CEM OU SEM DIAS DE GOVERNO?

Exatamente no dia de hoje, segunda-feira, 8 de abril, o governo Bolsonaro completa cem dias! E, há uma tradição da mídia brasileira de avaliar, no curso da vida do País, o desempenho de todo governo que se instala, em todos os seus aspectos, dimensões e consequências, decorridos os seus primeiros cem dias de atuação. E, diante dos fatos e das circunstâncias, o que se pode dizer dos primeiros momentos do novo governo, de maneira sóbria, serena e equlibrada, sem part-pris?

Sem qualquer intuito de gozação e de deboche, a celebração dos primeiros três meses de governo ocorre num “primeiro de abril”, traditional dia festejado pelos brasileiros como o dia da “mentira”, o que, para o estilo debochado dos brasileiros, conduz a  insinuações de que tudo o que ocorrer, tudo o que se disser ou se fizer, naquele dia, não vale e não conta como algo capaz de ser levado a sério! A bem da verdade, fatos realmente relevantes para a população brasileira não foram sequer encaminhados porquanto o envio da própria proposta de reforma da previdência e as medidas de combate ao crime organizado e a violência, propostas pelo Ministro Sergio Moro, não foram sequer contempladas por um envolvimento pessoal e direto de Sua Excelência, o Presidente Jair Bolsonaro.

O que se pressente é que um possível entusiasmo com uma mudança de rumo na forma da condução da coisa pública ao iniciar-se um novo governo, parece estar se arrefecendo pois nenhum fato novo e nenhuma política de governo foi anunciada que pudesse empolgar a sociedade ou parte dela e nem sequer uma polemicazinha surgiu no horizonte político. Na verdade experimenta o Brasil uma espécie de monotonia da normalidade. Até a demissão de um ministro como foi o caso do da Educação, não provocou qualquer reação num sociedade que, pelo que se percebe, se  mostra passiva, indiferente e descrente de tudo e de todos.

A própria queda de mais de quinze pontos na popularidade do Presidente Bolsonaro, embora represente uma reação demonstrativa de uma certa frustração da sociedade diante das expectativas que alimentava em relação ao novo governo, não chega a alterar, substancialmente, o “mood” da população. Não se sente nem reação de revolta, nem de frustração e, por incrível que pareça, nem de indignação. Sabe-se que ela esperava mais mas não sonhava como no passado não muito remoto.

Claro que o quadro vai se tornando mais pessimista quando empresários e formadores de opinião revelem as suas projeções tanto para o crescimento econômico e, até mesmo, para o comportamento da inflação. As estimativas pioraram e não sugerem que a própria aprovação da reforma da previdência possa mudar, substancialmente, tal estado das artes. Assim, embora Bolsonaro ainda possa reverter tal tendência, as coisas não são tão claras assim. Isto porque a exploração muito mais do varejo das ideias, das políticas e das propostas do Presidente, não acalentam aquele velho sonho de que “agora a coisa vai”!

É preciso um choque de entusiasmo que desperte a população para uma nova empreitada que se apresente como desafiadora aos seus olhos. É preciso algum êxito, até mesmo esportivo, que mexa com seus brios e toque as suas emoções. É necessário um projeto de dimensões nacionais que sensibilize a maioria da população e devolva o ânimo e o otimismo que sempre marcaram o comportamento e a atitude dos brasileiros. A carência de líderes em todos os segmentos da sociedade cria esse torpor ou esse estado de desinteresse, de descaso e de descrença em tudo.

Será que algo novo será proposto ou, pelo menos, anunciado, que levante o ânimo e o entusiasmo dos brasileiros pois que, até agora nada desperta o interesse e nem joga um pouco de alegria a um povo extenuado e cansado dessa monotonia do nada acontecer? É esperar para ver!

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