UMA ELEIÇÃO SURPREENDENTE!

As expectativas, antes do pleito do dia 7, próximo passado, eram as de que o País enfrentaria as mais chochas, desinteressantes e vazias disputas eleitorais dos últimos tempos. Na verdade, verifica-se a um embate pobre de contends, de idéias e de propostas e, até mesmo, de debates mais acirrados que levassem a, pelo menos, algumas agressões verbais que aumentassem o calor das discussões e sensibilizassem o eleitorado.. Na verdade,  o que se viu ou o que se assistiu foi, diante da atitude da sociedade civil brasileira, de apatia, de desinteresse  e com uma tendência mais para a indignação e para a revolta, que os candidatos acabaram  mostrando-se tão sem graça, tão sem glamour e tão sem idéias e  atitudes, quanto o público que a ele se dirigiam.

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QUE SERÁ, SERÁ!

Os brasileiros, mesmo com todo o desânimo, o desinteresse e a indignação com a frustração de seus sonhos e de suas esperanças, irão para as urnas definir a quem caberá conduzir os seus destinos. Essa, sem duvidas, é a mais chocha, a mais fria e a mais sem sabor e sem entusiasmo eleições gerais que o país já enfrentou. A crise que se abateu sobre os brasileiros, que já dura quase cinco anos, tirou empregos, reduziu sonhos, matou esperanças e levou a um estado de quase revolta como nunca se viu no Brasil a ponto de, em pesquisa internacional recente, o Brasil, que sempre foi uma espécie de paradigma do entusiasmo e do otimismo, situar-se, agora, como o sétimo país mais pessimista do mundo!.

E o “mood” do eleitorado reflete este estado de ânimos onde ninguém mostra interesse por nada e nem por ninguém. Ademais, o quadro nacional mostra o domínio da mediocridade onde, em nenhum segmento surge alguma liderança que  arranque sentimentos, mexa com emoções e denote qualquer interesse ou preocupação com qualquer problema, idéia ou tema. Na verdade, nem no clero, nem na mídia, nem na intelectualidade, nem no sindicalismo, nem no empresariado e, principalmente na classe política, surge ou surgiu alguém ou alguma ideia capaz de atrair as atenções de quem quer que seja.

Vive-se esse quadro de total alheamento com o que quer que esteja ocorrendo no País. Pelo contrario, ninguém se sente satusfeito  em apenas registrar a sua insatisfação mas, mostrar indignação e revolta! Ocorre algo preocupante no comportamento da sociedade que é o total desrespeito para com entes e homens públicos chegando a ocorrer agressões verbais e até tentativas de agressões físicas como aquelas enfrentadas pelo Ministro Gilmar Mendes, tanto aqui como em Portugal, onde ele foi assediado e ofendido por transeuntes que carregam esse sentimento de insatisfação, de queixa e de revolta com o “status quo” experimentado pelo Brasil.

E é nesse ambiente e subordinado a essas contingências que os brasileiros são convocados para decidir os rumos do País. E, não é apenas algo difuso como é a expressão “destinos do País” mas, os destinos de seus estados e a definição de seus representantes mais diretos. Como sói ocorrer em pleitos dessa natureza e dessa dimensão, a escolha do candidato a Presidente torna-se a questão que, emocionalmente, mexe com mais sentimentos e envolve mais a mídia. Chega-se agora a definição de quem deverá conduzir o País.

A eleição pode, embora remotamente, decidir-se no primeiro turno. A onda anti-petista e o sentimento de que é preciso mudar as coisas e os caminhos percorridos até aqui, abrem perspectivas para um outrora obscuro pretendente ao cargo de Presidente nessa eleição tão insossa.  Jair Bolsonaro, o deputado militar, de discurso conservador e pobre de idéias, ocupa situação privilegiada, com quase 40% das preferências eleitorais, podendo até surpreender com uma vitória no primeiro turno. O seu concorrente, que representa os últimos gemidos do moribundo petismo, é o ex-prefeito de São Paulo, sem charme e sem carisma, representando, mal e porcamente, o lulismo. É fundamental registrar que, muito remotamente, pode ocorrer uma inusitada e inesperada mudança de quem disputaria o segundo turno com Bolsonaro, podendo numa hipótese muito remota, surgir a figura de Ciro Gomes!

Por que Bolsonaro chegou a situação tão privilegiada? Primeiro porque Bolsonaro, há três anos atrás, teve a ousadia de dizer que, “se ninguém quer disputar, eu vou me lançar”, na época, candidato a Presudente. Nessa mesma circunstância ele não foi muito levado a sério. Diante disso, defendendo idéias vistas até como retrógradas e exóticas, o que ocorreu foi que para um público revoltado e indignado, Bolsonaro conseguiu se definir como a voz que representava os sentimentos de “anti- petismo e de anti o que ai está”!    

Ou seja,  Bolsonaro virou onda e, nesse embalo, já com apoio amplo e quase irrestrito das Forças Armadas, foi beneficiado até mesmo pelo impacto do atentado por ele sofrido quando a atitude novelesca do brasileiro, levou a uma onda de solidariedade com alguém vitimado por um facínora a quem se procurou atribuir ser ele era um instrumento a serviço dos interesses do candidato petista ou não! 

Dentro da sua estratégia de que não se alinharia com os partidos “que aí estão”, começou a construir alianças e parcerias com frentes parlamentares como a bancada ruralista, a evangélica, a da bala, além de outras menos expressivas. Assim, de forma indireta e não fugindo ao discurso de se manter distante dos partidos tradicionais, constrói pontes para garantir a sustentação ou o respaldo parlamentar necessário para aprovar matérias cruciais ao seu governo, caso seja eleito. Ou seja, se se somar os Parlamentares das bancadas ruralista, evangélica e da bala, representa uma base segura e sólida capaz de permitir atrair o apoio dos tradicionais políticos governistas,  por formação e por opção. 

Assim, daqui a pouco, as definições ocorrerão e, diferentemente do que pensam muitos, dificilmente acontecerão surpresas no curso das preferências populares, na opção pelo voto útil e na quantidade de votos nulos e brancos ou no surgimento de algo espetacular, que pudesse promover uma mudança de cenário e de perspectivas eleitorais.

Nada disso é passível de ocorrer. O ambiente, as circunstâncias e o quadro de crise existencial em que está mergulhado o cidadão brasileiro, não dá margem para qualquer coisa que fuja a tais padrões de comportamento. Isto porque, mesmo buscando se apropriar de tais circunstâncias, nenhum movimento ou grupo de poder, tentou se apropriar de tais circunstâncias e plantar novos caminhos e alternativas para o País.

O único fato a lamentar é que as eleições deixaram de ser una festa e o momento de exaltação maior daquela que seria a festa maior da democracia. Hoje, ao invés de festa parece mais um velório onde só lamentações e queixas são as manifestações mais frequentes! É uma pena!

CRISE E DESENCANTO. É POSSÍVEL SAIR DO IMPASSE?

O cenarista apresenta as suas mais sinceras desculpas por sua ausência ao não produzir outros textos sobre o quadro político-partidário e seus possíveis desdobramentos, nos últimos dias. Na verdade, a sensação que o acometeu foi a de que “não havia nada de novo sob o sol”, apenas frases que não espelhavam ou traduziam ideias ou propostas capazes de sugerir o encaminhamento dos graves desafios enfrentados pelo Brasil. Basta que se tome um único exemplo, qual seja, aquele relacionado ao crescente déficit público que, só neste mês, apresentou um resultado altamente negativo para as perspectivas nacionais. Um déficit de mais de 77 bilhões! Para 2019 a expectativa é que o déficit das contas públicas alcance mais de 200 bilhões de reais! E pensar que, alguns anos atrás, o País assistia o setor público produzir superávits que alcançava mais de 3,1% do PIB! Ou seja, hoje produz-se um rombo anual nas finanças públicas de algo no entorno de mais de 300 bilhões/ano para uma dívida pública que já supera os 5 trilhões de reais!

Todo esse quadro de desânimo, de incerteza e de pessimismo representa um processo que hoje domina as mentes dos brasileiros!  Este universo em desencanto, compreende não apenas os milhões de desempregados que, se se considerar os seus dependentes somam algo no entorno de 19 a 42 milhões de pessoas afetadas! Se a tais números juntam-se aqueles hoje vinculados ao Programa Bolsa Família, então os alcançados por esses sentimentos de pessimismo ou da perspectiva de perda de tal benefício, conduz a que se atinja a quase metade da população brasileira. Também se ainda se considerar o impacto dessa desordem econômica enfrentada pelo Brasil nos últimos cinco anos, pelo menos, ai os impactos negativos são maiores! No caso, por exemplo, se se observa só o impacto negativo sobre os micro e pequenos empreendedores que foi e tem sido terrível, aí se tem uma dimensão maior das razões para o desânimo e pessimismo, geral e irrestrito, que dominou e domina os brasileiros como um todo.

Acrescente-se a tal quadro, a crise existencial de uma classe média que sempre acreditou no império da competência e do conhecimento e, de repente, descobre que a crise tragou até mesmo conceitos desse naipe ou dessa estirpe. O que se observa, a par da revolta e da indignação dos afetados pela crise e, o que parece, algo que  lhes tira a sobrevivência condigna e mata os seus sonhos e suas esperanças, é o desestímulo  e a descrença no amanhã do País e nas chances de voltar a sonhar com üm país Outrora chamado grande!

O que se avalia do quadro é que as elites, também indignadas com a situação a que chegou o País, hoje prromovem uma especie de luta fratricida, estimulando o confronto entre os “contra” e os a favor” não se sabendo dizer, ao certo, sobre o que ou sobre por que tal peleja se faz mas que gera uma maldita polarização que só faz aumentar as divisões no País!

E o mas grave é que o Brasil nunca optou por uma via ou um caminho ideológico nem tampouco se mostrou favorável à este ou a aquele caminho que passasse por essas tentativas de buscar dividir  o País, uma maldita proposta é, sem fundamentação em qualquer teoria ou política que a  maior parcela da população, acredita e professa. Buscar reeditar uma nova “revolução farroupilha” no País como um todo é algo insensato e, no Rio Grande o que levou, apesar de todos os temores que ela levantou nos brasileiros, o que realmente deixou de relevante foi o sentimento arraigado e o orgulho do gauchismo ou do gaúcho.

Esse processo de deterioração de instituições, de valores, do ambiente e das expectativas leva a esse clima de generalizada indiferença para com o quadro partidário. Ademais, junte-se a tal, a qualidade dos candidatos,  sobre os vários aspectos que se queira avaliar, máxime em relação ao charme, ao carisma e a própria capacidade de empolgar. Nem o inusitado e o exótico tem surgido nas propostas ou nas atitudes dos referidos pretendentes. Assim cá estão os brasleiros sem ter para onde ir e nem com quem ir. A tendência desse final de campanha é um possível acirramento da polarização anti-pt vesus pt  que, ao que parece, só poderá conduzir à volta dos petistas  ao poder, com toda a sua visão amesquinhada de aparelhamento do estado e de gestão a partir, não do mérito, mas do que eles chamam de “conveniência estrategica” e fortalecimento político dos seus apadrinhados.

Ou, a outra opção que se coloca aos brasleiros é a de Bolsonaro, com todo o simplismo de sua visão e. apoiado no modelo de governança que o antigo estado autoritário que prevaleceu nos anos sessenta a oitenta, definiu e estabeleceu. Cheio de contradições e propostas que remetem a situações que já se supunham ultrapassadas, Bolsonaro assusta a desinformados pois que ninguém governa sozinho e o Brasil não tem as dimensões institucionais, econômicas e políticas para assumir uma proposta a la Venezuela ou outra republiqueta de banana daqui ou de alhures. Nenhum salvador da pátria será capaz de empalmar o poder e estabelecer um projeto pessoal e populista.

Não obstante tais temores em relação a Bolsonaro é sempre bom levar e, conta que ninguém chega ao poder de graça e, chegando lá, ou. Tendo conquistado o poder a duras penas irá correr qualquer risco de perdê-lo. Dessa forma Bolsonaro já constrói alianças para garantir a governabilidade valendo-se de forças como Alkimim, Meirelles, Álvaro  Dias Amoedo e. Marina Silva, o que lhe permitirá aprovar projetos e mudanças fundamentais no Congresso.

 

A NOVA PESQUISA, SERÁ QUE DEFINIU RUMOS E TENDÊNCIAS?

A expectativa era significativa! A ânsia e o chamado “wishful thinking” , de que a tal pesquisa da sexta feira, dia 14, próximo passado, iria definir os parâmetros do que seria o pleito do próximo dia 7 de outubro, foram frustrados, pois nada disto ocorreu. As mesmas dúvidas e incertezas continuaram pairando no ar. Para onde deve ir ou se conduzir o país a partir das ideias e preferências do eleitorado, não ficou nada claro. Isto talvez se deva ao fato de os brasileiros sempre continuarem  esperando e sonhando com o aparecimento de um possível salvador da Pátria. E , como ocorreu com os portugueses, Dom Sebastião não veio e não virá!

O cenarista aguardava que, a partir dos resultados do referido levantamento de campo feitas pelos principais institutos de pesquisa de opinião, já fosse possível vislumbrar inclinações e tendências ou, quiçá, perspectivas, sobre qual seria o quadro eleitoral que se estabeleceria para o segundo turno. Não se pode dizer sequer que os números tenham fornecido indícios de que rumos a campanha política tomará ou se apenas foram produzidas mais dúvidas e incertezas que já predominam na cabeça dos brasileiros. Na verdade, a disputa não conseguiu, até o presente momento, empolgar a quem quer que seja, fundamentalmente por conta do estado de espírito que domina a população — cabisbaixa, desestimulada e desinteressada! — bem como pelo fato de que as campanhas não mostraram nada de especial, marcando-se mais pela mesmice e pelo sem sabor e o sem sal.

Inobstante esse desinteresse, as pessoas gostariam de ver respondidas algumas questões que lhes possibilitariam antecipar que possível cenário ter-se-á no dia 7 de outubro próximo. Ou seja, questões óbvias como, por exemplo, quem serão os possíveis nomes que chegarão ao segundo turno? Será Ciro ou será Fernando Haddad o possível adversário de Bolsonoaro? Ou será que Bolsonaro, pelos sérios entreveros que a sua saúde lhe têm imposto, bem como pela manutenção do elevado índice de rejeição ao seu nome, cogitaria “sair da raia” ou os grupos que decidem seu futuro político — familiares, seu candidato a vice e o grupo que o assessora, hoje em crise de identidade e afinidade — poderiam pensar numa estratégia alternativa, caso a sua saúde não melhore?

Os que estão mais próximos de Bolsonaro, pelo que se sente, não cogitam tal hipótese e nem tampouco admitem a idéia de o partido abrir mão da disputa presidencial mesmo que Bolsonaro mostre-se tão alquebrado como na última foto mostrada após a nova cirurgia! Alguma possibilidade de uma composição que levasse a Bolsonaro aceitar um arranjo com Ciro Gomes? Muito difícil pelo que já plantou Ciro em seus discursos. Uma outra pergunta que se coloca no ar é se prevalecerá a atitude do eleitor de buscar a opção do chamado “voto útil”. O que se coloca, é, para onde migrarão os votos ou as atuais preferências daqueles que hoje se atrelam a candidaturas como de Álvaro Dias, Amoedo, Meirelles e, até a de  Marina Silva?

Também uma outra questão que se pontua é se Geraldo Alkimim coneguirá sair desse patamar ode patina,  já há algum tempo e, trasfome-se numa opção possível e viável? Será que, diante da queda observada de Marina Silva, nesta última avaliação, se consolidará o fim do caminho para a lutadora e determinada candidata? Por outro lado, para onde irão ou migraráo os votos dos candidatos da chamada “rabeira”? Até que ponto os conceitos de esquerda, centro esquerda, direita, centro-direita além dos chamados anarquistas, irão estar presentes na definição do candidato ou dos candidatos a serem avaliados? Parece que tais conceitos, pelo menos para alguns analistas, se esvairam e se esfacelaram, diante do esvaziamento ideológico que o mundo vem observando.

O que se imagina é que, para alguns, lamentavelmente, deverá se repetir o que ocorreu na última eleição onde vingou ou prevaleceu a chamada polarização entre PT e anti-PT, sendo que os prováveis protagonistas seriam Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, embora não se deva descartar a hipótese de Ciro Gomes versus Jair Bolsonaro. O mais relevante nesse processo é que, até agora, a “baixaria” ainda não marcou a retórica da disputa, prevalecendo um confronto aparentemente limpo e civilizado. As questões sempre colocadas dizem respeito ä credibilidade dos levantamentos e das pesquisas quando os resultados são confrontados com a realidade. Às vezes, surgem divergências não totalmente explicáveis por diferenças metodológicas  ou data de aplicação das amostras.

independentemente das dúvidas e incertezas que cercam as pesquisas e a inviolabilidade da urna eletrônica, é mister considerar que os dados exibidos por tais estudos são aqueles que acabam estabelecendo o norte da campanha eleitoral. Na verdade, por exemplo, se o ritmo de crescimento exibido por Haddad nas próximas pesquisas mostrar-se tão forte como o que ocorreu da última pesquisa para os dados atuais, então crescem as chances de que ele venha a ser um dos nomes a definir-se para o segundo turno. Caso contrário, ou seja, se  o desempenho for pífio, a probabilidade tornar-se-á cada vez mais remota e, segundo alguns analistas, o seu teto seria algo que alcançaria, no máximo, uns 15 a 17% das preferências populares.

Também, se os próximos levantamentos não mostrarem uma melhoria substancial de desempenho de Alkimim, então aí, dificilmente, poder-se-á aguardar alguma surpresa em termos do que ele poderá alcançar nas pesquisas. Ou seja, se Alkimim não alcançar os níveis atuais de Ciro e Haddad, as suas possibilidades ficarão remotíssimas de ser um concorrente no segundo turno. Na verdade, o cenarista acha que comentar as perspectivas eleitorais desse pleito, notadamente a nível de presidência da república, tem se mostrado algo ‘ïnsipido, inodoro e incolor”,  tal e qual são as propriedades organolépticas da água, pois não há nenhum fato ou circunstâncias relevantes que despertassem qualquer interesse especial.

Já nos estados o processo parece mais animado e alguns eventos que se caracterizam como uma espécie de “thriller” pois que, já três governadores, pelo menos, tiveram a prisão decretada além de outras figuras cuja ficha não era tão limpa mas, como não haviam sido julgadas em segunda instância e, portanto, não eram ainda réus, continuaram lépidas e fagueiras, com um atitude meio cômica de “defesa do resgate dos valores morais mais caros dos cidadãos”. Isto porque, essas figuras estão certas de que, no país da impunidade, nada lhes acontecerá pois, até mesmo a nova lei eleitoral que deveria propiciar uma “limpa” no processo político-eleitoral, ao contrário,  veio foi para manter tudo como está e reeleger 70% do nobre Congresso que hoje tem os brasileiros a lhes representar. E aí “acontece exatamente ao contrário dos tempos de rapaz. Os desenganos vão conosco à frente e as esperanças vão ficando atrás”, como afirma o poeta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E BOLSONARO SE PERGUNTA: POR QUE NÃO EU?

 


Os últimos acontecimentos políticos requerem que se busque lançar as bases do novo cenário que deverá surgir e se estabelecer no País. Bolsonaro ganhou mídias intensas em todos os veículos de comunicação e nas redes sociais que um candidato, por vias normais, conseguiria. Também a atitude dos concorrentes já mudou, dramaticamente, diante de alguém, vítima de tragédia, assistida ao vivo e a cores, pela grande maioria da população do País. E, a atitude da mídia será deveras cautelosa com ele pois que, diante do risco de morte, mesmo que agora vá se minimizando, mesmo assim, Bolsonaro continuará a contar com a chamada “mídia novelesca” que apresenta um conteúdo de dramaticidade capaz de provocar lágrimas de “pena e compreensão” em relação a quem  foi vitimado.

Até bem pouco, a candidatura de Bolsonaro era uma quimera de alguém que admitia que a política é a arte de ousar e que acreditava no dito popular de que, “quem chega primeiro bebe água limpa”. Ele apostou no fato singular de que, diante do vazio de homens e de idéias e da indignação de militares revoltados com a promiscuidade, a. irresponsabilidade e a falta de compromisso das elites, máxime da classe política, ele, teimosamente, pôs na cabeça que faltava alguém que falasse aos militares indignados, aos cidadãos revoltados e a chamada parcela dos desempregados e desesperançados sobre como retomar a ordem, a disciplina, a hierarquia e o respeito aos superiores, fundamentais para reestabelecer a confiança nas possibilidades de retomar o curso do desenvolvimento nacional. E, numa ousadia inusitada, se perguntou, “por que não eu?”, diante da natural perplexidade de muitos brasileiros.

Essa atitude de Bolsonaro se assemelha, “modus in rebus”, ao que ocorreu com  JK, claro que, feitas as monumentais ressalvas das diferenças. O episódio mostra como reagem interlocutores mais próximos do candidato e qual  a reação que a.maioria reagiria como, de fato, reagiu JK. No início de seu governo, quando, acompanhado de seu amigo e assessor, o grande Augusto Frederico Schmidt, JK foi fazer uma conferência para um grupo de intelectuais sobre o seu programa de governo. Saiu-se, de tal maneira, de forma competente e convincente,  que o assessor Schmidt, quando ouviu a manifestação do Professor João Calmon de elogios rasgados ao Presidente, insinuando que ele deveria candidatar-se a Academia Brasileira de Letras, gostou tanto da insinuação que comentou, de pronto, com JK: “Ele tem toda a razão. Por que o senhor não se candidata, Presidente?” Ao que JK retrucou: Amigo, isto foi apenas um gesto de delicadeza do amável Professor Calmon”. Um ano depois, em uma outra conferência brilhante do Presidente, em Forum presidido pelo mesmo Professor João Calmon, diante de comentário assemelhado do velho mestre, enquanto JK se sentia lisonjeado, Schmidt, querendo ser agradável ao Presidente, fez uma crítica impiedosa ao Dr. João Calmon e, ao referir-se a ele, afirmou: ”Esse Calmon continua com essa puxação de saco de sempre! Vem, de novo, com essa estória do senhor se candidatar a Academia Brasileira de Letras”! Ao que JK, de pronto, respondeu; “E, por que não? O Getulio não foi!” Por que eu não posso ser?”

Esse episódio, vem se repetindo ao longo da história brasileira através de outros protagonistas. Para que outro exemplo mais recente e melhor do que a saga de LuLa, indiscutível quanto a sua competência e o seu brilho politico incomum? Mas, se lhe sobrava talento e habilidade politica, Lula pode-se afirmar, sem medo de contestação, que ele foi e ainda o é fruto, também, da chamada incompetência da direita, da omissão dos conservadores e, do entusiasmo da mídia que, empolgada com a ascensão de um operário semi-analfabeto ao poder. E udo isto ajudou a produzir os ingredientes necessários para transformá-lo em mito. Lula cresceu pelo que o “establishment” fez dele um mito e alguém a ser respeitado e temido. E, após a criação do mito, não adianta os analistas de última hora se perguntarem como uma cultura Inferior, no caso de Lula,  domina e subordina uma cultura superior. Descobre-se -se, só agora, que Lula conseguiu manipular a midia, as pesquisas e as redes sociais, além de subordinar intelectuais às suas idéias e caprichos, de tal maneira que ele se transformou em uma figura inevitável e definitiva na vida pública nacional e na vida das pessoas.

Da mesma forma, por caminhos distintos e apelos diversos, surgiu, cresceu e se consolidou a figura de Jair Bolsonaro, um deputado do baixo clero e um oficial sem maiores méritos porém que foi capaz de descobrir um veio político qual seja, o de fazer um contraponto com os mais radicais petistas, notadamente quando Lula, limitado no seu ir e vir, abriu caminho para que o discurso agressivo  de Bolsonaro, radical e cheio de ousadias temidas por muitos, ganhasse espaços e apoios. Assim ele passou a representar a figura que expressava o sentimento dos conservadores que estavam em busca  de uma fórmula de  inviabilizar Lula e impedir a volta do PT ao poder.

Alguns analistas admitem que, diante das declarações e da postura radical em algumas questões, Bolsonaro seja alguém que se deva temer, caso chegue ao poder. Ledo engano! Milico por excelência, opera subordinado aos valores da caserna: disciplina, hierarquia, respeito e sempre acreditando que nenhum cidadão construirá algo sozinho mas sim com o seu grupo. Inspira-se nos governantes do regime militar que, conscientes que não tinham conhecimento, visão e sensibilidade dos políticos, fizeram uma aliança com os tecnoburocratas e passaram a gerir o País com os sonhos de grande potência dos milicos e com a sensibilidade técnico-política dos tecnoburocratas.

Bolsonaro não pode e não deve causar medos e maiores temores. Ele é milico. E um milico se regra por princípios claros, ja definidos, anteriormente, e deles não fogem. Conta  com a simpatia dos seus colegas, dos conservadores, dos radicais que hoje se rebelam contra o pt e com aqueles que acreditam que a prioridade maior para o Pais é a ordem, a disciplina e o respeito aos valores mais caros das sociedades tradicionais. Acredita  que a competente e sensível assessoria é que faz um comandante ser bem sucedido.

Diferentemente de Ciro que se sente e se acredita enviado pelos  deuses e detentor de um poder divinal que o autoriza a formular propostas capazes de promover uma transformação profunda do Pais que, na verdade, não se tem idéia para onde tais ideias levarão e nem como irão conduzir o país para que espaço ou tempo de mudanças.  Já Bolsonaro “vende” idéias simples ou deliberadamente simplificadas, aliás, discutíveis e até, controversas, apoiadas em valores tradicionais — como não aceitar educação sexual nas escolas; nem admitir ao quase culto ao movimento LGBT; define-se pro-Israel e se diz temente a Deus. Tudo aquilo que a maioria da população crê, aceita e cultiva. Diz que não aceita o apoio de partidos politicos tradicionais por serem, os mesmos, inconfiáveis. Faz duas criticas a Rede Globo. Apesar de tal postura, os seus maiores apoios concentram-se nas classes média e alta, numa demonstração clara que escolheu o caminho de representar o conservadorismo nacional. Ou seja, os mais ricos e os mais letrados o estão apoiando!

É bom que se afirme que Bolsonaro não é o perfil de candidato que o cenarista queria ver ascender ao poder. Na verdade, a  limitada formação intelectual; a platitude de suas idéias e propostas; o simplismo de sua visão sobre a vida, a condição humana e o mundo, tornam-no pelo menos, uma incógnita na condução do processo politico-institucional do Pais. Talvez o seu crescimento,  em termos de apoio popular, se deva ao fato de que o Brasil nunca tenha assistido a uma situação como a que se viveu nos dias que correm, onde a mediocridade é majoritária em tudo; onde inexistem lideranças com alguma expressividade em qualquer campo da atividade; onde, nem na politica, nem na justica e nem na mídia, ou mesmo no meio dos empresários e  intelectuais, aparece alguém que lance idéias ou provoque qualquer tipo de sentimento nos brasileiros como um todo.

Por isso Bolsonaro assume a liderança das preferências populares! E, agora, mais do que nunca,  vai assistir a diminuição dos índices de rejeição ao seu nome e o crescimento de sua popularidade, na avaliação das preferências dos eleitores. Deverá crescer, diante do comportamento da maioria dos brasileiros, vocacionada ao emocional e a se posicionar favorável à vítima de qualquer acontecimento ou circunstância. São tais valores que são consagrados nas notáveis audiências novelescas onde tragédias e sonhos se misturam.

Assim, a tragédia experimentada por Bolsonaro poderá abrir espaços para que ele venha a crescer e, até mesmo, assumir uma liderança capaz de permitir que ele possa emplacar a presidencia talvez até mesmo no primeiro turno, caso a sua assessoria saiba explorar o evoluir de sua recuperação. Talvez o conhecimento maior por parte do eleitorado, dos conhecimentos, da postura e da firmeza do vice-presidente de Bolsonaro, General Mourão, ajude a ampliar as preferências populares em favor deles. É esperar para ver os desdobramentos tanto desses fatos como aguardar que  Bolsonaro supere rápido, embora com a cautela que as circunstâncias pedem e a política ensina, as limitações impostas por esse crime hediondo por ele sofrido..

UMA SEMANA DE PERDAS E DANOS!

Não bastasse o desastre cultural que chocou a todos os brasileiros que foi a destruição do patrimônio histórico-cultural ocorrido com o incêndio do Museu Nacional, entidade criada pelas autoridades imperiais no século dezenove, agora uma demonstração inusitada e surpreendente de violência.

A independência foi assinada pela Rainha Leopoldina em 2 de setembro ou foi assinada e proclamada dia 7 de setembro, as margens do Ipiranga,  pelo Imperador Pedro Primeiro? Será que foi a Rainha que assinou o ato e comunicou o marido que ele deveria fazer o gesto? Ou isto seria uma teoria conspiratória?

Não obstante esse fato que reflete a leviandade de como as coisas sérias são conduzidas pelas autoridades e pelos historiadores, é fundamental enfrentar com seriedade, as tragédias que o País tem enfrentado, ultimamente!

E, nas vésperas do dia da pátria, não é que algo inusitado ocorre no Brasil que só se tinha noticia ocorrendo em outros países mas nunca na pátria amada. 

Ocorre um atentado à vida de Jair Bolsonaro, em pleno centro de Juiz de Fora, numa caminhada no meio do povo! Nunca se esperava que alguém praticaria um ato tresloucado contra o candidato melhor posicionado na disputa presidencial. Pelas circunstâncias políticas que experimenta o País, o trágico evento foi visto como um atentado à democracia.

Alguém perguntaria como um candidato presidencial que conta com 21 membros da polícia federal para garantir a sua segurança, poderia sofrer um atentado dessa natureza? Três circunstâncias conduziram a, possivelmente, que tal perverso fato viesse a ocorrer. A primeira, a negligência do candidato de andar no meio de uma multidão e, tendo consciência de que querer andar nos braços do povo, eleva substancialmente,””

 os riscos de violência e impede o trabalho mais eficiente da polícia federal. A segunda irresponsabilidade foi do candidato que, argumentando que fazia calor em demasia resolveu dispensar ou abrir mão do uso do colete de proteção abdominal, que teria impedido que ele fosse atingido.

A terceira negligência foi aquela de querer fazer todo o percurso no ombro de um correligionário quando ele já havia percorrido mais de trezentos metros até o destino que estaria a pouco mais de  cem metros.

Agora tais ponderações, duas coisas ficam no ar para que as investigações policiais esclareçam e os analistas políticos mostrem as suas avaliações sobre que rumos tomará o processo. Ademais a última apreciação a fazer é sobre quem será o grande beneficiário dessa tragédia.

A família Bolsonaro tem como prioridade maior a recuperação dele sem maiores sequelas. Sabe-se que ele deverá ficar hospitalizado de 7 a dez dias caso nada ocorra para complicar o quadro de recuperação do candidato. E é esse aspecto que mais preocupa a família. A Bolsonaro, particularmente, a colostomia nele colocada, será um trambolho que o incomodará por, pelo menos, três longos meses! Afora isto, o que se tem de avaliar é o que ocorrerá até a eleição. 

Com a saída hoje já definitiva de Lula da corrida presidencial, a situação do pt se complica bastante pois Haddad não tem charme, nem carisma e nem discurso capaz de empolgar as massas. E, pior! Caso haja no caminhar das investigações ficar insinuado que o pt tem a ver com o atentado à Bolsonaro, aí não se tem ideia do tamanho do prejuízo.

Quem ganha mesmo é Bolsonaro. Por três razões. A primeira pela natural atitude e comportamento dos brasileiros que são muito solidários a alguém que foi vítima de possíveis atitudes de interesses dos adversários ou das próprias circunstâncias que marcaram ou dramatizaram o episódio. A segunda será a natural redução de sua taxa de rejeição pois a idéia de ser um defensor de atos de violência para superar a insegurança e a criminalidade, parece que será minimizada por ter sido ele vítima da violência que ele tão intransigentemente combate!

Finalmente, se o comportamento do eleitorado não mudou nos últimos anos, talvez se repita o fenômeno do que ocorreu quando da trágica morte do presidenciável Eduardo Campos em desastre aéreo. Marina Silva que era sua vice, já na primeira pesquisa após o ocorrido, cresceu, pelo menos, dez pontos percentuais logo após a tragédia e a indicação de seu nome para substituir Eduardo Campos.

O cenarista acredita que, já na segunda feira, as perspectivas mostrarão um Bolsonaro com 28 a 30% das preferências populares.

Adicionalmente Bolsonaro deverá, pela recuperação e convalescença, ser favorecido pelo não comparecimento aos debates e será poupado de críticas mais impiedosas de seus concorrentes. Na verdade, também será beneficiado pela temática que deve prevalecer nos debates onde a violência e o seu combate estarão na ordem do dia!

NADA DESPERTA INTERESSE!

Há quase cinco anos o País ingressou na, talvez, mais séria crise econômico-social e política de sua história. Crise que não só gerou um estoque de 14 milhões de desempregados e uma queda na renda significativa disponível das pessoas, mas, também, um recuo nas decisões de investimentos dos agentes produtivos. No entanto, o saldo mais negativo desse triste momento do Pais e, também, o mais importante e o mais preocupante, foi o que ocorreu com o “mood”, ou melhor, com o ânimo dos brasileiros. Pela primeira vez, numa pesquisa internacional, o Brasil figurou como uma das mais pessimistas populações do mundo. Segundo tal pesquisa sobre o ânimo, o entusiasmo ou o otimismo dos patrícios,  o Brasil surge como a sétima nação mais pessimista entre mais de trinta nações avaliadas ou investigadas quanto a tais aspectos!

Isto é muito grave pois o clima entre as pessoas, de desentusiasmo, de desencanto e até mesmo de indignação e de revolta, leva a situações chocantes e quase dramáticas como o atentado sofrido pelo presidenciável Jair Bolsonaro em plena via pública, no centro de Juiz de Fora. Ou seja, a intolerância tem levado a agressões verbais e físicas já se espalhando país afora, a várias figuras da vida pública nacional, que, dentro do padrão democrático, são totalmente inaceitáveis.

Isto é intolerável, não importa o nível de insatisfação, de indignação e de revolta que as pessoas estão mergulhadas em face da crise econômica que lhes impôs tantos sacrifícios, tantas limitações a sua vida e tantos problemas a sua existência. Não importa que o atentado não tenha nada a ver com atos conspiratórios ou com ações de caráter terrorista a partir de grupos ou entidades politico-partidárias. Parece que o ato parece algo isolado por alguém insano ou alguém que busca uma notoriedade por caminhos transversos a legalidade e ao  equilibrio emocional. Independentemente disso, representa um atentado à própria democracia.

Assim, o que ocorreu hoje representa algo preocupante quando se observa o nível de estresse e de desequilíbrio emocional que a crise promoveu na vida de milhões de brasileiros. Ninguem acredita mais em nada, nem nos homens púbicos e nem nas instituições. As coisas mudaram de eixo deixando para trás aquele otimismo e a crença no amanhã que dominava mentes e corações dos brasileiros. É bom recordar que o clima hâ bem pouco tempo, era bem distinto. As pessoas ainda tinham alguma fé e talvez alguma esperança no comportamento e atitude da justica mas, depois de tantos fatos que reduziram a sua credibilidade, nem mais este poder parece confiável.

O que mais preocupa é que as pessoas andam profundamente irritadas, revoltadas e indignadas e, no mais das vezes, destilam seus ressentimentos em qualquer um que encarne qualquer forma de poder porquanto a insatisfação das pessoas diante dos efeitos nefastos da crise econômica, procura encontrar um responsável por tal situação. E, de um modo geral, tal possível culpa pela situação recai sobre autoridades constituídas, notadamente políticos.

Ninguém acredita que este gesto quase tresloucado represente uma possível tendência de comportamento da sociedade e que tal fato tenha um efeito multiplicador capaz de se disseminar em mais atos de violência País afora. Em assim sendo, o que se espera é que as autoridades reprimam, de forma dura, quaisquer tentativas de reproduzir tal ato ou a criação de um ambiente de hostilidade no País. Também é fundamental que a política econômica comece a mudar o clima de incerteza e de insegurança econômica que domina o Brasil.

É bom insistir no fato de que, com a saída de Lula do páreo eleitoral, pacífica-se o quadro político-eleitoral e desaparece da cena a perigosa polarização do “nós contra eles”. O atentado à Bolsonaro deve advertir a todos de que o acirramento das disputas não deve estimular o acirramento de ânimos capaz de reproduzir atitudes tresloucadas como o desse cidadão.

Este cenarista chamava a atenção para o fato de que, a mera saída de Lula da disputa presidencial, começava a criar um clima mais favorável para as decisões da área econômica. A própria instabilidade de câmbio já começa a sinalizar que voltará às flutuações normais e naturais dependendo apenas de fatores externos incontroláveis e não do clima e do ambiente de negócios no País. Assim, embora a retomada da economia dependa da confiança nas instituições e na crença de que as coisas tendam a mudar para melhor, além das políticas públicas de estímulo às ações dos agentes produtivos, não resta a menor dúvida de que não havendo agentes intranquilizadores a tendência é que o ambiente comece a se tornar mais otimistas as expectativas.

 

O MITO SAI DE CENA!

Ao que parece, o que mais gerava instabilidade, preocupação e incerteza para os chamados formadores de opinião, quanto ao amanhã do Pais, passou! Com base em que se faz tão  peremptória afirmação? Isto porque “o mito” saiu de cena e não há mais possibilidade de seu retorno ou, para não ser tão  definitivo, são remotíssimas as probabilidades. Ele era o único dado nesse cenário político qe gerava preocupações  pois muitos temiam o seu retorno e o do PT, ao controle político do Pais. A experiência vivida pelos brasileiros, que culminou na mais profunda e ampla crise econômica-social até agora vivenciada pelo País, deixou marcas e sequelas difíceis de serem

Agora sim! Pode-se afirmar que o Brasil tem tudo para começar um novo tempo! Isto porque, até mesmo as indefinições sobre quem vai comandar o país nos próximos quatro ou oito anos, não preocupam tanto os brasileiros. A sucessão presidencial parece que não gera angústias em termos do nome escolhido, notadamente para os que creem que o Brasil não precisa de um Messias ou de um salvador da patria, pois se admite  que as instituições  operam e não são mais  deveras frágeis como até bem poucos anos atrás. Na verdade, aos olhos do analista, não importa muito quem ganhe o processo, pois que,  nos dias que correm, os  graus de liberdade no agir por parte de um presidente, são  bem reduzidos, em face do peso das instituições.

Os poderes constituídos exercem controles e exercem freios, uns sobre os outros, num mecanismo conhecido pelos americanos de “checks and balances”. Se isto não  bastasse, as circunstâncias externas e  a significação do Pais, em face de suas dimensões, de sua importância econômica e de seu papel estratégico, delimam o ir e vir de um presidente, não importa a soma de prestígio popular e o seu carisma. Por outro lado, historicamente, as forças armadas sempre exerceram uma presença fundamental e, as vezes, até incômoda no processo político-institucional, representando uma certeza de que um governante autoritário e tresloucado não teria a liberdade de atos insensatos que usasse e abusasse do “direito inalienável e fundamental” de todo cidadão, de fazer besteiras.

Ademais, a mídia, onde o equilibrio entre os interesses negociais dos patrões e a postura e atitude ideológica dos jornalistas, seus funcionários, ajudam a reduzir os riscos de guinadas politicas perigosas. Também, o empresariado, de um modo geral tentado a, pelo menos, demonstrar ou mostrar suas insatisfações e desconfianças nas instituições, sempre conseguem sinalizar seu mal estar e as suas preocupações, através de hesitações e inseguranças quanto a decisões de investimentos e expansão de seus negócios. Finalmente, a chamada classe média, excessivamente cautelosa e, muitas vezes, mais preocupadas em manter seu “status quo”, não gera mobilizações e articulações politicas capazes de demonstrar força política efetiva no processo, a não ser em circunstâncias muito especiais, como foram as que culminaram nas manifestações de 2013.

Assim, com o fim do caminho para Lula, o mercado voltará a respirar mais aliviado; a cotação do dólar flutuará nos seus limites normais apenas agregando algumas alterações, fruto de mudança de rumo da economia americana e a economia voltará a mostrar sintomas de que poderá ganhar algum dinamismo adicional. É claro que não será o acaso que permitirá a correção de distorções que comprometem o desempenho da economia. O tamanho, a presença excessiva nas atividades produtivas e a centralização do estado brasileiro, hoje capaz de produzir um deficit além dos 150 bilhões de reais, é questão fundamental a ser revista. Como também, um rombo nas contas públicas de mais de 150 bilhões de reais só este ano alem de uma da divida interna — hoje em mais de 5 trilhões de reais! —; uma previdência que se mostra insustentável e que requer imediata intervenção e ação na sua estrutura de operação, são providências saneadoras que se impõem de forma urgente e quase imediata.

Também, só a construção de um ambiente mais favorável e menos estressante, permitirá que se possa começar a enfrentar aqueles desafios mais sentidos pela população como é a questão da assustadora violência que se alastra País afora; a precariedade do saneamento ambiental que representa monumental causador dos baixos e precários índices de saúde  pública; a limitação de transporte de massa, que inferniza a vida do cidadão urbano; a precariedade da saude pública e a baixa qualidade da educação de base, entre outros.

É claro que tudo isto aguarda por reformas  institucionais sérias como a reforma do estado, a fiscal e a previdenciária  e tudo o mais de reformas também dependerão  de uma gestão de governo que as enfrente e as ponha em prática. Mas, para que o pessimismo, a angústia, a inquietação e esse marasmo que toma conta do Pais sejam superados,  era preciso que Lula saísse de cena e deixasse o caminho livre pois tudo que se construiu a respeito dele, dos temores sobre a sua possível volta ou, para muitos, o seu “amargo regresso” e do incômodo retorno de petistas amargos, amargurados e desejosos de vingança e, claro, sem os  predicados de competência e de espírito público desejados e esperados, o Brasil não encontraria meios de fazer retornar o  sonho e a esperança.

Quatro longos anos de crise com quase 13 milhões de desempregados e com uma economia andando, anos apos ano, para trás, deixou muitas marcas, muitos prejuízos, muitos desconfortos e até mesmo, muita revolta pois as pessoas se sentiram usadas, abusadas e roubadas, na sua boa fé, pelos seus líderes políticos. Isto ficava ainda mais claro e patente quando se verificava que, enquanto o Brasil mergulhava em uma recessão profunda, o mundo ao seu redor crescia, seguidamente, a 3% ao ano!

Agora, não havendo o que temer pois a chamada e propalada “luta de classes” não terá mais ambiente para prosperar pois Lula, a seu estilo, ao não permitir o surgimento de lideranças que o sucedessem, agindo tal qual “sombra de mangueira”, não deixou nem deixará herdeiros. E, se houvera feito como Chavez, talvez o País hoje temesse um Maduro, como ocorre  com a pobre e desesperada Venezuela.

Agora é a hora de retomar a caminhada sem sobressaltos.

QUE PROPOSTAS O PAÍS ESPERA SEREM APRESENTADAS?

Discurso e conversa mole não ajudam em nada em imaginar e conceber que tipo de dirigente o país poderá vir a ter ou o que o Brasil precisa ter. Até agora não se sabe, ao certo, quais as propostas que os vários candidatos e que poderão sensibilizar o  eleitorado. Nem tampouco, atë que ponto, elas poderão sensibilizar e, até mesmo, empolgar o distinto público. Na verdade anunciar que “vai tirar todos os inscritos no e do SPC” ou afirmar que deve acabar com coisas vistas como inúteis como a Justiça do Trabalho, inclusive com o fim do Ministerio do Trabalho e a tal justiça eleitoral, órgãos quase únicos na estrutura de poder dos estados democraticos do mundo, parece não tocar o eleitorafo. Propor ideias genéricas de combate à corrupção e a redução significativa dos níveis de violência, são propostas por demais  genéricas que não geram o que se pode chamar de esperança consequente no coração e mente dos brasileiros.

As pessoas estão a aguardar o anúncio de propostas transformadoras e viáveis bem como propostas que não só sejam capazes de serem visiualizadas mas também como passíveis de serem implementadas e que, possivelmente venham a mudar o curso das coisas e a efetiva retomada do crescimento econômico. Hoje, com um orçamento totalmente engessado, com uma poupança pública muito limitada e uma poupança privada restrita pelos limites da expansão da econômica  nacional, além da insegurança jurídica e da imprevisibilidade  judicial  que impõem limitações, muito grandes, aos investimentos internacionais, as perspectivas de crescimento não são nada otimistas.

Necessariamente se se pretender mudar o curso da história do país, é fundament ousar em ações estruturais da dimensão daquela orientado a uma revisão do tamanho, da sua presença na sociedade e na vida das pessoas do estado brasileiro. Por consequência, é fundamental rever o processo de organização e atuação do estado brasileiro, pois sem isso, nada será possível fazer. É preciso aceitar duas premissas basicas relacionadas ao estado brasileiro. A primeiro é a de que, aqui, há estado demais e sociedade civil de menos. Ou seja, o estado é maior que a própria sociedade civil do país e isto produz distorções, ineficiências e ilegitimidades de toda ordem,  gerando, inclusive, impedimentos e restrições enormes ao adequado e eficiente desempenho de seu papel.

A segunda premissa para permitir que se projete ou se imagine uma reforma básica do estado brasileiro, o é aquela que se traduz na frase de “menos BRASILIA e mais Brasil” o que representa reduzir, substancialmente, o centralismo e das decisões do poder público, excessivamente marcado pelo governo federal, sem que a sociedade civil seja a protagonista maior dos seus destinos. Sem que se estabeleça uma revisão crítica do que cabe, como atribuições e competências, à sociedade civil e o que compete ao poder público, será difícil retirar o País do atoleiro em que se encontra. Na verdade, tudo que a sociedade civil poder fazer deverá ser deixado à sua respnsabilidade e o estado deverá deixar de se imiscuir não apenas na realização direta de obras e serviços bem como no normatizar e regulamentar, excessivamente,  as atividades da sociedade, notadamente as atividades produtivas. Assim, aquilo que a sociedade civil tiver dificuldades e limitações para concretizar e venha a caber ao estado, como conceito maior, levar a que se realize pelo ente público mais próximo, mais legítimo e mais adequado para atender às demandas do cidadão. E nesse caso, necessariamente será o municipio que representa o “locus” legítimo e privilegiado da cidadania. Ninguém mora na União e nem no estado mas, objetivamente, no município! Se assim se proceder, então muitas ineficiências, muitas inadequações, muitas corrupções e muitos desvios de conduta que se apresentam no dia a dia da oferta e da prestação dos serviços públicos, poderão vir a ser superados.

Se se quer a revisão do tamanho, das atribuições e da divisão do trabalho entre estado e sociedade civil que um novo pacto nacional venha a definir, tais reformas e providências deverão ser a base em que se assentarão as demais medidas destinadas a gerar o ambiente adequado para o desenvolvimento das atividades produtivas. Entre elas está a construção de um processo que garanta a estabilidade político-institucional do País gerando o ambiente necessário para que se construa o nível de confiança exigido e para que prosperem as iniciativas da classe produtiva. Assim, além de reformar o estado tornando-o menor, mais leve, descentralizado e mais eficiente, a segurança jurídica e a previsibilidade judicial são fatores fundamentais para gerar o clima de estabilidade que permita a volta da confiança e da esperança nos e dos  agentes produtivos.

Se isto já representa uma verdadeira revolução, a remontagem do novo pacto federativo aí embutido, propiciará que se desmonte o atual processo de engessamento do orçamento ou dos orçamentos públicos, nos três níveis de poder  de forma a que se devolva, à sociedade e aos governantes, os graus de liberdade necessários para a definição e a hierarquização de prioridades.

A nova definição do que deve ser o conceito mais atualizado do estado – mais leve, mais legítimo, mais representativo, mais próximo do cidadão e, por consequência,  mais eficiente — abre espaço para que sejam promovidas algumas reformas essenciais como a fiscal (notadamente no que respeita ao gasto público); a da previdência, a reforma trabalhista e outros ajustes capazes de rever ideias e conceitos de operação da sociedade. Reduzir a parafernália de leis, decretos e diplomas legais de toda ordem, é fundamental a permitir o livre ir e vir das pessoas e a circulação das ideias.

 

BOLSONARO, A BOLA DA VEZ!


Bolsonaro é o candidato que os demais pretendentes tentarão buscar tirar votos. Isto porque se busca abocanhar mais votos de quem os tem em maior quantidade embora a lógica deveria ser, em primeiro lugar, intentar atacar os concorrentes nos seus pontos de maior fragilidade, independentemente da dimensão de seus votos potenciais.. Assim a primeira alternativa buscada pelo que se sente até agora, certamente é aquela de, num primeiro momento, atrair eleitores de quem os tem, muitos. E, ao que parece, seria o caso do capitão Jair! Assim, tanto Ciro como Fernando Haddad e, até mesmo Alkimim, buscarão atacar, primeiro, de maneira impiedosa, as bases de Bolsonaro. Vão mostrar as suas contradições, os seus equívocos e as suas inconsistências. A estratégia é desestabilizar e desestruturar  a campanha de Bolsonaro intentando fragiliza-lo e, consequentemente, retirar as possibilidades do candidato de se mitificar e tornar-se um candidato pouco vulnerável às críticas dos formadores de opinião!

Até agora as estratégias adotadas parece que não surtiram efeito. Segundo uma última pesquisa de opinião, Lula constaria ainda com 30,8% u 39% das preferências populares e Bolsonaro, ao invés de cair, estaria entre 19 e 22,8%! Na verdade o seu crescimento se deve a várias circunstâncias. A primeira é que ele é, ao que parece só ele, estaria a expressar, de maneira mais objetiva e popular, o sentimento de revolta e de indignação que toma conta de toda a sociedade brasileira, O segundo aspecto é que, a ocupação de espaços na mídia e nas redes sociais pelo candidato tem sido quase que, avassaladora, em comparação com os demais candidatos. Em terceiro lugar, os chamados candidatos mais ao centro, inclusive Alkimim, estacionaram em patamares muito baixos nas pesquisas e, até agora, nâo apresentam tendências a melhorarem suas posições. Por fim, a atitude da mídia em relação a Bolsonaro tem o vitimado e o feito crescer.

Na verdade, uma ponderarão deve ser feita. É aquela que mostra que tem sido a direita e a mídia que tem feito o crescimento de Lula nas pesquisas na proporção em que buscam mostrar que só uma medida de força, como a que alegam estaria sendo tomada pela justiça, tiraria o poder de quem legitimamente tem o respaldo popular.  Estão, com seus gestos e suas atitudes ou, quem sabe, até pelo temor de vê-lo voltar ao poder “com sangue na boca” e com queixas de muita gente, temendo desagradá-lo desde já.

É fundamental que se diga que, a quase certeza de que Lula não será candidato e a pouca expressividade do possível candidato petista, Fernando Haddad, escolha típica do perfil de Lula que não quer ninguém no partido que tenha a possibilidade de um dia ser maior que ele, faz com que os conservadores do país — e são muitos! — encontrem em Bolsonaro a segurança de que não se terá um postulante sequer com qualquer simpatia em relação as esquerdas e, bem ou mal, um nome que expressa a sensação de que vai fazer una limpeza ética no Brasil, na sua política e na administração pública.

E, o mais interessante desse processo é que Bolsonaro, com o seu discurso, traduz aquilo que pensa a sociedade brasileira, ou o povão das suas elites, dos seus dirigentes, de seus políticos e, inclusive de sua imprensa, vista como sempre a serviço de seus interesses particulares, embora mantenha um grupo significativo dos jornalistas que emprega, com postura e discurso de esquerda. Na verdade, o desenho que se estabelece, no momento, do quadro eleitoral, as pesquisas estão a negar o primeiro pensamento dos analistas, inclusive deste cenarista, é que a ausência nas urnas de eleitores e a fortíssima presença dos votos de protesto. Os dados preliminares de pesquisa mostram, a princípio, que não serão tão avassaladores como se imaginava!

Assim o pleito continuará sem empolgar as ditas massas inclusive porque nenhum candidato mostra-se carismático ou de um populismo convincente e a sociedade, após quatro anos “na peia”, como afirma o dito popular nordestino, ou seja, mergulhada numa crise tamanha que teima em não querer sair, encontra-se pessimista, indignada e até mesmo revoltada, não se manifestando favoravelmente a nada e nem a ninguém.

O fato é que Bolsonaro, milico bem mandarino, está sabendo fazer o dever de casa. Não mai se irrita, demonstra que a mídia é de esquerda e contra ele; que até a Rede Globo quer ve-lo derrotado e, em manobras bem pensada vai driblando as resistência ao seu nome. Agora decidiu que não participa mais de qualquer debate, deixando a entender que a mídia é contra ele e quer masssacrá-lo, faz todo o sentido, para os seu seguidores, a decisão tomada.

Pelo andar da carruagem, a não ser que os programas de rádio e tv venham a despertar profundo interesse do eleitorado e alguém surja com ideias convincentes capaz de sensibilizar o populismo latente no país, por enquanto o caminho continua aberto a Bolsonaro

 

 

 

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