TIRARAM-ME O DIREITO DE EXPRESSAR O MEU PENSAMENTO!

A ignorância, na visão do cenarista, era a base da felicidade, pelo menos até bem pouco tempo! Nada melhor do que viver “sem rádio e sem notícias das terras civilizadas”, como dizia a bela e expressiva música de Luis Gonzaga! Assim agindo, sumiam as angústias existenciais, esqueciam-se os problemas nacionais e deixavam-se de lado as visões pessimistas sobre os destinos do País. E esse exercício de ausentar-se, de alienar-se, de buscar o isolamento ou o distanciamento de fatos e circunstâncias, representava algo extremamente saudável diante de tempos tão bicudos quanto os que o Brasil está a enfrentar!

Mas, essa atitude tem um preço ou exige uma contrapartida. Qual seja,  o mais difícil e desagradável dessa tentativa de não sofrer tanto com os dramas, as inconsequências e os desacertos do País, é ter que se distanciar dos amigos, do bate papo, do disse-que-me-disse e do  contínuo e teimoso exercício de especular sobre o hoje e o amanhã do país, de seus líderes e dos rumos possíveis de sua sociedade.

Antes da pane generalizada no sistema usado pelo cenarista e em face de suas próprias limitações e ambigüidades no trato com a virtualidade, estava a escrever sobre o inferno astral de Lula, Dilma e o PT, marcados pela dramática queda de popularidade e até pelos desentendimentos entre os dois líderes e os temores que pairavam sobre a cabeça de petistas coroados de, pelo andar da carruagem, até chegou a aventar-se a possível prisão de Lula!

O comentário, bastante pessimista, intitulava-se “É PAU, É PEDRA E É O FIM DO CAMINHO”, comentário pretensiosamente na mesma linha do que brindou o “The Washington Post”, a Presidente Dilma, na sua chegada aos EUA. Na contundente e dura análise do renomado periódicos americano, não só ele mostrava a falta de apoio popular e político que ela ora enfrenta, da crise nos fundamentos da economia que a tem forçado a aceitar a aplicação de um duro ajuste fiscal e, agora,  tendo que encarar os conflitos na sua base de sustentação política. A situação de “Dilma em seu labirinto” que, para exagero de alguns comentaristas, o seu fio d Ariadne poderia vir a ser o mesmo de Getulio Vargas, ou seja o suicídio!

A própria “embolia pulmonar” do Ministro Joaquim Levy, na véspera da viagem aos EUA, levantou certas ilações e, até mesmo dúvidas, se, de fato, ele já não estaria a mostrar um certo ar de cansaço para o enfrentamento da crise ético-moral e política exposta e vivida pelos principais líderes petistas. Se não seria, segundo aventaram outros, um certo ar de enfado diante da descrença dos agentes econômicos e das dificuldades de convencimento de investidores  externos de que ainda haveria salvação para a moribunda economia brasileira,  seriam, para muitos, razões sobradas para Levy começar a levantar acampamento.

Diante do fato de que a aprovação da Presidente já alcança um dígito, volta à tona a idéia de que, se for comprovada a denúncia do ex-presidente da empreiteira UTC quanto aos que receberam doações consideradas ilegais, aí surgiriam sérios  indícios que estimulariam a abertura de um processo de impeachment contra Dilma, por prevaricação e crime de responsabilide, não apenas pelas pedaladas fiscais, mas pelo desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, as leis Orçamentárias e até à própria Constituição.

Aliás, por uma infeliz coincidência, parece ser até estranho que o Presidente da Câmara Federal já comece a anunciar, aos quatro ventos, a idéia de que só  a reimplantação do parlamentarismo no Brasil seria o caminho para superar a crise institucional ora experimentada pelo País.

Parece que não há mais tanto “volume morto” e nem sequer um fundo do poço para permitir esperanças de que as coisas ja começariam a mudar a partir do segundo semestre pois os problemas, as contradições e as dificuldades para promover reformas institucionais necessárias e urgentes, são maiores que a compreensão de sua urgência e a vontade de fazê-lo! E AGORA, JOSÉ?

E, diga-se de passagem, se as reformas básicas não forem implementadas, se o PT não sair do Poder, se não houver um desaparelhamento do estado pelos sindicalistas e não se promova o enxugamento da máquina governamental, dificilmente o Brasil sair do buraco que ora se encontra!

 

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