Ano Novo: a monotonia da normalidade.

Escrito em 12 de janeiro de 2009.

Esse é um ano novo típico. Nada de excepcional. A crise continua, mas sem provocar emoções a não ser a manutenção das dúvidas e das incertezas sobre a duração e como será distribuída a intensidade de seus efeitos entre os países ricos e os emergentes.

Obama continua a representar a esperança de uma mudança de paradigmas, mas poucos vêem a possibilidade de uma alteração excepcional na condução da política econômica do país, bem como de modificações sensíveis na política externa da Nação líder e hegemônica.

No Brasil, Lula continua vivendo o seu momento de mito e de alguém acima do bem e do mal com direito a dizer disparates, falar mal dos órgãos de controle e mostrar sua má-vontade com a mídia.

Os efeitos da crise internacional, como já foi dito, não seriam nem a marolinha de Lula e nem o tsunami dos que sempre apostaram no quanto pior, melhor.

O Banco Central resolveu fazer uma concessão a Lula e ao Vice-Presidente, prometendo reduzir os juros básicos, talvez na base de 0,25 pontos percentuais em janeiro!

O problema da capacidade de gestão do Executivo Federal contínua na mesma. O PAC não anda mesmo quando se incorpora a ele projetos que já estavam em andamento e não tinham dinheiro. Lula culpa a burocracia, o IBAMA, o TCU, a CGU, o Ministério Público e a mídia pelos atrasos nas obras.

No campo político, nada de novo além da posse dos novos prefeitos, com o protesto da maioria, de que encontraram os cofres vazios, a “máquina” desmontada e até “queima de arquivos”.

No campo nacional, a avaliação de que a produção legislativa foi limitada e precária é quase unânime. Por outro lado, as rusgas entre o Senado e a Câmara por causa do aumento do número de vereadores ou entre o Executivo e o Legislativo por causa da devolução da Medida Provisória da Filantropia, não são fatos relevantes.

O fato relevante agora é a sucessão nas duas Casas e na Executiva Nacional do PMDB, caso Michel Temer seja eleito Presidente da Câmara.

No Senado deve se confirmar o desfecho que este Scenarium antecipou faz seis meses: Sarney, num enorme “sacrifício” pessoal e para contribuir com a estabilidade das instituições, aceitará ser ungido Presidente do Senado. Se assim ocorrer, três conseqüências daí advirão:

  1. O processo sucessório na Câmara complica-se um pouco para Michel Temer não só porque Aldo Rebelo conta com simpatias relevantes no PMDB do Senado, notadamente de Renan Calheiros como Ciro Nogueira continua um “trabalho de sapa” que contabiliza um número significativo de votos;
  2. Caso Renan Calheiros volte a ser Líder do PMDB no Senado, logo após a “aceitação” de Sarney para presidir a Casa, então a situação de Michel Temer pode complicar-se um pouco mais;
  3. A única alternativa possível para garantir a viabilização de Michel Temer, via apoio do PMDB do Senado, seria a decisão viável de Temer em abrir espaço para a sua Vice na Executiva do PMDB, Íris Resende, para assumir a Direção Nacional do partido. Íris é mulher de ex-senador, é ex-senadora e agora é deputada federal. Com isto ficariam atendidos tanto Renan como Sarney, a bancada do PMDB do Centro-Oeste na Câmara e a bancada feminina. Seria uma jogada de mestre de Temer.

E alguém pergunta como fica o PT no Senado? Fica acomodado no Executivo com Tião Viana no Ministério da Saúde e Ideli Salvatti como Vice-Presidente do Senado e Aloísio Mercadante como Líder do partido. Que tal?

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