E AGORA, O QUE SERÁ DA VIDA DOS BRASILEIROS, APÓS AS FESTAS?

Embora as previsões, até agora, ainda não sejam otimistas para a economia e para a sociedade brasileira, mesmo assim, em momentos dificeis e complicados como agora, é de fundamental importância traçar um itinerário a ser perseguido para que a crença, a esperança e a convicção de que a nação brasileira chegará a um destino menos traumático do que o até agora apresentado pelos mais distintos analistas e prognosticadores, não apenas daqui como também aqueles mundo afora, venha a se concretizar!

A expectativa é a de que três grandes vertentes deveriam marcar a ação do Governo Central nesse processo de transição. Isto porque atravessar esse Rubicão se mostra muito mais desafiador do que se possa imaginar porquanto Temer vai precisar mais que uma “pinguela”, embora a referência  de FHC era muito mais em decorrência do pouco tempo disponível para responder as demandas e desafios,  do reduzido respaldo popular e do tamanho dos problemas a serem enfrentados.

O primeiro desses grandes desafios seria e será a reorganização da gestão do setor público, apoiada, fundamentalmente,  na correção de distorções de toda ordem, de sustação de desvios de recursos, da suspensão da concessão  de privilégios e favores a determinados grupos sociais e a redução de trâmites e instâncias burocráticas, notadamente na condução das ações, projetos e programas de governo.

A lógica básica é enfrentar, séria e serenamente, a corrupção quase endêmica, a busca da redução de desperdícios de toda ordem e a tentativa de agilizar os  processos decisórios como pontos nevrálgicos da nova ação de governo.

A rearrumação da casa é condição “sine qua” para que se estabeleçam objetivos de médio e longo prazos capazes de conformarem uma mudança estrutural que permita que se redefina aquilo que poderia ser consagrado como um novo projeto de sociedade e de nação. Assim, embora os desafios sejam enormes, é fundamental enfrentar, de vez e objetivamente, tal processo. Caso contrário, dificilmente um governante será capaz de mobilizar a sociedade para os grandes sonhos e os grandes projetos de nação.

O quadro que vive o país, onde a única palavra que se ouve, repetidas vezes, é crise — crise na segurança pública, crise na saúde, crise na educação, crise nos transportes públicos, crise no saneamento, crise no Judiciário — é de se supor que sendo a crise geral e irrestrita, indiscutivelmente, qualquer que seja a proposta de ação de governo passa, em primeiro lugar, por medidas tendentes a enfrentar tais crises e dificuldades! Embora as circunstâncias apavorem e assustem a todos e deixem até tontos os gestores públicos, elas representam uma oportunidade ímpar para buscar o enfrentamento de todas essas questões e os desdobramentos decorrentes ou derivados de tais problemas. Ou seja, era preciso que a situação se tornasse tão grave é tão complexa, para que se decidisse que era urgente enfrentá-la.

Examine-se, por exemplo, a pavorosa situação da segurança pública no País onde a matança nos presídios, fruto do domínio e controle dessas instituições pelo crime organizado, tendo como aditivo para potencializar o problema, a superlotação dos cárceres, além da corrupção de policiais e da própria justiça, mostra a complexidade do problema! E o mais sério. O problema passa por um controle da entrada de armas e drogas pelas fronteiras. E, tal questão, conduz, necessariamente, ao enfrentamento  da motivação maior do problema que é o tráfico de drogas. E esse só será encaminhado com a sua discriminalização porquanto não se descortina fórmula capaz de enfrentar o problema se não algo corajoso e revolucionário como a liberação do consumo de drogas.

Claro que o esforço destinado, de imediato, a dar uma resposta mais incisiva as matanças ocorridas em Manaus e Roraima, nos últimos dias, exigem várias providências mais imediatas como relocalizar os comandantes do tráfico, em termos de presídios; a operação de força tarefa para resolver o caso da liberação dos presos provisórios, hoje superando os 40% da totalidade dos 622 mil presidiários; a separação definitiva de prisões de segurança máxima dos presídios comuns, que hoje facilitam a passagem de comandantes do crime, de um para o outro lado; a ajuda federal para a recuperação de presídios estaduais precarizados bem como o seu aparelhamento ou reaparelhamento com scanners, câmeras, entre outros, são medidas emergenciais e urgentes para minorar o caos!

Mas, mais importante que tais medidas apontadas, uma coisa que chama a atenção é a pobreza do chamado sistema de Inteligentzia ou de informações; o desencontro de núcleos de informações das esferas ou níveis de poder; a falta de comunicação entre os órgãos de segurança, tudo isto levando a uma incompetência gritante diante do crescente poderio e estruturação do crime organizado.

Se forem examinadas as inúmeras características das várias crises que o país enfrenta então se tem a dimensão dos problemas e das dificuldades a serem vencidas. Não são  apenas  problemas de reorganização das finanças públicas mas de rearrumação dos programas sociais, de reforma da Previdência, de adequação das leis trabalhistas às circunstâncias econômicas atuais, de renegociação das dívidas de estados e municípios além de uma revisão crítica do pacto federativo e da autonomia municipal.

Afora isto, para retomar a economia, é fundamental que algumas ações devam correr contra o tempo como forma de estancar o desemprego e começar a reativar as atividades produtivas. O Banco Central, ao ter conseguido controlar, severamente, a inflação, fazendo-a chegar aos 6,29%, abaixo do limite superior da meta; ao reduzir, de forma ousada, a taxa básica de juros e ao sugerir aos agentes produtivos que já há ambiente para retomar o ritmo normal da atividade econômica, gerou uma reversão no quadro das expectativas antes altamente desfavoráveis  e negativas.

Se o agronegócio, com a safra recorde que se anuncia, continuar aportando substancial contribuição à balança comercial brasileira e ao próprio crescimento da economia; se forem aceleradas as concessões e privatizações; se o acordo com os estados levar, inclusive, a um processo de privatização de suas empresas; e, se os recursos externos continuarem a ingressar no país como ocorreu em 2016, aí se pode dizer que o quadro estará sofrendo uma sinificativa reversão!

Claro que, dado o pressuposto de que a economia funciona à base de expectativas e credibilidade, no momento em que se forjam ou se criam expectativas mais favoráveis a preocupação adicional e seguinte é com a recuperação da credibilidade das instituições. E, na proporção que noticias mais favoráveis vão surgindo no horizonte econômico, a tendência é que tal fato impacte a chamada recuperação da credibilidade e, assim, ela comece a ser favorecida.

Mas é indamental advertir que mesmo que  o quadro econômico venha a melhorar, as reformas destinadas a encaminhar os graves problemas de segurança, de saúde, de educação, de saneamento básico e de reorganização das finanças de estados e municípios, continuarão cobrando urgência e objetividade, sob pena de comprometer qualquer projeto de construção de uma economia e de uma sociedade democrática.

De qualquer forma, há sinais no ar e eles começam a ser mais positivos diante de  quase tudo que se vem assistindo até aqui. Pode até ser uma espécie de “wishful thinking”, mas que as coisas parecem andar e melhorar, parecem!

 

 

2 Comentários em “E AGORA, O QUE SERÁ DA VIDA DOS BRASILEIROS, APÓS AS FESTAS?

  1. Saudades do amigo. Só agora vi o seu comentsrio. Lucido, consistente e equilibrado,apenas com um viés de baixa. Ou seja, não dá uma chancezinha para que a gente acredite que o trem vai melhorar. Acho que uma questão central ainda nao adequadamente encaminhada diz respeito ao endividamento das fsmilias, das empresas e do governo o que,sem uma atitude mais corajosa e ousada, não conseguirá gersr estimulos significstivos para a retomada do crescimento da economia pois os fatores que a deprimem se situam no desemprego,na queda da renda real e no endividamento generalizado. Se Deus quiser, aos poucos eles deixarao de ser tão fiscalistas e tão banqueiros e serão mais policy makers.

    Um abraço e quando estarás de volta? Um abraço no seu filho, grande jogador de golfe e parceiro.

  2. Prezado Paulo,
    Não tendo intenção de desmerecer o trabalho da direção atual do Banco Central, creio que atribuir a queda da inflação um indicativo de campo aberto para a retomada do crescimento seja um otimismo ingenuo.
    A maior causa da queda da inflação são a queda do nivel de emprego, queda da renda, e , pir consequencia, uma queda de consumo ainda maior que a queda de oferta. Analistas ” externos”, como Paulo Leme e Monica de Bolle têm apontado o calcanhar de Aquiles de nossa economia: endividamento em todos os níveis da sociedade, e o governo, em particular a direção economica do país mais empenhada em tirar dinheiro a todo custo dos individados, ao invés de procurar soluções que reintrodusam o capital privado no investimento.
    O primeiro FHC, embora tenha encontrado o país em melhores condições, tomou atitudes corajosas, revertendo a situação , que também não era boa.
    Um cordial abraço e um Feliz 2017
    Nelson Corrêa.
    Mau golfista, péssimo analista. Mas bom amigo!

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