Fim de Ano

Escrito em 03 de dezembro de 2007.

O ano está terminando. Os resultados da economia são estimulantes e promissores embora alguns fatos ainda preocupem o itinerário de retomada do crescimento como é o caso da chamada “farra do boi” dos gastos públicos.

Também preocupa a incapacidade do Congresso Nacional de levar adiante as tão aguardadas reformas institucionais, sempre cobradas como instrumentos de superação das limitações e dos constrangimentos a maior fluidez da iniciativa e do empreendedorismo do país.

O Congresso, além de não ter cumprido com a sua missão institucional – legislar e fiscalizar – esteve envolvido em problemas e escândalos que, via CPI’s, só fizeram a alegria da mídia sensacionalista e estabelecer um palco iluminado para demonstrações de narcisismo explícito de alguns parlamentares.

Termina o ano com uma série de notícias interessantes como o desempenho da economia, a manutenção, até agora, dos fundamentos macroeconômicos e o descobrimento do Campo de Tupi, que gerou um excesso de otimismo do Governo.

Não resta dúvida que ter alçado, mesmo em último lugar, ao grupo de países desenvolvidos no IDH, representou uma melhoria significativa de indicadores sociais embora as desigualdades interpessoais mostrem que certos segmentos sociais estão dramaticamente mais atrasados.

Talvez um dado alvissareiro diga respeito aos avanços do Governo nas áreas de concessões e privatizações – estradas, ferrovias, linhas de transmissão, hidrelétricas, etc. – o que pode superar os sérios gargalos criados pelos apagões de portos, estradas, ferrovias, transporte aéreo, entre outros.

Existe uma leva de economistas e dirigentes do Governo seguindo a idéia de que agora devem gastar. Sinalização esta dada pelo próprio Presidente Lula. O Brasil vai demonstrar os seus temores sobre as flutuações de estabilidade da economia na Reunião do COPOM que não deve alterar a taxa de juros de 11,25% ao ano. E, para 2008, se se confirmar a “farra do boi” do Governo Federal, aliado ao fato de que nos estados e municípios, face a eleição municipal, haverá a ampliação de gastos bem como diante das perspectivas, ainda sombrias, sobre o efeito da crise do “subprime” americano, então a tendência do Banco Central poderá ser ainda mais constrangedora. Ao invés da queda, aumento na taxa de juros.

A preocupação ainda é maior se a crise internacional reduzir o fluxo de dólares o que, ao afetar o câmbio, terá efeito direto nas taxas de inflação. Além disso, o anunciado aumento dos preços dos combustíveis – 6 e 9% para gasolina e álcool – em função do aumento do preço do barril de petróleo e o aumento das tarifas públicas, poderão fazer com a que a taxa de inflação comece a subir levando a um aumento mais robusto da Taxa Selic. Sem contar o aumento no preço dos alimentos – trigo, soja e milho.

Basta ver como reage o mercado. As taxas de juros de futuros negociadas na BM%F já estão um ponto percentual maior que no mês passado, sendo negociadas a 12,25%.

Não sei se todo este ambiente está sendo criado pelos desenvolvimentistas no poder – Dilma, Mantega, Luciano Coutinho, etc. – ou se seria uma estratégia para aprovar a CPMF. Isto, só o tempo dirá.

No campo político nada se avançou. Aliás, o que tem avançado tem sido a sucessão presidencial com várias opções de candidaturas já postas em cena como as de José Serra e Aécio Neves, pelo PSDB; o PMDB apostando em nomes como Sergio Cabral, Nelson Jobim, Roberto Requião ou mesmo na vinda de Aécio Neves para o partido; o PT querendo fazer de Dilma Roussef a Bachelet brasileira, estimulando Patrus Ananias e Fernando Pimentel (Prefeito de Belo Horizonte) a inflarem suas postulações e, last but no least, alguns companheiros tentando vender o terceiro mandato para Lula.

Lula diz que rejeita a idéia de um terceiro mandato. As pesquisas de opinião rejeitaram, com 65%, a idéia. Na Venezuela Chavez foi derrotado. Mas, se Rafael Correa pode, por que será que ele, com 50% de aprovação popular – ótimo e bom – não poderia? É assim que pensam muitos companheiros e, quem sabe, Lula não acabe pensando da mesma forma.

Esta semana Renan Calheiros deverá ser absolvido pelo Senado Federal e, se forem arquivados as outras representações, ele poderá negociar a sua saída da Presidência da Casa. Garibaldi Alves Filho é a bola da vez para substituí-lo ou, se a coisa complicar, por que não Roseana Sarney? A família Sarney abriria mão do Ministério das Minas e Energia para a composição dentro do PMDB e ela seria a Presidente do Senado! Isto, por enquanto, é só uma especulação, mas que pode vir a ocorrer.

A CPMF poderá ter o desfecho que o Governo deseja nesta semana. Bastando para tanto, alguns ajustes conducentes a mudar a orientação de alguns tucanos e de alguns senadores que aguardam algum estímulo especial por parte do Executivo.

O Orçamento, este ano, não causa tanto embaraço e dificuldades na sua aprovação pois a condução do Senador Francisco Dorneles tem sido ponderada e marcada pela sua experiência, competência e conhecimento na área de finanças públicas pelo fato de ter sido Secretário da Receita Federal por vários anos e também ter sido Ministro da Fazenda.

Por fim, com o encerramento do ano e a perspectiva de um ano eleitoral onde os partidos buscarão recompor e fortalecer as suas bases, notadamente o PT – o PAC tem tal objetivo e interessa também o aumento de recursos para o Bolsa-Família – continuará o país com o desafio do apagão aéreo, da crise na saúde e com nenhum sinal de um programa de combate a violência.

Mas, apesar de tudo, estamos todos bem!

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