Benção do Papa

As histórias relacionadas com o Djalma Marinho, são muitas e boas.

A fundamental é aquela do barbeiro, de sua cidade natal,  Nova Cruz, que ele chamava, carinhosamente, de New Cross!

Djalma Marinho era de estatura pequena e  tinha o cabelo muito ralo. Só ia ao barbeiro de seis em seis meses,  que era, por sinal,um colega seu de infância.

No dia em que ele foi, o barbeiro indagou a Djalma se era procedente a notícia de jornal  de que ele iria à Roma, em visita a Sua Santidade. Ele havia lido a notícia  na ‘Tribuna do Norte’, de que ele iria,à Roma, em uma missão com vários parlamentares. Djalma assentiu quanto à procedência da notícia:

– “É verdade.”

E o barbeiro, seu companheiro de infância,  fez então o seu pleito:

– “Então, Djalma, eu nunca lhe pedi nada na vida. Vou lhe pedir um pequeno favor: quando você for à Roma, quero que você peça uma benção ,em meu nome, ao Papa, para que eu coloque em minha casa e possa abençoar minha família.”

Djalma disse:

– “Pois não, não tem problema nenhum.”

Como Djalma era uma pessoa descuidada, esquecida, o pleito foi devidamente arquuivado nos escaninhos da memória. Djalma foi à Roma, depois à Europa, com outros parlamentares, enchendo de alegria, pela sua cultura, verve e savoir faire, em face de seu talento e exuberância, os seus companheiros de viagem.  E voltou!

Quando voltou, ficou em Brasília, e depois de três meses, retornou a Nova Cruz para, novamente, cortar o cabelo. Chegando lá, encontrou o barbeiro  já de cara trombuda face a ausência de qualquer comentário de Djalma ao chegar.  O barbeiro botou, em Djalma, o  guarda-pó  e disse:

– “Você trouxe de Roma

a encomenda que lhe pedi?”

Caindo em si diante do seu esquecimento, em tirada esperta,  Djalma disse, com a maior desfaçatez:

– “Rapaz, tu sabes que eu não fui à Roma…”

Mais indignado ainda, o barbeiro puxou da gaveta uma tremenda fotografia, a qual Djalma aparecia de joelhos, o Papa colocando  as mãos sobre a sua cabeça.

– “Velho sem-vergonha, disse o barbeiro.

destes para mentir depois de velho. Olha aqui, como é que você não foi à Roma, se está aqui a sua fotografia com o Papa.”

De bate pronto, Djalma disse:

– “Companheiro, é o seguinte: eu vou lhe dizer por que é que não pedi a sua benção. Sabe o que é que o Papa está dizendo, com a mão em minha cabeça?”

– “Sei não.”

– “Peregrino, peregrino, quem foi o filho da puta que cortou tão mal o teu cabelo?”

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