A VIRTUDE ESTÁ NO MEIO …

Qualquer avaliação que se queira proceder ou onde se pretenda estabelecer perspectivas sobre o amanhã de uma sociedade, sem qualquer viés ideológico, político ou sem desvios de análise, fruto, as vezes, de metodologia inadequada ou decorrente de interesses inconfessos, se tais viéses não prosperarem, na maioria das vezes, a avaliação tenderá a alcançar os objetivos desejados. Mas tal só ocorrerá se buscar o analista entender que não deve radicalizar posições e conceitos,  incorporar   e adotar o velho e bom princípio de que “a virtude está no meio”, como sói ocorrer com a argumentação, como por exemplo, das mulheres com quem vivemos e convivemos, que quase sempre estabelecem, como princípio, esse quase axioma.

Nos tempos atuais há que não se incorrer na disputa por espaços de poder ou pela prevalência de idéias e conceitos, valendo-se do confronto  e da radicalização o que, no mais das vezes,  não ajuda a construir nada de bom a não ser semear o ranço, o ódio e a vindima entre irmãos, marcados por divergências doutrinárias  e ideológicas, no mais das vezes, defendidas ou combatidas sem que as partes aprofundem qualquer discussão conceitual mas se valendo apenas de estereótipos, clichês e lugares comuns que,  na verdade, nada agregam à formação do pensamento da sociedade.

Feito tal preâmbulo, o que ora experimenta o País é um misto de insatisfação, de indiferença e, ao mesmo tempo, estranhamente, do desejo e da ânsia de ver a pátria amada dar certo! Parece extremamente contraditório tais sentimentos mas eles exibem esse misto de indignação pelo que experimentaram ao assistir o País quase ser totalmente desmontado e a revolta da maioria por ter sido enganada, na sua boa fé, diante dos assaltos aos cofres públicos , da formação de quadrilhas a fraudar, espoliar, roubar e saquear os mesmos cofres públicos. Ao mesmo tempo surgem atitudes de, mesmo com todos os erros cometidos, os imbroglios criados e a má forma como foram feitos os comoromissos e descumpridas as obrigações mínimas com os serviços e o respeito aos cidadãos, as pessoas voltam a crer que o amanhã, apesar de tudo, pode vir a ser mais risonho!

E isto se sente quando se chega a um momento como o atual, quando se aproxima o período festivo do Natal, o início do recesso do Parlamento e do Judiciário e todo esse ar festivo que só se encerrará na quarta-feira de cinzas. Pois, tal mudança de ambiente e de prioridades, em termos de preocupações, gera uma trégua no conflito de ideias e de interesses e, como que, não se promovem discussões sérias sobre nada e, com isto, os ânimos não se exaltam, as paixões não se exacerbam e os conflitos mais duros não se estabelecem.

Não é que o otimismo tenha voltado ou a confiança nas instituições tenha se reestabelcido, nem a crença na classe política tenha sido recriada mas, parece que o próprio povo tenha resolvido agir dentro do princípio de que “se as coisas já estão na casa  do sem  jeito não merece preocupação e nem lamentação” e o negócio que se prega  é botar o barco para seguir em frente. Isto se reflete pela desmotivação que se observa pela não  realização de manifestações populares de rua  e as próprias tendências das preferências eleitorais, na medida em que a economia retoma, quem tem mostrado que se busca o meio-termo e não as polarizações divisoras da própria sociedade.

É por isto que a atitude de Alkimim ao aceitar presidir o PSDB, revela que o centro volta a ser o nicho eleitoral do conservadorismo brasileiro. Aliá, a campanha aberta de exposição e divulgação pessoal de Paulo Skaf mostra que ele atira na hipótese de, em não havendo um nome viável de São Paulo quando da eleição de 2018, ele estará pronto para ocupar o espaço. Ele conta  também com um  plano alternativo que seria a disputa do governo de São Paulo. Uma  outra constatação que se pode levantar é a de que, em 2018, não haverá  muito espaço para  discursos do tipo de ”caçadores de marajás” ou outros “que tais” ou clichês como o  “duro e incondicional combate à corrupção” e outros  que muito prosperaram nas épocas de outras crises institucionais e de valores do País. O que vai acontecer é que quem sempre defendeu, por exemplo,  a Operação Lava-Jato, e, porventura,  não foi citado em desvios de conduta por ela revelados, usará, intensamente, tal bandeira.

Embora o eleitorado brasileiro sempre tenda a buscar o centro como o seu nincho preferencial, é importante observar o que acontece com Lula e Bolsonaro onde o primeiro, se não tiver os seus direitos políticos cassados, será um candidato muito forte, apesar de todos os desgastes sofridos e denúncias de corrupção levantadas contra ele. Já Bolsonaro, nesse processo de polarização até agora vivido pelo quadro político nacional, vem recebendo adesões e apoios e crescendo em pesquisas de opinião nos estados. Adicionalmente, buscando superar a marca de radicalismo de posições e opiniões, procura, como foi o caso do convite feito ao sério e competente economista Paulo Guedes, para ser o coordenador de todas as suas propostas e ações no campo econômico e, com isso, afastar a ideia de que seria um irresponsável e leviano, na condução da coisa pública nacional.

Meirelles, embora jå anunciado por alguns como candidato em potencial a Presidente, inclusive com o handicap, pelo que faz na condução da política economia e por não ter, até agora, conhecidas “ligações perigosas”, ainda não definiu a sua estratégia de ação para angariar apoios e simpatias dos eleitores. Talvez lá pelo início do ano, mostre alguns lances que indiquem os caminhos que virá a seguir. Marina Silva parece que passou. Joaquim Barbosa pode vir a ser o vice de uma candidatura possível e viável  a Presidente. O Senador Alvaro Dias mora muito longe e ainda não mostrou propostas sensibilizadoras de transformação da sociedade brasileira.

Enfim, embora o jogo ainda não tenha começado as especulações a tomar conta do ambiente político talvez até tenha sofrido uma provocação com o lançamento da nati-morta candidatura de Luciano Hulk. As escaramuças, embora se manifestem por confrontos verbais muitas vezes deveras agressivos entre petistas e não petistas, ainda não se ensaiaram no meio da classe política. O que parece pretnder a população agora ë intentar conhecer para onde irå caminhar o País e quem poderá  indicar o caminho ou os possíveis caminhos. Por enquanto só paira no ar a mudança no ambiente econômico e o renascer de esperanças de que as coisas poderão fugir a essa monotonia de delações, denúncias, acusações, prisões e aberrações cometidas a partir de controversas decisões da justiça. Na verdade, fatos isolados como o da liberação de presos políticos para os quais  não tenham sentenças tranquilas e os  pedidos de suspensão dos prisão daqueles já julgados  em segunda instância, às  vezes dão uma sensação  de uma espécie de impunidade e de que o crime no Brasil, às vezes compensa.

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