ESTÁ CHEGANDO A HORA …
O caminho encurta e a hora das definições está chegando. Por mais teorias conspiratórias que sejam lançadas no ar, elas não conseguem comprometer o curso do processo e, ao que parece, não são mais capazes de interferir nas decisões que, aparentemente, os eleitores já tomaram. Os números eleitorais parecem consolidados e as chances de uma mudança dos prováveis resultados, são muito remotas. Pelas estimativas feitas por analistas, pseudo-cientistas, futurólogos, advinhos e, até mesmo alguns estatísticos mais confiáveis, os apoios obtidos pelos dois candidatos não apresentam qualquer tendência de alteração.
A título de ilustração, por exemplo, para que Haddad conseguisse igualar os votos de Bolsonaro na pesquisa que mostra o seu melhor desempenho, ele precisaria, nos próximos dois dias, agregar algo em torno de 3,0 milhões de votos por dia o que, convenha-se, parece uma tarefa quase impossível mesmo que ocorresse fato ou fatos de tal modo e forma inusitados que conseguissem mudar a cabeça dos eleitores, aptos a votar. Agregue-se como argumento adicional, o singular fato de que as pessoas, em verdade, não estão decidindo por esse ou aquele candidato, ,considerando as suas características, virtudes e méritos pessoais. De fato, nessa eleição não pesam a carreira, o charme, o carisma, o talento pessoal e, nem tampouco, o discurso dos candidatos. Ademais, até mesmo propostas e idéias não estão sendo objeto de apreciação e de critério de escolha de um dos dois candidatos.
Como é sabido e notório, o atual processo pollitico-eleitoral não está sendo marcado pelos candidatos e suas idéias mas pelo sentimento que hoje domina a sociedade brasileira: insatisfação “com tudo e com todos” e o desejo de “que algo mude e se coloque no lugar do que aí está”! As pessoas parecem cansadas, indignadas e até mesmo revoltadas com a classe política, com as chamadas elites e com todos aqueles que representem o poder. As reações do povo em geral, tem sido de que as decisões, atitudes e comportamentos daqueles que hoje detém o poder, sáo decisões que não refletem desejos, ansias, carências e sonhos das populações como um todo.
E o quadro ainda fica mais pessimista quando se observa que o sentimento das pessoas está marcado pelos duros golpes sofridos por milhões de brasileiros em função da crise econômica que já perdura por cinco anos e que deixou, em seu rastro, milhões de desempregados e de pessoas que perderam parte de sua renda pessoal; diante das atitudes de homens públicos e de instituições cujos comportamentos, decepcionaram-nas; inclusive, diante de um STF que não mais dispõe do respeito e da admiração dos brasileiros; e, também, pelo desencanto com uma mídia, marcada por posições ideológicas de um lado e pelo excessivo interesse monetário, de outro. Por fim, pela ausência ou inexistência de líderes expressivos ou de alguns que merecessem a confiança das pessoas como um todo.
Embora a análise seja de um pessimismo que não condiz com o pensamento e a atitude do cenarista, mas é esse o ambiente que domina o País onde o Brasil da descontração, da alegria e do sonho foi substituído hoje pelo país do desencanto e da desesperança. Claro que nada disso pode vir a mudar daqui até o dia 28 próximo com a escolha do novo Presidente da República. Também não se espera que, de repente, sejam recriadas as esperanças e os ânimos se levantem, num passe de mágica. Claro que nenhuma surpresa poderá vir a acontecer que possa mudar os rumo da história brasileira, nos próximos dias. Com certeza, nada irá interferir para que algo diferente venha a ocorrer e, nem tampouco a própria eleição presidencial terá o condão de mudar o “mood”, o entusiasmo e nem as expectativas dos brasileiros.
A descrença, o desânimo e o desentusiasmo continuarão marcando o comportamento dos cidadãos dessa pátria amada. Claro está que, a partir de algumas decisões que forem tomadas pelo novos donos do poder que irá se instalar a partir de primeiro de janeiro próximo, pode começar a mudar, aos poucos, o animo da população. Mas, será preciso um pouco mais do que o aceno de um possível 13o. mês do Bolsa-Familia ou algo assemelhado para alterar tal humor. É preciso algo que quebre esse estado de espírito tão “down” como o que ora domina ou exibem os brasileiros.
Alguns temem que nestes dias que faltam para o pleito, alguns petistas mais exaltados e insatisfeitos com o rumo que as eleições estão seguindo, proponham algo maluco como sugerir que se monte um atentado à Haddad e Manuela, capaz de poder exibi-los como vítimas da truculência dos bolsonaristas e, com isto, gerando uma grande revolta na população e alterando os resultados do pleito. Tudo isto parece algo fruto de imaginação fértil e de não leitura adequada das reações do grande público que, antenado nas chamadas redes sociais, têm um nível de informação de avaliação crítica que não se deixa convencer tão facilmente. Haja visto o fato de que até os desencontro dos números estatísticos das pesquisas tem levado o povão a acusar institutos de manipulação ou maquinação de dados para favorecer esta ou aquela tendência.
Tais possibilidades absurdas são rejeitadas pela própria realidade onde, ninguém, em sã consciência, iria acreditar que o vencedor ou provável vencedor, buscaria um ato de desespero dessa natureza pois, ao ganhador resta só esperar pela oficialização dos resultados que tendem a confirmar as indicações das prévias eleitorais. Isto porque, quem está ganhando não agride e não comete impropriedades nem no agir e nem no falar. Imaginar que Bolsonaro mandaria espancar Haddad e Manuela é uma insensatez tão grande quanto aquela onde se acusou o vice de Bolsonaro de haver torturado presos políticos quando ele tinha apenas 16 anos!
Agredir o Judiciário, embora a descrença e a pouca fé nos seus propósitos são a marca maior da atitude e do comportamento do povo em geral, não faz parte de uma atitude que mostre um mínimo de equilíbrio e de bom senso. O cidadão pode até fazer como José Dirceu que, em declaração pública, não considera o Judiciário um poder mas “apenas uma mera agência governamental e como tal deveria ser tratada”. Porém, estranha a todos a atitude do Judiciário que, numa reação inapropriada e equivocada, fez um estardalhaço tremendo com uma declaração antiga do jovem político filho de Bolsonaro e que, numa brincadeira de mau gosto, repetiu frase de Jânio, quando se referiu a possibilidade de fechar o Legislativo o que, segundo ele “bastaria de dois soldados e um cabo”, segundo circulou.
Ademais, as declarações de ministros do STF não representam gestos e nem atitudes que se esperava dos membros do Tribunal. Equilibrada e ponderada foram as declarações do Presidente do STJ que qualificou o fato como pouco relevante, pouco procedente e sem maiores consequências para a credibilidade das instituições. Aliás, a propósito, as atitudes e posturas do Supremo bem como as da Igreja Católica, estão chamando a atenção ou pelo inusitado das reações ou pelo manifesto descontrole e omissão de supostas lideranças da Igreja Católica que, lamentavelmente, não controlam atitudes e posturas de seus padres e bispos.
Espera-se que essa crise das instituições passe e, aos poucos, o povo volte a ter confiança nelas e demonstre, outra vez, respeito que elas devem merecer. Sem isto não se constrói um País e nem se garante estabilidade, equilíbrio e bases para o seu crescimento econômico e social.
PARA PROVOCAR OS CANDIDATOS!