, o equilíbrio de suas ações é instável na proporção em que a disputa por territórios e a ação de grupos fora de controle do centro de interesses de cada segmento, podem propiciar chacinas ou matanças como aquelas ocorridas em presídios, as recentemente verificadas no Rio Grande do Sul e em São Paulo, além de inúmeros casos de assassínios por encomenda registrados país afora. E é dentro desse quadro, alimentado pelo desencanto e desesperança de 13,5 milhões de desempregados e uma economia que teima em crescer magramente que começam a se desenhar as possíveis candidaturas presidenciais, além das propostas relacionadas ao pleito para governadores dos estados.

Assim os grupos, partidos e candidatos começam a dar o ar de sua graça e inicia-se o processo de escolha de nomes e composições para o enfrentamento no pleito de outubro próximo. Com a definição do PDT de estabelecer Ciro Gomes como seu candidato, inicia-se a abertura dos espaços para os pretendentes  e, em consequência, faz com que o jogo comece a ser jogado porquanto, na próxima semana Alkimin lançará  a sua candidatura com o apoio dos partidos que fazem o Centrão. Provavelmente também Bolsonaro e Marina Silva deverão assumir o mesmo caminho indicando os partidos que irão suportar os seus nomes para o pleito de outubro próximo. Claro que se espera que nomes como Meirelles, Alvarao Dias, o candidato do PT, que ainda não se sabe quem será, além de outros nomes menos expressivos, pelo menos até agora, se lancem ou sejam lançados, daqui a pouco.

Até agora não se sente qualquer manifestação de entusiasmo e de interesse por parte dos diversos grupos sociais, em relação ao pleito. Também, por parte dos possíveis pretendentes,  não se tem conhecimento de suas idéias e de suas propostas para solucionar graves problemas e desafios nacionais nem qualquer manifestação que caracterize o iniciar ou o deslanchar de um processo de sensibilização de uma população tão descrente, pessimista e desinteressada como a brasileira. Ademais, as avaliações preliminares são de um possível quadro de uma elevadíssima abstenção e a manifestação de insatisfação com um percentual também altíssimo de votos brancos e nulos, no pleito que se avizinha.

Se assim ocorrer como o quadro parece antencipar, é difícil imaginar um desfecho que venha a atender o que o bom senso deveria indicar para governar os destinos do País. Um nome com dignidade pessoal inquestionável e com um projeto para o Brasil que fosse capaz de reacender as esperanças e espantar o fantasma do radicalismo e do populismo barato que em nada atendem aos interesses nacionais, até agora não surgiu! Também um cenário ou perspectivas mais otimistas estão difíceis de serem encontradas no semblante, na alma e no espírito dos brasileiros, como também, diga-se de passagem, não aparecem na cara, na atitude e no discurso de possíveis pretendentes. A descrença nos homens públicos é geral. A quase convicção de que a classe política não tem nenhum compromisso como o povo e a sociedade, é quase patente e representa uma quase unanimidade. E a falta de um fio de esperança que levasse a alguns grupos a voltarem a acreditar que o país pode dar certo, parece ser uma vã ilusão. Ou não?

SOLIDARIEDADE NA TAILÂNDIA! UM POUCO DE SONHO PARA O BRASIL!

Perdeu-se a Copa e frustraram-se as esperanças do país do futebol! Mas, em troca, assistiu o mundo o mais expressivo exemplo de solidariedade para com um grupo de crianças tailandesas perdidas e, depois, sitiadas, numa inóspita caverna! O mundo assistiu, desesperado, o drama daqueles jovens lutando pela sobrevivência em uma situação hostil e, pelas possíveis condições que ameaçavam, de maneira a quase levar, aos que conduziam o processo de “libertação” dos pequenos, a uma situação desesperadora. Mas, “Deus que é bom, Deus que é pai e Deus que é perfeito”, orientou, a tempo e a hora, dirigentes políticos, mergulhadores e colaboradores internacionais, com vistas a estruturar uma estratégia de salvação das crianças que culminou na mais exitosa empreitada salvacionista que se tem conhecimento nos últimos anos.

Se os brasileiros viram-se frustrados com a despedida antecipada de sua seleção da Copa,  o que ocorreu na Tailândia, fez ver aos brasileiros que ainda existem alguns valores fundamentais da convivência humana que ainda são respeitados e, algumas vezes, praticados. E isso reanima os brasileiros a acreditar de que ainda é possível imaginar um tempo novo de sonho e de esperança diante do pessimismo e do desencanto que domina mentes e almas brasileiras. O que se imagina é que, os patrícios, independentemente das atuais circunstâncias econômicas, da pobreza de sua classe política e das profundas limitações de suas elites, a brasileirada vai acordar e apostar num novo tempo.

E, quando virá esse novo tempo? É difícil antecipar pois as circunstâncias atuais e o que se plantou nos últimos anos de desconforto, de desentusiasmo e de desânimo, leva a uma descrença generalizada nas possibilidades de construção de um tempo novo que se assemelhe ao Brasil que os brasileiros estavam acostumados a sonhar. O Brasil que começa a surgir e a perder o complexo de inferioridade nos anos cinqüenta, quando o acaso deu aos brasileiros a Copa do Mundo de futebol de 1958; que deu o gęnio de Pelé e companhia; quando  fez os brasileiros respeitados por alcançar as glórias mundiais do esporte dos brancos, com as conquistas de Maria Esther Bueno; ou quando fez os patrícios aparecer para o mundo como campeões mundiais de basquetebol.

E, não era só isso para mexer com os brios, com a auto-estima e com o orgulho da brasileirada. Surgia o Brasil para o mundo com a criação de um novo ritmo, a bossa nova e a grandeza nacional se afirmava com o fenômeno de uma nova arquitetura como a de Brasilia. Aí o País começou a acreditar na sua grandeza e no seu tamanho com obras de infraestrutura das dimensões de Furnas, de Três Marias e das obras destinadas a redimir o Nordeste — SUDENE, o açude Orós, entre outros — além do início da descoberta do CentroOeste e do futuro da exploração da fronteira agropecuária daquela mesma região. Isso sem pensar no que se começaria a se fazer quanto a descoberta da Amazonia e do seu potencial econômico nas suas várias dimensões, além da implantação de uma promissora indústria automobilística que abria novos horizontes à industrialização  nacional.

Como se recriar um novo tempo para que a chamada hoje oitava economia do mundo volte a acreditar no seu papel e na sua importância para os brasileiros e para o mundo? Como fazer com que os brasileiros abandonem o pessimismo, a indignação e a revolta e reverta tal rebeldia na crença em seu poder de entusiasmo e de estímulo para recriar o clima que o País experimentava, até bem pouco, quando acreditava que chegaria, já e já, a superar a própria Inglaterra e, tornar-se a quinta economia do mundo? Será possível reverter todo esse clima atual, modorrento e cansativo e voltar a ser o país da alegria, do futebol, do carnaval que tanto interesse despertava nos estrangeiros?

Será que os brasileiros não serão mais capazes de recuperar esse clima e voltar a ser o que eram? Será que é pedir muito ou desejar muito, para esse país tem tudo para dar certo?

 

 

 

 

QUEM PAGARÁ A CONTA? OS MESMOS BOBOS DE SEMPRE!

É lamentável o que fez o Congresso, notadamente em um ano eleitoral e em fim de governo. Ampliar, sem qualquer pejo e sem qualquer sentido, o gasto público, em cerca de 100 bilhões de reais de uma tacada só, sem considerar o já enorme déficit estimado em 159 bilhões para este ano e em 129 bilhões de reais para 2019, representa um desserviço ao Pais! E, o pior é que, os responsáveis, que  cometeram esse verdadeiro crime de lesa-pátria, provavelmente não serao beneficiados com tal gesto. Ou seja  não significará, para a maioria deles,  a garantia de votos daqueles que serão os beneficiários  deste  verdadeiro atentado contra os interesses nacionais. Ao contrário, diante da indignação que já toma conta do País, fatalmente a referida atitude de sangrar os cofres públicos será tão repudiada que não produzirá votos e prestígio para os que foram  responsáveis por tal nefasta decisão.

Por mais que se queira acreditar que o Congresso seria, no mínimo, em certas ocasiões e circunstâncias, uma espécie de “prostituta respeitosa” da famosa obra de William Faulkner, assim não se comportam as Casas do Legislativo. É o pior é que nem sequer buscam avaliar e considerar como mudou o perfil do cidadão e do eleitor brasileiro, hoje pessimista, frustrado, desencantado e, até revoltado com o estado de coisas que o faz enfrentar o seu inferno astral em face do desemprego, da redução da renda familiar e da falta de perspectivas em relação a um novo tempo para a economia nacional.

Além de tais tristes episódios, até uma atitude respeitável de membros do poder judiciário que não foram envolvidos pelas manobras pouco éticas dos representantes do PT quando buscaram, via expedientes marcados pelo oportunismo e esperteza, retirar Lula da cadeia sobre falaciosos e inaceitáveis argumentos rechaçados, de pronto, não apenas pelo Juiz Segio Moro, mas, também pelo Delegado da Polícia Federal no Paraná, pelo Desembargador Gebran, pelo Presidente Thompson Flores e pela própria Presidente interina do STJ, Ministra Laurita Vaz que rejeitou os 147 Habeas Corpus impetrados a favor da soltura de Lula.

O desfecho foi o que a maioria dos brasileiros esperava mesmo daqueles que não fazem tão duras restrições ao ex-presidente Lula. Tal fato, em direção contrária à irresponsabilidade das decisões recentes do Congresso, faz com que terminemos a semana, felizes pela fantástica libertação dos pequenos tailandeses, numa mostra de solidariedade universal e, ao mesmo tempo, certos de que, mesmo em fim de governo, Temer não deixará prosperar tais crimes contra o patrimônio público, vetando a maioria das matérias aprovadas pelo Congresso.

É certo que, mesmo que seja reduzida o tamanho da conta, ainda assim, os brasileiros feitos de bobos pelas suas elites, pagarão a conta da mesma forma que os temores quanto ao amanhã do País tem levado a uma redução sistemática das estimativas de crescimento da economia nacional que, dos 3% iniciais agora já se fala em 1,5%! O que, diga-se de passagem, representa uma enorme frustração e a certeza de que os 13 milhões de desempregados atuais só verão superados os seus dramas e sofrimentos, numa perspectiva mais distante daquela que se esperava. É uma pena!

SERÁ QUE DEIXARÁ ALGUM SALDO A DERROTA?

É lugar comum afirmar-se que derrotas, mesmo que inesperadas e amargas, costumam deixar um saldo na forma de lições ou legarem aprendizados de vida deveras relevantes. Será verdadeira tal assertiva? Alguns afirmam, após a indesejada e frustrante derrota da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo, quando baixou um sentimento de frustração e de pessimismo nos patrícios, que “agora os brasileiros vão mostrar maior preocupação e interesse nos problemas mais graves e sérios do País!” Seria tal conclusão procedente e objetiva? Ou, ao contrário, ampliar-se-á ainda mais o desentusiasmo, a frustração e o desencanto para com o Brasil e para com o seu hoje e o seu amanhã? Será que a própria belicosidade que já domina as tensas relações entre pessoas e grupos no país, não tenderá a piorar?

Merece uma reflexão crítica sobre qual será a atitude e o comportamento dos irmãos brasileiros depois desse, aparentemente ingênuo, episódio de frustração! Reforce-se tal diante da perda de uma disputa da hegemonia do esporte que mais apaixonadamente mobiliza e entusiasma os brasileiros, que é o futebol,  É bom lembrar que, em 2022, poderá completar vinte anos que o Brasil não conquista mais uma copa do mundo e, ninguém, tampouco, poderá ou jamais esquecerá os 7 a 1, de 2014! Será que tais aparentemente irrelevantes episódios  influenciarão no que ocorrerá em termos das escolhas eleitorais de outubro próximo?

É bem provável que não mas, se por acaso ocorrerem, tenderão a tornarem mais pessimistas e desencantadoras, para, pelo menos, os 13 milhões de desempregados e o seu entorno — que, talvez atinja os 52 milhões que gravitam ou dependem deles! — diante das perspectivas pouco otimistas para a economia e para a geração de empregos. Talvez o reflexo se demonstre ou se faça na forma de uma maior radicalização do processo político favorecendo candidaturas mais radicais no estilo e nas propostas. É certo que a esquerda e, particularmente o PT, fará um dos dois candidatos que disputarão o segundo turno das eleições presidenciais, mesmo que Lula não venha a ser o candidato, já que impedido que está pelo TSE. O fato de que, em recente pesquisa de opinião, a opção partidária pelo PT alcançou cerca de 20% das preferências populares, requer que se busque considerar tal dado no impacto a ser causado nas preferências dos eleitores em outubro próximo!

Se se confirmar que 20% dos eleitores poderão votar em qualquer opção que o PT apresentar, é bem provável que um candidato dito de esquerda venha a ser uma das alternativas para o segundo turno das eleições presidenciais. Se assim, a tendência maior será que a outra opção venha a ser o candidato Jair Bolsonaro, na proporção em que o clima de mal estar e a belicosidade que hoje domina as relações entre os brasileiros, favorece as opções que se mostrem as mais radicais possíveis. O que, diga-se a bem da verdade, deixará o País sujeito ou subordinado a um radicalismo que não se quer e não se deseja quando se quer um futuro mais promissor para o Brasil. Ou seja, o desinteresse do eleitorado, desinteresse esse que deve se manter como até agora, conspira contra escolhas menos marcadas pela emocionalidade e muito definidas por uma espécie de revanchismo que domina o espírito da maioria dos brasileiros.

Na verdade, o que se desenha de perspectiva político-eleitoral é um quadro de radicalização que conprometerá a qualidade e legitimidade do pleito pois votos nulos, em branco e abstenções que, presume-se, devem representar quase 50% das opções! Ademais, provavelmente, pelo clima que deverã prevalecer, não deverá haver espaço e estímulo para uma discussão mais séria, profunda e engajada das questões nacionais mais relevantes e prioritárias.

Isto porque a sociedade brasileira vive, talvez, o seu pior momento, marcado pela indiferença, pela indignação e pela revolta diante da frustração que se instalou a partir do desencanto com a economia e com a politica ocorrida, desde meados de 2014. Ali o otimismo que sempre marcou a atitude dos brasileiros transformou-se em pessimismo a ponto de, em pesquisa recente, o Brasil se colocar entre os dez países mais pessimistas do mundo! Essa mudança de tom marca um novo e desagradável tempo que, esperam os mais otimistas, seja breve.

Mas, deseja-se que  algum fato novo possa surgir, senão para reverter a significativa crise que hoje compromete a economia e derruba os sonhos e o “mood” dos brasileiros, mas que possa reestabelecer alguma crença de que as coisas vão mudar. Ou não?

 

 

GUERREIROS MENINOS, SÃO FORTES, SÃO FRACOS…

Chegou o dia, chegou a hora, chegou o momento de afirmação maior de um País que a grande paixão é, sem dúvidas, o futebol. Ele mexe con a alma nacional e representa um evento que, mesmo com todo o pessimismo, a frustração e o desencanto que hoje domina o ambiente e a cena nacionais, é muito difícil aos brasileiros não acreditarem, com  fé e esperança, naquilo que representa todas as emoções e sentimentos de sonho desse pais!

São tantas glórias conquistadas, são tantos desafios já vencidos  e tantas histórias a serem contadas que não cabem  nas emoções e nos sentimentos desses milhões de brasileiros que vivem, com intensidade enorme,  essa idéia de que a hora seria de frustrações e desencantos maiores, embora o futebol tivesse o condão de promover uma saudável trégua. E, sem querer, hoje foi o dia, em vez dessa volta por cima, o que se assistiu foram decepções e angústias maiores pois todos viam a hora e a chance de ganhar a Copa, a única fonte de alegria e de sonho que ainda permanecia no coração dos patrícios. E não é que o inesperado ocorreu? De repente a Bélgica, bem arrumadinha, surpreendeu o Brasil com dois gols no primeiro tempo o que levou ao pânico e a desilusão de um time azeitado mas que, infelizmente, ficou atarantado com tais gols.

O Brasil então, o favorito, se perdeu no caminho de volta. Não adiantou a reação, as chances de gols e as tentativas de chegar ao gol da Bélgica, pois todas essas tentativas deram em nada. Chegam os brasileiros a um final de semana, melancólico. Se os problemas nacionais já são tão complexos e estão a requerer uma engenharia de difícil equação para encontrar saídas para a enorme crise que se experimenta, esse episódio da derrota do Brasil numa Copa do Mundo, entorna ainda mais o caldo e faz as coisas mais difíceis de serem resolvidas.

Assim, termina-se um período onde se pretendia recriar, a partir de um fato aparentemente menor, ou seja, o Brasil na Copa do Mundo, um novo ânimo e, a possível retomada da esperança, o que seria tão necessário para o País voltar a acredita no seu hoje e no seu amanhã. Agora tudo terminou, a festa acabou e as coisas voltam a inquietante normalidade que não agrega nenhum valor capaz de mudar o ânimo e recriar a esperança de que o País viesse retomar o seu caminho após essa ruptura dos anos de chumbo do Governo Dilma que lhe atrasou dez anos de seu amanhã.

Agora tudo se foi. Os meninos foram guerreiros. Brigaram e lutaram. A equipe não foi apática e nem desinteressada. Talvez tenha errado, estratégica e tàticamente, ao tomar os dois gols. Mas, não jogou mal. Perdeu chances enormes e só o acaso e a sorte da Bélgica lançaram uma pá de cal sobre o futuro futebolístico do país das chuteiras. Perderam-se não só os dedos. Foram-se os sonhos, matou-se a alegria,  sufocou-se o grito de um momento melhor e maior para o País.

O mais grave é o que fica que é apenas o vazio de um país já muito machucado e desiludido que soma mais esse evento na conta de seus desencantos. Não dá nem para propor “o vamos adiante e enfrentar um novo caminho”. Que caminho? Que futuro? O que buscar?

A festa acabou. Músicos a pé. A desilusão ficou. O amanhã nâo estimula muito a crer em algo novo. Adieu amis!

COMO TUDO MUDA E EM EXTREMA VELOCIDADE!

Viver é experimentar e vivenciar mudanças de todo tipo e de toda ordem. O cenarista nasceu nos estertores da Segunda Guerra Mundial. E, ao que parece, a partir daquele momento, as transformações e mudanças, em todas as dimensões da vida, ocorreram de maneira muito agitada e muito célere. Mudanças significativas se fizeram no dia-a-dia da vida, das instituições, das estruturas econômicas, sociais e políticas bem como no jeito de ser, de agir e de pensar das pessoas. Não só chama a atenção a quantidade e a qualidade das mudanças mas a velocidade e a intensidade como ocorreram e estão a ocorrer!

As vezes as pessoas são tentadas a imaginar que tais episódios tão marcantes derivados de tais mudanças são muito mais fruto da percepção a partir da avaliação conforme o envelhecimento de quem os analisa, do que da verdadeira realidade do ritmo e da velocidade em que elas se dão. O surgimento da máquina a vapor, da eletricidade e do telefone, definiram momentos e dimensões de inícios de processos evolutivos que, se não mostraram a marca da velocidade das mudanças que estavam a ocorrer, deram indicativos de que novos tempos adviriam. É claro que parece que, até mesmo quando da revolução provocada pelo surgimento do rádio, que deu início ao processo de revolução nas comunicações e, também, o desenvolvimento dos plásticos, parecia que as coisas se transformavam a um ritmo e a uma velocidade apenas aritmética!

Agora com as revoluções que são observadas a partir do que hoje se denomina de realidade virtual, talvez iniciada quando do surgimento do gravador e dos primórdios da telefonia celular, fruto, segundo alguns, dos temores da famosa atriz Mae West, de ataques inesperados de submarinos alemães, as coisas assumiram uma incrível velocidade de acontecimentos e inovações. Aliás, a propósito da grande atriz, diante suas preocupações com os ataques alemães, ela pediu a um cientista amigo que construísse um sistema de acompanhamento e controle da circulação de submarinos na orla do mar para que ela pudesse se precaver de algum evento, com antecedência! E assim foram construidas torres com um sistema de radio, interligadas e integradas, o que permitiu tal controle e acompanhamento! Dai ter surgido, segundo dizem, a gênese da telefonia celular!

Assim, com a globalização, a instantaneidade  das comunicações e a velocidade das inovações, o mundo sem fronteiras do conhecimento, das idéias e das tecnologias, tem permitido essa incrível velocidade e esse crescimento geométrico das inovações e das conquistas da humanidade. E tudo ocorre de forma universalizada atingindo todos os campos do conhecimento e da ação humana. O que já se evoluiu na medicina, com a revolução no campo das imagens, no desenvolvimento das análises laboratoriais, na utilização da nanotecnologia, na farmacologia, entre outras, já levaram a salvar milhões de vidas desde a revolução que ocorreu com a invenção da penicilna.

Se na medicina os ganhos foram e são extraordinários, o que não dizer da revolução verde que afastou, de vez, o fantasma da fome que atingia milhões de seres humanos? Isto porque a fome que hoje atinge centenas de milhões de seres humanos não deriva da incapacidade das áreas agrícolas de  produzirem mas, fundamentalmente,  por questões políticas e em face de interesses econômicos, äs vezes, inconfessos. Cada vez se produz mais e melhor bem como subordinado a uma consciência de preservação e conservação ambiental nunca vistos. Claro que há muito o que fazer e o que construir mas, com certeza, o mundo está no caminho certo.

E, a ânsia de “crescer, criar, subir” se diz presente em todos os campos da atividade humana. O que se faz, por exemplo, com a chamada impressão em 3D está a revolucionar tudo de maneira a produzir próteses, órteses e permitir ações não invasivas  na medicina e em vários outros campos da atividade humana! Se isto não bastasse, mudanças institucionais e na forma de convivência entre as nações e os seus interesses, tem impedido conflitos armados de consequências impiedosas para a humanidade. Mas, o mais relevante, são as mudanças na redução de proconceitos, de ostensivas discriminações e das agressivas manifestações de patrocínio e admissão de desigualdades de todo tipo, que, agora são mais contidas e mais subordinadas a visão e a ação crítica da sociedade.

Hoje veem-se negros sendo Juízes e magistrados além da forte presença nos escalões superiores das religiões, das crenças, dos estamentos burocráticos, nas lides empresariais e no mundo acadêmico. Veem-se mulheres exercendo funções de liderança de governo além de comandarem processos os mais sofisticados bem como conduzindo nações, povos e seus destinos! Assiste-se a representantes de movimentos LGTB dirigindo nações e superando preconceitos,  os mais inaceitáveis, até bem pouco. É claro que se esperava muito mais de superação de tais limitações à cidadania bem como de consciência ambiental além de uma visão mais solidária das nações quanto à sua convivência. Mas, muita coisa mudou embora ainda existem problemas que agridem à consciência dos homens livres e comprometidos com um mundo mais leve, justo e agradável de se viver.

Mas, tais pretensões exigem, sem exageros da expressão,serem construídas com sangue, suor e lágrimas. Ou seja mudar, transformar, alterar rumos, redefinir caminhos e opções requer, às vezes, verdadeiras revoluções, às vezes, até cruentas porquanto todo o processo de alteração e transformação, modifica a estrutura de força e poder e redefine novos protagonismos. Consequentemente, tal não ocorre indolor.

Assim, até mesmo o  Brasil, ora vivendo um momento de baixo astral, procura, no meio às dúvidas e incertezas diante de um futuro que sofreu uma abrupta mudança de rumo no início de 2013 e se intensificou nos anos de 2014, 2015 e até 2016, com as sequelas de um endividamento que hoje ultrapassa os 5 trilhões de reais, incluindo-se aí a dívida externa brasileira, gera consequências derivada de sua rolagem. Também um défict público que superar os 3.5% do PIB e chega a mais de 150 bilhões de reais, aliado a um crescimento medíocre do PIB que não atingirá os 2%, são dados que levam a um pessimismo, a um desencanto e a uma enorme falta de ânimo dos brasileiros.

O País está precisando de um choque de fé, de esperança e de otimismo para que o caminho interrompido há cinco ano atrás seja retomado para aquela que se pressupunha chegaria a quinta economia do mundo nos anos 13 ou 14 dessa década. Será que a conquista do hexa não seria esse fato novo, aparentemente irrelevante mas que mexe com a alma, os brios e as emoções dos brasileiros, a conquista do hexa, a varinha de condão para criar esse novo tempo?

Hoje, depois de enfrentar o México e, com certeza, com sucesso, os brasileiros voltarão às boas e a se motivar e a acreditar que o Brasil é bem melhor que lideranças passageiras e incompententes e que infernizam as suas vidas, procuram caracterizar. Assim, com a vitória sobre o México a crise vai começar a passar, os brasileiros voltarão a acreditar em si mesmo e o futuro voltará a sorrir como em outros tempos. Esperemos até hoje à tarde! Quem viver, verá!