A PRIMEIRA SEMANA …

Desencontros, desmentidos, desentendimentos, entre outros, são expressões ou fatos normais e esperados no início de um novo governo. E isto é típico, não apenas diante da inexperiência ou da precipitação verbal de membros do novo governo,  ansiosos por demonstrar que entendem do “riscado”,  como também, do próprio processo de aprendizagem da arte de governar!

Os erros, equívocos, precipitações são fatos esperados e, surpresa maior seria se não ocorressem! Propor “ ideias

revolucionárias”  e, logo a seguir, voltar atrás ou reformular a profundidade ou a extensão da proposição, é coisa muito comum no início de um novo governo. O fato básico é que, antes do agente público ser confrontado com a realidade objetiva e as restrições e limitações que as circunstâncias impõem, tudo parece, simples, fácil e de aceitação, sem restrições, pela maioria dos parceiros ou dos membros do mesmo governo! E isto se revela, no mais das vezes, em um ledo equívoco.

Alias, as possíveis desavenças entre aqueles que sentem como que líderes do processo de garantia da governabilidade ou que se pretendem porta-vozes informais do novo poder, são naturais e esperadas embora o que se aguarda é que o Presidente não perca o “timing” do necessário e oportuno puxão de orelhas nos seus comandados para que as possíveis diferenças e desavenças não se transformem em fonte de confrontos, de disputas e de desentendimentos permanentes. Também é fundamental que o próprio Presidente contenha-se ao formular propostas e ideias ou a emitir juízos de valor que possam gerar desnecessários ou comprometedores desgastes junto aos formadores de opinião.

A primeira semana de Bolsonaro não diferiu muito desse diagnóstico e já propiciou o  começo  das especulações de confrontos ou conflitos de idéias e posturas entre ministros, notadamente entre aqueles mais próximos do Presidente! Ministro Ônix Lorenzoni com claras divergências com o Ministro da Economia, entre outros, poderia está sendo alvo dessa insinuação!  Também o necessário e oportuno desmentido a umas poucas idéias e propostas do próprio Presidente, que diferiam ou divergiam do que é o pensamento dos seus economistas ou do que os agentes econômicos País afora pensam, marcaram os últimos dias.

Os “muchochos” de Paulo Guedes, registrados e caracterizados pela sua ausência a encontros  técnicos e a entrevistas com parceiros da área econômica, na última sexta-feira, encontros  previamente acertados,  pareciam demonstrar que divergências sérias entre o presidente e o seu ministro todo poderoso da Economia ou entre ele, Paulo Guedes e o ministro da Casa Civil, iriam comprometer o desempenho e a estabilidade das próprias relações de governo. Mas, ao que parece, os 28 anos de parlamento do Presidente, aliados ao equilíbrio e ponderação de figuras como o General Augusto Heleno, ajudaram a por ordem nos diálogos e a superar os desentendimentos de forma a preservar a unidade e o equilíbrio das ações de governo.

Dessa forma, enquanto houver quem ajude a administrar divergências e conflitos de opiniões e, na proporção em que Bolsonaro tenha consciência de que cabe sempre a ele garantir a unidade do grupo, a tendência é que tais atritos venham a ser facilmente superados enquanto prevalecer o espírito público e o compromisso com o País, por parte dos senhores ministros. Também, na proporção em que os escalões inferiores venham a ser ocupados, a tendência é que o dia a dia passe a exigir agilidade nas decisões e fóruns adequados de negociação e superação de divergências.

Assim o governo vai começando a engrenar, as propostas começam a serem discutidas no nível de sua viabilidade política e, na proporção que problemas sérios do país comecem a ser efetivamente enfrentados, a tendência é que se alcance o que se chama de “monotonia da normalidade”. Aí as surpresa só advirão de algumas decisões que afetem problemas de corrupção, de ineficiência e de excesso de centralização e de controle da sociedade civil pelo governo nacional! Todos aguardam menos interferência do governo na economia, maior descentralização das ações para a sociedade civil e para níveis de governo como estados e municípios  e que se promovam privatizações, desestatizacões  e descentralizações de toda ordem, dentro do princípio de favorecer tanto o “mais Brasil e menos Brasília”  e o “menos governo e mais sociedade civil”!

As chances são grandes do governo que se instalou acertar e encontrar o rumo do crescimento franco  e  dinâmico. Basta que Paulo Guedes consiga o necessário aperto fiscal para zerar o déficit público e estabeleça ações de descentralização politico-administrativa capazes de favorecer o investimento público e garantir o estímulo ao investimento privado. Pelos acenos de liberalização da economia e pelos nomes indicados para posições estratégicas, notadamente nos bancos oficiais, os investidores, notadamente os externos, já preparam as suas apostas, principalmente para o segmento de infraestrutura física.

Assim, as perspectivas, embora tímidas, parecem francamente favoráveis e o mercado já começa a entender as indicações de políticas a serem adotadas pelo novo governo, inclusive a convicção de que, estabilidade política parece ser algo que não faltará ao novo governo. Também, nenhum indício de que conquistas democráticas venha a ser abandonadas ou perdidas pela forte presença militar no poder. Isto porque os militares estão no poder não por causa de alguma crise institucional mas, tão somente, por escolhas abertas e democráticas do presidente legitimamente escolhido pela população.

Portanto, se o governo ainda não “voa em céu de brigadeiro” mas, com certeza, depois de cem dias, ficará caracterizada a tranquilidade e o equilíbrio institucional que o Pais se espera deverá  mostrar! E isto irá se sentindo, dia a dia,na proporção em que reuniões ministeriais vão ocorrendo como a que ocorreu está semana !

 

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