A CICLOTIMIA PARECE SER “A PRAIA” DOS BRASILEIROS!

Os brasleiros são assim mesmo: decididamente ciclotimicos. Ora mergulham num processo depressivo como o que tem marcado o seu comportamento nos dias que correm, máxime, nos últimos cinco anos, ora se mostram o povo mais otimista e entusiasta do mundo, como já ocorreu por diversas oportunidades. A justificativa ou o que motiva o atual estado de espirito que hoje mostra um povo capionga e sorumbático, decorreu  do impacto derivado dos efeitos da tremenda crise econômica que se abateu sobre o país, gerando milhões de desempregados, reduzindo a renda real de muitos e frustrando sonhos e expectativas da grande maioria. De repente o país, que era símbolo do otimismo e da alegria, passou a figurar como a sétima nação mais pessimista do mundo, segundo pesquisa internacional! E, nesses anos, nenhuma festa, nem mesmo o Carnaval, foi capaz de provocar um sentimento nas pessoas de que as coisas iriam mudar e poderiam vir a melhorar.

Ao contrário! O que se assistiu foi que, ao invés de estarem os brasileiros envoltos apenas  no pessimismo e no desencanto, que jå seria crise existencial em demasia, o processo de desencontro conduziu a um clima de indignação e de revolta provocado, principalmente, por aqueles que venderam sonhos e acabaram entregando pesadelos. E aí se incluem, em particular e, principalmente, todas as autoridades políticas do País.Tal atitude da população como um todo têm sido muito preocupante em virtude do fato de, hoje, as pessoas não se contentarem em apenas manifestar sua insatisfação, em exibir os seus protestos e em pedir ou em cobrar, das autoridades constituídas,  que as coisas mudem e se alterem. Na verdade, a atitude que hoje se assiste é de indignação e de revolta contra o “status quo” ou contra todo poder constituído, máxime para com a classe política e, agora, até mesmo, ocorre em relação as autoridades do judiciário. Preocupa, deveras, as  atitudes agressivas que  geram constrangimentos de toda ordem. Situações vexatórias de desrespeito e agressividade até mesmo contra juízes do Supremo, tem se verificado com uma frequência nunca vista.

Aliás, parece também, a estimular ou a provocar tais atitudes, que tais autoridades, notadamente as do Supremo, não tem qualquer capacidade de analisar e avaliar as causas de tais comportamentos, notadamente desse comportamento de indignação e de revolta, máxime quando se trata de uma manifestação relacionada a decisão que tomam ou tomaram taís juízes, não apenas individualmente mas, em grupo, como foi, por exemplo, o caso da aprovação de aumento nas suas já gordas remunerações, em mais de 16%, quando os trabalhadores ou não tiveram reajustes ou apenas tiveram as suas remunerações apenas atualizadas face a inflação.

Também, em situações particulares,  a própria reação recente do ministro Lewandovsky, durante um vôo comercial que, num gesto impensado, pediu a prisão de um jovem advogado que o questionava, sem ofensas,  sobre decisões e atitudes do Supremo. Tal gesto mostra como as autoridades constituídas não tem noção do País  em que vivem e nem do papel que lhes cabe no processo político.

Não interessa se havia ou se há justificativa para tal aumento nem as razões pelas quais um ministro do Supremo se sinta ofendido com o questionamento de um cidadão comum, máxime quando o País conta com quase 13 milhões de desempregados, a renda média das pessoas havia caído em termos reais, a economia não retomava o seu ritmo e as expectativas ainda são  pessimistas em relação ao amanhã do País. Alguns ministros mostraram pouca ou nenhuma sensibilidade política e foram incapazes de verificar a inoportunidade da decisão do aumento dado a eles mesmos e não consideraram as implicações nas finanças públicas face o efeito multiplicador nas estruturas financeiras  de estados e municípios.

Como se não bastasse outras decisões foram tomadas pelos mesmo ministros que, justificada ou injustificadamente, não contaram com a simpatia e com a aprovação da sociedade. E aí o nível de insatisfação da população cresceu e hoje atinge limites aparentemente incontroláveis. Assim, ampliam-se as preocupações com o “temperamento” da sociedade diante do quadro de dificuldades não apenas do enorme contingente de desempregados e de jovens que não encontram possibilidades objetivas de garantir oportunidades de colocação em alguma atividade produtiva, como da população como um todo. Ou seja, esse não é o Brasil que os brasileiros estavam acostumados a conviver.

Ou, de forma bastante objetiva, o que se observa é uma nação onde inexiste um projeto de Brasil que os brasileiros sonham e querem. Também nem pessoas, nem idéias e nem paixões movem ou comovem a maioria da sociedade levando a um processo de distanciamento da população em relação aos seus presumidos líderes. Líderes esses que demonstrassem a sensibilidade e a capacidade de antever ou perscrutar aspirações e desafios que poderiam mobilizar e envolver parte significativa da sociedade.

Espera-se que, mesmo sem muita convicção e marcado por muita insegurança, um novo governo, o período de festas  natalinas e uma retomada, embora tímida, da economia, consigam domar esses sentimentos tão pessimistas e de tamanha indignação e quase revolta que hoje domina mentes e corações dos brasileiros. Sem saudosismos inconsequentes apenas sonhando, como pensam e querem os brasileiros de boa fé, que sentimentos outrora tão frequentes e que marcaram e davam leveza aos brasileiros, voltem a ser a marca a dominar os filhos do Pais do Carnaval!

 

 

 

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