IMPROVISAÇÃO, PRAGMATISMO E SIMPLISMO!

O País já dispõe de elementos que permitem fazer incursões nos caminhos ou possíveis descaminhos do novo governo. Até agora os analistas políticos, embora ainda estejam a tentar qualificar ou classificar o estilo de governar de Bolsonaro, já ousam estabelecer alguns traços do perfil do novo governo. Aliás, com a preocupação de não incorrer em simplificações pobres e, também, de outra parte, intentando estabelecer os traços definidoras de seu estilo, também sem incorrer em avaliações empobrecidas pela pressa e pelas fragilidades das apreciações, alguns analistas arriscam traçar um perfil, por demais cauteloso, do novo governo. Aqueles que apenas buscam qualificá-lo como simplório e limitado, representam um grupo com uma pobre e precária definição do estilo bolsonarista. Discuti-lo em função de sua opção ideológica ou diante de sua intransigente defesa do militarismo e dos governos militares, também não traduz a sua visão, a sua proposta e o que realmente pensa e quer em termos de ação de governo. Falar no deslumbramento com o poder, exibido, particularmente, pelos seus filhos, também representa redução simplista e tal qualificação não serve a nada e nem a ninguém.

Também interpretá-lo segundo as propostas, idéias e sugestões daquilo que se pode extrair das declarações e manifestações de Bolsonaro não diz muito do que é, do que será e do que se imagina que Bolsonaro pensa do que é conduzir os destinos da 7a. maior economia do mundo. Numa visão simplista talvez o que Bolsonaro e os seus filhos pensam de positivo é que o País conta com instituições razoavelmente sólidas, práticas de gestão já suficientemente consolidadas e um histórico de superação de impasses institucionais que levam a constatação de que as coisas marcham quase sozinhas, independentemente de quem esteja a frente do poder.

Feitas tais ponderações e avaliações, uma análise fria da situação mostra dois fenômenos que hoje dominam a cena nacional. O primeira é a constatação de que as instituições nacionais embora nunca tenham experimentado momento de tanto descrédito e, até mesmo, de sofrerem tanto desrespeito e deboche, como agora, ainda representam a base de sustentação politico-administrativa do Pais. Se se pretendesse usar uma imagem ou uma expressão da medicina, o que se poderia dizer, com certa crueza crítica do processo politico-institucionsl, é que o Brasl vive o que se chama uma espécie de “falência múltipla dos órgãos”, no que respeita à qualidade de suas instituições. A demonstrar tal crise de idoneidade, de confiança e de respeito, basta observar o que ocorre com o Supremo Tribunal Federal, hoje marcado pelo descrédito de alguns de seus ministros como o próprio Presidente, Dias Tóffolli, além de outros como Alexandre Morais, Gilmar Mendes, Lewandovsky, entre os que necessitam hoje de uma quase proteção policial para poderem caminhar, como cidadãos comuns, pelas ruas de qualquer cidade do País.

Na verdade, os desencontros de suas decisões; as contradições abertas que a TV tem mostrado ao povo, em geral; a tomada de medidas questionáveis e a exteriorização de críticas a segmentos da sociedade, em face das demonstrações de descontentamento do povo diante de decisões confusas ou discutíveis tomadas pelos seus membros, tem levado a críticas impiedosas do “distnto” publico” e da mídia, como um todo. O STF não é mais aquele! Há quem peça, pelo menos, que se leve adiante a operação “Lava Toga”, em função da desconfiança nas atitudes e comportamentos demonstramos por Lewandovsky, Tóffolli, Alexandre Morais e Gilmar Mendes, arrolados como cidadãos cujo passado bem como cujas decisões recentes levam a suspeições as mais variadas.

Se é esse o diagnóstico da credibilidade e da confiança dos cidadãos nos seus ministros, a atitude recente dos ministros Alexandre Morais e Dias Tofolli de exacerbar das suas atribuicoés e competências ao promover processo investigatório sobre quem fez críticas ao Supremo e aos seus ministros, “pegou muito mal” perante a opinião pública, inclusive com uma aberta e incisiva discordância do Ministério Público, na pessoa da Procuradora Geral da República.

Se o Supremo, em termos de conceito e credibilidade perante a opinião pública, vive momentos difíceis e complicados, a ausência de líderes confiáveis, em qualquer segmento da vida nacional, gera uma sensação de orfandade ou de abandono, nos cidadãos como um todo. Na verdade o que se critica é que o País viva sob o domínio completo da mediocridade onde não se sobressai uma liderança qualquer, com alguma expressividade ou capaz de fazer alguma reflexão crítica que venha a ser objeto de análise dos cidadãos como um todo. Ou seja, as próprias religiões, inclusive a católica, não apresentam um nome com alguma dimensão intelectual ou espíritual, capaz de tocar a alma e os corações dos cidadãos. Uma foto publicado nas redes sociais onde estão reunidas as principais lideranças políticas nacionais, provocou uma reação das piores onde a manifestação mais suave dos internautas foi “ö que faz a quadrilha da foto”?

As “encrencas” criadas em Brasília estão por todos os lados na proporção em que o Congresso não consegue definir, com clareza, limites de atuação e posturas diante de propostas, embora, às vezes, polêmicas, a despeito de serem essenciais para garantir as bases do crescimento nacional. Assim o Congresso vive os seus momentos de busca de identidade ou de entender o seu papel politico-institucional e aprender a distinguir o que é relevante do que é irrelevante para o País, além de não ter clareza quanto a definição das bases de apoio ou de oposição ao poder. Até agora tudo parece uma espécie de ‘”samba do crioulo doido”.

No Executivo, as inopinadas e inoportunas declarações do Presidente; à pobreza do orçamento fiscal; a natural demora para a aprovação, pelo Congresso, de medidas capazes de abrir espaços para a retomada do crescimento da economia, deixam o ambiente confuso e sem uma direção para onde se pretende que o País vá. Assim, vive-se uma era de incerteza, de insegurança e de indefinições além de, inexistirem líderes em quaisquer segmentos de atividades do País que proponham, sugiram, invoquem ou provoquem debates capazes de abrir caminhos de transformação para o Brasil.

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