EMPACOU E, PARECE QUE NÃO SAI DO LUGAR!

Existe momentos na vida das pessoas em que as coisas empacam e não mostram sequer possibilidades ou perspectivas de sair do lugar. Existem circunstâncias que levam a uma espécie de “branco”  no pensar das pessoas que impedem o surgimento de soluções para, até mesmo, pequenos problemas. Se tal acontece com as pessoas, é possível imaginar que possa se reproduzir em grupos sociais ou em sociedades inteiras. Há situações tais em que as sociedades não dão sinais de que sejam capazes de encontrar saídas até mesmo para pequenos impasses ou problemas.

E qual seria ou quais seriam as causas dessa atitude? Há várias tentativas de buscar uma ou várias explicações que poderiam ser consideradas consistentes com o quadro que se apresenta. Uma delas é a de que tal atitude nada mais é do que o reflexo do comportamento e da postura da sociedade como um todo, qual seja, indiferente ou distante de qualquer postura ativa ou demonstrativa de envolvimento no encaminhamento da solução do problema ou dos seus problemas. O que se sente é que a sociedade como um todo se mostra ausente, indiferente e alheia a qualquer tipo de manifestação de grupos ou da sociedade como um todo sobre temas mesmo aqueles da maior pertinência e oportunidade.

O que se percebe é que a sociedade brasileira não se sente sensibilizada, envolvida e nem compromissada com qualquer dos temas sejam eles os mais relevantes e os mais urgentes. Têm-se a sensação de que a postura dela parece que as circunstâncias deixam-na sufocada e sem capacidade de reação. A sociedade é contra a violência mas não se presta a qualquer manifestação de protesto contra atitudes do poder constituído ou de grupos do chamado crime organizado que favoreça ou patrocine tal atitude. A sociedade parece querer uma mudança nos hábitos e nos costumes políticos mas, até agora, afora a eleição de um “outsider” como Bolsonaro, ainda não se manifestou, nem direta e nem indiretamente, sobre o que espera e quer do governo ou espera e quer do Parlamento.

Por outro lado, se há esse imobilismo da sociedade civil, onde nem esquerda nem a dita direita, nem tampouco até mesmo os chamados grupos anárquicos se mobilizaram para tornar públicas as suas divergências para com o poder constituído, nenhum outro segmento organizado da mesma se manifesta. E, a tendência é, simplesmente, que não se criam expectativas de que algo transformador venha a ocorrer. Aliás, divergências sobre o que e o porquê de idéias e propostas uma vez que não vieram à lume as chamadas questões mais polêmicas, sequer encontram ambiente propício para prosperar. Ou seja, num deserto de idéias não se pode aguardar, debates, polêmicas e contradições e, nem tampouco, o embate de grupos disputando o poder.

Talvez tudo isto encontre explicação nesse processo de mediocrização em que anda mergulhada a sociedade brasileira como um todo. Não se observa e nem se ouve manifestação, contradição e debates de grupos organizados e nem tampouco manifestação individual de líderes em qualquer segmento — intelectual, empresarial, politico, religioso, ou de qualquer outro grupo — capazes de despertar o interesse ou sensibilizar quem quer que seja. Ou seja, a platitude, o desinteresse, o descaso e a indiferença são as marcas das chamadas elites nacionais, máxime no que diz respeito a questões graves como são a segurança, a saúde, a educação e a questão urbana.

E por que se observa esse deserto de homens e de idéias máxime quando ocorreram eleições gerais diferenciadas, com uma taxa de renovação de mais de 50% das duas casas e de choques de alteração dos padrões nas escolhas dos novos governadores? Ademais, quando as manifestações espontâneas da sociedade civil contestam o poder instaurado e mostram useiro e grave desrespeito às autoridades constituídas, hoje nem sequer salvando-se de tais embaraços e constrangimentos até mesmo os ministros dos tribunais superiores?

Esse quadro confuso, embaraçoso e, ao mesmo tempo, constrangedor, mostra que a sociedade brasileira vive um momento não apenas de pobreza intelectual mas também de insipidez, de falta de criatividade e de iniciativa não se vislumbrando perspectivas de que algo diferente possa vir a ocorrer. Ou seja, nada acontece que represente um fato significativo ou capaz de gerar repercussões de monta em segmentos específicos da sociedade. Agora mesmo, a enorme e dramática tragédia de Brumadinho, com um número de mortos que representa dez vezes mais que os óbitos da tragédia de Mariana, não chocou e nem mobilizou a sociedade como seria de se esperar. Na verdade o número de mortos pode ultrapassar os duzentos, os prejuízos materiais podem até ser maiores e as implicações e repercussões nas práticas e políticas de exploração mineral do país serão bem  mais significativas do que o que se imaginava.

Assim, só o Carnaval, esse anestésico social, para dar uma pausa nas angústias existenciais vividas pelos brasileiros e permitir que os sonhos que são difíceis de realização, voltem a ser imaginados como passíveis de concretização, produz essa pausa nas angústias acumuladas. Assim se espera que após esse período, a sociedade volte a meditar e a intentar conceber políticas e estratégias capazes de encaminhar as pendências mais urgentes do País!

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