MAS É CARNAVAL, DIGA LÁ O QUE VOCÊ QUISER …

Passado a folia o que ficou mesmo foram algumas contas a pagar, o desencanto pelo fim daquele momento mágico de distanciamento de todos os problemas, angústias e preocupações e a volta dos desafios da dura realidade, a ser enfrentada no dia a dia. Agora todos, particularmente as autoridades governamentais, são confrontados com as angústias dos enormes problemas e urgências a serem enfrentados. E o acumulado é respeitável. Acrescente-se ainda a capacidade de muitos, inclusive do Presidente Bolsonaro de, inusitada e inexplicavelmente, em pleno Carnaval, agregar a sua contribuição a esse de besteirol, aliás  já de proporções enormes!

A festa momina já se foi, claro que, a exceção da Bahia, para não fugir a histórica tradição. Agora, atores da cena privada e pública, retomam o que deram uma espécie de pausa nas suas preocupações e voltam a mergulhar as suas atenções nos problemas e questões mais urgentes e dramáticas. Os brasileiros, como um todo, diante do comprometimento de suas receitas com um endividamento que já preocupa os próprios formuladores de políticas públicas e diante de um ainda elevadíssimo índice de desemprego que angustia mais de 12 milhões de patrícios, já sofrem por antecipação. O setor público, com o enorme desafio de enfrentar o monumental déficit público nacional e a urgente exigência de reorganizar a Previdência Social, de forma a ser compatível com que os brasileiros precisam e com o que eles podem sustenta-la. E, diga-se de passagem, só esses dois macro problemas tiram o sono e a tranquilidade de qualquer agente público, sério e responsável.

O que preocupa é que o Palácio do Planalto não dispõe de alguém capaz de entender o que se passa no Congresso Nacional, nem o sentimento que domina os congressistas e nem tampouco o ambiente que ali se instalou e que é propício a mudanças institucionais tão necessárias e urgentes para o País. E, muito mais que isto, o fato singular que é o de ter na presidência das duas casas do Congresso, figuras simpáticas e comprometidas com a necessidade e urgência de tais mudanças e que se mostram propensas a articular, compor e negociar, com os parlamentares, para que ainda se aprove, este semestre, a reforma da previdência e as medidas de contenção e controle fiscal, tão urgentes a abrir espaços ao investimento público e, por consequência, a um crescimento mais robusto do PIB.

Lamentavelmente Bolsonaro, por não ter história de um mínimo de proeminência no Congresso e por não se cercar de hábeis e articulados parceiros e assessores capazes de promoverem encontros, articulações e manifestações favoráveis à causa, enfrenta dificuldades nesse processo de encaminhamento de questões legislativas de interesse do poder. Além  de se mostrarem hábeis negociadores necessários a acertos com segmentos da sociedade civil com vistas a superar restrições e oposições a aspectos parciais que não agradam a tais setores da vida pública nacional, esses agentes agregariam mais valor à sua contribuição nas negociações de tais propostas.

Assim o que se espera é que a base institucional de apoio à Bolsonaro — Sergio Moro, Paulo Guedes, generais de quatro estrelas, além dos representantes da burocracia estável e permanente — não se cansem com as diatribes do Presidente, com a desagradável e inoportuna interferência dos filhos de Bolsonaro nas políticas públicas e nem com a pesada crítica de uma oposição marcadamente de esquerda. Se eles e os seus auxiliares aguentarem, pelo menos por seis meses, tais pressões e interferências, então, talvez, as reformas básicas venham a ser alcançadas.

E, se isto ocorrer, se o governo tiver atravessado o seu Rubicão, então ter-se-a a quase certeza de que as coisas irão dar certo e o PIB poderá crescer em mais de 2,3% este ano e entrará num processo virtual de expansão que alcançará mais do que os 4,1% ao ano imaginados pelos tecnoburocratas do poder. E, fundamental será, também que a mídia colabore na criação de um ambiente e de um clima de crença no potencial de crescimento e na criatividade e disciplina da mão de obra do País para construir o seu amanhã. Se essas circunstâncias favoráveis à expansão e ao crescimento se verificarem dificilmente o Brasil deixará de voltar a ser a quinta economia do mundo e uma das mais dinâmicas do universo.

E aí, mesmo com Carnaval, corrupção e incompetências mis, o País superará os seus desafios e encontrará o seu caminho, não importa a descrença de muitos e a aposta no fracasso, por parte das esquerdas.

 

 

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