O DEVER DE CASA QUE NÃO FOI FEITO!
Ao encerrar o ano da graça de 2009, um balanço merece ser realizado para que se avalie o que foi feito e o que não foi e abrir perspectivas de um melhor tempo para a sociedade brasileira. Na verdade, a suposta marolinha nem foi tão pouco significativa como queriam alguns, notadamente, o Presidente Lula e nem tampouco foi um tsunami quantos alguns analistas apressados e pregoeiros do pessimismo imaginavam.
O país amargou três trimestres de crescimento negativo ou, na verdade, de um processo recessivo bem caracterizado e, após medidas fiscais e estímulos econômicos especiais, retomou o processo de expansão dos negócios e terminou o ano, no balanço geral, se não com algum crescimento, pelo menos, no zero a zero! Ou seja, nada cresceu o país embora sejam altamente otimistas as projeções para o próximo ano.
Se, de um modo geral, a condução da economia portou-se relativamente bem, embora que, a substancial redução das metas de superávit primário, o afrouxamento da lei de responsabilidade fiscal, o reajuste das aposentadorias e as mudanças, deveras perigosas, nos cálculos relativos à previdência social, em especial, no cálculo previdenciário, ainda são preocupantes.
Ninguém, em sã consciência, deixaria de apoiar medidas anticíclicas destinadas a reduzir os impactos recessivos da crise econômica mundial, notadamente com a possível geração de déficits fiscais e, com isso, representando um afrouxamento da lei de responsabilidade fiscal do País. O que se questiona e se questionou foi que, nos vários sacos de bondades, foram feitas concessões que ampliaram os compromissos que, passado o momento de crise, não poderiam ser mais anulados. Ou seja, foram dados aumentos ao funcionalismo, benefícios previdenciários, contratação de um sem número de funcionários públicos, entre outros gastos de custeio, que não poderão ser cortados quando terminados os efeitos perversos da crise.
Por outro lado, a maior parte de tais concessões e gastos não se destinou à ampliação da capacidade instalada, via novos investimentos o que, passada a borrasca, permitiria uma rápida retomada do crescimento do país. Alguém há de afirmar que as ações do governo foram de tal maneira corretas que, espera-se uma expansão da economia acima dos 5%, para 2010. O fato é que tal expansão dar-se-á usando a capacidade produtiva que ficou ociosa face à crise e que, passado tal etapa, poderá verificar-se no País, uma aceleração dos preços relativos o que imporá restrições até mesmo nas taxas internas de juros.
Mas, talvez, o que mais se lamente sobre os desencantos de 2009, é que não se conseguiu nada em termos das chamadas inadiáveis reformas institucionais bem como não se avançou na definição dos caminhos desejados para a expansão do país ficando-se apenas com o sonho do pré-sal, o início, ainda que tímido, das iniciativas nas áreas de energias alternativas, a ampliação da infra-estrutura logística do país e, praticamente, nada se evoluiu na questão educacional do país. Intenta-se dar uma aceleração na área de ensino técnico, da inovação tecnológica e na inclusão digital, mas, a bem da verdade, nada articulado, consistente e coerente com uma proposta de transformação estrutural da sociedade brasileira.
Na área externa, a volta do terceiro-mundismo, a subordinação a um ideologismo exacerbado da política externa brasileira, a opção por iniciativas altamente questionáveis – vide Honduras, aproximação com o Irã, aceitação do bolivarianismo chavista, além de outras gafes diplomáticas – marcaram uma atuação pouco acertada e feliz do país.
No mais, o que se espera para 2010 será que, as próprias circunstâncias econômicas, por si só, ajudem ao País a crescer os 5 a 6% e que, a campanha eleitoral, não gere constrangimentos aos gestores das políticas econômicas nacionais a ponto de comprometer os seus objetivos. Espera-se também que o nível da disputa não baixe, de tal modo, que gere dissabores, frustrações e desencantos a tantos brasileiros.
Atrevo-me a dizer que terminaremos o “período Lula”, ou seja, 08 anos de mandato sem o dever de casa ter sido feito! Lamentável, porém perspicaz, uma vez que soube, perfeitamente, maquiar as imperfeições de um modo imediato permitindo uma avaliação simplista de uma situação cujas consequências dar-se-ão no futuro, mas “ele” já não estará mais no poder, pelo menos não diretamente, e caberá a outros governantes consertar as irresponsabilidades deixadas.
Me resta, no entanto, perguntar: quanto tempo mais nos resta até as instituições falirem e o tesouro nacional não suportar mais a sangria?
Até quando o Brasil surfará na onda desse crescimento medíocre sem ter investimentos em infra-estrutura e educação (geração das mão-de-obra especializada capaz de exportar idéias e competir com os países desenvolvidos)?
Até quando toda essa maquiagem conseguirá esconder o que está por trás desses paleativos?
Até quando permitiremos o retorno às idéias autoritárias ávidas a calar a imprensa, delimitar o judiciário, prejudicar as forças armadas e desestabilzar o ordenamento jurídico dando margem a desordem no campo e insegurança à iniciativa privada?
Necessito de resposta!
Todos os artigos publicados nesse espaço me fazem aprender muito. Faço daqui uma biblioteca.
Gosto de saber que posso comentar pois os textos possibilitam isso. Sinto-me como se entrasse na casa de alguém, e fosse gentilmente recebida para uma gostosa conversa. Isso vem comprovar o quanto esse espaço é útil para se aprende, sobre os reais caminhos seguidos ou não, verdadeiros, supostos quem sabe aparentes resultados obtidos pelos nossos gestores.
nesse artigo destaco a alusão ao desencanto de 2009 pela lentidão no progresso da educação especialmente na inclusão digital, que com certeza transformaria a vida de muitas pessoas especialmente jovens que a partir de tais conhecimentos teriam um emprego para assim obterem melhor qualidade de vida.
Li em algum lugar, que um adolescente estava muito frustrado pois se sentia inferior, por não ter conhecimentos em muitos setores que com certeza o favoreceria a sua vida, no dia a dia.
Pensando e se sentindo assim, juntou forças e foi pedir conselhos a um homem dito e reconhecido por todos como sábio e bom coselheiro.
Ao encontrar o tal senhor, o jovem o questionou, porque a vida era tão difícil e dura com ele, já que era visto como um inconsequente. Contou sua história, e aquele senhor disse que não poderia atende-lo naquele momento, pois estava com muitas ocupações. O jovem insistiu e teve como resposta um outro não, mas dessa vez com possibilidades, desde que ele (o jovem) fizesse um favor para ele.
Prontamente, o jovem aceitou a proposta. Então aquele senhor pediu que ele fosse até o centro da cidade e vendesse uma aliança. Porém, o preço não poderia ser menos que 150 moedas. O ancioso jovem, foi para a cidade oferecer a aliança e para sua decepção não houve um comprador se quer que oferecesse mais que 20 moedas. O jovem bastante frustrado voltou informou ao homem que nenhum comprador ofereceu mais que 20 moedas.
O homem então disse ao jovem, que só poderia atende-lo se ele conseguisse vender a aliança, pelas 150 moedas.
O Jovem voltou a cidade, e mais uma vez so recebeu ofertas de 20 moedas. Retornando, mais uma vez o homem não aceitou os argumentos e o jovem foi outra vez a cidade e resmungava. “Se eu tivesse 150 moedas, eu mesmo copraria essa aliança para assim ter o conselho(ensinamento do Sábio”. Caminhou mais um pouco, e encontrou um velho joalheiro que ao ver a aliança, avaliou e disse que só não a compraria pois não tinha em sua caixa as 200 moedas que ela valia, mas se ele voltasse no dia seguinte com certeza a compraria.
Surpreso, aquele jovem voltou e contou o acontecido ao Sábio que calmamente disse, que esse era o conselho. Mesmo sem entender muito aquele jovem ouviu atentamente aquel homem que disse:
Filho não se deixe avaliar por quem não te conhece! Você é como essa aliança, que tem o seu valor mas nem todas as pessoas estão capacitadas para enxerga-lo.
Talvez você pense! O que tem a ver essa história com esse artigo. Na minha opinião, possivelmente a sociedade seja vista como uma aliança barata, sem valor e o motivo pode ser o de não correr atrás de buscar conhecer esse reconhecimento, se entregar a qualquer tipo de avaliação, nao insistir em lutar contra o descaso enfim se deixar avaliar por qualquer um ou de qualquer forma.
Assim como o jovem da história, se determinou a buscar uma resposta, espero que a nossa sociedade se movimente também nesse sentido para assim conseguirmos em 2010 as tais reformas institucionais, que possamos avançar na definição dos caminhos “como muito bem colocado nesse artigo” desejados para expansão do país e também uma atençaõ acompanhada de ações na questão educacional com foco especial de ensino técnico com a verdadeira proposta de transformação estrutural da sociedade brasileira.
Vamos aproveitar esse momento de renovação, e mostrar o quanto somos prciosos e exigirmos sermos avaliados com os devidos critérios e por avaliadores realmente competentes.
2010 chegou as mudanças dependem de nós.
Feliz 2010