O QUE É QUE É ISTO, MINHA GENTE?

 

Há uma tese básica bastante difundida nos dias que correm, de que os governos cada vez mais fogem da influência do personalismo do líder maior e passam mais a representar os valores e os critérios institucionais já consolidados no tempo. Ou seja, as marcas pessoais, as idiossincrasias dos dirigentes e do grupo no seu entorno, parecem que não mais prevalecem para a definição de políticas, estratégias e ações do poder constituído. Assim, o voluntarismo de um líder popular ou populista, seus sonhos quiméricos e suas vontades, teimosamente mantidas, mesmo terminado o pleito, não mais definem as linhas e as estratégias de orientação da ação de governo. Parece que é o que se assiste com o governo Bolsonaro pois que, a sua formação e as suas tendências políticas, bem como as influências sofridas pela sua história e, em face de seu entorno familiar, levam-no a manifestar-se, de forma incisiva, sobre o irrelevante ou sobre o que as redes sociais sugerem como o sentimento de plantão do cidadão comum!

Ou seja, o Presidente faz declarações desnecessárias e, as vezes, polêmicas, sobre assuntos sérios e demonstra um enorme interesse em comentar, num estilo aproximado de Jânio Quadros, questões e situações pouco relevantes — proibição de brigas de galo, uso do biquíni, etc — enquanto as pessoas gostariam de verem discutidos assuntos do tipo “como o governo enfrentará o monumental déficit público; como negociará com os congressistas a reforma da previdência; como conduzirá o processo de descentralização político-administrativo e, como adotará as providências destinadas a reduzir a interferência do estado na economia.

Na verdade, as declarações as vezes estapafúrdias ou desconectadas da realidade ou das necessidades e carências do País, revelam, de um lado, as próprias limitações do horizonte de pensamento e de especulação do próprio Bolsonaro como, de outro, parecem mostrar inexistir uma espécie de alter ego ou um formulador de idéias ou alguém que ajude o Presidente a articular ideias e fazer declarações para além do que estimulam as suas consultas ao tweeter. Em verdade, as opiniões externadas pelo Presidente, até agora, não transmitiram, para a sociedade, a ideia de que o comandante da nação sabe o que quer, sabe para onde vai e tem o adequado descortinio do que o país mais urgentemente precisa e requer.

Por outro lado, os temores de que alguns bons auxiliares como Sérgio Moro ou Paulo Guedes poderiam vir a abandonarem “o barco” diante de desmentidos, de declarações controversas ou de manifestação de interesse do Presidente ou de alguém no seu entorno de ver determinadas figuras, escolhidas como assessores pelos ministros, fora do governo ou “desconvidadas” pelos próprios ministros, tem sido uma constante ou algo preocupante. Tais desagradáveis circunstâncias já foram enfrentadas, inclusive, pelo próprio Sérgio Moro mas que, ao que parece, diante de sua responsabilidade político -institucional e de seu compromisso histórico, foram relegadas.

Se ministros como Paulo Guedes e Sérgio Moro conseguirem atravessar esse “momento” crítico e continuarem apresentando propostas estratégicas fundamentais ao enfrentamento de problemas estruturais do Brasil e, também, pondo em execução e prática medidas essenciais a condução do estado, pouca repercussão e consequências terão as ideias e ações de Sua Excelência nem os arroubos mais que autoritários de seus familiares!
Assim o que se assiste é que o institucional, até agora, sobrepõe-se a vontades individuais e atitudes personalísticas fazendo com que, as questões mais relevantes e urgentes do País comecem a ser realmente discutidas . Isto parece que está sendo a condução das propostas de reforma institucionais como a da previdência e aquelas exigidas para a liberação
dos excessos de intervenção do estado na economia. Ademais as ideias de privatização, de desburocratização e simplificação capazes de liberar a economia para operar mais ágil e objetivamente e permitir uma maior dinamização da economia. Se estas reformas não ocorrerem o crescimento econômico continuará a operar nesse triste e limitado nível de 1 a 1,5% ao ano!

MAS É CARNAVAL, DIGA LÁ O QUE VOCÊ QUISER …

Passado a folia o que ficou mesmo foram algumas contas a pagar, o desencanto pelo fim daquele momento mágico de distanciamento de todos os problemas, angústias e preocupações e a volta dos desafios da dura realidade, a ser enfrentada no dia a dia. Agora todos, particularmente as autoridades governamentais, são confrontados com as angústias dos enormes problemas e urgências a serem enfrentados. E o acumulado é respeitável. Acrescente-se ainda a capacidade de muitos, inclusive do Presidente Bolsonaro de, inusitada e inexplicavelmente, em pleno Carnaval, agregar a sua contribuição a esse de besteirol, aliás  já de proporções enormes!

A festa momina já se foi, claro que, a exceção da Bahia, para não fugir a histórica tradição. Agora, atores da cena privada e pública, retomam o que deram uma espécie de pausa nas suas preocupações e voltam a mergulhar as suas atenções nos problemas e questões mais urgentes e dramáticas. Os brasileiros, como um todo, diante do comprometimento de suas receitas com um endividamento que já preocupa os próprios formuladores de políticas públicas e diante de um ainda elevadíssimo índice de desemprego que angustia mais de 12 milhões de patrícios, já sofrem por antecipação. O setor público, com o enorme desafio de enfrentar o monumental déficit público nacional e a urgente exigência de reorganizar a Previdência Social, de forma a ser compatível com que os brasileiros precisam e com o que eles podem sustenta-la. E, diga-se de passagem, só esses dois macro problemas tiram o sono e a tranquilidade de qualquer agente público, sério e responsável.

O que preocupa é que o Palácio do Planalto não dispõe de alguém capaz de entender o que se passa no Congresso Nacional, nem o sentimento que domina os congressistas e nem tampouco o ambiente que ali se instalou e que é propício a mudanças institucionais tão necessárias e urgentes para o País. E, muito mais que isto, o fato singular que é o de ter na presidência das duas casas do Congresso, figuras simpáticas e comprometidas com a necessidade e urgência de tais mudanças e que se mostram propensas a articular, compor e negociar, com os parlamentares, para que ainda se aprove, este semestre, a reforma da previdência e as medidas de contenção e controle fiscal, tão urgentes a abrir espaços ao investimento público e, por consequência, a um crescimento mais robusto do PIB.

Lamentavelmente Bolsonaro, por não ter história de um mínimo de proeminência no Congresso e por não se cercar de hábeis e articulados parceiros e assessores capazes de promoverem encontros, articulações e manifestações favoráveis à causa, enfrenta dificuldades nesse processo de encaminhamento de questões legislativas de interesse do poder. Além  de se mostrarem hábeis negociadores necessários a acertos com segmentos da sociedade civil com vistas a superar restrições e oposições a aspectos parciais que não agradam a tais setores da vida pública nacional, esses agentes agregariam mais valor à sua contribuição nas negociações de tais propostas.

Assim o que se espera é que a base institucional de apoio à Bolsonaro — Sergio Moro, Paulo Guedes, generais de quatro estrelas, além dos representantes da burocracia estável e permanente — não se cansem com as diatribes do Presidente, com a desagradável e inoportuna interferência dos filhos de Bolsonaro nas políticas públicas e nem com a pesada crítica de uma oposição marcadamente de esquerda. Se eles e os seus auxiliares aguentarem, pelo menos por seis meses, tais pressões e interferências, então, talvez, as reformas básicas venham a ser alcançadas.

E, se isto ocorrer, se o governo tiver atravessado o seu Rubicão, então ter-se-a a quase certeza de que as coisas irão dar certo e o PIB poderá crescer em mais de 2,3% este ano e entrará num processo virtual de expansão que alcançará mais do que os 4,1% ao ano imaginados pelos tecnoburocratas do poder. E, fundamental será, também que a mídia colabore na criação de um ambiente e de um clima de crença no potencial de crescimento e na criatividade e disciplina da mão de obra do País para construir o seu amanhã. Se essas circunstâncias favoráveis à expansão e ao crescimento se verificarem dificilmente o Brasil deixará de voltar a ser a quinta economia do mundo e uma das mais dinâmicas do universo.

E aí, mesmo com Carnaval, corrupção e incompetências mis, o País superará os seus desafios e encontrará o seu caminho, não importa a descrença de muitos e a aposta no fracasso, por parte das esquerdas.

 

 

EMPACOU E, PARECE QUE NÃO SAI DO LUGAR!

Existe momentos na vida das pessoas em que as coisas empacam e não mostram sequer possibilidades ou perspectivas de sair do lugar. Existem circunstâncias que levam a uma espécie de “branco”  no pensar das pessoas que impedem o surgimento de soluções para, até mesmo, pequenos problemas. Se tal acontece com as pessoas, é possível imaginar que possa se reproduzir em grupos sociais ou em sociedades inteiras. Há situações tais em que as sociedades não dão sinais de que sejam capazes de encontrar saídas até mesmo para pequenos impasses ou problemas.

E qual seria ou quais seriam as causas dessa atitude? Há várias tentativas de buscar uma ou várias explicações que poderiam ser consideradas consistentes com o quadro que se apresenta. Uma delas é a de que tal atitude nada mais é do que o reflexo do comportamento e da postura da sociedade como um todo, qual seja, indiferente ou distante de qualquer postura ativa ou demonstrativa de envolvimento no encaminhamento da solução do problema ou dos seus problemas. O que se sente é que a sociedade como um todo se mostra ausente, indiferente e alheia a qualquer tipo de manifestação de grupos ou da sociedade como um todo sobre temas mesmo aqueles da maior pertinência e oportunidade.

O que se percebe é que a sociedade brasileira não se sente sensibilizada, envolvida e nem compromissada com qualquer dos temas sejam eles os mais relevantes e os mais urgentes. Têm-se a sensação de que a postura dela parece que as circunstâncias deixam-na sufocada e sem capacidade de reação. A sociedade é contra a violência mas não se presta a qualquer manifestação de protesto contra atitudes do poder constituído ou de grupos do chamado crime organizado que favoreça ou patrocine tal atitude. A sociedade parece querer uma mudança nos hábitos e nos costumes políticos mas, até agora, afora a eleição de um “outsider” como Bolsonaro, ainda não se manifestou, nem direta e nem indiretamente, sobre o que espera e quer do governo ou espera e quer do Parlamento.

Por outro lado, se há esse imobilismo da sociedade civil, onde nem esquerda nem a dita direita, nem tampouco até mesmo os chamados grupos anárquicos se mobilizaram para tornar públicas as suas divergências para com o poder constituído, nenhum outro segmento organizado da mesma se manifesta. E, a tendência é, simplesmente, que não se criam expectativas de que algo transformador venha a ocorrer. Aliás, divergências sobre o que e o porquê de idéias e propostas uma vez que não vieram à lume as chamadas questões mais polêmicas, sequer encontram ambiente propício para prosperar. Ou seja, num deserto de idéias não se pode aguardar, debates, polêmicas e contradições e, nem tampouco, o embate de grupos disputando o poder.

Talvez tudo isto encontre explicação nesse processo de mediocrização em que anda mergulhada a sociedade brasileira como um todo. Não se observa e nem se ouve manifestação, contradição e debates de grupos organizados e nem tampouco manifestação individual de líderes em qualquer segmento — intelectual, empresarial, politico, religioso, ou de qualquer outro grupo — capazes de despertar o interesse ou sensibilizar quem quer que seja. Ou seja, a platitude, o desinteresse, o descaso e a indiferença são as marcas das chamadas elites nacionais, máxime no que diz respeito a questões graves como são a segurança, a saúde, a educação e a questão urbana.

E por que se observa esse deserto de homens e de idéias máxime quando ocorreram eleições gerais diferenciadas, com uma taxa de renovação de mais de 50% das duas casas e de choques de alteração dos padrões nas escolhas dos novos governadores? Ademais, quando as manifestações espontâneas da sociedade civil contestam o poder instaurado e mostram useiro e grave desrespeito às autoridades constituídas, hoje nem sequer salvando-se de tais embaraços e constrangimentos até mesmo os ministros dos tribunais superiores?

Esse quadro confuso, embaraçoso e, ao mesmo tempo, constrangedor, mostra que a sociedade brasileira vive um momento não apenas de pobreza intelectual mas também de insipidez, de falta de criatividade e de iniciativa não se vislumbrando perspectivas de que algo diferente possa vir a ocorrer. Ou seja, nada acontece que represente um fato significativo ou capaz de gerar repercussões de monta em segmentos específicos da sociedade. Agora mesmo, a enorme e dramática tragédia de Brumadinho, com um número de mortos que representa dez vezes mais que os óbitos da tragédia de Mariana, não chocou e nem mobilizou a sociedade como seria de se esperar. Na verdade o número de mortos pode ultrapassar os duzentos, os prejuízos materiais podem até ser maiores e as implicações e repercussões nas práticas e políticas de exploração mineral do país serão bem  mais significativas do que o que se imaginava.

Assim, só o Carnaval, esse anestésico social, para dar uma pausa nas angústias existenciais vividas pelos brasileiros e permitir que os sonhos que são difíceis de realização, voltem a ser imaginados como passíveis de concretização, produz essa pausa nas angústias acumuladas. Assim se espera que após esse período, a sociedade volte a meditar e a intentar conceber políticas e estratégias capazes de encaminhar as pendências mais urgentes do País!

A VOLTA OU O RETORNO? É A OBVIEDADE!

De maneira envergonhada o cenarista vem a público apresentar as suas mais sinceras escusas pela ausência na produção de seus comentários, por quase um mês. Para um grupo tão fiel de amáveis e compreensivos leitores as razões para tal fato, embora não o justifique, decorrem de uma avaliação das circunstâncias políticas onde nem mesmo as tragédias coletivas — Brumadinho — ou individuais — o passamento de Ricardo Boechst —; nem tampouco a ausência de fato econômico singular ou de questão internacional de relevo  ou ainda, de uma atitude ou decisão de governo que tivesse o impacto na vida e na sociedade brasileira, seriam suficientes para justificar tal descaso para com os amáveis leitores. Portanto as escusas são mais que oportunas! Aliás são obrigações do afeto e do respeito do cenarista para com os seus amigos e leitores.

É fato que, os quase trinta dias últimos, a par da assunção de um novo governo, a nível nacional e estadual, caracterizaram-se pela mesmice, pelo lugar comum e pelo que o cenárista denomina de “monotonia da normalidade”. Nenhum fato especial pode ser destacado que marcasse o ambiente, as circunstâncias e o dia-a-dia do País. Nada de novo a não ser a triste tragédia de Brumadinho que já se previa desde a que a antecedeu, no caso a de Mariana.

Se se quiser “tirar leite de pedra”, talvez somente os eventos políticos diferenciados mas, de uma certa forma, aguardados, como o envio ao Congresso do pacote de justiça e segurança do Ministro Sérgio Moro; os questionamentos tímidos sobre as idéias contidas no pacote denominado de “reforma da previdência”; as questões envolvendo a demissão do primeiro ministro do governo, poderiam criar fatos políticos de repercussão maiores. Porém, na verdade, não foi isso que se assistiu. Vive-se, nos dias que correm, a mesmice da mediocridade que domina a cena nacional onde nem sequer o inusitado dar o ar de sua graça.

Por isto fica tão difícil produzir análises que provoquem interesse na sua leitura. Alguém poderia sugerir que se buscasse esmiuçar os conceitos e idéias contidas nas propostas de Sérgio Moro no sentido de avaliar se a sua aprovação produzirá efetivo impacto na redução da violência bem como na diminuição da criminalidade, de toda ordem, Brasil afora. Até agora, antes que se abram os debates pontuais sobre cada uma das idéias ali contidas, será difícil antecipar o que se poderá esperar da iniciativa do ministro da justiça.

Também, a própria proposta de reforma da previdência embora, nesse caso, por ser assunto ou matéria na pauta do debate nacional por um já razoável período de tempo, não gera um intenso debate pois que, em parte, a hábil escolha do mote de comunicação da proposta — “veio para corrigir desigualdade e permitir a sobrevivência do sistema previdenciário” — ajudou a torná-la mais palatável aos deputados e senadores. Ademais, ao insistir na tecla de que “os pobres pagarão menos e os que podem mais pagarão mais”, ao propor esse conteúdo de justiça social, conseguiu reduzir e, por certo, tenderá a reduzir as restrições e oposições ao seu conteúdo.

Ademais, o périplo que faz o Secretário de Previdência e Assistência Social, Rogério Matinho, num penoso processo de explicações detalhadas e didáticas de pontos que poderiam representar conflitos de interesses de determinados grupos sociais, tem representado instrumento fundamental de convencimento da maioria dos parlamentares. Por outro lado, a desarticulação das esquerdas e um trabalho ora feito junto a mídia, pelo governo, tem favorecido a criação de um clima propício à aprovação da matéria. Claro que algumas mudanças poderão e deverão ocorrer, mas sem comprometer a essência da reforma.

A questão que preocupa é a falta de articuladores e negociadores políticos no governo o que gera incertezas quanto a sua capacidade de negociar com lideranças no Congresso. Não basta Bolsonaro dizer que não aceita governar apoiado no estilo da velha política do “toma lá, da cá”. O fundamental é buscar estabelecer  uma argumentação convincente ou avaliar, friamente, que concessões o governo central fará à classe política, sem comprometer a ética comportamental do poder para, dessa forma, ser o governo capaz de manter a sua credibilidade. A arte de fazer política compreende dialogar, transitar entre contrários, debater, conceder, negociar e, ao final,  maximizar os resultados no processo de negociação com os parlamentares. E é isto que o governo Bolsonaro tentará conseguir,

E é isto também que se espera da estrutura de poder conandada por Bolsonaro. Será que seu estado maior, composto, fundamentalmente, de oficiais generais, conseguirá a proeza de, sem fazer concessões que não aviltem o poder, atingir, em prazos razoáveis, as decisões fundamentais a por em prática as suas ideias e compromissos de campanha? Será que, contando com a favorabilidade de ter os presidentes das duas casas do Congresso, totalmente comprometidos com as reformas, Bolsonaro e sua “troupe” terão a habilidade, a paciência e a competência de negociar com o Congresso e aprovar as reformas institucionais essenciais a que o País possa voltar a crescer, de forma sustentável?

Diz-se pela tradição e experiência vivencial que se tais medidas mais relevantes não conseguirem a sua aprovação nos primeiros seis meses de governo, aí as coisas ficarão mais difíceis de serem concretizadas. Mas, com jeito e com algo mais como, por exemplo, dando os 100 bilhões do que for arrecadado com o pré-sal,  como querem os estados, eles “sensibilizarão” os deputados federais a aprovarem tais matérias! Não são mencionados os senhores senadores  pois lá no Senado, o clima e os votos são amplamente favoráveis às reformas. Se assim for, o governo Bolsonaro “insípido, inodoro e incolor”, mesmo não ganhando cores mais fortes, estará cumprindo o seu papel e Paulo Guedes estará vendo ser construído o espaço necessário para rever o tamanho e o papel do estado e permitindo que os brasileiros sonhem com um estado que não atrapalhe o desenvolver de iniciativas e a aplicação da criatividade dos brasileiros para construir um novo tempo para o Brasil.

É claro que são apenas reflexões pois que o País já parou faz uma semana e o que se vive agora é, tão somente, a festa maior da brasilidade, o Carnaval. Portanto, nada de preocupações sérias e nem análises críticas para buscar entender para onde vai o Brasil. Aliás, agora, há uma convicção e uma certeza de que a folia tomará conta de mentes e corações país afora, desobrigando a todos de pensar em alguns coisa nova e relevante.

SERÁ QUE OS FATOS TENDEM A CONSPIRAR A FAVOR DO PAÍS?

Os sinais, às vezes, parecem trocados. Outras vezes, se contradizem mas, no mais das vezes, dão indicações do caminho que as coisas e as circunstâncias tenderão seguir. Dessa forma, apesar da descrença da midia e das elites nas perspectivas positivas que o governo que ora se inicia poderá enveredar, os indícios e, até mesmo o acaso, conspiram a seu favor. As expectativas da maioria da população são francamente otimistas e positivas esperando que Bolsonaro faça um bom governo. A economia já começou, embora timidamente, a retomar o ritmo de expansão. Apesar de tudo que se fez em termos de vender uma péssima imagem do país lá fora, os investidores externos já reexaminam as suas posições. A Bolsa já mostra desempenho mais otimista e o dólar se mantém, até agora, bem comportadinho e, o que é mais relevante, sem a intervenção do governo.

Parece que as coisas começam a tomar o rumo esperado e desejado pelos brasileiros e, pelo que se vislumbra, não há aquela ânsia e nem aquela preocupação em definir de quem é o mérito pelos novos e animados caminhos que o País quer seguir ou precisa seguir.

É bom que se diga que os últimos acontecimentos políticos tenderiam a conduzir aos pretensos analistas da cena nacional a admitir que os fatos recentes conspirariam a favor de um bom encaminhamento dos problemas e questões nacionais. A simples ocorrência de que se estar a se implantar um novo governo, já geraria um clima de esperança e de otimismo na população sobre o hoje e o amanhã do País. Também a fé e a crença, arraigadas no sentimento popular, de que o “amanhã deverá vir a ser melhor do que o ontem”, seriam manifestações da crença que se fundou não se sabe se numa espécie de “wishful thinking” ou numa espécie de crendice popular arraigada de que o tempo é de sonho, de esperança e de colheita.

Claro que eventos tão perversos como os de Brumadinho e a insistente demonstração de força do crime organizado no Ceará criam temores de que as coisas não irão pelo caminho certo! Por outro lado, o temor já exibido por muitos de que o novo Congresso não teria nada de novo e apenas reproduziria os velhos hábitos e costumes arraigados no comportamento da classe política como um todo, deixaria a quase certeza de que nada irá mudar. O cenarista tem uma outra visão e perspectiva do que poderia , pois os fatos mais recentes mostram que o Congresso que aí está é novo e quer mostrar a que veio.

Já se pode celebrar o fato de que o Congresso não se deixou levar pelo conservadorismo e o antigo controle das duas Casas pelos velhos e viciados políticos que nada teriam a acrescentar à cena. Ao contrário, a renovação do Senado se fez e se mostrou presente, sem demonstrações de presunção e de arrogância mas apenas afirmando que “chegamos” e o recado das urnas será respeitado e levado adiante. A Câmara, tendo renovado metade de seus quadros, buscará melhorar a imagem de um passado recente que lhe tirou o respeito e, até, uma possível admiração do eleitorado.

Pelos anúncios do pacote de Sergio Moro e do que está para vir de Paulo Guedes, a tendência é que transformações estão por vir e antecipam mudanças que farão com que, não apenas medidas de austeridade e controle de gastos públicos já sendo anunciadas, bem como as reformas essenciais da previdência e a reforma fiscal, estão vindo  com conteúdos inovadores e capazes de mudar a face e o comportamento do setor público brasileiro. E é porque os analistas não estão observando o que vai pelos estados onde o sentimento de organizar as finanças públicas, de reduzir desperdícios, de combater a corrupção e de estabelecer prioridades condizentes com as expectativas populares, tem sido as marcas maiores de manifestação desse novo tempo.

A única coisa a preocupar, deveras, aos brasileiros, diz respeito ao estado de saúde do Presidente Bolsonaro que ainda não encontrou a certeza de sua recuperação completa e da sua volta às atividades de primeiro mandatário da nação. Espera-se que ele volte, no vigor e no entusiasmo de um sessentão disposto e atlético, ao comando do País e contando com a competência e a sobriedade de seus auxiliares. E, como anunciado, que ocorra até o final da semana que se inicia!

UM MOMENTO APARENTEMENTE INUSITADO!

Após mais de um mês de governo; dez desmentidos de declarações do Presidente; duas demissões de nomeados para o alto escalão; vitórias com repercussão popular, como a prisão de Cesare Battisti; também marcado por fatos deveras desgastantes para o País, como foi o caso da tragédia de Brumadinho e o deprimente espetáculo proporcionado pelos senhores senadores, as pesquisas de opinião ainda estão mostrando que 67% dos brasileiros estão otimistas com o governo e com o futuro do País. E tais dados dão a sensação de que as coisas podem muito bem vir a dar certo, independentemente do julgamento que a mídia e os analistas políticos façam ou fazem de Jair Bolsonaro. Ademais, a chamada sobrepopulação de “milicos” em cargos e posições estratégicas do governo e, diga-se de passagem, num governo eleito legitimamente pelo voto popular, é levantada, de forma pouco positiva, pela mídia, com o objetivo de buscar gerar desgastes ao Presidente. 

Pela sua formação e pelas suas convicções, Bolsonaro apostou quase todas as suas fichas nos valores que ele avalia estariam presentes na cabeça dos “milicos” de “alto coturno”! Na verdade o presidente procurou, nos generais convocados para o seu governo, aqueles que demonstrassem a maturidade, a experiência e a sensibilidade política desejadas ou, até mesmo, exigidas para o exercício de tais funções públicas. E, ao que parece, tem encontrado tais valores nos auxiliares já nomeados! Para Bolsonaro o mais importante é que, a demonstrar tais presumidos acertos das escolhas, até agora, sem mudar as suas convicções, os milicos eleitos para ajudá-lo,  nenhum deles cometeu equívocos, gafes e erros ou fez declarações que criação situações embaraçosas para o governo e o seu presidente.

Ou seja, não há o que questionar das escolhas feitas por Bolsonaro. Pelo que se pode constatar os deslizes que porventura já ocorreram se deram, até agora, em declarações ou gestos de alguns ministros civis, como foram as declarações e conceitos expendidos pela Ministra Damares Alves, pelo Ministro das Relações Exteriores, Eduardo Aragão e pelo colombiano, Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez. Mesmo em tais casos, nada compromete ou comprometeu o governo Bolsonaro. E, pasmem, nenhuma inabilidade dos militares se verificou até agora!

O que se deve avaliar e deve preocupar é como esse governo, sem acordos partidários, conseguirá aprovar, no Congresso, matérias difíceis e com opiniões as mais conflitantes ou contraditórias, como é o caso da reforma da previdência e da reforma fiscal! Alguém argumenta com o fato de que, um novo governo e, em face da da renovação ocorrida na Câmara e no Senado; diante de um parlamento marcado pelos “sentimentos” expressos pelas manifestações de duras cobranças, pela sociedade civil, nas redes sociais; e a cobrança que as corporações militares farão, em termos éticos, ao governo, que conta com uma presença muito forte de oficiais generais, são condicionantes que deverão servir de referencial  e que poderão facilitar o desempenho e a ação do novo Congresso.

Parece que tais ponderações  são pertinentes e oportunas pois que, o êxito do governo dependerá do que conseguirá aprovar no Congresso de matérias institucionais como as reformas desejadas e, do tipo de comportamento que esse renovado Congresso irá adotar. E, o que ocorreu no primeiro dia de funcionamento do Senado Federal, foi um triste e decepcionante espetáculo. Foi uma grande decepção e desencanto por um lado e, por outro, parecia frustrar-se a esperança de que a renovação ali ocorrida permitiria que a seriedade e o compromisso público viesse a se sobrepor aos oportunismos, as espertezas e aos chocantes gestos de desequilíbrio e de insensatez que os brasileiros presenciaram pela Tv. E, diga-se de passagem, nada partiu dos novos senadores mas de velhos, presunçosos e espertos veteranos da Casa que não “se deram ao respeito” e produziram espetáculos vexatórios de toda ordem.

Aliás, ē fundamental que se diga que a atitude do jovem senador David Alcolumbre no comando da sessão preparatória quando mostrou equilíbrio, ponderação, dignidade e compromisso público diante de episódios tristes e deploráveis como, por exemplo, o ridículo que foi a agressividade e a atitude deselegante e deplorável da senadora Katia Abreu. Ao “roubar” a pastas e os documentos da ordem do dia e não devolvê-los ao Presidente da Mesa, protagonizou o mais triste espetáculo que a Casa poderia provocar. Foi arrogante, agressiva, autoritária, deselegante e desrespeitou todos os princípios e valores que a Casa se estabeleceu para que os conflitos de opinião se dessem nos limites de uma saudável educação doméstica.

Talvez, se não fora a inusitada e questionável decisão do Presidente do Supremo, tornando sem efeito uma decisão tomada por mais de cincoenta senadores de que a votação para a escolha do presidente seria em processo de voto aberto, a situação de Renan e Katia Abreu,  até aquele momento, já estaria definitivamente decidida. Ou seja, ambos seriam rejeitados pelos 50 votos, pelo menos! Juntando-se o comportamento agressivo e desrespeitoso de ambos, no confronto com o presidente da sessão, a tendência esperada era aquela que acabou se confirmando quando  eles receberiam “o troco” da truculência e da violência de suas atitudes e gestos.

As coisas só voltaram a normalidade efetiva quando, o decano ou o mais velho dos senadores, como de direito, Senador José Maranhão, assumiu o comando dos trabalhos e, subordinado a um outro clima, a sessão foi retomada, de forma respeitosa, sendo cumpridos os ritos e costumes que a convivência democrática dos parlamentos exige e pratica. Mas, efetivamente, as coisas só puderam ser discutida, com ponderação e equilíbrio, quando Renan Calheiros, colhendo indícios de uma derrota iminente, decidiu desistir da disputa e, com isto, retirando-se do plenário, permitiu que, com os ânimos serenados, as coisas voltassem a ser discutidas.

E, diante das desistências, orquestradas ou não, orientadas a derrotar Renan, fossem se manifestando, crescia a candidatura de Davi Alcolumbre como resposta dos novos senadores de que queriam que se instalasse um novo tempo onde a ética, a decência , o respeito mútuo e o respeito ao eleitorado, se fizesse presente. E, como que, para surpresa de muitos e alegria de uma grande parcela da população, o que era velho e ultrapassado ficou para trás e os novos senadores buscaram estabelecer uma nova ordem capaz de recuperar a credibilidade e o respeito, junto a opinião pública, que o Senado merece.

POR QUE TANTA PRESSA EM JULGAR O GOVERNO?

Denúncias contra o filho do Presidente, numa cobrança diária, constante e inusitada; extrema má vontade para com o próprio Bolsonaro, não só no julgamento precipitado de sua competência mas também das dúvidas quanto a sua capacidade de conduzir o pais; acusações e cobranças inoportunas e inadequadas sobre o desempenho de um governo que mal começou, são algumas das demonstrações de má vontade externadas pela mídia a respeito de um governo que acabou de completar vinte dias, entre dias úteis e inúteis. Essa atitude, insista-se, até quase impiedosa, decorre, em parte, do comportamento do Presidente para com a mídia, bem também do fato do mesmo haver colocado, nos principais postos do governo, militares, notadamente oficiais generais. E a midia, marcadamente de esquerda e anti-militar, reage muito mal a tais posicionamentos e atitudes. Quanto às razões da primeira indignação e quase revolta, foi porque Bolsonaro externou a disposição de cortar os generosíssimos gastos do governo com publicidade, notadamente com o Sistema Globo de Comunicação.

A atitude de má vontade da midia para com Bolsonaro já deveria ser esperada diante de uma comunidade midiática onde a grande e a larga maioria dos jornalistas é de esquerda e a eleição de um capitão, sem muitas luzes e sem o verniz intelectualóide tão ao gosto dos membros da comunidade de imprensa, representou uma grande frustração e um duro golpe. E o pior! Quando esse cidadão afirma que não se subordinará aos ditames do Sistema Globo de Comunicação e nem da Folha de São Paulo e que irá cortar a maior parte das verbas do poder público para tais veículos, então a coisa tenderia a azedar.

E para entornar ainda mais o caldo, a esquerda e a mídia, receberam um choque quando assistiram a chegada ao poder, de um grande grupo de “milicos” que, dessa vez, não se poderia denunciar que haviam “assaltado” o poder mas, eleito o vice-presidente entre um deles, pelo voto direto e, convocados uma dúzia de oficiais generais para postos ministeriais pelo “capitão”, aí a coisa ficou “preta”. E, o pior, talvez pela primeira vez os milicos não se valeram das possibilidades de uma intervenção militar que crises institucionais favoreciam, para chegar ao poder civil mas chegaram com legitimidade e legalidade!

Ou seja a “milicada” está lá porque, ou enfrentou um julgamento popular via eleições diretas ou por haver sido convidada para postos especiais pelo próprio Presidente Bolsonaro! A esquerda brasileira entrou ou está entrando em polvorosa pois que, embora esperta e agilmente tenha estabelecido, nos 13 anos que esteve à frente do poder, um controle sobre a mídia, as universidades, os centros de ensino, os núcleos intelectuais além de forte presença no legislativo e em postos chaves do Executivo, começa a sentir que há, em curso, um longo, paciente e determinado movimento destinado a desalojá-la do poder e desmantelar o aparelhamento que se estabeleceu no estado brasileiro, nos 13 anos de controle do poder pelos petistas.

Agora, sendo escanteados do poder, tendo já perdido um número significativos de cargos de confiança nos governos como um todo e tendo também perdido posições estratégicas de influência em negócios do estado, o encurtamento dos meios de financiamento e dos cargos e empregos, levou a esquerda a uma situação dificil, vexatória e desesperadora.

Assim, a perda de espaços de movimentação; a redução do acesso a fundos de financiamento de suas atividades; a incapacidade de vender ou negociar favores e interesses a partir de decisões do estado e a certeza de que, nos próximos quatro anos, as chances de recuperação de prestígio, de força e de poder, além do acesso a meios financeiros, são muito limitada s e, porque não dizer, remotas, já leva a esquerda e o PT a uma séria crise de identidade e de esperança. Ademais, além da demissão em massa de seus apadrinhados, de limitação do controle de postos de poder e da capacidade de influir ou influenciar no destino das pessoas e das instituições, faz com que, até mesmo governo estaduais eleitos pelo partido, já busquem manifestar o interesse de se aproximar do governo central, como é o caso, por exemplo, do governo do Ceará.

Dessa forma, os poucos mais de vinte dias de governo vividos até agora não teriam podido mostrar mais do que definir sua linha de ação política, substituir os quadros de confiança, reduzir os desperdícios e estabelecer os critérios de condução das questões básicas de relacionamento com a sociedade bem como estabelecer as prioridades vinculadas aos seus principais projetos. É possível que até o começo da Legislatura — 02 de fevereiro — os dois principais auxiliares do Presidente, com maiores responsabilidades em relação ao curso do governo, no caso Sergio Moro e Paulo Guedes, venham a explicitar as suas principais prioridades. Sabe-se que a reforma da previdência, a reforma fiscal e medidas destinadas a descentralização das ações da União e um maior dinamismo aos processos de privatização, deverão ocorrer já nestas primeiras manifestações.

Em assim ocorrendo, o que se conclui é que a queda de braços com a mídia apenas começou e a teimosia de Bolsonaro aliado a “blindagem” dele pelos generais no seu entorno deve conduzir a desdobramentos que poderão surpreender. A profunda crise financeira que vem enfrentando o Sistema Globo de rádio e tv, aliada a redução substâncial de verbas publicitárias do governo federal, além da antipatia do Presidente, mostram que as coisas não estarão nada boas para a Globo e, também, para a Folha de São Paulo.

 

E o pior é que a atitude presunçosa e arrogante de algumas figuras célebres — entre artistas e apresentadores — mostrando-se extremamente agressivas, grosseiras e preconceituosas em relação a Bolsonaro e o seu governo, também só agregam má vontade e indicação de nomes para o relacionamento com a mídia, do mais puro e frio profissionalismo que se pode imaginar, sem espaços para concessões de qualquer natureza. O que dificulta as possibilidades de entendimento negociado entre “tais partes” é a intransigência, fruto da presunção e arrogância de artistas e intelectuais de um lado e da teimosia de Bolsonaro do outro.

 

CEARÁ, CRIME ORGANIZADO, BOLSONARO E A ECONOMIA!

 

As teorias que buscam explicar essa onda de violência que tomou conta do estado do Ceará vão desde a reação pesada das facções do crime organizado — PCC, CV e GDE — praticamente instaurando uma verdadeira onda de terror em mais de quarenta municípios do estado, em resposta às ações do novo Secretário de Administração Penitenciária do Ceará, Dr. Mauro Albuquerque, até outras possíveis causas que até quase invadem o terreno do delírio. Nessa primeira hipótese, a decisão do secretário de retirar, das celas, celulares, televisores, tomadas elétricas e estabelecer rígido controle das visitas íntimas, aos presidiários, foi decisiva pois. retirada as fontes de comunicação e de comando, reduziram se o acesso a meios financeiros de toda ordem e a determinações de ações dessa ordem. Além dela, surge talvez a mais fantasiosa delas que seria a idéia de que teria cabido ao inefável José Dirceu — que, embora condenado a mais de trinta anos de prisão, tendo tido garantida, inexplicavelmente, a sua liberdade e o seu ir e vir, via manobras jurídicas discutíveis e questionáveis — estaria dando provas de força e poder, frente as autoridades constituídas, sendo o possível mentor e estruturador dessa onda de violência no estado.

Por outro lado, surgem também idéias conspiratórias do tipo da que ora circula na opinião pública que seria aquela onde se “diagnostica” que a redução significativa da violência no estado não fora fruto da ampliação substancial de forças de combate ao crime propociada pela ajuda da União, bem como pela transferência das mais perigosas lideranças do crime, dos presídios cearenses. para presídios de outros estados. Mas, sim, segundo tal teoria absurda que se divulga, seria derivada da existência de um possível acordo das autoridades governamentais com uma das facções do crime organizado, no caso o Comando Vermelho que, não tendo sido solidária com as demais facções, estaria colaborando com as autoridades e sendo por elas, beneficiada.

O que se pode concluir é que, as medidas de repressão a ação das facções criminosas por parte do governo estadual, com uma forte presença da União, através do Ministério da Justiça, resultou na redução de tais atos violentos, de maneira substancial e pode abrir espaço para a adoção de políticas de segurança pública, de médio e de longo prazo, que garantam a quase certeza de que esses atos de violência, depredação de patrimônio público e de vandalismo não mais venham a ocorrer, surpreendendo e assustando as populações do estado.

Ao que parece, o Governo do Estado, junto com a União, buscará apresentar um amplo, ousado e agressivo projeto de segurança pública nacional capaz de aumentar o efetivo policial, melhorar substantialmente o acesso a equipamentos e armamentos, tanto os tradicionais como os de mais alta sofisticação, bem como buscará desenvolver todo um esforço de cobcebet um sistema articulado, nacionalmente, de Inteligentzia e comunicação, alem de aumentar, substancialmente, o número de processos investigativos de crimes de toda ordem, país afora.

E, ao que parece, representa uma prioridade e é uma especial preocupação do Presidente Bolsonaro que, por formação e por definição, é um cidadão talhado no sentido de buscar manter a ordem e a tranquilidade das populações. E, cercado por tantos oficiais generais e um vice-presidente. general de exército, a tendência do governo, como um todo, é forçar o cumprimento de todas as determinações que levem ao alcance da ordem e da disciplina na sociedade como um todo. Em assim sendo, o Ministro da Justiça, Sérgio Moro, além de não negociar com os líderes das facções, engendra processos de integração das polícias em todos os níveis e garantirá meios para um trabalho sério no meio dos menores infratores, base de sustentação prática e objetiva do crime.

Se a questão da segurança assume maior protagonismo agora, um fato objetivi a celebrar é que, ao lado desse problema gravíssimo, a retomada da economia começa a ocupar os espaços e os interesses dos agentes econômicos e de investidores, tanto internos como externos. O que já se sente é que as expectativas são já favoráveis e, aos poucos, vão se transformando em decisões de investimentos. Os dados preliminares já apontam, como estimativa, que o crescimento do PIB para este ano ficará, na pior das hipóteses, em 2,2 ou 2,8por cento.

Dessa forma, o que se desenha para este primeiro ano do governo Bolsonaro é muita austeridade com os gastos públicos; ações explícitas de combate aos desperdícios e aos desvios de recursos públicos; preocupação especial em enxugar a máquina, privatizando ações e serviços, descentralizando atividades e competências para estados e municípios; simplificação de processos administrativos e fechamento de órgãos desnecessários como conselhos, órgãos, empresas e serviços dispensáveis e que geram enormes gastos e promovem inigualável ineficiência!

Finalmente, os indicadores disponíveis sobre a tendência da economia brasileira, mostram que as atividades produtivas já sugerem um início de dinamização e, segundo declarações do homem forte da economia, Dr. Paulo Guedes, as propostas de enxugamento de gastos, de aumento do investimento por parte do governo central e as propostas relativas a um preciso e urgente programa de privatização já começam a afetar, positivamente, as expectativas dos agentes econômicos.

Dessa forma, mesmo com as tentativas da mídia de impor uma severa posição crítica sobre um governo que não tem pouco mais de vinte dias de desempenho, a opinião pública estar a por muita fé no novo governo e não tem se impressionado com a tentativa de desestabilizá-lo através de insinuações relacionadas a movimentação de recursos por parte de um assessor de Flávio Bolsonaro, deputado federal e recentemente eleito senador por São Paulo, no caso o Sr. Fabrício Queiroz.

Assim, tendo Bolsonaro paciência e deixando a quem conhece e sabe operar, a orientação necessária para superar o processo impiedoso de investigação pela mídia das ações e movimentações do seu filho, Senador eleito Flávio Bolsonaro, então as decisões positivas e objetivas de seu governo começarão a aparecer!

 

 

cumprir

cederá em nada que

 

 

 

A PRIMEIRA SEMANA …

Desencontros, desmentidos, desentendimentos, entre outros, são expressões ou fatos normais e esperados no início de um novo governo. E isto é típico, não apenas diante da inexperiência ou da precipitação verbal de membros do novo governo,  ansiosos por demonstrar que entendem do “riscado”,  como também, do próprio processo de aprendizagem da arte de governar!

Os erros, equívocos, precipitações são fatos esperados e, surpresa maior seria se não ocorressem! Propor “ ideias

revolucionárias”  e, logo a seguir, voltar atrás ou reformular a profundidade ou a extensão da proposição, é coisa muito comum no início de um novo governo. O fato básico é que, antes do agente público ser confrontado com a realidade objetiva e as restrições e limitações que as circunstâncias impõem, tudo parece, simples, fácil e de aceitação, sem restrições, pela maioria dos parceiros ou dos membros do mesmo governo! E isto se revela, no mais das vezes, em um ledo equívoco.

Alias, as possíveis desavenças entre aqueles que sentem como que líderes do processo de garantia da governabilidade ou que se pretendem porta-vozes informais do novo poder, são naturais e esperadas embora o que se aguarda é que o Presidente não perca o “timing” do necessário e oportuno puxão de orelhas nos seus comandados para que as possíveis diferenças e desavenças não se transformem em fonte de confrontos, de disputas e de desentendimentos permanentes. Também é fundamental que o próprio Presidente contenha-se ao formular propostas e ideias ou a emitir juízos de valor que possam gerar desnecessários ou comprometedores desgastes junto aos formadores de opinião.

A primeira semana de Bolsonaro não diferiu muito desse diagnóstico e já propiciou o  começo  das especulações de confrontos ou conflitos de idéias e posturas entre ministros, notadamente entre aqueles mais próximos do Presidente! Ministro Ônix Lorenzoni com claras divergências com o Ministro da Economia, entre outros, poderia está sendo alvo dessa insinuação!  Também o necessário e oportuno desmentido a umas poucas idéias e propostas do próprio Presidente, que diferiam ou divergiam do que é o pensamento dos seus economistas ou do que os agentes econômicos País afora pensam, marcaram os últimos dias.

Os “muchochos” de Paulo Guedes, registrados e caracterizados pela sua ausência a encontros  técnicos e a entrevistas com parceiros da área econômica, na última sexta-feira, encontros  previamente acertados,  pareciam demonstrar que divergências sérias entre o presidente e o seu ministro todo poderoso da Economia ou entre ele, Paulo Guedes e o ministro da Casa Civil, iriam comprometer o desempenho e a estabilidade das próprias relações de governo. Mas, ao que parece, os 28 anos de parlamento do Presidente, aliados ao equilíbrio e ponderação de figuras como o General Augusto Heleno, ajudaram a por ordem nos diálogos e a superar os desentendimentos de forma a preservar a unidade e o equilíbrio das ações de governo.

Dessa forma, enquanto houver quem ajude a administrar divergências e conflitos de opiniões e, na proporção em que Bolsonaro tenha consciência de que cabe sempre a ele garantir a unidade do grupo, a tendência é que tais atritos venham a ser facilmente superados enquanto prevalecer o espírito público e o compromisso com o País, por parte dos senhores ministros. Também, na proporção em que os escalões inferiores venham a ser ocupados, a tendência é que o dia a dia passe a exigir agilidade nas decisões e fóruns adequados de negociação e superação de divergências.

Assim o governo vai começando a engrenar, as propostas começam a serem discutidas no nível de sua viabilidade política e, na proporção que problemas sérios do país comecem a ser efetivamente enfrentados, a tendência é que se alcance o que se chama de “monotonia da normalidade”. Aí as surpresa só advirão de algumas decisões que afetem problemas de corrupção, de ineficiência e de excesso de centralização e de controle da sociedade civil pelo governo nacional! Todos aguardam menos interferência do governo na economia, maior descentralização das ações para a sociedade civil e para níveis de governo como estados e municípios  e que se promovam privatizações, desestatizacões  e descentralizações de toda ordem, dentro do princípio de favorecer tanto o “mais Brasil e menos Brasília”  e o “menos governo e mais sociedade civil”!

As chances são grandes do governo que se instalou acertar e encontrar o rumo do crescimento franco  e  dinâmico. Basta que Paulo Guedes consiga o necessário aperto fiscal para zerar o déficit público e estabeleça ações de descentralização politico-administrativa capazes de favorecer o investimento público e garantir o estímulo ao investimento privado. Pelos acenos de liberalização da economia e pelos nomes indicados para posições estratégicas, notadamente nos bancos oficiais, os investidores, notadamente os externos, já preparam as suas apostas, principalmente para o segmento de infraestrutura física.

Assim, as perspectivas, embora tímidas, parecem francamente favoráveis e o mercado já começa a entender as indicações de políticas a serem adotadas pelo novo governo, inclusive a convicção de que, estabilidade política parece ser algo que não faltará ao novo governo. Também, nenhum indício de que conquistas democráticas venha a ser abandonadas ou perdidas pela forte presença militar no poder. Isto porque os militares estão no poder não por causa de alguma crise institucional mas, tão somente, por escolhas abertas e democráticas do presidente legitimamente escolhido pela população.

Portanto, se o governo ainda não “voa em céu de brigadeiro” mas, com certeza, depois de cem dias, ficará caracterizada a tranquilidade e o equilíbrio institucional que o Pais se espera deverá  mostrar! E isto irá se sentindo, dia a dia,na proporção em que reuniões ministeriais vão ocorrendo como a que ocorreu está semana !

 

O NOVO ANO JÁ SE INSTALOU!

Sem pedir licença o novo ano chegou e se instalou. Sem maiores promessas, sem arroubos e sem pretensões descabidas, o novo ano foi se achegando e se propondo a dizer a que veio e por que veio. Primeiro ousou se propor a trazer perspectivas de boas novas ao sentir quão deprimidos estavam aqueles que se preparavam para deixar o ano que estava terminando. Isto porque, 2018 estava deixando um acumulado de desencantos e de frustrações o que
dava a entender que tudo que os brasileiros haviam enfrentado nos últimos quatro anos, continuaria na mesma toada o que iria acabar se repetindo.

Mas, independentemente desse pessimismo herdado do ano que se foi, as pessoas tendem a querer acreditar que novos augúrios, novos sentimentos e novas esperanças assumirão o protagonismo do vazio que se temia iria prosperar! Assim, independentemente das avaliações e dos preconceitos que, naturalmente se manifestam nas expectativas dos brasileiros, o novo ano, um novo governo e as crenças em símbolos e valores os mais variados, vão moldando as perspectivas que já estão a se forjar.

Os anúncios de possíveis medidas, de possíveis propostas e de possíveis ações do novo governo começam a dar o tom e a, de um certo modo, levantar o ânimo dos brasileiros o que, inclusive, ficou refletido nos índices da bolsa e no comportamento do dólar, o que ficou caracterizado por um otimismo inusitado. Segundo alguns analistas tal comportamento se deveu aos depoimentos do Presidente e, secundado por proposições do ministro da economia, posicionamentos que ocorreram na linha das expectativas dos agentes econômicos.

As propostas relacionadas a abrir a economia, a privatizar empresas e ações de governo e as sugestões de um profundo processo de descentralização das atividades do setor público federal para municípios e sociedade civil, estabeleceram esse novo ânimo no seio da coletividade nacional e abrem espaços para que a ideia de diminuir o tamanho do estado, desregulamentar, desburocratizar e simplificar processos de gestão não ficarão restritos ao campo da retórica governista. Dão a sensação é o tom de que tais intenções irão além dos gestos e das palavras soltas ao vento.

Isto porque a vida corre, os problemas estão presentes e muita coisa requer urgência sob pena de se agudizar de tal forma que venha a ficar  no campo do “sem jeito”. Verifique-se, por exemplo, o que está a ocorrer no estado do Ceará onde o crime organizado, nas suas três principais facções, decidiu confrontar o poder constituído do governo estadual, numa ação orquestrada em diversos pontos e de diversas formas, para demonstrar que, se o poder constituído não ceder às suas demandas e não vir para o campo da negociação, a situação ficará mais dramática ainda.

A situação naquele estado atingiu tal clima que, o próprio governador daquela unidade da federação, “pediu arrego” e solicitou intervenção federal para intentar combater as ações do crime organizado naquele estado. O Ministro Moro disse que a situação não era tão crítica que já merecesse intervenção federal mas o que se imagina é que, a tendência da União é a de articular uma ação de tal forma planejada, organizada e bem concebida que o êxito seja tal que sirva de exemplo para a contenção de outras ousadias e impertinências como a que ora o crime organizado do Ceará procura exibir.

Diz um ditado nordestino que “triste é o poder que não pode” pois se assim o for, mais que rapidamente exige-se que “desocupe a moita” e deixe a “quem tem competência que se estabeleça”!  Ou seja, ou a autoridade se faz presente ou a anarquia passa a ser a regra geral.  E isto não se pode aceitar e admitir, máxime quando os novos governos se instalam criando a esperança de um novo tempo, de uma nova ordem e de novas perspectivas. Claro que as promessas de campanha, as ideias soltas sem exame de consistência e viabilidade e os discursos não devem servir de referência para as expectativas objetivas do que os governos poderão fazer e farão. Mas, um mínimo de objetividade  e de política de resultados as pessoas aguardam dos novos governantes e dos novos tempos.

A decisão de Sérgio Moro ao afirmar que o “estado ainda dispunha de meios para conter os abusos do crime organizado” e, que, “ainda não acreditava que este seria o momento de uma intervenção federal”, deixa a suspeição no ar de que o MJ só vai agir, no momento em que tenha  concebida uma ação coordenada, organizada e bem estruturada,  capaz de servir de exemplo e modelo para conter outras manifestações assemelhadas que venham a ocorrer em outros pontos do País. Ou seja, a qualquer hora a ação do MJ, do Gabinete Institucional e das Forças Armadas, de forma integrada, será deslanchada e tomará, de surpresa, o espaço, os movimentos e a ação do GDE, do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho que ora aterrorizam o estado.

É esperar para ver ou assistir a desmoralização do estado brasileiro!