INFLAÇÃO BAIXA, JUROS TAMBÉM BAIXOS E UM CRESCIMENTO MUITO AQUÉM DO ESPERADO!

De há muito o Brasil não apresentava indicadores de preços, inflação e juros básicos tão baixos como no atual momento. Ou seja, embora os últimos anos — quase cinco! — tenham mostrado uma economia sem dinamismo e com crescimento medíocre, com um desempenho paupérrimo do PIB, com sérias implicações no emprego e no aumento de desigualdades, comprometendo as expectativas de reversão do quadro, havia sempre uma expectativa de que “o amanhã seria melhor”! Taxa abaixo de 1% ao ano, como deverá ocorrer neste ano, é algo que já não mais surpreende, negativamente, os brasileiros. Talvez apenas aumente a frustração e o desencanto.

E, o que se assiste, como externalização desse estado das artes, são empresas sendo fechadas, investidores desmotivados, um desemprego que atinge 13 milhões de cidadãos e uma crescente informalidade, em quase todos os segmentos da economia. E a tendencia, por enquanto, é que as chances de reversão de expectativas são diminutas. Aliás, hoje a tábua de salvação que se coloca para a reversão do quadro, está nas chamadas reformas institucionais, particularmente, na reforma da previdência.    A referida alteração institucional deveria ter sido votada na Câmara dos Deputados até antes do recesso mas, a votação dos destaques transferiu o segundo turno para agosto e, a seguir, a proposta de reforma será enviada ao Senado.

Espera-se que não fique a votação da matéria à mercê do “jogo das vaidades” dos jovens dirigentes das duas Casas e, consequentemente, que o Senado procure demonstrar o seu espírito publico e a sua compreensão do papel real e simbólico que representa tal reforma para que o País retome o animo, o entusiasmo e volte a crescer o seu PIB, como é esperado e que o país precisa. É claro que, de imediato, o que a aprovação da reforma irá produzir será uma mudança no ambiente econômico, abrindo espaços para uma revisão critica da postura dos agentes econômicos

E estes deverão já começar a se manifestar na proporção que indicadores como a movimentação das bolsas e dos mercados de câmbio irão sugerir que um novo tempo estaria ressurgindo no País.

Mas é fundamental que se diga que para se criar um novo clima e um novo ambiente será de relevância maior que a conclusão da reforma trabalhista e indicadores de simplificação e de desburocratização da área tributaria e fiscal sejam anunciadas e já comecem a serem discutidas. Isto porque há muita coisa a ser feita em tais campos bem como devem prosperar as discussões e os debates, relativas as idéias de descentralização das ações do poder publico, favorecendo a sociedade civil, os estados e os municípios. Se tais discussões prosperarem a sensação que se transmitirá à sociedade civil será de que o País estaria abrindo espaços e criando novas e estimulantes perspectivas para novos negócios e investimentos.

As referidas reformas ajudarão a que iniciativas como foi o acordo com a União  Européia/Mercosul; as privatizações de estatais em vários segmentos, notadamente nos campos de gás e óleo; a aceleração de medidas destinadas a estimular os investimentos nacionais e internacionais em infra-estrutura física e urbana,  além da intensificação do programa de privatizações, serão linhas de conduta conducentes a garantir um choque de dinamismo e modernização à economia nacional. Capitais externos, não apenas chineses e indianos, além dos provenientes da comunidade européia, aguardam a desburocratização e simplificação das relações entre a sociedade civil e o estado, para fazerem a sua incursão ainda mais dinâmica no Brasil.

O que ora se sente é que, este ano será, fundamentalmente, destinado a lançar as bases das transformações institucionais e de adequação do ambiente para que investimentos muito significativos, em varias segmentos da vida nacional, venham a ocorrer. E, é importante mencionar que as manifestações do Presidente Bolsonaro, consideradas muitas vezes inoportunas e inadequadas, não mexem mais com as perspectivas nacionais pois as instituições se colocam hoje acima desses pequenos eventos.

Finalmente os transtornos causados por pequenos problemas no governo e frutos, também, da sua falta de articulação politica, parecem que não serão capazes de afetar e de comprometer o curso de tais mudanças e transformações. Ou seja, a reforma da previdência, a roforma tributária e fiscal e a complementação da reforma trabalhista serão os pré-requisitos para a retomada da expansão da economia. Se se pretender um ritmo mais intenso de crescimento da economia, então serão necessárias medidas adicionais no sentido não apenas da redução do tamanho do estado mas do fortalecimento da federação e a ampliação das atribuições de estados e municípios.

POR QUE TUDO É TÃO COMPLICADO?

Há cerca de quase quarenta anos uma figura emblemática da vida nacional, dentro de uma visão perspectiva moderna, intentava, qual um Dom Quixote, criar as bases da modernidade das relações entre o cidadão e o estado. Helio Beltrão, a quem teve o cenarista teve a honra de sucedê-lo na busca de concretização de seus sonhos — desburocratizar, descomplicar e facilitar a vida dos cidadãos, na relação com o estado. Claro que todo esforço ou ingente esforço exigia paciência, determinação, persistência e a teimosia em continuar sonhando

PARA ONDE SE CAMINHA OU PARA ONDE SE É EMPURRADO?

Alguns fatos e circunstâncias atuais do País  exibem um panorama que não estimula a qualquer analista da cena política, intentar antecipar para quais destinos possíveis o país está sendo conduzido. Ou melhor, pode ser que. na verdade, por inexistir uma ou algumas  lideranças expressivas que intentem balizar os caminhos que o País deva ou precise seguir, viva-se uma espécie de era da incerteza e da insegurança. Não é que se pretendesse que o País houvesse mobilizado os seus talentos e, esses mesmos talentos, agregando espírito  público, houvesse produzido os lineamentos que viriam a balizar as políticas públicas com o fito de fazê-las operar as transformações estruturais e o dinamismo econômico requerido pela etapa que vive o País.

Na verdade, esse requinte de expectativas não se coadunaria com uma visão sóbria, ponderada e equilibrada de qualquer analista diante desse momento em que está mergulhado o Brasil. Isto porque, não apenas o seu inefável e imprevisivel Presidente que, segundo a formação do cidadão brasileiro, não atende e não corresponde a visão e o comportamento da sociedade brasileira. Isto porque, por vicio histórico, os brasileiros sempre estão à espera de uma espécie de “Salvador da Pátria”, num sebastianismo que os novos tempos não admitem. A falta de qualquer liderança expressiva, em qualquer segmento da vida nacional, que produza uma ideia, um projeto ou uma proposta objetiva e consistente para atender os problemas e demandas nacionais, representa uma triste realidade.

Para que melhor sejam avaliadas as perspectivas do quadro nacional, é fundamental que se visualize o que ocorre com a atividade produtiva nacional e com o comportamento de seus agentes. O crescimento do PIB esperado para este ano, a partir do que ocorreu com a economia nesse primeiro semestre, crescimento este estimado, ao final do ano passado, em 2,63%, representando uma elevação em relação aos últimos anos e, consequentemente, uma razoável redução nos inquietantes níveis de desemprego, frustrou-se e, no máximo, deverá expandir-se a algo em torno de 0,6 a 0,8%! E o desemprego continuará no entorno do que se sente hoje em dia, ou seja, algo por volta de 12,3 milhões de cidadãos!

É importante lembrar que, na luta pela sobrevivência, a informalidade vem crescendo de maneira perigosa, como uma forma de redução do pesado impacto que a crise está a promover sobre a renda das famílias como um todo. Também, o que ainda mais preocupa é o fato de que tais indicadores de redução ou de encolhimento da atividade produtiva, gere um ambiente de desânimo, de desinteresse e de temores por parte dos agentes produtivos que estão a postergar seus planos de investimentos embora em situação menos dramática do que aqueles que tiveram que fechar os seus próprios negócios.

O governo tem anunciado medidas de restrição de gastos públicos e algumas providências ou apontando fatos que poderão melhorar o ambiente econômico e que, segundo o mesmo governo, tais possíveis ações viriam a reverter as expectativas e criar perspectivas menos negativas para as atividades produtivas. Procura o Executivo demonstrar que os indicadores do primeiro semestre, em relação a alguns agregados como endividamento global e do setor público, além da inflação,  tem se colocado abaixo da meta do Banco Central. Ademais, a privatização de algumas estatais e a venda de ativos, como por exemplo, da Petrobras e de outras estatais, além de  “fatos novos”, como a recente assinatura do acordo de cooperação Mercosul/União Europeia, seriam suficientes para afastar o fantasma da recessão e abrir novas perspectivas econômico-sociais para o País.

O fato objetivo é que os resultados de tais iniciativas ou eventos em favor da economia, só deverão ocorrer nos próximos anos e não de forma imediata como se esperaria e precisaria enquanto a inquietação e a angústia  além das dúvidas e incertezas de empregados e empregadores sobre o que fazer, pressionam e criam esse universo em desencanto que é a cena brasileira. Buscando diminuir o pessimismo é o desânimo que toma conta dos brasileiros, o governo afirma que,s se as reformas institucionais forem aprovadas, então o País voltará a ser o grande espaço para a ação de investidores quer nacionais quer internacionais.  Agora, a área de comunicação do governo está tentando transformar a reforma da previdência numa espécie de um condão ou uma espécie de tábua de salvação para o País.

Ledo engano! Que tal reforma e outras básicas requeridas pelo processo de modernização e expansão da economia nacional são cruciais e urgentes, disso não há a menor dúvida. Porém há que se ter consciência de que, além de não serem aprovadas nas dimensões requeridas diante das concessões feitas em face das pressões dos grupos organizados, os chamados  “grupos de pressão”, o chamado “time lag” entre a sua aprovação e a geração de seus resultados, não é algo que ocorra de imedito. Assim vive o Brasil uma situação deveras complicada pois são poucos os graus de liberdade existentes para permitir que o entusiasmo e o ânimo renasçam e façam florescer esperanças consequentes  para a economia e para a sociedade brasileira. Talvez essa avaliação pessimista não ajude em nada na busca de revisão de tais expectativas. Talvez o concluir que, o quadro não sendo nada bom, não há com acreditar nas possibilidades de sua reversão apenas com a fé e com a liberação de 100 bilhões de reais do Compulsório anunciados, pelo Ministro Paulo Guedes, para irrigar um pouco a demanda.

Espera-se, no entanto, que mais de medidas anti-cíclicas ou medidas destinadas a abrir espaços para novos negócios e ingresso de uma avalanche de capitais internacionais sejam adotadas. A China parece ávida por oportunidades de negócios em países como o Brasil, tanto a partir de investimento em infra-estrutura física como na área  urbana, embora os obstáculos burocráticos a dificultar as decisões de investimento dos possíveis  grupos interessados, ainda são muito grandes. O certo é que uma ação consistente na área da abertura da economia, desburocratizacão do estado, recriação da federação com a adoção de um significativo grupo de medidas dêscentralizadoras e adoção de medidas práticas de liberalização do sistema produtivo, seja o caminho mais adequado para reverter o quadro. Porém tais medidas providęncias teriam que ocorrer o mais rápido possível pois, do contrário, criar-se-á um ambiente mais do que propício  para  o aumento das tensões e agravamento do crítico quadro social que, hoje, já se experimente e se vive. Oxalá haja a compreensão de alguns líderes políticos nacionais  e a sensibilidade do Congresso para que compreendamque cabe a ele, Congresso, ajudar e não atrapalhar o processo!

EXPECTATIVAS E POSSIBILIDADES!

O horizonte não favorece a que se alimente grandes esperanças de que o país encontre seu rumo e gere perspectivas alvissareiras para a população como um todo! Não existem bons ventos soprando na direção de alternativas de expansão e de crescimento dinâmico da economia e também na direção de bons movimentos políticos que antecipem um quadro de boas notícias no campo das possibilidades de transformação estrutural do País! Na verdade o quadro que se apresenta é um tanto quanto contraditório. As declarações do Presidente são pessimistas na proporção em que ele é confrontado com avaliações críticas a sua  forma de governar e, diante das restrições no gasto público, a economia praticamente não cresce. Aliás, está, até agora, a encolher!

Não obstante essas contradições, algumas medidas e propostas do governo, mesmo aquelas muito específicas e pontuais, estão sendo capazes de sensibilizar, a opinião pública e, publicada, positivamente!  Todas as ideias e propostas que vão na redução de privilégios, de gastos públicos imoderados bem como todas as ações e decisões que busquem reduzir as quase doações de dinheiro do poder publico a uns poucos privilegiados; tambem as qu visam diminuir os desperdícios ou o que alguns chamam de estímulo à corrupção, estão sendo objeto de discussão e de combate por parte do novo governo. Nenhum dinheiro é liberado sem uma avaliação crítica severa sobre os vazamentos, os exçessos e aquilo que aumentaria os desvios de tais meios de suas medidas ou providências ou de suas funções essenciais.

Cortar verbas da CAPES parece um contra-senso para um país que precisa estimular a pesquisa e os experimentos técnico-científicos e não pode sacrificar os seus projetos de investigação de toda ordem. Mas, a redução feita foi em cima do excesso de dotação orçamentária de tal forma a não comprometer todos os bolsistas que hoje já são assistidos pela entidade. O Bolsa Família sofreu também a redução de seu orçamento básico quando se descobriu que cerca de 500 mil beneficiários eram cidadãos que não atendiam aos critérios básicos para a participação no programa. Assim, examinandos os cortes de gastos, as reduções orçamentárias e os excessos e vazamentos ora combatidos diante do monumental déficit orçamentário previsto, não parece que tais providências venham a comprometer ainda mais o crescimento esperado do PIB. .

Medidas de austeridade não são nada simpáticas porquanto geram restrições, reduzem orçamentos e promovem cortes de programas e projetos afetando interesses ou cortando privilégios. E isso representa uma postura caracterizadamente  antipática e cria restrições a popularidade dos governos que as adotam. Mas são essenciais para arrumar “casas em desalinho” e criar as bases para a retomada do crescimento e da expansão da economia.

Assim, passa o Brasil por esse momento difícil porquanto a crise fiscal é muito séria, o endividamento público é muito grande e os graus de liberdade para uma expansão da economia são muito reduzidos. Assim, o difícil dever de casa é preparar as bases para a retomada do crescimento que só será possível com um seríssimo ajuste fiscal e, portanto, com a liberação de parte do orçamento para garantir uma boa alavancagem de investimentos públicos alem da liberalização da atividade produtiva das amarras que cerceiam as fontes de atração de investimentos privados, quer nacionais quer internacionais.

Assim o lançamento do programa de investimentos apresentado pelo já demitido  Ministro Santos Cruz, compreendendo 105 projetos ou iniciativas, representa algo a demonstrar que o governo parece saber o que quer e para onde vai. Ao lado disso, as ações propostas pelo Ministro Paulo Guedes, buscando a liberalização  da economia, o destravamento de segmentos de infra-estrutura e a desburocratização de  processos de autorização governamental para o desenvolvimento de determinadas atividades, são marcos essenciais para que se abram perspectivas para o crescimento do País, se não a níveis chineses, pelo menos próximos aos atuais níveis indianos!

 

O QUE HÁ DE NOVO NO GOVERNO?

As avaliações, até agora, do desempenho do governo, colocam-se em três níveis. Aqueles que reduzem a sua apreciação as manifestações de excesso de loquacidade do Presidente, com visões simplistas embora em consonância ou em coro com o que pensa grande parcela da população. Mesmo que não sejam bolsonaristas por opção ou que tenham votado em Bolsonaro, esse grupo está definido por conceitos tais como — “bandido bom é bandido morto”; “essa classe política é o que há de pior para o país”, entre outros, que, são a cara e o pensamento do Presidente.

Um segundo grupo é daqueles que fazem dura oposição ao governo, representado pelo que sobrou do petismo, do lulismo e da esquerda do País. Dessa forma, representam os saudosistas do que foi o governo petista além daqueles que. Fazem a chamada esquerda  tradicional do Brasil.

Um terceiro grupo é o constituído por aqueles que, mesmo reconhecendo as fragilidades de “Bolsonaro e companhia”, acreditam que o desempenho de um governo não é mais determinado, exclusivamente, por quem está à frente do poder. Ou seja, as instituições hoje pesam mais na definição de rumos e na condução das decisões governamentais, do que o personalismo de um dirigente ou de um Presidente. Ou seja, o voluntarismo de um dirigente não mais define os rumos do governo!,

Assim os caminhos escolhidos pelo governo federal, por exemplo, não são mais aqueles que Bolsonaro define mas o que a sua base de poder e de comando do governo estabelece. Para ser mais específico, esse base de comando está na linha do que raciocina Bolsonaro, o seu chamado Alto Comsndo do Executivo que, para ele, está constituído pelo seu vice-presidente, pelos ministros Paulo Guedes e Sérgio Moro além dos cinco generais de quatro estrelas que assumiram cargos estratégicos como os ocupados pelo General Heleno e o General Santa Cruz. Esses são os homens que definem e já definiram as linhas estratégicas de ação de governo e, mesmo com as trapalhadas promovidas pelos filhos do Presidente e pelo pseudo orientador intelectual de Bolsonaro, o filósofo de direita Olavo de Carvalho, esses homens  de ouro do governo estão sabendo, até mesmo, administrar esses embaraços que surgem na caminhada.

Se não fora a falta de um bom articulador político do governo que, por certo, já teria promovido um entendimento com as duas casas do Congresso; também se não ocorresse uma espécie de inexistência , até agora, de uma interessante e objetiva estratégia de comunicação social, a situação de Bolsonaro não teria sofrido sequer, queda de popularidade. Aliás, queda relativamente fácil de ser revertida, na proporção em que o governo consiga divulgar as medidas de austeridade fiscal já  postas em prática até agora e as providências nas áreas de abertura econômica, estímulos à investimentos em áreas estratégicas e programas especiais de infraestrutura, de exploração de fontes alternativas de energia e de retomada de projetos de desenvolvimento regional, ora em curso.

Na verdade, o governo não tem primado por propor ou apresentar projetos públicos de grande impacto ou envergadura pois, a maioria deles requereria a mobilização de fundos de investimentos, notadamente públicos, que não se coanudaria com a proposta de austeridade fiscal, de redução progressiva do déficit público e de revisão profunda nos gastos, programas e projetos de governo, de tal maneira a voltar aos tempos em que se produziam significativos superávits fiscais. O que o novo governo tem buscado são investimentos internacionais nas áreas de energia, infra-estrutura, entre outras, com vistas ao aproveitamento de enormes potencialidades nacionais.

Ademais, o novo governo tem procurado demonstrar ao setor e a iniciativa privada que está empenhado em reduzir limitações e entraves à propostas do setor produtivo, quer nacional, quer internacional, que se mostrem interessados em explorar potencialidade econômicas do Brasil, em várias áreas. Claro que sendo o Brasil a sétima economia do mundo, com um enorme potencial em face dos recursos naturais, do tamanho do território, de sua população e da massa crítica de transformações econômicas já em curso, apresenta-se, no momento, como um grande campo para potenciais investimentos só prejudicados, em parte, pelos embaraços burocráticos de toda ordem que dificultam o desenvolvimento das atividades produtivas.

O que se sente é que o governo instalado não difere, em muito, dos demais governos dando a sensação de que as ações do poder hoje são mais institucionais do que pessoais e não deve causar temores as manifestações pessoais de um líder sobre temas os mais relevantes para uma nação, pois a base institucional se revela muito mais proeminente e persuasiva do que, às vezes, os presumidos líderes carismáticos. Parece que esse tempo desses homens que, quase sozinhos, mudavsm a história, já se foi.

Assim o que se pode afirmar é que o governo não é mais a cara de quem o lidera e não há porque temer governos que não tem um estadista a sua frente. Os governos hoje são reflexo das bases institucionais que os apoiam e elas não sofrem mais o peso das características individuais dos líderes de plantão. O tempo hoje promete muito mais estabilidade e paz pois as emoções de quem lidera as nações parecem não mais definirem os seus rumos.

Essa parece uma análise otimista do que ora se passa no Brasil onde as declarações de Bolsonaro, os excessos dos meninos e os arroubos autoritários de Olavo de Carvalho não terão o condão de mudar os rumos da história que ora se constrói!

ABANDONO, DESMANTELAMENTO E DESTRUIÇÃO!

Quem aposta no Brasil, no seu potencial e põe fé nas suas possibilidades, tem ficado apreensivo com o que vem ocorrendo nos últimos cinco anos. Estagnação econômica, pobreza política e indiferença dos brasileiros diante desse quadro de quase atraso e, o que é mais visível e preocupante,  a manifesta indiferença da população para com os seus destinos. Até bem pouco os brasileiros eram um povo otimista, alegre e entusiasta em relação a vida e ao seu futuro. Hoje, as frustrações acumuladas, notadamente, nestes últimos anos, conduziram, não apenas a incerteza quanto o amanhã, como uma certa descrença na capacidade desse mesmo povo de alimentar entusiasmo e otimismo com o futuro do País.

Na verdade, o que se teme é que o Brasil se argentinize! Ou seja, reproduza o que hoje se passa com a Argentina! Isto porque, ao perder o entusiasmo e a crença nas enormes potencialidades da nação, o itinerário que virá a se mostrar aos brasileiros, será o da incerteza, da insegurança, da descrença nas instituições e da perda das motivações e do entusiasmo de continuar acreditando nas possibilidades econômicas e no papel político, no mundo, que as dimensões continentais do País definem como possíveis! Até bem pouco era o Brasil a sétima economia mundial tendendo, segundo alguns estudiosos acreditavam,  que viesse, em breve espaço de tempo,  a situar-se entre as cinco maiores economias do mundo. De repente, a quase estagnação econômica tomou conta do País e, pasmem, uma população marcada pelo otimismo e pelo orgulho da grandeza do Brasil num passado recente, essa mesma população, mergulhou num pessimismo que assusta quem estuda possibilidades e perspectivas nacionais.

Daqui, de Luján, na Argentina, onde se encontra o cenarista, diante da exibição de abandono, de descaso e de quase ausência do poder público nesta bela nação; e pelo processo de abandono, de descaso e de desmontagem de estruturas arquitetônicas históricas e de marcada beleza, temem os brasileiros, ao assistir tal processo na Argentina, pelos destinos do Brasil. O que os brasileiros já construíram, mesmo sendo ainda uma obra incompleta e  que ainda está  “por fazer”, teme-se que tal comece a ser desestruturada e desmantelada pela falta de ação do poder público e pela omissão da sociedade civil de não cobrar das autoridades constituídas, o devido zelo pela manutenção do patrimônio público. A Argentina, que já foi uma das principais e mais dinâmicas economias do mundo, faz, pelo menos sessenta anos, que está mergulhada numa crônica crise institucional que não permitiu que a pátria do tango, do Dulce de Leche, dos churros, do vinho  e do “asado”,  reencontrasse a sua destinação histórica. Uma bela nação, com uma notável constelação de fatores produtivos e de recursos humanos de boa qualidade, debate-se hoje em seguidas e contínuas crises institucionais e não consegue reencontrar o caminho da expansão econômica com equilíbrio social,  como seria esperado e desejado.

Aqui, admirando-se a bela capital portenha, a dinâmica e moderna agropecuária do País e o patrimônio cultural constituído, lamenta-se  que a Argentina não seja capaz de superar tal impasse institucional e não retome o processo de modernização e dinamização de sua economia e de sua sociedade, como um todo! Alguns buscam atribuir essa profunda crise  as marcas indeléveis deixadas pelo peronismo, que semeou um populismo marcado pela manutenção de um crônico atraso institucional e pela presença de conflitos entre os peronistas e o resto da sociedade argentina. Talvez seja um exagero atribuir-se ao peronismo toda a culpa pelos desencontros institucionais do País. Mas o fato singular é que a Argentina, vez por outra, dá a sensação de que está indo na direção de seu reencontro histórico e, que iria superar  a tentadora proposta populista. Mas, ledo engano! As expectativas quase que se frustram totalmente como agora quando, a duras penas, Macri intenta modernizar o País  buscando fazê-lo voltar a crescer e intentando promover as transformações estruturais capazes de superar esse impasse permanente que impõe ao País patinar e não se modificar naquilo que é fundamental!

Até quando os brasileiros que sempre foram admiradores dos argentinos, embora sempre com uma ponta de ciúme, não apenas diante da qualidade de sua carne, de seu vinho e de seu tango, assistirão a esse atraso que persegue a sua sociedade ? E, será que os impasses que perseguem os argentinos não se colocarão diante dos brasileiros que ora vivem esse marasmo, essa indiferença e essa quase estagnação? É hora dos brasileiros espantarem esses fantasmas que rondam o seu hoje e o seu amanhã retomando  a alegria, a leveza, a descontração e buscando reencontrar o entusiasmo e o otimismo para com esse Brasilzão de samba, de futebol e de Carnaval. Que os brasileiros voltem a crer e apostar no futuro radioso desse País que tem tudo para dar certo. Está na hora!

 

 

MOMENTO E HORIZONTE!

De um modo geral, os contornos do momento e as atitudes e idéias que o caracterizam, tendem a conduzir a elaboração de  estudos prospectivos sobre qual será o horizonte que se pode antecipar ou se pode prever para o País, sem incorrer em aberrações, fruto da irresponsabilidade ou fruto das tendenciosidades forçadas  por compromissos ideológicos.   O momento que se vive, nesses cinco meses de governo Bolsonaro, representa uma experiência que não tende a surpreender nem positiva e nem negativamente qualquer analista.

Isto porque, se de um lado, a mediocridade poderia ser definida como a marca do comportamento e das atitudes do Presidente, por outro, a presença de figuras da estirpe e da dimensão de um Paulo Guedes, de um Sérgio Moro, de um General Heleno Nunes e de alguns de seus ministros, permite que se crie uma expectativa favorável no que diz respeito ä capacidade gerencial da estrutura de poder instalada. Ou seja, mesmo que o que mais a midia explore seja a “loquacidade, ás vezes, impensada” de Bolsonaro, com seus juízos de valor próprios e “terra a terra”, gerando, muitas vezes, declarações intempestivas e, as vezes, até contrarias ao que sua área técnica propõe ou, até mesmo, diante do que determina o chamado senso comum, isto não tem comprometido a confiança e o apoio da sociedade äs opções que os seus assessores estão a propor.

A despeito das manifestações verbais do Presidente e de sua insistente e quase obsessiva busca de fazer declarações que atentam, não apenas contra o bom senso mas, também, contra o chamado senso comum, várias medidas relacionadas ao controle e racionalização do gasto público, a busca de austeridade nas ações do poder publico e as propostas de reformas institucionais, caminham no rumo desejado e esperado pela maioria da população. Claro que além das inopinadas declarações do Presidente e do exotismo das opiniões da Ministra Damares Alves, até o próprio Ministro Paulo  Guedes, ao intentar utilizar-se de um mecanismo de pressão inusitado e pobre de estilo,  sobre o Congresso — “Se não aparovarem a reforma da Previdencia, eu deixo o governo! — incorre  no lugar comum de intentar chantagear a opinião pública e os congressistas. Parece que falta ao próprio Paulo Guedes um mínimo de vivência e esxperiência política para avaliar o atual Congresso e que tendências e rumos ele tende a tomar.

Tavez isto ocorra em decorrência do fato de que inexistem lideranças de peso e expressivas que levem o governo a temer que caminhos os parlamentares tomarão. Mas, apenas, examinando a votação recente e considerada uma das mais críticas pelo governo — a localização do COAF na estrutura de poder! — onde o Governo, sem mobilização e sem atuação política direta entre os parlamentares, perdeu por apens 18 votos, numa matéria de amplo e incisivo interesse dos deputados, demonstra que, com um pouco de articulação e negociação será possível, ao governo, alcançar o necessário quorum a permitir a aprovação de matérias cujo apoio e compreeensão da opiniáo publica hoje parece ser majoritário. Ou seja, as reformas institucionais,  a redução do déficit público e as matérias que mudarão, favoravelmente, o ambiente econômico, tem tudo para conseguirem o apoio de um novo Congresso, ansioso por recuperar a “credibilidade” que. se não totalmente perdida, nos dias que correm, está sujeita a dúvdas e incertezas.

Assim, mesmo sendo um tanto contraditório a afirmação que o analista vai fazer,  o que  se observa, na prática, é que há um notável espaço para a aprovação de reformas e medidas econômicas estruturais tão requeridas pelas circunstâncias e pelas expectativas de retomada da expansão segura e continuada da economia nacional. Ou seja, mesmo com a insegurança e com as incertezas que cercam o que se imagina que será a condução da política econômica nacional, há um clima de que o ambiente começa a desanuviar e certos fatos teimarão em se fazer presentes no quadro das ações econômicas do País.

Ou seja, mesmo com um quadro um pouco confuso, o que se sente é que medidas fundamentais a dar continuidade a certos processos administrativos que já estavam em curso estão sendo tomadas e não se verifica hesitações e dificuldades criadas pela máquina burocrática. O fato é que, apesar de tudo e de muitos, as coisas andam e, se o acaso ajudar, o país não crescerá o que se deseja mas, pelo  que se sente, o desempenho da economia e da administração pública do País não será tão frustrante quanto o que muitos esperavam!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POR ENQUANTO, SÓ DESENCONTROS!

O desenvolvimento de  uma nação ou de uma comunidade deve se sustentar em alguns valores, princípios e orientações. É fundamental que tal sociedade disponha de uma base institucional assentada em condições histórico-culturais sólidas além de ser capaz de guarantir um ambiente sócio-econômico e politico para os seus cidadãos, onde as atividades e os relacionamentos interpessais e intergrupais ocorram, sem maiores contratempos! É óbvio que não é fácil  construir-se uma sociedade estável, subordinada a regras que lhes garanta o equilibro econômico e sócio-político e que permita que o exercício da cidadania, por cada membro da comunidade, se faça, plena e satisfatoriamente! É tarefa ingente e leva tempo para cristalizar-se! Quanto menos tensões, atritos, divergências insanáveis entre os diferentes grupos que compõem a sociedade analisada, mais se poderá raciocinar com a probabilidade de estabilidade e desenvolvimento continuados e sustentados!

O Brasil experimenta um momento especial e singular. Não há um clima de expectativas favoráveis sobre o amanhã. Ao contrário. O que se comenta é que há um cansaço, um desânimo e uma certa indiferença geral e completa em relação aos destinos do País. Ademais, inexistem lideranças que pudessem levantar  bandeiras ou propor ideias que promovessem estimulos especiais capazes de mobilizar e entusiasmar parte da população em direção a sonhos, perspectivas e objetivos que a motivasse a alguma caminhada.

O Presidente Bolsonaro, nesses quase cinco meses à frente do poder nacional, em função de suas próprias limitações intelectuais e de sua pobreza em termos de visão estratégica sobre o que uma nação das dimensões do Brasil requer, além do mais, ainda tem a sua caminhada comprometida pelas atitudes impensadas de seus principais acólitos, os seus filhos! Ademais o seu mentor intelectual é uma espécie de doidivanas, arrogante, autoritário e pretensioso, o intelectual Olavo de Carvalho.

Embora nenhuma das propostas ou decisões de Bolsonaro ou de algum de seus ministros possam ser consideradas estapafúrdias ou causadoras de sérios transtornos, a pobreza intelectual e a excessivamente simplória visão das questões mais prioritárias com sugestões de soluções ainda mais limitadas, mostram o perfil do governo de uma pobreza estratégica impressionante. Adicionalmente, a falta de habilidade negocial e o despreparo do Presidente para promover entendimentos e estabelecer parcerias com uma necessária é fundamental  maioria congressual, criam dificuldades adicionais para à aprovação de medidas de muita prioridade e urgência para o país como, por exemplo, a reforma da previdência, a reforma fiscal e algumas reformas econômicas, fundamentais a superação de limitações ao desempenho da economia nacional!

Pesa um pouco contra o governo Bolsonaro  a perda de popularidade alcançada em tão pouco tempo, mesmo sem ter tomado decisões polêmicas ou contraditórias, mas,  muito mais, pela possível frustração da população diante de um conjunto de declarações inadequadas, imprecisas e muitas vezes, inconsequentes, pronunciadas pelo Presidente, pelos seus agitados filhos e pelo presunçoso e arrogante Olavo de Carvalho!

Na semana que começa, definir-se-á a capacidade do governo de negociar e aprovar matérias cruciais para o êxito do governo atual e que, não tendo sucesso na empreitada, abrir-se-á uma perspectiva para a debandada de nomes como Paulo Guedes, Sérgio Moro e alguns dos generais que dão suporte técnico ao governo. Se o governo não mostrar habilidade negocial com um Congresso que, pelo que se pode ver, não tem grupos nem líderes que possam estabelecer entendimentos e parcerias em temas e questões fundamentais, o futuro do governo é por demais incertos. Aliás, já surgem intérpretes do quadro político procurando antecipar sérios e difíceis momentos para Bolsonaro e seu grupo.

É bom torcer para que alguma lucidez paire nos corações e mentes de Bolsonaro e dos seus para que o País não pague o preço da incompetência político-administrativa dos que conduzem o processo de gestão da coisa pública nacional!

Assim, por enquanto, só desencontros!  Desencontros que geram um certo pessimismo, uma certa incerteza e um certo desânimo que já se refletem nos indicadores econômicos que mostram um crescimento, para este ano,mais limitado do que ocorreu no primeiro trimestre do ano passado! Espera-se que tudo fique apenas em desencontros e bobajadas próprias da inexperiência e do deslumbramento com o poder por parte de Bolsonaro e filhos.

 

 

 

 

O MESMO DO NADA!

Com um pouco mais de 120 dias o governo Bolsonaro na avaliação de uma mídia pouco simpática a Bolsonaro, por razões aparentemente justificáveis, quase que procura, apenas, em duas grandes linhas de atuação,  definir o perfil político-ideológico do governo. E que linhas seriam estas? A primeira, uma pouco  entusiasta e,  aparentemente relativamente bem vista busca de austeridade nos gastos públicos  e, a segunda, uma opção preferencial por afastar qualquer dirigente ou grupo com viés de esquerda, das opções de poder!

Essa parece ser os dois pontos que fangsm um pouco de respaldo da mídia. Não obstante essas ponderações, na verdade, o que se observa, de maneira fria e sem “part pris”, é que o Presidente Bolsonaro não tem, em primeiro lugar, a chamada perspectiva do estadista, capaz de vislumbrar alternativas e caminhos para as transformações da sociedade. Em segundo lugar, por ser uma figura quase tosca, não  é  capaz de vislumbrar uma noção estratégica sobre os problemas, questões e prioridades  nacionais mais urgentes. As suas propostas e as suas avaliações de quadros e de perspectivas, diante de suas características particulares e especiais, levam o Presidente e os seus  principais assessores — os filhos e o exótico e singular Olavo de Carvalho! — a elaborarem ideias e soluções muito rasteiras e muito pobres para questões, no mais das vezes, deveras complexas. Ademais, o assessoramento prestado pelos mesmos  carece de embasamento técnico-político bem como se sustenta numa visão estreita, limitada e precária claro que isto decorrente da própria dimensão de suas formações políticas e intelectuais. Por serem as pessoas mais próximas e mais confiáveis diante dos vínculos de lealdade os mais estreitos possíveis, isto, como que justificaria, para o Presidente, esta sua opção! Mas, tudo isto não justifica que os mesmos cometam erros imperdoáveis quando se trata das conversações, negociações e busca de entendimentos com parceiros ou adversários no processo político-administrativo  do País.

Talvez a impiedosa avaliação que a mídia vem, sistematicamente fazendo do seu governo e de suas propostas de ação, decorram do fato de Bolsonaro manifestar-se, sistematicamente, em divergência e, até mesmo em confronto,  com veículos como  a Rede Globo e como a Folha de São Paulo. Na verdade o fato do Presidente   ter mandado cortar parcela substancial de verbas publicitárias como um todo e, até o momento, não ter demonstrado qualquer interesse em estabelecer um entendimento educado e equilibrado com tais veículos, acirra o desentendimento e dificulta o diálogo.

O cenarista tem estado ausente do processo de discussão e avaliação das ações do governo Bolsonaro pois o tempo do novo governo ainda é por demais limitado para uma apreciação séria e isenta das iniciativas e providências tomadas. Ademais, diante da situação de  enormes dificuldades  do quadro político-institucional e econômico-social herdado pelo novo governo, não seria justo e próprio cobrar resultados significativos em menos de seis meses de atuação. Ou seja, o Presidente assumiu um país “desmantelado” em todas as suas dimensões e com vícios e distorções a serem corrigidos o mais rápido possível. E as medidas corretivas propostas ou ainda, no campo da especulação, promovem uma reação pesada daqueles que se beneficiavam e se beneficiam de determinados privilégios concedidos pelo estado.

Claro que, o cenário não é muito favorável ao Presidente pois as medidas de austeridade adotadas; os cortes de gastos em vários setores; a crise em que se encontra mergulhada a economia; a radical disposição de desaparelhar o estado de grupos ligados a esquerda, ao petismo e ao lulismo e o manifesto desapreço do Presidente para com o sistema Globo de TV e a Folha de São Paulo, são alguns dos ingredientes que alimentam uma manifesta insatisfação da mídia para com o atual governo.

Como as coisas andarão daqui para frente, só o tempo dirá. O sentimento que se tem é que o governo sofre da sua pobreza de espírito, da pobre vivência política do Presidente e de seu entorno e da falta de visão estratégica do que é administrar pressões, conflitos e interesse de um país dessas dimensões! Enquanto isto o País experimenta uma paralisia econômica, uma pobreza de debates sobre os seus principais problemas e uma certa angústia sobre como andará o amanhã desta nação outrora crente e otimista!

 

 

IMPROVISAÇÃO, PRAGMATISMO E SIMPLISMO!

O País já dispõe de elementos que permitem fazer incursões nos caminhos ou possíveis descaminhos do novo governo. Até agora os analistas políticos, embora ainda estejam a tentar qualificar ou classificar o estilo de governar de Bolsonaro, já ousam estabelecer alguns traços do perfil do novo governo. Aliás, com a preocupação de não incorrer em simplificações pobres e, também, de outra parte, intentando estabelecer os traços definidoras de seu estilo, também sem incorrer em avaliações empobrecidas pela pressa e pelas fragilidades das apreciações, alguns analistas arriscam traçar um perfil, por demais cauteloso, do novo governo. Aqueles que apenas buscam qualificá-lo como simplório e limitado, representam um grupo com uma pobre e precária definição do estilo bolsonarista. Discuti-lo em função de sua opção ideológica ou diante de sua intransigente defesa do militarismo e dos governos militares, também não traduz a sua visão, a sua proposta e o que realmente pensa e quer em termos de ação de governo. Falar no deslumbramento com o poder, exibido, particularmente, pelos seus filhos, também representa redução simplista e tal qualificação não serve a nada e nem a ninguém.

Também interpretá-lo segundo as propostas, idéias e sugestões daquilo que se pode extrair das declarações e manifestações de Bolsonaro não diz muito do que é, do que será e do que se imagina que Bolsonaro pensa do que é conduzir os destinos da 7a. maior economia do mundo. Numa visão simplista talvez o que Bolsonaro e os seus filhos pensam de positivo é que o País conta com instituições razoavelmente sólidas, práticas de gestão já suficientemente consolidadas e um histórico de superação de impasses institucionais que levam a constatação de que as coisas marcham quase sozinhas, independentemente de quem esteja a frente do poder.

Feitas tais ponderações e avaliações, uma análise fria da situação mostra dois fenômenos que hoje dominam a cena nacional. O primeira é a constatação de que as instituições nacionais embora nunca tenham experimentado momento de tanto descrédito e, até mesmo, de sofrerem tanto desrespeito e deboche, como agora, ainda representam a base de sustentação politico-administrativa do Pais. Se se pretendesse usar uma imagem ou uma expressão da medicina, o que se poderia dizer, com certa crueza crítica do processo politico-institucionsl, é que o Brasl vive o que se chama uma espécie de “falência múltipla dos órgãos”, no que respeita à qualidade de suas instituições. A demonstrar tal crise de idoneidade, de confiança e de respeito, basta observar o que ocorre com o Supremo Tribunal Federal, hoje marcado pelo descrédito de alguns de seus ministros como o próprio Presidente, Dias Tóffolli, além de outros como Alexandre Morais, Gilmar Mendes, Lewandovsky, entre os que necessitam hoje de uma quase proteção policial para poderem caminhar, como cidadãos comuns, pelas ruas de qualquer cidade do País.

Na verdade, os desencontros de suas decisões; as contradições abertas que a TV tem mostrado ao povo, em geral; a tomada de medidas questionáveis e a exteriorização de críticas a segmentos da sociedade, em face das demonstrações de descontentamento do povo diante de decisões confusas ou discutíveis tomadas pelos seus membros, tem levado a críticas impiedosas do “distnto” publico” e da mídia, como um todo. O STF não é mais aquele! Há quem peça, pelo menos, que se leve adiante a operação “Lava Toga”, em função da desconfiança nas atitudes e comportamentos demonstramos por Lewandovsky, Tóffolli, Alexandre Morais e Gilmar Mendes, arrolados como cidadãos cujo passado bem como cujas decisões recentes levam a suspeições as mais variadas.

Se é esse o diagnóstico da credibilidade e da confiança dos cidadãos nos seus ministros, a atitude recente dos ministros Alexandre Morais e Dias Tofolli de exacerbar das suas atribuicoés e competências ao promover processo investigatório sobre quem fez críticas ao Supremo e aos seus ministros, “pegou muito mal” perante a opinião pública, inclusive com uma aberta e incisiva discordância do Ministério Público, na pessoa da Procuradora Geral da República.

Se o Supremo, em termos de conceito e credibilidade perante a opinião pública, vive momentos difíceis e complicados, a ausência de líderes confiáveis, em qualquer segmento da vida nacional, gera uma sensação de orfandade ou de abandono, nos cidadãos como um todo. Na verdade o que se critica é que o País viva sob o domínio completo da mediocridade onde não se sobressai uma liderança qualquer, com alguma expressividade ou capaz de fazer alguma reflexão crítica que venha a ser objeto de análise dos cidadãos como um todo. Ou seja, as próprias religiões, inclusive a católica, não apresentam um nome com alguma dimensão intelectual ou espíritual, capaz de tocar a alma e os corações dos cidadãos. Uma foto publicado nas redes sociais onde estão reunidas as principais lideranças políticas nacionais, provocou uma reação das piores onde a manifestação mais suave dos internautas foi “ö que faz a quadrilha da foto”?

As “encrencas” criadas em Brasília estão por todos os lados na proporção em que o Congresso não consegue definir, com clareza, limites de atuação e posturas diante de propostas, embora, às vezes, polêmicas, a despeito de serem essenciais para garantir as bases do crescimento nacional. Assim o Congresso vive os seus momentos de busca de identidade ou de entender o seu papel politico-institucional e aprender a distinguir o que é relevante do que é irrelevante para o País, além de não ter clareza quanto a definição das bases de apoio ou de oposição ao poder. Até agora tudo parece uma espécie de ‘”samba do crioulo doido”.

No Executivo, as inopinadas e inoportunas declarações do Presidente; à pobreza do orçamento fiscal; a natural demora para a aprovação, pelo Congresso, de medidas capazes de abrir espaços para a retomada do crescimento da economia, deixam o ambiente confuso e sem uma direção para onde se pretende que o País vá. Assim, vive-se uma era de incerteza, de insegurança e de indefinições além de, inexistirem líderes em quaisquer segmentos de atividades do País que proponham, sugiram, invoquem ou provoquem debates capazes de abrir caminhos de transformação para o Brasil.