POR QUE TANTA PRESSA EM JULGAR O GOVERNO?

Denúncias contra o filho do Presidente, numa cobrança diária, constante e inusitada; extrema má vontade para com o próprio Bolsonaro, não só no julgamento precipitado de sua competência mas também das dúvidas quanto a sua capacidade de conduzir o pais; acusações e cobranças inoportunas e inadequadas sobre o desempenho de um governo que mal começou, são algumas das demonstrações de má vontade externadas pela mídia a respeito de um governo que acabou de completar vinte dias, entre dias úteis e inúteis. Essa atitude, insista-se, até quase impiedosa, decorre, em parte, do comportamento do Presidente para com a mídia, bem também do fato do mesmo haver colocado, nos principais postos do governo, militares, notadamente oficiais generais. E a midia, marcadamente de esquerda e anti-militar, reage muito mal a tais posicionamentos e atitudes. Quanto às razões da primeira indignação e quase revolta, foi porque Bolsonaro externou a disposição de cortar os generosíssimos gastos do governo com publicidade, notadamente com o Sistema Globo de Comunicação.

A atitude de má vontade da midia para com Bolsonaro já deveria ser esperada diante de uma comunidade midiática onde a grande e a larga maioria dos jornalistas é de esquerda e a eleição de um capitão, sem muitas luzes e sem o verniz intelectualóide tão ao gosto dos membros da comunidade de imprensa, representou uma grande frustração e um duro golpe. E o pior! Quando esse cidadão afirma que não se subordinará aos ditames do Sistema Globo de Comunicação e nem da Folha de São Paulo e que irá cortar a maior parte das verbas do poder público para tais veículos, então a coisa tenderia a azedar.

E para entornar ainda mais o caldo, a esquerda e a mídia, receberam um choque quando assistiram a chegada ao poder, de um grande grupo de “milicos” que, dessa vez, não se poderia denunciar que haviam “assaltado” o poder mas, eleito o vice-presidente entre um deles, pelo voto direto e, convocados uma dúzia de oficiais generais para postos ministeriais pelo “capitão”, aí a coisa ficou “preta”. E, o pior, talvez pela primeira vez os milicos não se valeram das possibilidades de uma intervenção militar que crises institucionais favoreciam, para chegar ao poder civil mas chegaram com legitimidade e legalidade!

Ou seja a “milicada” está lá porque, ou enfrentou um julgamento popular via eleições diretas ou por haver sido convidada para postos especiais pelo próprio Presidente Bolsonaro! A esquerda brasileira entrou ou está entrando em polvorosa pois que, embora esperta e agilmente tenha estabelecido, nos 13 anos que esteve à frente do poder, um controle sobre a mídia, as universidades, os centros de ensino, os núcleos intelectuais além de forte presença no legislativo e em postos chaves do Executivo, começa a sentir que há, em curso, um longo, paciente e determinado movimento destinado a desalojá-la do poder e desmantelar o aparelhamento que se estabeleceu no estado brasileiro, nos 13 anos de controle do poder pelos petistas.

Agora, sendo escanteados do poder, tendo já perdido um número significativos de cargos de confiança nos governos como um todo e tendo também perdido posições estratégicas de influência em negócios do estado, o encurtamento dos meios de financiamento e dos cargos e empregos, levou a esquerda a uma situação dificil, vexatória e desesperadora.

Assim, a perda de espaços de movimentação; a redução do acesso a fundos de financiamento de suas atividades; a incapacidade de vender ou negociar favores e interesses a partir de decisões do estado e a certeza de que, nos próximos quatro anos, as chances de recuperação de prestígio, de força e de poder, além do acesso a meios financeiros, são muito limitada s e, porque não dizer, remotas, já leva a esquerda e o PT a uma séria crise de identidade e de esperança. Ademais, além da demissão em massa de seus apadrinhados, de limitação do controle de postos de poder e da capacidade de influir ou influenciar no destino das pessoas e das instituições, faz com que, até mesmo governo estaduais eleitos pelo partido, já busquem manifestar o interesse de se aproximar do governo central, como é o caso, por exemplo, do governo do Ceará.

Dessa forma, os poucos mais de vinte dias de governo vividos até agora não teriam podido mostrar mais do que definir sua linha de ação política, substituir os quadros de confiança, reduzir os desperdícios e estabelecer os critérios de condução das questões básicas de relacionamento com a sociedade bem como estabelecer as prioridades vinculadas aos seus principais projetos. É possível que até o começo da Legislatura — 02 de fevereiro — os dois principais auxiliares do Presidente, com maiores responsabilidades em relação ao curso do governo, no caso Sergio Moro e Paulo Guedes, venham a explicitar as suas principais prioridades. Sabe-se que a reforma da previdência, a reforma fiscal e medidas destinadas a descentralização das ações da União e um maior dinamismo aos processos de privatização, deverão ocorrer já nestas primeiras manifestações.

Em assim ocorrendo, o que se conclui é que a queda de braços com a mídia apenas começou e a teimosia de Bolsonaro aliado a “blindagem” dele pelos generais no seu entorno deve conduzir a desdobramentos que poderão surpreender. A profunda crise financeira que vem enfrentando o Sistema Globo de rádio e tv, aliada a redução substâncial de verbas publicitárias do governo federal, além da antipatia do Presidente, mostram que as coisas não estarão nada boas para a Globo e, também, para a Folha de São Paulo.

 

E o pior é que a atitude presunçosa e arrogante de algumas figuras célebres — entre artistas e apresentadores — mostrando-se extremamente agressivas, grosseiras e preconceituosas em relação a Bolsonaro e o seu governo, também só agregam má vontade e indicação de nomes para o relacionamento com a mídia, do mais puro e frio profissionalismo que se pode imaginar, sem espaços para concessões de qualquer natureza. O que dificulta as possibilidades de entendimento negociado entre “tais partes” é a intransigência, fruto da presunção e arrogância de artistas e intelectuais de um lado e da teimosia de Bolsonaro do outro.

 

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