A COBRA ESTÁ FUMANDO …

Poucos esperavam que os dias que se seguiriam a eleição de Bolsonaro seriam tão movimentados e tão marcados por debates, polêmicas, discussões e questionamentos.   Tem, em parte, surpreendido a muitos as idéias e afirmações, muitas vezes extremamente sinceras e, de uma natureza até grotesca, colocadas à público, no estilo muito aberto, livre e sincero, do próprio Presidente Bolsonaro. Embora subordinadas a questionamentos e críticas, às vezes acerbas, as proposições e afirmações, estão a gerar expectativas que tendem a ser, algumas vezes, até mesmo, auspiciosas. E, também, para supresa de analistas e cenaristas, as  sugestões ou ideias ora colocadas a público por Bolsonaro, são provocações que estão sendo objeto de discussão.

Polêmicas, contraditórias e, às vezes, inoportunas, as idéias propostas, principalmente aquelas apresentadas pelo próprio Presidente, tem sido objeto de apreciação pelos formadores de opinião! Claro que algumas declarações tem levantado possíveis questões com parceiros comerciais ou com segmento da sociedade como foi o caso das colocações sobre o programa Mais Médicos ou sobre a mudança da embaixada brasileira para Isrrael. Por outro lado, não se imaginava que, a objetividade e a pressa, surpreendentemente equilibradas, na escolha dos nomes dos prováveis auxiliares do Presidente, ocorresse com a tempestividade que elas estão a acontecer. Os nomes, embora subordinado ao perfil ideológico e doutrinário do Presidente, mostram, até agora,  competência e plausibilidade – Sergio Moro, Heleno Nunes, Paulo Guedes, entre outros — e chamam a atenção, de forma positiva, inclusive pela representatividade política e pela legitimidade em relação aos grupos donde são oriundos ou que tendem a representar.

Bolsonaro, que não se sabe, ao certo, a sua lógica e raciocinio no interpretar as demandas por transformações da sociedade  e, nem tampouco, quem o inspira, no seu simplismo, até agora, adotou duas estratégias básicas. A primeira diz respeito a usar  a linguagem simples e direta no trato de graves problemas nacionais,  de forma a  angariar a simpatia do povo — “ele é igual a nós! Um pouco ignorante mas, honesto!” — e, dentro de sua formação militar, sempre acreditou e acredita que as melhores decisões são aquelas que emergem da força colegiada de um alto comando! Assim, se o presidente eleito não é nenhuma Brastemp, como dizem e querem alguns, a sua visão equilibrada e ponderada dos fatos, leva-o a fazer aparentemente sóbrias escolhas e, com Isso, consegue dissipar dúvidas e incertezas sobre a sua competência.

Dentre as questões que estão sendo objeto de explicitação por parte do novo Presidente e de assessores mais próximos, ainda não foram objeto de discussão os problemas relativos às desigualdades regionais ou espaciais nem tampouco propostas direcionadas para a diminuição das diferenças interpessoais de renda. Também uma questão que já deveria ter sido objeto de preocupação por parte de governadores e de líderes regionais, seria  estabelecer uma proposta para o desenvolvimento do Nordeste,  fugindo aos moldes tradicionais e consentânea com os novos tempos e as transformações já experimentadas e ainda em processo na região. Sendo assim a idéia a ser estabelecida pelos governadores da região, seria propor ao novo mandatário da nação o estabelecimento de uma política de transformação para a área de tal maneira que a mesma fuja das propostas tradicionais da classe política.

Espera-se que tal proposta deixe de ser objeto do controle e da manipulação dos mesmos politicos! Talvez tal proposta, de forma simplificada, se fizesse em dois eixos. O primeiro no apoio a projetos estruturantes de grande porte destinados a impor mudanças econômicas fundamentais da região  e o segundo através de uma política social deveras transformadora e não apenas assistencialista.

Obras fundamentais como a Norte/Sul, a transnordestina, o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco, os hubs de Fortaleza e outros a serem implantados, além da exploração do potencial mineralógico da área, poderiam conduzir, ao lado das políticas de exploração do potencial do segmento de serviços e do turismo, a uma política de transformação que turbinaria as iniciativas em curso, atualmente, e abriria novas perspectivas de outros caminhos alternativos para as mudanças exigidas pela região.

Assim, ao largo de iniciativas polêmicas como a atitude do Presidente sobre o programa Mais Médicos além de declarações um pouco precipitadas como a relativa a mudança da embaixada brasileira para Jerusalém, bem como os comentários sobre as relações brasileiras com a China, deverão ser mais comedidas a partir de agora quando Bolsonaro passa a contar com as orientações de seu já indicado Ministro das Relações Exteriores. Na proporção em que os auxiliares vão sendo definidos, as afirmações e proposições passarão a ter  mais objetividade, mais oportunidade e mais ponderação. Assim se espera que prevaleçam e venham a estar presentes nas declarações do Presidente.

Da mesma forma espera-se que a mídia busque uma melhor convivência com o poder sem seguir as vocações ideológicas dos seus jornalistas pois isto pode impedir um processo de desmantelamento dos órgãos de imprensa do país com sensíveis prejuízos para o processo democrático. Atitudes como as tomadas por alguns jornalistas como foi o caso de uma infelicíssima é desumana declaração do jornalista Valdo Cruz sobre o Presidente Bolsonaro, não se justificam e não podem ser aceitas como éticas e responsáveis. Principalmente quando se sabe que o Presidente, de há muito, manifestava o seu desagrado com o poder quase imperial do sistema Globo de rádio e televisão e da inexistência de limites ético-profissionais para o exercício do papel jornalístico.

AGORA QUALQUER PALAVRA, AÇÃO OU MANIFESTAÇÃO …

Controlar a boca, conter emoções e não disparar declarações definitivas, são precauções e controles que um governante precisa levar em conta e, se policiar, para não se perder! Tudo o que um homem público fala é, detalhadamente, examinado e, avaliado criticamente, não só na perspectivas do impacto sobre variáveis econômicas e sobre as políticas internas. No caso de um dirigente nacional, o impacto pode ser, inclusive, sobre o que pode afetar o Brasil mundo afora, pois que, qualquer coisa pode ter implicações significativas sobre os interesses nacionais, no contexto das relações internacionais. O mercado reage de maneira pronta e quase imediata bem como os dirigentes e a mídia das outras nações reagem de modo direto considerando, particularmente, os interesses em causa.

Ademais, em função do bombardeio crítico das oposições, notadamente dos petistas, sobre a figura de Bolsonaro — “despreparado, violento, agressivo e sem compromissos com causas maiores defendidas pelas sociedades civis modernas!”— a avaliação do resto do mundo sobre o que vai ser do Brasil daqui por diante, atualmente, não é das mais lisonjeiras. Ou seja, é quase impiedosa e, extremamente negativa, a avaliação  que se faz sobre o País e, particularmente, sobre  o que, imaginam, irá ser o  governo do novo mandatário da nação.

O quadro que se pinta do Brasil lá fora, nos dias que correm, é dos mais negativos e pessimistas, destoando quase que, completamente, do que aqui, de fato, ocorre e acontece. Os petistas fizeram “um excelente” trabalho de desconstrução do País dentro da sua tese do quanto pior, melhor. Agora caberá a Bolsonaro encontrar um chanceler com trânsito, credibilidade internacional e competência técnica para reverter tal imagem,  notadamente quando o Ministro da Economia está apostando as suas fichas nas privatizações, na descentralização das ações do estado, na desburocratização, na simplificação e na promoção de investimentos nacionais e internacionais.

A quase frenética ação de Bolsonaro e dos que o cercam, revela quais as alternativas que o novo presidente está priorizando. A insistência na reforma da previdência social, as escolhas dos auxiliares para o novo governo e algumas decisões sobre políticas publicas, começam a definir os contornos de um governo que já vai se esboçando. Se as máximas utilizadas pelo próprio presidente forem postas em prática, o Brasil poderá iniciar um ciclo virtuoso de dinamismo e crescimento. E quais são tais máximas? A primeira diz respeito aquilo que é a síntese de toda uma proposta de descentralização e de descompressão nacional que é o “menos Brasília e mais Brasil”. A segunda diz respeito a redução do tamanho do estado e de seu intervencionismo excessivo, notadamente na economia, quando proclama “menos estado e mais povo ou mais sociedade civil”!

É notório que tais grandes objetivos não são fáceis de serem alcançados porquanto existem muitos interesses em jogo e a tendência do poder é não abrir mão de sua capacidade de decidir. Ou seja, o poder gosta do centralismo, da complicação burocrática e da lerdeza na tomada de decisões como forma de valorizar o seu papel e o seu trabalho. As pessoas, com certeza, se revoltam e se angustiam com tais atitudes mas, acabam tendo que conviver com a frustração e o desencanto e, às vezes, até revolta. Elas hoje sabem que depois que alguém assume o poder, mesmo que tenha prometido liberdade, participação e mudanças estruturais relevantes, dificilmente terá a humildade de entender que a descentralização e a descomplicação são elementos cruciais para o aumento da eficiência e da legitimidade do próprio poder e de quem o exercita.

A proposta de reduzir praticamente a metade o número de ministérios não apenas representa algo impactante e de relevante valor  simbolico  como pode melhorar o desempenho  operacional da máquina de governo em face dos ganhos em relação  à eficiência e competitividade de suas ações. Ademais, tal decisão deverá melhorar a integração, a coordenação e a eficiência das ações do poder público.

Claro que certas declarações, vistas como inusitadas e politicamente quase que, inaceitáveis,  representam a honesta  expressão da vontade do Presidente eleito embora devam ser contidas. Aliás é isso que ora faz Bolsonaro, sendo mais conciliador pois ele, com os 27 anos de vivência no Parlamento, tem consciência de que a mera verbalização de ideias e intenções não bem digeridas, pode gerar problemas, até mesmo  para a convivência internacional do Brasil, para os seus negócios e para os acordos bilaterais, já em curso. Como exemplo mais significativo basta mencionar a declaração sobre a idéia de mudar a embaixada brasileira de Israel para Jerusalém. Tal fato, aparentemente de pouca relevância, provocou uma enorme reação do mundo árabe,  um dos maiores compradores de commodities brasileiras. Assim, todo cuidado é pouco diante da complexidade de interesses envolvidos quando da manifestação de idéias e de intenções.

Não obstante tais fatos ou circunstâncias, as escolhas já anunciadas de pessoas que comporão o quadro de auxiliares do Presidenete, mostra a coerência em buscar figuras identificadas com o perfil e a formação político-ideológica de Bolsonaro,  embora sem prejuízo  do profissionalismo requerido e da qualidade técnica cobrada daqueles recém-anunciados.  Até agora nenhum dos nomes sugeridos ou apresentados,  surpreendeu, negativamente, a não ser para os opositores mais ferrenhos do Presidente. Também a priorização de questões fundamentais já explicitadas até agora,  não foge daquilo que analistas do quadro econômico-social e político do País estabeleceriam como seus principais alvos.

Assim, até agora, o Presidente não demonstrou atitudes e comportamentos que frustrassem os seus eleitores e que comprometessem as expectativas da maioria do brasileiros sobre os caminhos a serem seguidos pelos seus auxiliares diretos na construção de uma estratégia de governança e de desenvolvimento requerida pelo País. Ademais, a própria linguagem usada por Bolsonaro e a própria atitude de recuar em opiniões e idéias já expendidas como foi o caso de juntar os ministério da agricultura e do meio ambiente que, diante da reação de seus próprios apoiadores da bancada ruralista, voltou atrás e manteve os dois órgãos.

Ou seja, Bolsonaro mostra moderação, ponderarão e capacidade de ouvir e de conciliar para que a estrutura de força e poder da sociedade aposte na sua capacidade de fazer um governo que mire nos objetivos permanentes da sociedade civil brasileira.

 

 

 

É PRECISO TÃO POUCO …

A última semana mostra que, diferentemente do que se imaginava,  parece ser preciso muito pouco para que o País comece a mudar os rumos e gere fortes perspectivas de  vir a dar certo! É isto! De repente, após a eleição de um novo Presidente, os nomes dos possíveis ministros que vão sendo apresentados e as ideias que estão sendo  colocadas, não apenas como soluções para problemas relevantes mas como respostas para desafios, estão criando um clima favorável de mudança no “mood” da população. O humor dos brasileiros parece que começa a mudar na proporção em que as pessoas também parecem que estão propensas a dar um crédito de confiança, não ao Presidente em si, mas nas circunstâncias que os seus movimentos e suas declarações estão promovendo.

As pessoas estão querendo começar a acreditar que as coisas poderão dar certo e que o país estaria iniciando um período em que se principia a engendrar caminhos novos dentro de um ambiente  embora de um tímido mas, com certeza, efetivo otimismo! Ou seja, o estilo meio rude e tosco de Bolsonaro parece, em parte, agradar a uma parcela da população farta de salamaleques e de falsas e hipocritas atitudes no trato de questões da maior relevância para o País, por parte dos políticos tradicionais. As pessoas querem a linguagem direta, a clara divisão de áreas de pensamento onde nenhum grupo queira agradar a simpatizantes do outro, escondendo, assim, os verdadeiros sentimentos que marcam tais relações.

Na verdade os brasileiros querem ver atitudes e posicionamentos claros e diretos bem como respostas para problemas como o da violência urbana, do desemprego, o da má qualidade dos serviços de saúde e de saneamento e as limitações enfrentadas nas relações do cidadão para com o estado. Quando o Presidente responde secamente que “bandido bom é bandido morto” ou outra declaração mais radical sobre determinados temas, devem ser relegadas como “apelos” e vistos tão-somente como episódios politico-eleitorais! Na verdade, talvez o “radicalismo” das declarações gerem duas expectativas. Para alguns, há um temor ao admitirem que tais declarações podem vir a criar um clima de confronto, de beligerância e de violência e que, tais manifestações, transformadas em decisões, possam produzir resultados ou consequências não desejadas por muitos brasileiros. Para outras, representariam insinuações capazes de sugerir a solução mais rápida e objetiva de questões como a da previdenciária, dos problemas fiscais e tributários atuais além de medidas destinadas a enxugar, descentralizar e desburocratizar o estado brasileiro.

O clima que ora se observa é que, diferentemente do que se esperava, a idéia de um novo governo parece que, mesmo timidamente, está recuperando esperanças. As idéias e propostas que estão sendo colocadas, tem tido boa receptividade e o mercado de câmbio e de ações já mostram índices que alimentam expectativas de que as coisas vão acontecer. Assim, a partir dessa semana, após o encontro entre Bolsonaro e Temer, vai ser possível antecipar o que o novo governo pretende fazer no campo da economia, da segurança pública, das relações entre os entes federativos alem de propostas criativas no segmento da saude e do saneamento ambiental. E claro que a questão urbana como um todo, merecerá preocupação especial porquanto hoje ela afeta a vida de mais de 80% da população do Pais.

Um outro aspecto de mudança de comportamento da própria população diz respeito a atitude daqueles que discordam ou sempre discordavam das propostas da esquerda mas não as manifestavam, com medo da reação daqueles insatisfeitos que já taxavam tais cidadãos como retrógrados, atrasados e reacionários. O que se esta assistindo agora é que as pessoas estão mais livres, mais soltas, sem peias e amarras e sem medo de dizer o que pensam e não aceitarem as pré-definições de grupos político-ideológicos que, ao seu ver, não representam os seus sentimentos. Ninguém está aceitando mais a ditadura do estado, a ditadura das elites e a imposição autoritária de ideias e de posturas. O que se assiste é que, pessoas que foram taxadas de direita e se escondiam ou temiam as restrições de quem delas as discordavam, estão hoje dizendo, em alto e bom som: “sou de direita, e dai?”

O temor de que a clareza de posições político-ideológicas e a sua manifestação, sem medo a restrições e criticas, pode parecer que venha a propiciar um quadro de polarização de caráter perigoso pois poderia descambar para o conflito de grupo e a ascensão da violência como forma de mediar possiveis conflitos, parece que não prosperará. Não se deve acreditar em tais comportamentos pois tal seria caracterizado como anárquico e demonstrativo da inexistência de um poder de estado capaz de conter excessos de tal natureza. A tendência é que as questões fiquem bem mais claras, as posições melhor definidas, os caminhos claramente delineados e a discussão ocorra em nível tal que, embora dura, a presença do estado, discipline, regre e contenha quaisquer excessos.

Assim, diante das manifestações de opinião, das propostas já apresentadas e das atitudes já tomadas, o sentimento que começa a permear a sociedade é que o novo governo tenha possibilidades efetiva de vir a dar certo e recuperar o ânimo e o entusiasmo dos brasileiros para com o País. Dada a leveza do Brasil, a possibilidade de uma mudança de ânimo e de entusiasmo dos brasileiros parece que já começa agora e se não se manifestar nenhuma frustração ou desencanto, o curso dos acontecimentos ocorrerá em grau de um crescente entusiasmo e de uma volta ao Brasil do início da década passada.

 

 

 

O QUE SERÁ DO AMANHÃ, PERGUNTE A QUEM QUISER…

Uma eleição não deveria ser mais que uma eleição. Aliás, a declaração é óbvia  e relevante para o momento que vive o pais!  Claro que um pleito pode vir a mudar expectativas e a criar um novo ambiente  para o espetáculo da vida. Pode gerar sonhos, promover angústias e, até mesmo, criar um quadro de incertezas qua possa vir a atormentar a vida de muitos.

Seria o caso do pleito de hoje que, aparentemente, não deveria representar nenhum evento com alguma excepcionalidade?  Aparentemente, sim, pois até bem pouco, era um pleito que ninguém lhe atribuía papel mais relevante ou que se imaginasse ou admitisse que ele  pudesse alterar a atitude e o comportamento de uma sociedade. Particularmente a sociedade dos brasileiros por  estarem  enfadados, desestimulados e, como que, exaustos, não só com os efeitos da crise econômica sobre as suas vidas mas, também, de “saco cheio” com as suas   lideranças e instituições. Por isso não pareciam motivados a qualquer manifestação de interesse com qualquer coisa!

Mas, alguns grupos, notadamente o segmento mais tradicional e conservador da sociedade, começou a mostrar reais temores com uma possível volta do PT ao poder. Não se sabe se por serem atribuídos aos petistas a maior crise econômica da história do país, com os seus duros e impiedosos golpes e efeitos perversos ou se, em face da avalanche de casos e situações de corrupção e de desvios de conduta. Ou ainda, se decorrente daquilo que se chama de cansaço ou exaustão com “o mesmo estilo de fazer as coisas, as mesmas caras e o mesmo diapasão”! Ou, como dizem os engenheiros, o enfado e o cansaço seria uma espécie da chamada “fadiga do material”! Aliás, fato ou evento típico de sociedades, sem valores consolidados e jovens ou emergentes!

Estranhamente só estão a mostrar interesse e entusiasmo com os possíveis resultados do pleito,  os petistas de formação e convicção; os intelectuais, embora hoje, teimando em suas ideias e convicções mesmo distanciados do que está a ocorrer com a esquerda no mundo;  e jovens, marcados pela natural indignação para com o poder e pelo que ele representa. Agreguem-se ainda a tal quadro, o sentimento que domina os jovens de mostrar uma clara indignação com quem ocupa o poder e com a presumida atitude conservadora e retrógrada de quem decide os rumos da sua vida e da sua história.

E hoje, no dia D da escolha de possíveis caminhos para os destinos do País, um pleito onde o desinteresse e a indiferença, até há pouco, eram marcas maiores, pode, pela radicalização de posições, ocorridas recentemente, tornar-se um embate que já estaria a dividir famílias, plantar ressentimentos e, até mesmo, rancores e ódios, sem qualquer razão de ser. Isto porque, por uma leitura direta das circunstâncias, aparentemente não haveria nada em que se assentassem tais sentimentos. O pleito em si nada disse e nada acrescentou ao estado de espírito dos brasileiros. A campanha em si, “insípida, inodora e incolor”, não emocionou e nem contagiou ninguém e, finalmente, os dois pretendentes  nada disseram, não tem a dizer e não geram qualquer expectativa sobre o que farão ao assumirem o poder.

Por outro lado,  não houve e não  há mobilização da sociedade, de cunho ideológico ou político, que justifique esse clima de quase belicosidade que se instalou no Pais. A única razão plausível para tal estado de espírito ou de ânimo talvez derive do acumulado de frustrações, revezes e perdas ocorridos nos últimos cinco anos, em face, principalmente, da crise econômica. Talvez, possa se atribuir também como causas possíveis, mais do que as perdas materiais, a frustração de expectativas, a decepção com as elites dirigentes e a certeza de que tudo aquilo em que se acreditava, não era verdadeiro!

Parece que foi esse o sentimento de que foi acometido o País. As pessoas mostram-se hoje impacientes, indignadas, belicosas e, por demais agressivas.  O pessimismo e a descrença em tudo e em todos, as domina. O que tem experimentado certas figuras públicas diante  da agressividade verbal e, até física, de grupos insatisfeitos e indignados, levam a muitos observadores a temerem até mesmo por futuros possíveis linchamentos físicos. O que não se pode admitir que seja este o clima e o estado de espírito que predomina no Brasil.

Assim, o que se espera, após o pleito, é que as chamadas elites parem, reflitam e decidam buscar caminhos de pacificação do Brasil e de recuperação do ânimo e do entusiasmo pelo país e pelo seu amanhã! É fundamental convencer a sociedade e, particularmente a mídia que, ao que parece, sempre aposta no quanto pior, melhor, que entenda que quando a turba se levanta não há poder que a contenha a não ser o poder da força!  E, pela tradição brasileira, outrora pacífica, a tendência é que, se tal processo de desorganização da sociedade ocorrer e,  em tais níveis e com tal conteúdo emocional, ninguém sabe em que isto dará!

Portanto, é fundamental afirmar que, qualquer que seja o resultado do pleito, não interessa quem ganhe, o fundamental é não deixar o clima azedar e buscar o discurso da pacificação e do entendimento e conclamar a todos para se engajarem num processo de revisão crítica da situação do Pais. E só resta um caminho qual seja buscar a construção de um  pacto nacional por reformas essenciais à retomada  do caminho do crescimento com significativo conteúdo social, para que não se ampliem as já dramáticas desigualdades sociais. E, a renovação do Congresso, pelo que avalia o cenarista,  já representou um grande passo para buscar tais objetivos. Por mais que se argumente que os eleitos são conservadores, tal fato não tira a expectativa favorável de que algo venha a mudar. Tais ditos conservadores tem perfeita noção dos riscos que corre o País e da urgência que algumas reformas institucionais precisam ser realizadas.

Temer irá entregar a Nação e ao Presidente eleito, o conjunto de propostas que deverão ser enviadas ao Congresso, com pedido de urgência para que sejam votadas antes que o novo Prsidente assuma. É possível que a reforma da previdência, a reforma tributária e fiscal, além de complementação da reforma trabalhista, venham a ser apresentadas, de imediato. E, com a lua de mel do Congresso com o novo mandatário da nação, será possível tais reformas serem aprovadas ainda este ano. Se isto ocorrer, o “mood” do mercado já muda, as expectativas empresariais já melhoram e as perspectivas da economia e do emprego começam a serem revertidas. E, com isto, as pessoas mudarão o seu ânimo e voltarão, aos poucos, a acreditar na velha pátria amada! Estes são os votos e o chamado “wishful thinking” do cenarista, mais e mais voltado para crença de que este país tem o direito ao destino que merece!

ESTÁ CHEGANDO A HORA …

O caminho encurta e a hora das definições está chegando. Por mais teorias conspiratórias que sejam lançadas no ar, elas não conseguem comprometer o curso do processo e, ao que parece, não são mais capazes de interferir nas decisões que, aparentemente, os eleitores já tomaram. Os números eleitorais parecem consolidados e as chances de uma mudança dos prováveis resultados, são muito remotas. Pelas estimativas feitas por analistas, pseudo-cientistas, futurólogos, advinhos e, até mesmo alguns estatísticos mais confiáveis, os apoios obtidos pelos dois candidatos não apresentam qualquer tendência de alteração.

A título de ilustração, por exemplo, para que Haddad conseguisse igualar os votos de Bolsonaro na pesquisa que mostra o seu melhor desempenho, ele precisaria, nos próximos dois dias, agregar algo em torno de 3,0 milhões de votos por dia o que, convenha-se, parece uma tarefa quase impossível mesmo que ocorresse fato ou fatos de tal modo e forma inusitados que conseguissem mudar a cabeça dos eleitores, aptos a votar. Agregue-se como argumento adicional, o singular fato de que as pessoas, em verdade, não estão decidindo por esse ou aquele candidato, ,considerando as suas características, virtudes e méritos pessoais. De fato, nessa eleição não pesam a carreira, o charme, o carisma, o talento pessoal e, nem tampouco, o discurso dos candidatos. Ademais, até mesmo propostas e idéias não estão sendo objeto de apreciação e de critério de escolha de um dos dois candidatos.

Como é sabido e notório, o atual processo pollitico-eleitoral não está sendo marcado pelos candidatos e suas idéias mas pelo sentimento que hoje domina a sociedade brasileira: insatisfação “com tudo e com todos” e o desejo de “que algo mude e se coloque no lugar do que aí está”! As pessoas parecem cansadas, indignadas e até mesmo revoltadas com a classe política, com as chamadas elites e com todos aqueles que representem o poder. As reações do povo em geral, tem sido de que as decisões, atitudes e comportamentos daqueles que hoje detém o poder, sáo decisões que não refletem desejos, ansias, carências e sonhos das populações como um todo.

E o quadro ainda fica mais pessimista quando se observa que o sentimento das pessoas está marcado pelos duros golpes sofridos por milhões de brasileiros em função da crise econômica que já perdura por cinco anos e que deixou, em seu rastro, milhões de desempregados e de pessoas que perderam parte de sua renda pessoal; diante das atitudes de homens públicos e de instituições cujos comportamentos, decepcionaram-nas; inclusive, diante de um STF que não mais dispõe do respeito e da admiração dos brasileiros; e, também,  pelo desencanto com uma mídia, marcada por posições ideológicas de um lado e pelo excessivo interesse monetário, de outro. Por fim, pela ausência ou inexistência de líderes expressivos ou de alguns que merecessem a confiança das pessoas como um todo.

Embora a análise seja de um pessimismo que não condiz com o pensamento e a atitude do cenarista, mas é esse o ambiente que domina o País onde o Brasil da descontração, da alegria e do sonho foi substituído hoje pelo país do desencanto e da desesperança. Claro que nada disso pode vir a mudar daqui até o dia 28 próximo com a escolha do novo Presidente da República. Também não se espera que, de repente, sejam recriadas as esperanças e os ânimos se levantem, num passe de mágica. Claro que nenhuma surpresa poderá vir a acontecer que possa mudar os rumo da história brasileira, nos próximos dias. Com certeza, nada irá interferir para que algo diferente venha a ocorrer e, nem tampouco a própria eleição presidencial terá o condão de mudar o “mood”, o entusiasmo e nem as expectativas dos brasileiros.

A descrença, o desânimo e o desentusiasmo continuarão marcando o comportamento dos cidadãos dessa pátria amada. Claro está que, a partir de algumas decisões que forem tomadas pelo novos donos do poder que irá se instalar a partir de primeiro de janeiro próximo, pode começar a mudar, aos poucos, o animo da população. Mas, será preciso um pouco mais do que o aceno de um possível 13o. mês do Bolsa-Familia ou algo assemelhado para alterar tal humor. É preciso algo que quebre esse estado de espírito tão “down” como o que ora domina ou exibem os brasileiros.

Alguns temem que nestes dias que faltam para o pleito,  alguns petistas mais exaltados e insatisfeitos com o rumo que as eleições estão seguindo, proponham algo maluco como sugerir que se monte um atentado à Haddad e Manuela, capaz de poder exibi-los como vítimas da truculência dos bolsonaristas e, com isto, gerando uma grande revolta na população e alterando os resultados do pleito. Tudo isto parece algo fruto de imaginação fértil e de não leitura adequada das reações do grande público que, antenado nas chamadas redes sociais, têm um nível de informação  de avaliação crítica que não se deixa convencer tão facilmente. Haja visto o fato de que até os desencontro dos números estatísticos das pesquisas tem levado o povão a acusar institutos de manipulação ou maquinação de dados para favorecer esta ou aquela tendência.

Tais possibilidades absurdas são rejeitadas pela própria realidade onde, ninguém, em sã consciência, iria acreditar que o vencedor ou provável vencedor, buscaria um ato de desespero dessa natureza pois, ao ganhador resta só esperar pela oficialização dos resultados que tendem a confirmar as indicações das prévias eleitorais. Isto porque, quem está ganhando não agride e não comete impropriedades nem no agir e nem no falar. Imaginar que Bolsonaro mandaria espancar Haddad e Manuela é uma insensatez tão grande quanto aquela onde se acusou o vice de Bolsonaro de haver torturado presos políticos quando ele tinha apenas 16 anos!

Agredir o Judiciário, embora a descrença e a pouca fé nos seus propósitos são a marca maior da atitude e do comportamento do povo em geral, não faz parte de uma atitude que mostre  um mínimo de equilíbrio e de bom senso. O cidadão pode até fazer como José Dirceu que, em declaração pública, não considera o Judiciário um poder mas “apenas uma mera agência governamental e como tal deveria ser tratada”. Porém,  estranha a todos a atitude do Judiciário que, numa reação inapropriada e equivocada, fez um estardalhaço tremendo com uma declaração antiga do jovem político filho de Bolsonaro e que, numa brincadeira de mau gosto, repetiu frase de Jânio, quando se referiu  a possibilidade de fechar o Legislativo o que, segundo ele “bastaria de dois soldados e um cabo”, segundo circulou.

Ademais, as declarações de ministros do STF não representam gestos e nem atitudes que se esperava dos membros do Tribunal. Equilibrada e ponderada foram as declarações do Presidente do STJ que qualificou o fato como pouco relevante, pouco procedente e sem maiores consequências para a credibilidade das instituições. Aliás, a propósito, as atitudes e posturas do Supremo bem como as da Igreja Católica, estão chamando a atenção ou pelo inusitado das reações ou pelo manifesto descontrole e omissão de supostas lideranças da Igreja Católica que, lamentavelmente, não controlam atitudes e posturas de seus padres e bispos.

Espera-se que essa crise das instituições passe e, aos poucos, o povo volte a ter confiança nelas e demonstre, outra vez, respeito que elas devem merecer. Sem isto não se constrói um País e nem se garante estabilidade, equilíbrio e bases para o seu crescimento econômico e social.

BRASIL, PARA ONDE VAIS?

As  especulações são as mais variadas e, para todos os gostos e propósitos! Elas principiam com o que se admite possa vir a ocorrer neste fechar do pleito ou de campanha, onde as agressões e, de uma certa maneira, a baixaria, que não se esperava tivesse presença garantida nestas eleições, pudesse vir a dar o tom final da epopéia. Espera-se,  ainda, que as agressões não passem de acusações menores da dimensão do chamado “kit gay”, que nada de mais sério e grave, prospere! Na verdade, quando se fala em expectativas relacionadas a idéias e propostas, é bom que se diga que, “pelo andar da carruagem”, praticamente pouco se pode falar pois sequer existiram manifestações  populares de grandes grupos ou, até mesmo, de pequenos mas barulhentos segmentos da sociedade, de apoio a este ou a aquele candidato e nem sequer discutiu-se e, discute-se nas ruas, alguma proposta ou idéia polêmica, colocada por qualquer dos contendores.

Isto porque o próprio processo politico-eleitoral, a postura, o discurso dos candidatos e o clima que predomina no meio da sociedade, não deram espaços para que alguma coisa provocasse, sensibilizasse, intrigasse ou levasse a confrontos de ideias e de opiniões, entre. os  grupos litigantes. Na verdade, nem os contendores despertam paixões, nem os seus partidos sensibilizam o eleitorado para qualquer mobilização e nem alguma coisa acontece ou é dita que provoque reações dos grupos eleitorais espalhados pelo País afora. Como não surgiram propostas interessantes ou, pelo menos polêmicas ou, até mesmo, exóticas, a tendência natural do eleitorado é a apatia, o desinteresse e a falta de convicção de que alguma coisa, de fato, possa vir a ocorrer no País. O sentimento é que as coisas continuarão do jeito que estão e que nada irá mudar pois os próprios representantes a serem eleitos farão sempre  “o mais do mesmo”!

Até mesmo um possível “aquecimento do pleito” que seria esperado para ocorrer na última semana, ao deparar-se com uma disputa praticamente definida e com modestíssimas possibilidades de mudanças, a tendência é esse marasmo, esse desencanto e essa apatia com os destinos do País. Ademais, como se prevê, “por detrás do pano”, os vários participantes do pleito — governadores eleitos,  candidatos a governos em disputa, líderes perdedores, entre outros — já buscam os possíveis pretendentes e já negociam a sua participação no futuro governo. Ou seja, mesmo que Bolsonaro e Haddad digam, aos quatro cantos, que “não negociam com os atuais partidos políticos”, na verdade tais entendimentos e acertos já se fazem de forma muito intensa, com grupos organizados da sociedade civil, como é o caso  dos evangélicos, da bancada ruralista, da bancada “da bala”, da bancada das associações comerciais, etc, além de acertos com lideranças políticas expressivas dos estados, derrotadas ou vitoriosas no último dia 7!

A movimentação de tais grupos e/ou personalidades de expressão da política dos estados têm sido bastante intensa, indicando adesões de grupos e blocos aos candidatos,  particularmente a Jair Bolsonaro, porquanto os índices alcançados por ele nas pesquisas de opinião, levam a sociedade a acreditar que ele é o provável vencedor do pleito do dia 28 próximo. Caso se concretize a vitória de Bolsonaro, parece que dias bons para os petistas e o seu partido não existirão, nem tampouco para os seguidores de Haddad e o que sobrou da esquerda no País. No entanto, ‘e fundamental registrar que o PT conseguiu algo inusitado. Com todo o seu desgaste e com o seu líder maior preso, conseguiu fazer a maior bancada da Câmara e mostrar-se um partido de expressão nacional, embora ” getificado”  pois que ficou restrito, como expressão eleitoral maior, ao Nordeste brasileiro. Além desse processo de desocupação de espaços outrora ocupado pelos petistas, máxime nas estruturas de poder, tanto a nível federal como nos estados, observar-se-á, também, em consequencia, uma migração de governadores e dirigentes petistas para as proximidades do poder ou do que se denomina de “amigos do poder”.

Quanto ao futuro do País, acredita-se que algumas propostas serão já encaminhadas por Haddad ao atual Presidente Michel Temer que se dispôs a “tocar” algumas reformas institucionais nesse período que lhe resta à frente do poder. Assim a proposta de reforma da Previdência, algumas reformas do estado e uma tentativa de refazer o pacto federativo revendo a política fiscal e tributária, além de uma revisão crítica da política de gasto público e dos estranhos e incompreensíveis incentivos e subsídios distribuídos, insensatamente e irresponsavelmente,  a tudo e a todos, deverão ser objeto de preocupação inicial quanto à sua manutenção, eliminação ou revisão crítica da sua plausibilidade e necessidade. É claro que temas tradicionais como a reforma política, o fim da reeleição, a redução do número de parlamentares e outras coisas pontuais,  já estão sendo colocadas. Ademais reformas na educação, máxime na educação de base, na universalização da saúde, tambem  deverão ser sugeridas.

Em verdade, a população, mesmo com esse ar de enfado e de cansaço que mostra toda a sua descrença, ainda alimenta a idéia de que um novo presidente deve, em primeiro lugar, buscar retomar o crescimento econômico necessário para que possam crescer as expectativas e possibilidades de geração de emprego. Isto não será fácil poi requer uma reforma do estado, reduzindo-lhe o tamanho e a excessiva presença em atividades onde seria totalmente dispensável a sua atuação. As coisas que mais angustiam a todos, além da questão do emprego e da recuperação da renda pessoal reduzida pela crise, são a insegurança ao ir e vir dos cidadãos como um todo; a incerteza quanto ao amanhã ou quanto ao seu futuro e dos seus e a péssima qualidade dos serviços públicos essenciais. Claro que a questão das drogas, a incapacidade de lidar com o menor infrator, a esperteza que domina as relações entre os cidadãos e entre os mesmos e o estado, além da lerdeza e da desigualdade no acesso à justiça, são outros pontos vocalizados pelas pessoas quando consultadas sobre o que mais lhes atormenta.

Mesmo com o pessimismo que domina a tudo e a todos, o cenarista, excessivamente otimista, ainda acredita que seja o Brasil capaz de retomar o seu dinamismo econômico e voltar a ser o país otimista e entusiasta para com o seu amanhã. Não que ele ponha fé em algum “Salvador da Pátria”! Isto não estaria em suas cogitações. Nem também que as coisas ocorreriam por milagre. Mas, fundamentalmente, na crença nas suas instituições, notadamente aquelas que compreendem o tecido vivo da sociedade que, com certeza, não estão satisfeitas com o marasmo, o desentusiasmo e a descrença que domina todas as relações interpessoais. Muito gente acredita que, enquanto a economia paulista tiver peso, força e dinamismo; enquanto o agronegócio continuar crescendo e aumentando a sua competitividade; enquanto o Centro-Oeste continuar com a sua expansão e dinamismo; enquanto as áreas de fronteiras mostrarem a capacidade de se transformarem, bastaria que as políticas governamentais não atrapalhassem a iniciativa e criatividade dos empreendedores. Os micro e pequenos negócios e o empreendedorismo individual, com um pouco de apoio e de estímulo, poderão gerar milhões de empregos e aproveitar milhares de oportunidades de negócios.

Não é preciso milagres ou a mão de algum gênio para mudar os caminhos do País. Basta um estado menor, uma elite governamental com um mínimo de compromisso com a sociedade civil e uma classe política mais consciente de seu papel e de sua responsabilidade, capaz de entender os riscos de permitir que a temperatura de insatisfação e de descrença do povo vá a limites intoleráveis e incontroláveis, para que as coisas melhorem. Nada de demagogia barata mas, tão somente, a proposição de caminhos que a população tenha a certeza de que levarão as coisas a mudar e irão, com certeza, melhorar sua qualidade de vida!

 

UMA ELEIÇÃO SURPREENDENTE!

As expectativas, antes do pleito do dia 7, próximo passado, eram as de que o País enfrentaria as mais chochas, desinteressantes e vazias disputas eleitorais dos últimos tempos. Na verdade, verifica-se a um embate pobre de contends, de idéias e de propostas e, até mesmo, de debates mais acirrados que levassem a, pelo menos, algumas agressões verbais que aumentassem o calor das discussões e sensibilizassem o eleitorado.. Na verdade,  o que se viu ou o que se assistiu foi, diante da atitude da sociedade civil brasileira, de apatia, de desinteresse  e com uma tendência mais para a indignação e para a revolta, que os candidatos acabaram  mostrando-se tão sem graça, tão sem glamour e tão sem idéias e  atitudes, quanto o público que a ele se dirigiam.

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QUE SERÁ, SERÁ!

Os brasileiros, mesmo com todo o desânimo, o desinteresse e a indignação com a frustração de seus sonhos e de suas esperanças, irão para as urnas definir a quem caberá conduzir os seus destinos. Essa, sem duvidas, é a mais chocha, a mais fria e a mais sem sabor e sem entusiasmo eleições gerais que o país já enfrentou. A crise que se abateu sobre os brasileiros, que já dura quase cinco anos, tirou empregos, reduziu sonhos, matou esperanças e levou a um estado de quase revolta como nunca se viu no Brasil a ponto de, em pesquisa internacional recente, o Brasil, que sempre foi uma espécie de paradigma do entusiasmo e do otimismo, situar-se, agora, como o sétimo país mais pessimista do mundo!.

E o “mood” do eleitorado reflete este estado de ânimos onde ninguém mostra interesse por nada e nem por ninguém. Ademais, o quadro nacional mostra o domínio da mediocridade onde, em nenhum segmento surge alguma liderança que  arranque sentimentos, mexa com emoções e denote qualquer interesse ou preocupação com qualquer problema, idéia ou tema. Na verdade, nem no clero, nem na mídia, nem na intelectualidade, nem no sindicalismo, nem no empresariado e, principalmente na classe política, surge ou surgiu alguém ou alguma ideia capaz de atrair as atenções de quem quer que seja.

Vive-se esse quadro de total alheamento com o que quer que esteja ocorrendo no País. Pelo contrario, ninguém se sente satusfeito  em apenas registrar a sua insatisfação mas, mostrar indignação e revolta! Ocorre algo preocupante no comportamento da sociedade que é o total desrespeito para com entes e homens públicos chegando a ocorrer agressões verbais e até tentativas de agressões físicas como aquelas enfrentadas pelo Ministro Gilmar Mendes, tanto aqui como em Portugal, onde ele foi assediado e ofendido por transeuntes que carregam esse sentimento de insatisfação, de queixa e de revolta com o “status quo” experimentado pelo Brasil.

E é nesse ambiente e subordinado a essas contingências que os brasileiros são convocados para decidir os rumos do País. E, não é apenas algo difuso como é a expressão “destinos do País” mas, os destinos de seus estados e a definição de seus representantes mais diretos. Como sói ocorrer em pleitos dessa natureza e dessa dimensão, a escolha do candidato a Presidente torna-se a questão que, emocionalmente, mexe com mais sentimentos e envolve mais a mídia. Chega-se agora a definição de quem deverá conduzir o País.

A eleição pode, embora remotamente, decidir-se no primeiro turno. A onda anti-petista e o sentimento de que é preciso mudar as coisas e os caminhos percorridos até aqui, abrem perspectivas para um outrora obscuro pretendente ao cargo de Presidente nessa eleição tão insossa.  Jair Bolsonaro, o deputado militar, de discurso conservador e pobre de idéias, ocupa situação privilegiada, com quase 40% das preferências eleitorais, podendo até surpreender com uma vitória no primeiro turno. O seu concorrente, que representa os últimos gemidos do moribundo petismo, é o ex-prefeito de São Paulo, sem charme e sem carisma, representando, mal e porcamente, o lulismo. É fundamental registrar que, muito remotamente, pode ocorrer uma inusitada e inesperada mudança de quem disputaria o segundo turno com Bolsonaro, podendo numa hipótese muito remota, surgir a figura de Ciro Gomes!

Por que Bolsonaro chegou a situação tão privilegiada? Primeiro porque Bolsonaro, há três anos atrás, teve a ousadia de dizer que, “se ninguém quer disputar, eu vou me lançar”, na época, candidato a Presudente. Nessa mesma circunstância ele não foi muito levado a sério. Diante disso, defendendo idéias vistas até como retrógradas e exóticas, o que ocorreu foi que para um público revoltado e indignado, Bolsonaro conseguiu se definir como a voz que representava os sentimentos de “anti- petismo e de anti o que ai está”!    

Ou seja,  Bolsonaro virou onda e, nesse embalo, já com apoio amplo e quase irrestrito das Forças Armadas, foi beneficiado até mesmo pelo impacto do atentado por ele sofrido quando a atitude novelesca do brasileiro, levou a uma onda de solidariedade com alguém vitimado por um facínora a quem se procurou atribuir ser ele era um instrumento a serviço dos interesses do candidato petista ou não! 

Dentro da sua estratégia de que não se alinharia com os partidos “que aí estão”, começou a construir alianças e parcerias com frentes parlamentares como a bancada ruralista, a evangélica, a da bala, além de outras menos expressivas. Assim, de forma indireta e não fugindo ao discurso de se manter distante dos partidos tradicionais, constrói pontes para garantir a sustentação ou o respaldo parlamentar necessário para aprovar matérias cruciais ao seu governo, caso seja eleito. Ou seja, se se somar os Parlamentares das bancadas ruralista, evangélica e da bala, representa uma base segura e sólida capaz de permitir atrair o apoio dos tradicionais políticos governistas,  por formação e por opção. 

Assim, daqui a pouco, as definições ocorrerão e, diferentemente do que pensam muitos, dificilmente acontecerão surpresas no curso das preferências populares, na opção pelo voto útil e na quantidade de votos nulos e brancos ou no surgimento de algo espetacular, que pudesse promover uma mudança de cenário e de perspectivas eleitorais.

Nada disso é passível de ocorrer. O ambiente, as circunstâncias e o quadro de crise existencial em que está mergulhado o cidadão brasileiro, não dá margem para qualquer coisa que fuja a tais padrões de comportamento. Isto porque, mesmo buscando se apropriar de tais circunstâncias, nenhum movimento ou grupo de poder, tentou se apropriar de tais circunstâncias e plantar novos caminhos e alternativas para o País.

O único fato a lamentar é que as eleições deixaram de ser una festa e o momento de exaltação maior daquela que seria a festa maior da democracia. Hoje, ao invés de festa parece mais um velório onde só lamentações e queixas são as manifestações mais frequentes! É uma pena!

CRISE E DESENCANTO. É POSSÍVEL SAIR DO IMPASSE?

O cenarista apresenta as suas mais sinceras desculpas por sua ausência ao não produzir outros textos sobre o quadro político-partidário e seus possíveis desdobramentos, nos últimos dias. Na verdade, a sensação que o acometeu foi a de que “não havia nada de novo sob o sol”, apenas frases que não espelhavam ou traduziam ideias ou propostas capazes de sugerir o encaminhamento dos graves desafios enfrentados pelo Brasil. Basta que se tome um único exemplo, qual seja, aquele relacionado ao crescente déficit público que, só neste mês, apresentou um resultado altamente negativo para as perspectivas nacionais. Um déficit de mais de 77 bilhões! Para 2019 a expectativa é que o déficit das contas públicas alcance mais de 200 bilhões de reais! E pensar que, alguns anos atrás, o País assistia o setor público produzir superávits que alcançava mais de 3,1% do PIB! Ou seja, hoje produz-se um rombo anual nas finanças públicas de algo no entorno de mais de 300 bilhões/ano para uma dívida pública que já supera os 5 trilhões de reais!

Todo esse quadro de desânimo, de incerteza e de pessimismo representa um processo que hoje domina as mentes dos brasileiros!  Este universo em desencanto, compreende não apenas os milhões de desempregados que, se se considerar os seus dependentes somam algo no entorno de 19 a 42 milhões de pessoas afetadas! Se a tais números juntam-se aqueles hoje vinculados ao Programa Bolsa Família, então os alcançados por esses sentimentos de pessimismo ou da perspectiva de perda de tal benefício, conduz a que se atinja a quase metade da população brasileira. Também se ainda se considerar o impacto dessa desordem econômica enfrentada pelo Brasil nos últimos cinco anos, pelo menos, ai os impactos negativos são maiores! No caso, por exemplo, se se observa só o impacto negativo sobre os micro e pequenos empreendedores que foi e tem sido terrível, aí se tem uma dimensão maior das razões para o desânimo e pessimismo, geral e irrestrito, que dominou e domina os brasileiros como um todo.

Acrescente-se a tal quadro, a crise existencial de uma classe média que sempre acreditou no império da competência e do conhecimento e, de repente, descobre que a crise tragou até mesmo conceitos desse naipe ou dessa estirpe. O que se observa, a par da revolta e da indignação dos afetados pela crise e, o que parece, algo que  lhes tira a sobrevivência condigna e mata os seus sonhos e suas esperanças, é o desestímulo  e a descrença no amanhã do País e nas chances de voltar a sonhar com üm país Outrora chamado grande!

O que se avalia do quadro é que as elites, também indignadas com a situação a que chegou o País, hoje prromovem uma especie de luta fratricida, estimulando o confronto entre os “contra” e os a favor” não se sabendo dizer, ao certo, sobre o que ou sobre por que tal peleja se faz mas que gera uma maldita polarização que só faz aumentar as divisões no País!

E o mas grave é que o Brasil nunca optou por uma via ou um caminho ideológico nem tampouco se mostrou favorável à este ou a aquele caminho que passasse por essas tentativas de buscar dividir  o País, uma maldita proposta é, sem fundamentação em qualquer teoria ou política que a  maior parcela da população, acredita e professa. Buscar reeditar uma nova “revolução farroupilha” no País como um todo é algo insensato e, no Rio Grande o que levou, apesar de todos os temores que ela levantou nos brasileiros, o que realmente deixou de relevante foi o sentimento arraigado e o orgulho do gauchismo ou do gaúcho.

Esse processo de deterioração de instituições, de valores, do ambiente e das expectativas leva a esse clima de generalizada indiferença para com o quadro partidário. Ademais, junte-se a tal, a qualidade dos candidatos,  sobre os vários aspectos que se queira avaliar, máxime em relação ao charme, ao carisma e a própria capacidade de empolgar. Nem o inusitado e o exótico tem surgido nas propostas ou nas atitudes dos referidos pretendentes. Assim cá estão os brasleiros sem ter para onde ir e nem com quem ir. A tendência desse final de campanha é um possível acirramento da polarização anti-pt vesus pt  que, ao que parece, só poderá conduzir à volta dos petistas  ao poder, com toda a sua visão amesquinhada de aparelhamento do estado e de gestão a partir, não do mérito, mas do que eles chamam de “conveniência estrategica” e fortalecimento político dos seus apadrinhados.

Ou, a outra opção que se coloca aos brasleiros é a de Bolsonaro, com todo o simplismo de sua visão e. apoiado no modelo de governança que o antigo estado autoritário que prevaleceu nos anos sessenta a oitenta, definiu e estabeleceu. Cheio de contradições e propostas que remetem a situações que já se supunham ultrapassadas, Bolsonaro assusta a desinformados pois que ninguém governa sozinho e o Brasil não tem as dimensões institucionais, econômicas e políticas para assumir uma proposta a la Venezuela ou outra republiqueta de banana daqui ou de alhures. Nenhum salvador da pátria será capaz de empalmar o poder e estabelecer um projeto pessoal e populista.

Não obstante tais temores em relação a Bolsonaro é sempre bom levar e, conta que ninguém chega ao poder de graça e, chegando lá, ou. Tendo conquistado o poder a duras penas irá correr qualquer risco de perdê-lo. Dessa forma Bolsonaro já constrói alianças para garantir a governabilidade valendo-se de forças como Alkimim, Meirelles, Álvaro  Dias Amoedo e. Marina Silva, o que lhe permitirá aprovar projetos e mudanças fundamentais no Congresso.

 

A NOVA PESQUISA, SERÁ QUE DEFINIU RUMOS E TENDÊNCIAS?

A expectativa era significativa! A ânsia e o chamado “wishful thinking” , de que a tal pesquisa da sexta feira, dia 14, próximo passado, iria definir os parâmetros do que seria o pleito do próximo dia 7 de outubro, foram frustrados, pois nada disto ocorreu. As mesmas dúvidas e incertezas continuaram pairando no ar. Para onde deve ir ou se conduzir o país a partir das ideias e preferências do eleitorado, não ficou nada claro. Isto talvez se deva ao fato de os brasileiros sempre continuarem  esperando e sonhando com o aparecimento de um possível salvador da Pátria. E , como ocorreu com os portugueses, Dom Sebastião não veio e não virá!

O cenarista aguardava que, a partir dos resultados do referido levantamento de campo feitas pelos principais institutos de pesquisa de opinião, já fosse possível vislumbrar inclinações e tendências ou, quiçá, perspectivas, sobre qual seria o quadro eleitoral que se estabeleceria para o segundo turno. Não se pode dizer sequer que os números tenham fornecido indícios de que rumos a campanha política tomará ou se apenas foram produzidas mais dúvidas e incertezas que já predominam na cabeça dos brasileiros. Na verdade, a disputa não conseguiu, até o presente momento, empolgar a quem quer que seja, fundamentalmente por conta do estado de espírito que domina a população — cabisbaixa, desestimulada e desinteressada! — bem como pelo fato de que as campanhas não mostraram nada de especial, marcando-se mais pela mesmice e pelo sem sabor e o sem sal.

Inobstante esse desinteresse, as pessoas gostariam de ver respondidas algumas questões que lhes possibilitariam antecipar que possível cenário ter-se-á no dia 7 de outubro próximo. Ou seja, questões óbvias como, por exemplo, quem serão os possíveis nomes que chegarão ao segundo turno? Será Ciro ou será Fernando Haddad o possível adversário de Bolsonoaro? Ou será que Bolsonaro, pelos sérios entreveros que a sua saúde lhe têm imposto, bem como pela manutenção do elevado índice de rejeição ao seu nome, cogitaria “sair da raia” ou os grupos que decidem seu futuro político — familiares, seu candidato a vice e o grupo que o assessora, hoje em crise de identidade e afinidade — poderiam pensar numa estratégia alternativa, caso a sua saúde não melhore?

Os que estão mais próximos de Bolsonaro, pelo que se sente, não cogitam tal hipótese e nem tampouco admitem a idéia de o partido abrir mão da disputa presidencial mesmo que Bolsonaro mostre-se tão alquebrado como na última foto mostrada após a nova cirurgia! Alguma possibilidade de uma composição que levasse a Bolsonaro aceitar um arranjo com Ciro Gomes? Muito difícil pelo que já plantou Ciro em seus discursos. Uma outra pergunta que se coloca no ar é se prevalecerá a atitude do eleitor de buscar a opção do chamado “voto útil”. O que se coloca, é, para onde migrarão os votos ou as atuais preferências daqueles que hoje se atrelam a candidaturas como de Álvaro Dias, Amoedo, Meirelles e, até a de  Marina Silva?

Também uma outra questão que se pontua é se Geraldo Alkimim coneguirá sair desse patamar ode patina,  já há algum tempo e, trasfome-se numa opção possível e viável? Será que, diante da queda observada de Marina Silva, nesta última avaliação, se consolidará o fim do caminho para a lutadora e determinada candidata? Por outro lado, para onde irão ou migraráo os votos dos candidatos da chamada “rabeira”? Até que ponto os conceitos de esquerda, centro esquerda, direita, centro-direita além dos chamados anarquistas, irão estar presentes na definição do candidato ou dos candidatos a serem avaliados? Parece que tais conceitos, pelo menos para alguns analistas, se esvairam e se esfacelaram, diante do esvaziamento ideológico que o mundo vem observando.

O que se imagina é que, para alguns, lamentavelmente, deverá se repetir o que ocorreu na última eleição onde vingou ou prevaleceu a chamada polarização entre PT e anti-PT, sendo que os prováveis protagonistas seriam Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, embora não se deva descartar a hipótese de Ciro Gomes versus Jair Bolsonaro. O mais relevante nesse processo é que, até agora, a “baixaria” ainda não marcou a retórica da disputa, prevalecendo um confronto aparentemente limpo e civilizado. As questões sempre colocadas dizem respeito ä credibilidade dos levantamentos e das pesquisas quando os resultados são confrontados com a realidade. Às vezes, surgem divergências não totalmente explicáveis por diferenças metodológicas  ou data de aplicação das amostras.

independentemente das dúvidas e incertezas que cercam as pesquisas e a inviolabilidade da urna eletrônica, é mister considerar que os dados exibidos por tais estudos são aqueles que acabam estabelecendo o norte da campanha eleitoral. Na verdade, por exemplo, se o ritmo de crescimento exibido por Haddad nas próximas pesquisas mostrar-se tão forte como o que ocorreu da última pesquisa para os dados atuais, então crescem as chances de que ele venha a ser um dos nomes a definir-se para o segundo turno. Caso contrário, ou seja, se  o desempenho for pífio, a probabilidade tornar-se-á cada vez mais remota e, segundo alguns analistas, o seu teto seria algo que alcançaria, no máximo, uns 15 a 17% das preferências populares.

Também, se os próximos levantamentos não mostrarem uma melhoria substancial de desempenho de Alkimim, então aí, dificilmente, poder-se-á aguardar alguma surpresa em termos do que ele poderá alcançar nas pesquisas. Ou seja, se Alkimim não alcançar os níveis atuais de Ciro e Haddad, as suas possibilidades ficarão remotíssimas de ser um concorrente no segundo turno. Na verdade, o cenarista acha que comentar as perspectivas eleitorais desse pleito, notadamente a nível de presidência da república, tem se mostrado algo ‘ïnsipido, inodoro e incolor”,  tal e qual são as propriedades organolépticas da água, pois não há nenhum fato ou circunstâncias relevantes que despertassem qualquer interesse especial.

Já nos estados o processo parece mais animado e alguns eventos que se caracterizam como uma espécie de “thriller” pois que, já três governadores, pelo menos, tiveram a prisão decretada além de outras figuras cuja ficha não era tão limpa mas, como não haviam sido julgadas em segunda instância e, portanto, não eram ainda réus, continuaram lépidas e fagueiras, com um atitude meio cômica de “defesa do resgate dos valores morais mais caros dos cidadãos”. Isto porque, essas figuras estão certas de que, no país da impunidade, nada lhes acontecerá pois, até mesmo a nova lei eleitoral que deveria propiciar uma “limpa” no processo político-eleitoral, ao contrário,  veio foi para manter tudo como está e reeleger 70% do nobre Congresso que hoje tem os brasileiros a lhes representar. E aí “acontece exatamente ao contrário dos tempos de rapaz. Os desenganos vão conosco à frente e as esperanças vão ficando atrás”, como afirma o poeta.