Scenarium de 05/12/07
E Renan deixou a Presidência mas…
O Senado Federal assistiu a esperada, embora com um “timing“ distinto do que se imaginava, renúncia, à Presidência da Casa do Senador Renan Calheiros.
Na verdade, esperava-se que tal renúncia ocorresse somente após a votação da CPMF para que não gerasse tumulto na base de sustentação do governo.
Renan deverá ter arquivado as duas outras representações que pesam contra ele.
Assim Renan, aliviado das acusações, deverá hibernar por algum tempo e, pela sua habilidade e competência, recriar-se no Senado.
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Chavez e a pesquisa no Brasil
Com a derrota de Chavez, embora marcada por elevada abstenção, aliada à pesquisa de opinião pública que rejeita em 65% a idéia de um terceiro mandato para Lula e, considerando a outra pesquisa de opinião que revelou que nenhum nome do PT tem qualquer expressão na preferência do eleitorado para suceder Lula, o terceiro mandato parece que já foi para o brejo.
Por outro lado, além de Hugo Chavez, é possível que tal fato impacte os sonhos de perpetuação no poder do Presidente Rafael Correa, de Evo Morales e de Uribe na Colômbia.
Isto fará bem às instituições democráticas, pois plebiscito, consultas populares, referendos, etc. são instrumentos às vezes perigosos à legitimidade das opções políticas de uma sociedade.
É crucial lembrar que a construção de oligarquias que se perpetuam no poder decorre de uma presença excessivamente forte do estado na vida das sociedades, de uma fragilidade das instituições e de um ambiente favorável ao populismo via políticas públicas assistencialistas.
Talvez o Brasil, por várias razões, não tenha ambiente propício a caudilhismos e a tentativas de perpetuação no poder de alguns Fidéis latinos.
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A farra do boi
Está todo mundo de orelha em pé. Os desenvolvimentistas assumiram e aparelharam o estado: Dilma Roussef, Guido Mantega, Luciano Coutinho, Márcio Pochmann, entre outros, são da escola de que “um pouco de inflação não faz mal à estabilidade”; “já se fez superávit primário demais e está na hora de gastar”; ou ainda “não estamos gastando mais, apenas gastando mais tirando de quem tem mais para quem tem menos”.
Dessa forma, crescem as despesas públicas de custeio e não tanto de investimento; a inflação tende a fugir um pouco do controle na proporção que crescerá, além do esperado, com a pressão do preço dos alimentos – soja, milho e trigo e seus impactos na cadeia produtiva – além do impacto dos possíveis aumentos nas tarifas públicas. No câmbio, a redução do superávit da balança comercial tende a depreciar o dólar e, consequentemente, pouco se pode esperar de cortes nas taxas de juros.
Os juros futuros já estão sinalizando tais preocupações. E os economistas e empresários estão ansiosos por saber se o jogo do governo de sugerir maior gastança, seria apenas uma pressão para aprovar a CPMF ou a pressão dos desenvolvimentistas ou, ainda, os interesses na eleição muncipal.
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E a tv digital?
Começou experimental e incompleta, em parte da cidade de São Paulo, a televisão digital brasileira. Lamentavelmente, não se seguiu na decisão de escolha do modelo a premissa maior que seria a de definir a alternativa tecnológica pelo modelo de negócio. Ou seja, este seria um projeto estruturante para o país que poderia ter efeitos econômicos enormes na indústria, no comércio, nos serviços e tudo mais.
Porém, a escolha do modelo japonês, restrita a um mercado pequeno, não trouxe benefício algum ao país, pois o fato de a tecnologia nipônica permitir a mobilidade e a portabilidade da tv, nada agrega de relevante em termos de negócios.
Ao ceder a um modelo com tecnologia restrita, incorporando um pouco de tecnologia nacional, reproduziu-se o que foi a escolha da tv colorida – modelo Palm – o que limitará os aparelhos fabricados no Brasil a uso restrito ao país. Uma tecnologia utilizada pela União Européia ou pelos Estados Unidos teria chance de chegar a mercados como o da China, da Índia, e da Europa. A opção feita pelo Brasil não chega sequer ao Mercosul. E, pior ainda, o mais sério foi o calote japonês de dar ao Brasil uma fábrica de semicondutores. Ela não veio. E aí, como fica o país?
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Ah! Se tudo desse certo…
Se a transposição das águas do São Francisco se concretizar e o “cinturão da águas” do Governador Cid Gomes se realizar; se a Transnordestina realmente for assumida pela CSN; se a Vale realmente viabilizar a implantação da siderúrgica no Pecém; se a produção de urânio nas minas de Itataia na Santa Quitéria for realmente assumida pelos grupos que se manifestaram com vistas a sua exploração; se o Ceará dinamizasse, com maior profissionalismo, o seu potencial turístico e, finalmente, se o Ceará construísse a sua cidade digital e uma grande plataforma de serviços digitais, então os cearenses poderiam sonhar com dias melhores.
Aliás, se o biodiesel, se a energia elétrica, se a fruticultura e, se a recuperação da suinocultura, da avicultura, da indústria da moda, estivessem na agenda do Ceará, do governo e de suas elites, então o otimismo tomaria conta dos cearenses.
É esperar, torcer e lutar para ver acontecer.
PARA PROVOCAR OS CANDIDATOS!