A COBRA ESTÁ FUMANDO …
Poucos esperavam que os dias que se seguiriam a eleição de Bolsonaro seriam tão movimentados e tão marcados por debates, polêmicas, discussões e questionamentos. Tem, em parte, surpreendido a muitos as idéias e afirmações, muitas vezes extremamente sinceras e, de uma natureza até grotesca, colocadas à público, no estilo muito aberto, livre e sincero, do próprio Presidente Bolsonaro. Embora subordinadas a questionamentos e críticas, às vezes acerbas, as proposições e afirmações, estão a gerar expectativas que tendem a ser, algumas vezes, até mesmo, auspiciosas. E, também, para supresa de analistas e cenaristas, as sugestões ou ideias ora colocadas a público por Bolsonaro, são provocações que estão sendo objeto de discussão.
Polêmicas, contraditórias e, às vezes, inoportunas, as idéias propostas, principalmente aquelas apresentadas pelo próprio Presidente, tem sido objeto de apreciação pelos formadores de opinião! Claro que algumas declarações tem levantado possíveis questões com parceiros comerciais ou com segmento da sociedade como foi o caso das colocações sobre o programa Mais Médicos ou sobre a mudança da embaixada brasileira para Isrrael. Por outro lado, não se imaginava que, a objetividade e a pressa, surpreendentemente equilibradas, na escolha dos nomes dos prováveis auxiliares do Presidente, ocorresse com a tempestividade que elas estão a acontecer. Os nomes, embora subordinado ao perfil ideológico e doutrinário do Presidente, mostram, até agora, competência e plausibilidade – Sergio Moro, Heleno Nunes, Paulo Guedes, entre outros — e chamam a atenção, de forma positiva, inclusive pela representatividade política e pela legitimidade em relação aos grupos donde são oriundos ou que tendem a representar.
Bolsonaro, que não se sabe, ao certo, a sua lógica e raciocinio no interpretar as demandas por transformações da sociedade e, nem tampouco, quem o inspira, no seu simplismo, até agora, adotou duas estratégias básicas. A primeira diz respeito a usar a linguagem simples e direta no trato de graves problemas nacionais, de forma a angariar a simpatia do povo — “ele é igual a nós! Um pouco ignorante mas, honesto!” — e, dentro de sua formação militar, sempre acreditou e acredita que as melhores decisões são aquelas que emergem da força colegiada de um alto comando! Assim, se o presidente eleito não é nenhuma Brastemp, como dizem e querem alguns, a sua visão equilibrada e ponderada dos fatos, leva-o a fazer aparentemente sóbrias escolhas e, com Isso, consegue dissipar dúvidas e incertezas sobre a sua competência.
Dentre as questões que estão sendo objeto de explicitação por parte do novo Presidente e de assessores mais próximos, ainda não foram objeto de discussão os problemas relativos às desigualdades regionais ou espaciais nem tampouco propostas direcionadas para a diminuição das diferenças interpessoais de renda. Também uma questão que já deveria ter sido objeto de preocupação por parte de governadores e de líderes regionais, seria estabelecer uma proposta para o desenvolvimento do Nordeste, fugindo aos moldes tradicionais e consentânea com os novos tempos e as transformações já experimentadas e ainda em processo na região. Sendo assim a idéia a ser estabelecida pelos governadores da região, seria propor ao novo mandatário da nação o estabelecimento de uma política de transformação para a área de tal maneira que a mesma fuja das propostas tradicionais da classe política.
Espera-se que tal proposta deixe de ser objeto do controle e da manipulação dos mesmos politicos! Talvez tal proposta, de forma simplificada, se fizesse em dois eixos. O primeiro no apoio a projetos estruturantes de grande porte destinados a impor mudanças econômicas fundamentais da região e o segundo através de uma política social deveras transformadora e não apenas assistencialista.
Obras fundamentais como a Norte/Sul, a transnordestina, o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco, os hubs de Fortaleza e outros a serem implantados, além da exploração do potencial mineralógico da área, poderiam conduzir, ao lado das políticas de exploração do potencial do segmento de serviços e do turismo, a uma política de transformação que turbinaria as iniciativas em curso, atualmente, e abriria novas perspectivas de outros caminhos alternativos para as mudanças exigidas pela região.
Assim, ao largo de iniciativas polêmicas como a atitude do Presidente sobre o programa Mais Médicos além de declarações um pouco precipitadas como a relativa a mudança da embaixada brasileira para Jerusalém, bem como os comentários sobre as relações brasileiras com a China, deverão ser mais comedidas a partir de agora quando Bolsonaro passa a contar com as orientações de seu já indicado Ministro das Relações Exteriores. Na proporção em que os auxiliares vão sendo definidos, as afirmações e proposições passarão a ter mais objetividade, mais oportunidade e mais ponderação. Assim se espera que prevaleçam e venham a estar presentes nas declarações do Presidente.
Da mesma forma espera-se que a mídia busque uma melhor convivência com o poder sem seguir as vocações ideológicas dos seus jornalistas pois isto pode impedir um processo de desmantelamento dos órgãos de imprensa do país com sensíveis prejuízos para o processo democrático. Atitudes como as tomadas por alguns jornalistas como foi o caso de uma infelicíssima é desumana declaração do jornalista Valdo Cruz sobre o Presidente Bolsonaro, não se justificam e não podem ser aceitas como éticas e responsáveis. Principalmente quando se sabe que o Presidente, de há muito, manifestava o seu desagrado com o poder quase imperial do sistema Globo de rádio e televisão e da inexistência de limites ético-profissionais para o exercício do papel jornalístico.
PARA PROVOCAR OS CANDIDATOS!