HÁ ALGO DE NOVO NO AR ALÉM DOS AVIÕES DE CARREIRA?

Não se pode usar  a expressão tão comum e tão batida de que “depois da tempestade vem a bonança” porquanto seria de exagerado e extremo otimismo acreditar que os grandes problemas e desafios que se transformaram em um verdadeiro  “tsunami para o Brasil e para os brasileiros já foram debelados e estariam sob controle. O que representou a crise desencadeada nos últimos três anos que se abateu sobre a economia, sobre a sociedade civil e sobre o ânimo e a confiança dos brasileiros, foi muito além do imaginável. Apesar de ter ocorrido tudo muito råpido, duro e perverso, não só para as catorze milhões de familias que perderam os seus empregos, para os milhões de endividados e para aqueles que não estavam  habituados a tais efeitos desorganizativos sobre as suas vidas, os eventos de 2014 até agora ainda continuam sendo de difícil deglutição. Machucaram muitos e, muitas vezes, impiedosamente!

Embora esse quadro ainda mostre as suas marcas cruéis, aos poucos notìcias que reestabelecem um novo ânimo para a sociedade, começam a aparecer dando a entender que se, política e institucionalmente, o ambiente, o clima e as perspectivas não dão guarida a qualquer sentimento de maior entusiasmo e de maior crença de que o futuro será menos tenebroso do que os últimos anos, é certo que as medidas de ajuste e de reorganização das finanças publicas do pais, apesar de começarem a mostrar resultados, claro que ainda não dispõem da robustez exigida para gerar um amplo clima de confiança e de crença de que a recuperação já começou e não teria mais caminho de volta!

Não obstante tantos temores cercando as esperanças e as perspectivas de que a crise viaje ou tire folga, vez por outra, aos poucos parece que já se instala um novo tempo. E isto advém do fato de que é fundamental lembrar que três fatos que tiveram curso na semana que passou,  dão alento de que os novos tempos estariam chegando. O primeiro deles diz respeito ao processo de reorganização das finanças de três estados da federação, de tão gravíssimas e de tal cronicidade que, se não fora a proposta de reequilíbrio de suas finanças sugeridas pela União, nada teria sido feito e os remendos estourariam ou mais cedo ou mais tarde ou logo mais adiante. Ao contrário, o que ocorreu já com o Rio de Janeiro e que deve acontecer com o Rio Grande do Sul e com Minas Gerais  é que, se aceitos os termos do reequilibrio fiscal proposto, tais estados poderão abandonar a irresponsabilidade e a leviandade fiscais praticadas  até agora e, de maneira séria e honesta, impor limitações à excessiva generosidade do estado na concessão de favores fiscais a empreendimentos, inclusive de resultados discutíveis, além de se perder em concessões e favores de um estado de bem estar social que não se sabe como a conta virá e nunca se parou para pensar quem pagaria tal conta!

Se as coisas ocorrerem como se espera e se, a partir de decisões que reorganizem, realmente,  as financas de tais estados, a tendência é que os demais estados brasileiros, depois de encontrada uma solução para o financiamento da previdência sociial, tenderiam a reproduzir desempenhos de suas execuções orçamentàrias como sói ocorrer, por incrivel que pareça, agora nesses momentos de crise. E, esse lado da moralização das contas publicas, que virá acompanhado de uma disciplina mais séria e eficiente na gestão das contas e da divida publica, mudarão os paradigmas de gestão das finanças  da própria  União.

Se esse é um fato auspicioso e alvissareiro, não fruto do acaso mas da determinação  dos gestores das políticas públicas nacionais, mesmo que o Congresso tenha aprovado uma pífia e precária reforma politica, essa pobre e limitada reforma, já começa a gerar expectativas de que o processo eleitoral venha a ser mais limpo, mais legitimo e mais representativo dos anseios da sociedade civil brasileira. Quadros respeitáveis do passado já se ensaiam dando a sensação de  que podem voltar à  cena e, os mais otimistas acreditam que, o Presidente do TSE, Ministro Gilmar Mendes, deverá, no protagonismo e ousadia que lhe são peculiares, propor que o TSE transforme em norma, já a partir de 2018, o fim da excrescência que são as chamadas coligações partidárias para fins proporcionais.

Se tal fato vier a acontecer, é bem provavel que o desencanto de muitos de achar que as coisas em nada mudarão, poderá sofrer sérios abalos pois, do jeito que as coisas más tendem a se complicarem ainda mais quando o ambiente estimule a que elas prosperem e potencializem  o lado ruim das coisas, da mesma forma, quando as coisas começam a dar certo parece que se cria um ambiente propicio a experimentação do dar certo e as coisas tendem a melhorar.

Assim, a par dessas avaliações e expectativas os indicadores da economia — menor taxa real de juros de vinte anos para cá; uma inflação que deverá se situar abaixo dos três pontos percentuais; um agronegócio que só tem dado alegrias aos brasileiros; uma questao regional que não se coloca mais como problema mas como solução para o atraso e a pobreza nacionais, além de uma economia que deve crescer acima dos 1% este ano e, talvez, acima dos 3% em 2018, são pontos altos que alimentam os sonhos de que, com certeza, 2018 dará a sensação, aos brasileiros, que estão a viver em outro País  e em outros tempos.

A par disso as finanças do governo central estão em busca de seu controle e, com certeza, a aprovação da reforma da previdência mudará ainda mais o ambiente econômico nacional. Adicionalmente, todas as medidas e estímulos aos investimentos públicos, privados e internacionais; a possível boa safra agropecuaria; os efeitos da nova legislação sobre mineração além de uma maior agressividade no que respeita a atração de investimentos internacionais para infra-estrutura física e para as obras de mobilidade urbana, abre um leque de iniciativas promissoras que levam a retomada da crença de que o país é possivel apesar de toda a bandalheira e toda a corrupção que os ultimos três anos mostraram!

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