FAZER LAMBANÇA É A MARCA DO ITAMARATY OU DO PRÓPRIO GOVERNO?

O episódio da condução do “affair” do Senador boliviano Roger Pinto, é uma comédia de múltiplos erros e, coroa a mudança de orientação, de paradigmas e até de conceito e respeito da outrora respeitável Casa de Rio Branco.

Também, era só o que se podia esperar na proporção que se tem um Chanceler-sombra, no caso do Ministro Celso Amorim, que nunca desencarnou do cargo, um Chanceler alcoviteiro, o Ministro Marco Aurélio Garcia, azucrinando os ouvidos da Presidente e um desprotegido, fraco e sem comando da Casa, no caso o agora ex-ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

O Brasil nega o que a história sempre nos ensinou que a cultura inferior se subordina à cultura superior. No caso tupiniquim, não. O Brasil, de há muito, tem se subordinado às vontades dos Evo Morales, dos Rafael Caldera, de Hugo Chavez, de Rafael Caldera, de Cristina Kirchner, tudo em prol de uma convivência com o terceiro mundo latino, que, diferentemente do que se imaginava, não tem trazido qualquer benefício ao País.

O que Evo Morales tem aprontado com o Brasil não está no gibi. Primeiro, com a invasão da Petrobrás, onde uma desreipeitosa ocupação, pelo Exército, das instalações daquela empresa e impondo uma humilhação ao Brasil que, teve que aceitar os termos de negociação do Presidente boliviano! Tal Presidente, autoritário e sem nenhuma vocação democrática, é acusado pelos seus opositores, de envolvimento com os cocaleiros e com uma série de desvios de conduta quanto a administração do País.

O segundo evento mais recente, foi quando fez pousar o avião do Ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, para uma fiscalização e uma varredura, para verificar, não se sabe o que de irregularidade, ou no equipamento ou se a aeronave carregava alguma carga ligada, provavelmente, ao produto mais valioso do país, a pasta de cocaína!

E agora, nesse episódio vergonhoso que foi a forma como, num desrespeito as convenções internacionais, a Bolívia que fora comunicada fazia mais de 450 dias, do pedido de asilo diplomático pelo Senador Roger Pinto e, passado todo esse tempo, não garantiu o solicitado salvo-conduto para o asilado, num fragrante desrespeito as convenções internacionais. De um modo geral, a concessão de um salvo conduto custa, para ser liberado, algo como três a quatro meses!

E o pior. O Senador, se não era um perseguido político, como querem afirmar as autoridades bolivianas; se por acaso, era um criminoso comum, como o Brasil, ingenua e inocentemente, poderia ter garantido o asilo político a um criminoso? E, como os bolivianos só estariam reclamando um ano e meio depois!

Estaria repetindo o Brasil a mesma atitude que adotou ao aceitar, como refugiado, um criminoso reclamado pela Itália, por crimes de morte contra quatro italianos, no tempo das brigatti , no caso de Cesare Batistti? E, recordar que, à época, o Supremo mandou deportá-lo para a Itália e, num passe de profundo autoritarismo, o Ministro Tarso Genro, com o apoio de Lula, resolveu denegar a decisão do Supremo e, numa decisão monocrática, resolveu garantir refúgio ao italiano!

Uma atitude rejeitada pelos diplomatas de responsabilidade e compromissos e não contaminados pelo ideologismo dominante no governo e que denigriu a imagem do Itamarati.

A Bolívia fez todas as pressões em cima do embaixador brasileiro, em La Paz, para dar uma solução — e qual solução? — ao caso do Senador. E o embaixador brasileiro em La Paz, não aguentando as pressões de toda ordem, não apenas das autoridades bolivianas mas, até mesmo de algumas autoridades brasileiras, pediu para deixar o posto! E deixou o posto sob a responsabilidade do Encarregado de Negócios, Eduardo Saboia.
Há quem imagine que, mesmo tendo declarado a Presidente Dilma que o local e as condições oferecidas ao Senador, na Embaixada, “eram maravilhosas” — um quarto de vinte metros quadrados, sem poder tomar sol, sem comunicação a não ser algumas visitas de familiares e a desesperada ângústia de ver que não tinha fim o seu drama, já levando o senador a uma ameaça de suicídio — nada justificaria aceitar a atitude do governo boliviano que, por questões políticas locais, teimava em não conceder o necessário salvo conduto ao Senador.

Diante do dilema ética versus as responsabilidades com a hierarquia e, frente as pressões de toda ordem enfrentadas pelo Encarregado de Negócios na Embaixada, não só diante da situação de constrangimento e de crise existencial do Senador e, face o provável estímulo de figuras ligadas ao próprio governo brasileiro e, ao Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o Senador Ricardo Ferraço, o jovem diplomata resolveu assumir os riscos de uma decisão que, embora ele tenha tentado, nas duas vezes que veio ao Brasil, encontrar uma orientação do Itamarati e não a tendo recebido, achou por bem agir segundo os seus valores, a sua ética e a sua consciência.

O certo é que a lambança do Itamarati já vem de longe. E, o resto do governo, tem seguido a mesma tônica e mostrado a mesma competência para fazer bobagens. O próprio Advogado Geral da União, ao defender a posição de Dilma relacionada aos médicos cubanos, revelou que, “se um médico cubano pedir asilo ao Brasil, será devolvido, de imediato, à Cuba”. Isto demonstra que, a mesma Advocacia Geral da União que, num rasgo de desrespeito as convenções internacionais e aos valores humanitários, devolveu a Cuba dois pugilistas cubanos que pediam asilo ao Brasil. Parece preparar a hipótese de o governo brasileiro, num rasgo de irresponsabilidade, resolver devolver o Senador para ser guilhotinado por Evo Morales.

Esse quadro de lambança tem que terminar. O Brasil subordinou-se a exigências, caprichos e imposições dos Evos, dos Rafael Caldera, dos Hugo Chavez, das Cristina Kirchner, entre outros, nesse terceiromundismo de terceira categoria, com prejuízos enormes para o Brasil.

O Brasil está perdendo todas as oportunidades econômicas porquanto segurar e amparar uma experiência natimorta como é o Mercosul, dexiando de lado os acordos bilaterais e o que vai ocorrer em termos de acordo de livre comércio entre os Estados Unidos e a Europa, além de sustentar acordos generosos com as republiquetas latinas e africanas, não pode levar o País a deixar o grupo dos emergentes para se tornar uma república séria.

A experiência praticamente, já malograda, de execrar o jovem diplomata, não vai prosperar. A sociedade toda se mobiliza contra tal atitude. Os seus colegas do Itamaraty, também. E, por fim, há uma dúvida cruel se tudo isto não foi montado pelo próprio governo, com o intuito de mostrar um lado de seu comportamento que pendula entre o terceiromundismo, tão a gosto da esquerda antiga e ultrapassada, e, de outro, de um passe ou jogada errada que, depois de feito a besteira, os “brancos”, no caso os Amorim e os Garcia da vida, buscaram encontrar um bode expiatório para os seus equívocos!

Quando o Brasil vai parar de fazer tanta bobagem, não só interna como externamente?

4 Comentários em “FAZER LAMBANÇA É A MARCA DO ITAMARATY OU DO PRÓPRIO GOVERNO?

  1. A argumentação do cenarista devemos considerar um velho ditado da politicagem brasileira – “Aos amigos tudo e aos inimigos os rigores da lei”. Este ensinamento quando visto juntamente com o mineiro – “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é bobo ou não entende da arte” – nos permite entender perfeitamente não apenas esta lambança mas, também outras tantas que vemos em nosso país.

  2. Gostaria de ter esse talento que vc tem para escrever exatamente o que vc escreveu,sem mudar uma virgula. Nunca vi tanta incompetência nesses últimos dez anos de desgoverno.

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