O QUE SERÁ DO AMANHÃ, PERGUNTE A QUEM QUISER…

Uma eleição não deveria ser mais que uma eleição. Aliás, a declaração é óbvia  e relevante para o momento que vive o pais!  Claro que um pleito pode vir a mudar expectativas e a criar um novo ambiente  para o espetáculo da vida. Pode gerar sonhos, promover angústias e, até mesmo, criar um quadro de incertezas qua possa vir a atormentar a vida de muitos.

Seria o caso do pleito de hoje que, aparentemente, não deveria representar nenhum evento com alguma excepcionalidade?  Aparentemente, sim, pois até bem pouco, era um pleito que ninguém lhe atribuía papel mais relevante ou que se imaginasse ou admitisse que ele  pudesse alterar a atitude e o comportamento de uma sociedade. Particularmente a sociedade dos brasileiros por  estarem  enfadados, desestimulados e, como que, exaustos, não só com os efeitos da crise econômica sobre as suas vidas mas, também, de “saco cheio” com as suas   lideranças e instituições. Por isso não pareciam motivados a qualquer manifestação de interesse com qualquer coisa!

Mas, alguns grupos, notadamente o segmento mais tradicional e conservador da sociedade, começou a mostrar reais temores com uma possível volta do PT ao poder. Não se sabe se por serem atribuídos aos petistas a maior crise econômica da história do país, com os seus duros e impiedosos golpes e efeitos perversos ou se, em face da avalanche de casos e situações de corrupção e de desvios de conduta. Ou ainda, se decorrente daquilo que se chama de cansaço ou exaustão com “o mesmo estilo de fazer as coisas, as mesmas caras e o mesmo diapasão”! Ou, como dizem os engenheiros, o enfado e o cansaço seria uma espécie da chamada “fadiga do material”! Aliás, fato ou evento típico de sociedades, sem valores consolidados e jovens ou emergentes!

Estranhamente só estão a mostrar interesse e entusiasmo com os possíveis resultados do pleito,  os petistas de formação e convicção; os intelectuais, embora hoje, teimando em suas ideias e convicções mesmo distanciados do que está a ocorrer com a esquerda no mundo;  e jovens, marcados pela natural indignação para com o poder e pelo que ele representa. Agreguem-se ainda a tal quadro, o sentimento que domina os jovens de mostrar uma clara indignação com quem ocupa o poder e com a presumida atitude conservadora e retrógrada de quem decide os rumos da sua vida e da sua história.

E hoje, no dia D da escolha de possíveis caminhos para os destinos do País, um pleito onde o desinteresse e a indiferença, até há pouco, eram marcas maiores, pode, pela radicalização de posições, ocorridas recentemente, tornar-se um embate que já estaria a dividir famílias, plantar ressentimentos e, até mesmo, rancores e ódios, sem qualquer razão de ser. Isto porque, por uma leitura direta das circunstâncias, aparentemente não haveria nada em que se assentassem tais sentimentos. O pleito em si nada disse e nada acrescentou ao estado de espírito dos brasileiros. A campanha em si, “insípida, inodora e incolor”, não emocionou e nem contagiou ninguém e, finalmente, os dois pretendentes  nada disseram, não tem a dizer e não geram qualquer expectativa sobre o que farão ao assumirem o poder.

Por outro lado,  não houve e não  há mobilização da sociedade, de cunho ideológico ou político, que justifique esse clima de quase belicosidade que se instalou no Pais. A única razão plausível para tal estado de espírito ou de ânimo talvez derive do acumulado de frustrações, revezes e perdas ocorridos nos últimos cinco anos, em face, principalmente, da crise econômica. Talvez, possa se atribuir também como causas possíveis, mais do que as perdas materiais, a frustração de expectativas, a decepção com as elites dirigentes e a certeza de que tudo aquilo em que se acreditava, não era verdadeiro!

Parece que foi esse o sentimento de que foi acometido o País. As pessoas mostram-se hoje impacientes, indignadas, belicosas e, por demais agressivas.  O pessimismo e a descrença em tudo e em todos, as domina. O que tem experimentado certas figuras públicas diante  da agressividade verbal e, até física, de grupos insatisfeitos e indignados, levam a muitos observadores a temerem até mesmo por futuros possíveis linchamentos físicos. O que não se pode admitir que seja este o clima e o estado de espírito que predomina no Brasil.

Assim, o que se espera, após o pleito, é que as chamadas elites parem, reflitam e decidam buscar caminhos de pacificação do Brasil e de recuperação do ânimo e do entusiasmo pelo país e pelo seu amanhã! É fundamental convencer a sociedade e, particularmente a mídia que, ao que parece, sempre aposta no quanto pior, melhor, que entenda que quando a turba se levanta não há poder que a contenha a não ser o poder da força!  E, pela tradição brasileira, outrora pacífica, a tendência é que, se tal processo de desorganização da sociedade ocorrer e,  em tais níveis e com tal conteúdo emocional, ninguém sabe em que isto dará!

Portanto, é fundamental afirmar que, qualquer que seja o resultado do pleito, não interessa quem ganhe, o fundamental é não deixar o clima azedar e buscar o discurso da pacificação e do entendimento e conclamar a todos para se engajarem num processo de revisão crítica da situação do Pais. E só resta um caminho qual seja buscar a construção de um  pacto nacional por reformas essenciais à retomada  do caminho do crescimento com significativo conteúdo social, para que não se ampliem as já dramáticas desigualdades sociais. E, a renovação do Congresso, pelo que avalia o cenarista,  já representou um grande passo para buscar tais objetivos. Por mais que se argumente que os eleitos são conservadores, tal fato não tira a expectativa favorável de que algo venha a mudar. Tais ditos conservadores tem perfeita noção dos riscos que corre o País e da urgência que algumas reformas institucionais precisam ser realizadas.

Temer irá entregar a Nação e ao Presidente eleito, o conjunto de propostas que deverão ser enviadas ao Congresso, com pedido de urgência para que sejam votadas antes que o novo Prsidente assuma. É possível que a reforma da previdência, a reforma tributária e fiscal, além de complementação da reforma trabalhista, venham a ser apresentadas, de imediato. E, com a lua de mel do Congresso com o novo mandatário da nação, será possível tais reformas serem aprovadas ainda este ano. Se isto ocorrer, o “mood” do mercado já muda, as expectativas empresariais já melhoram e as perspectivas da economia e do emprego começam a serem revertidas. E, com isto, as pessoas mudarão o seu ânimo e voltarão, aos poucos, a acreditar na velha pátria amada! Estes são os votos e o chamado “wishful thinking” do cenarista, mais e mais voltado para crença de que este país tem o direito ao destino que merece!

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