O NOVO ANO JÁ SE INSTALOU!

Sem pedir licença o novo ano chegou e se instalou. Sem maiores promessas, sem arroubos e sem pretensões descabidas, o novo ano foi se achegando e se propondo a dizer a que veio e por que veio. Primeiro ousou se propor a trazer perspectivas de boas novas ao sentir quão deprimidos estavam aqueles que se preparavam para deixar o ano que estava terminando. Isto porque, 2018 estava deixando um acumulado de desencantos e de frustrações o que
dava a entender que tudo que os brasileiros haviam enfrentado nos últimos quatro anos, continuaria na mesma toada o que iria acabar se repetindo.

Mas, independentemente desse pessimismo herdado do ano que se foi, as pessoas tendem a querer acreditar que novos augúrios, novos sentimentos e novas esperanças assumirão o protagonismo do vazio que se temia iria prosperar! Assim, independentemente das avaliações e dos preconceitos que, naturalmente se manifestam nas expectativas dos brasileiros, o novo ano, um novo governo e as crenças em símbolos e valores os mais variados, vão moldando as perspectivas que já estão a se forjar.

Os anúncios de possíveis medidas, de possíveis propostas e de possíveis ações do novo governo começam a dar o tom e a, de um certo modo, levantar o ânimo dos brasileiros o que, inclusive, ficou refletido nos índices da bolsa e no comportamento do dólar, o que ficou caracterizado por um otimismo inusitado. Segundo alguns analistas tal comportamento se deveu aos depoimentos do Presidente e, secundado por proposições do ministro da economia, posicionamentos que ocorreram na linha das expectativas dos agentes econômicos.

As propostas relacionadas a abrir a economia, a privatizar empresas e ações de governo e as sugestões de um profundo processo de descentralização das atividades do setor público federal para municípios e sociedade civil, estabeleceram esse novo ânimo no seio da coletividade nacional e abrem espaços para que a ideia de diminuir o tamanho do estado, desregulamentar, desburocratizar e simplificar processos de gestão não ficarão restritos ao campo da retórica governista. Dão a sensação é o tom de que tais intenções irão além dos gestos e das palavras soltas ao vento.

Isto porque a vida corre, os problemas estão presentes e muita coisa requer urgência sob pena de se agudizar de tal forma que venha a ficar  no campo do “sem jeito”. Verifique-se, por exemplo, o que está a ocorrer no estado do Ceará onde o crime organizado, nas suas três principais facções, decidiu confrontar o poder constituído do governo estadual, numa ação orquestrada em diversos pontos e de diversas formas, para demonstrar que, se o poder constituído não ceder às suas demandas e não vir para o campo da negociação, a situação ficará mais dramática ainda.

A situação naquele estado atingiu tal clima que, o próprio governador daquela unidade da federação, “pediu arrego” e solicitou intervenção federal para intentar combater as ações do crime organizado naquele estado. O Ministro Moro disse que a situação não era tão crítica que já merecesse intervenção federal mas o que se imagina é que, a tendência da União é a de articular uma ação de tal forma planejada, organizada e bem concebida que o êxito seja tal que sirva de exemplo para a contenção de outras ousadias e impertinências como a que ora o crime organizado do Ceará procura exibir.

Diz um ditado nordestino que “triste é o poder que não pode” pois se assim o for, mais que rapidamente exige-se que “desocupe a moita” e deixe a “quem tem competência que se estabeleça”!  Ou seja, ou a autoridade se faz presente ou a anarquia passa a ser a regra geral.  E isto não se pode aceitar e admitir, máxime quando os novos governos se instalam criando a esperança de um novo tempo, de uma nova ordem e de novas perspectivas. Claro que as promessas de campanha, as ideias soltas sem exame de consistência e viabilidade e os discursos não devem servir de referência para as expectativas objetivas do que os governos poderão fazer e farão. Mas, um mínimo de objetividade  e de política de resultados as pessoas aguardam dos novos governantes e dos novos tempos.

A decisão de Sérgio Moro ao afirmar que o “estado ainda dispunha de meios para conter os abusos do crime organizado” e, que, “ainda não acreditava que este seria o momento de uma intervenção federal”, deixa a suspeição no ar de que o MJ só vai agir, no momento em que tenha  concebida uma ação coordenada, organizada e bem estruturada,  capaz de servir de exemplo e modelo para conter outras manifestações assemelhadas que venham a ocorrer em outros pontos do País. Ou seja, a qualquer hora a ação do MJ, do Gabinete Institucional e das Forças Armadas, de forma integrada, será deslanchada e tomará, de surpresa, o espaço, os movimentos e a ação do GDE, do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho que ora aterrorizam o estado.

É esperar para ver ou assistir a desmoralização do estado brasileiro!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *