HABEMUS PAPAM!

Com a diplomação, pelo TSE, já existe presidente e vice-presidente da república no Brasil, devidamente reconhecidos pela  justiça, para os próximos quatro anos. Também a própria montagem e estruturação do governo que, pelas últimas informações disponíveis, já conta com os 22 ministros escolhidos e também com importantes quadros para compor as principais agências, já selecionados, notadamente aquelas sob a orientação dos ministérios da economia e da justiça. Isto posto as especulações e discussões se voltam para a essência do processo de governar que envolverá a gestão de processos e a escolha de alternativas no “timing” cobrado pelos problemas e pelas expectativas da sociedade.

Assim as especulações ficam por conta de quais rumos, o governo que se instalará em janeiro, tomará. Ou seja, quais  as suas prioridades, os seus princípios e os seus programas fundamentais a serem postos em prática! É claro que declarações do Predidente, de possíveis ou pretensos colaboradores e, da midia em particular, podem levantar dúvidas, gerar inquietações ou promover questionamentos antecipados sobre o que fará o novo governo. Na verdade, apesar da impiedosa crítica da imprensa as idéias do próprio presidente e as inoportunas declarações de seus filhos, a população, de um modo geral, parece  ter uma visão distinta, mesmo diante de alguns temores, sobre o que poderá vir a ser o governo do novo presidente.

É mister que se faça uma observação bastante pertinente e oportuna relacionada a posições e declarações do novo presidente as quais, a bem da verdade, apresentam coerência e consistência com tudo o que foi o caminho politico do parlamentar e do agora presidente. Todas as idéias e propostas hoje do conhecimento da população não deveriam surpreender a praticamente ninguém pois tais idéias  ja haviam sido externadas nas várias  oportunidades em que Bolsonaro teve ou buscou se pronunciar. E, os nomes por ele escolhidos, mantém  uma grande afinidade e coerência com o seu pensamento, inclusive no estilo de se pronunciar, como tem sido os casos das manifestações do seu ministro da economia e o do ministro das relações exteriores!

Três coisas devem ser consideradas quando da avaliação do que pode vir a ser o governo Bolsonaro. A primeira delas é que a eleição dele foi aprovada por mais de 58 milhões de brasileiros tendo apresentado uma diferença para o candidato das esquerdas e do PT, de mais de 10 milhões de votos, o que lhe confere uma legitimidade inquestionável. Esse é um dado que não se contesta e nem se discute pois lhe garantiu a legitimidade para comandar os destinos do Pais. A segunda observação é aquela revelada por pesquisa de opinião recente que demonstram que 75% dos brasileiros mostram-se otimistas quanto ao desempenho do novo governo. Finalmente, as escolhas de Moro e de Paulo Guedes, além de outros auxiliares, foram muito bem recebidas pelo mercado, avaliadas que foram em termos da qualidade e da experiência dos indicados.

Muitos analistas mostram desconfiança e uma certa descrença no governo que em breve se instalará no País. Na verdade há, em tais avaliações, presunções precipitadas e, em algumas situações, preconceituosas, a partir de julgamentos da competência de Bolsonaro para conduzir o País. Talvez isto se deva ao fato de a cultura brasileira ser marcada pela crença mais em salvadores da pátria do que nas instituições que dirigem o País. Tal crença pode e deve ser negada pelo fato de que, por exemplo, o governo Temer que nunca conseguiu obter  mais que 5 a 6% de apoio popular, ter podido governar, formular políticas públicas, garantir sucesso na redução da taxa de inflação, manter o câmbio equilibrado e garantir a estabilidade das relações econômicas, nesse período tumultuado de governo, aparentemente sem maiores dificuldades.

Ou seja, já existe um certo profissionalismo na administração pública nacional de tal forma que, quando muda o comando do País ou, até mesmo, o comando gerencial nos estados, não mais ocorre aquilo que era a mudança desde a do próprio Ministro até ao cidadão que servia o cafezinho, demonstrando não apenas a instabilidade do sistema gerencial do país mas também a demonstração de que não se interessavam, os novos dirigentes. em preservar a memória do setor público e fazer uso da experiência acumulada pelos quadros técnicos governamentais. Hoje as coisas mudaram de configuração e a continuidade dos processos gerenciais básicos evidencia-se nas sugeridas alterações  que pretende realizar o novo governo que se instalará em primeiro de janeiro. Muita gente do governo Temer, pela sua qualidade técnica, seriedade e experiência gerencial está sendo convidada a continuar colaborando com o novo governo.

É fundamental que a sociedade, independentemente do que insinue ou divulgue a mídia, a partir de conclusões precipitadas em cima de declarações de Bolsonaro ou de seus filhos ou de algum auxiliar por ele já indicado, procure avaliar as decisões quando chegar o momento de serem tomadas. É crucial que se tenha consciência de que, uma coisa é opinar sobre políticas  públicas ou sobre o que idealizam possíveis gestores da coisa pública e a outra é, diante dos problemas objetivos da administração pública,  quais são os chamados graus de liberdade dos novos dirigentes para fazer valer a sua vontade. Parece que a experiencia mostra que se tal vontade contrariar o “staus quo” ou as práticas usuais ou os programas de governo já consolidados e já consagrados pelos hábitos e interesses da população afetada, o governante poderá enfrentar duras criticas e oposição. Isto porque, nos dias que correm,  os  tais graus de liberdade do dirigente ou dos dirigentes,  são muito reduzidos.

Assim, até quando se examina a mudança de propósito do próprio novo Presidente que gostaria de ter apenas 15 ministérios mas não encontrou meios e teve que “engolir” a criação de 22; ou quando, era seu propósito juntar Agricultura e Meio Ambiente e teve que voltar atrás diante das próprias ponderações da bancada ruralista e do setor exportador;  ou ainda, quando declarou o propósito de mudar a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém ou, diante de outros propósitos, descobre o gestor que as coisas não se fazem ao bel prazer do novo dirigente! E que os seus graus de liberdade estão marcados por aquilo que é tradição na sociedade; por aquilo que o dirigente conseguirá que o Congresso aprove e também em função das restrições que as circunstâncias e compromissos internacionais estabelecem.

Governar é a arte do possível e do viável e não do voluntarismo que só as sociedades subordinadas a regimes autoritários permitem. Governar é negociar, é transigir, é ceder, é esperar, é aceitar a imposição de certas circunstâncias e, buscar compor com a estrutura de poder vigente. E esta  não se restringe à classe política já instalada, ou a força política dos governadores, mas em função da força da midia e da expressão significativa do papel dos grupos de pressão de toda ordem, notadamente de segmentos econômicos mais relevantes  e ponderáveis.

Sendo assim, não adiante “morrer de véspera” como peru de natal, como afirma o dito popular. É preciso esperar o real enfrentamento de problemas e desafios por parte dos novos dirigentes e todas as dúvidas, inquietações e incertezas serão dissipadas. Os temores sobre o comportamento e a atitude dos filhos do Presidente não serão capazes de tumultuar o processo pois, a presença desse verdadeiro estado maior das forças armadas dentro do governo, incluindo-se aí  o próprio general-vice-presidente, estabelece freios e controles aos excessos voluntariosos que a ousadia jovem expõe nas declarações e defesas de idéias e teses colocadas, precipitadamente, a público que, já agora, o próprio Bolsonaro se encarrega de negar que venha a ser um propósito seu como foi o caso, por exemplo, das colocações sobre pena de morte por parte de um de seus filhos.

Desse modo, o enfrentamento direto de problemas e desafios e diante dos números e dos interesses envolvidos, exigem do gestor a capacidade para administrar conflitos e pressões em tempo oportuno para que os problemas não se tornem bem mais complexos e complicadores de questões que uma gestão equilibrada e ponderada da coisa pública permitiria sua solução sem maiores dificuldades. Ou seja, paciência, humildade e bom senso, sem demonstrar insegurança em relação às convicções, é o que se espera dos novos dirigentes para que as expectativas favoráveis quanto aos resultados da ação do novo governo, não se frustrem.

Quanto as criticas da imprensa e de segmentos politicos internacionais que são por demais severos diante das limitações intelectuais do Presidente Bolsonaro e de alguns de seus assessores, ela deve ser vista com cautela pois ela reflete todo o pensamento da oposição politica do País, frustrada e sem rumo na proporção em que seu lider maior esta encarcerado e os limites de manobras para fazer valer suas idéias ficara muito reduzidas e se antever um governo aparelhado para não dar espaços de movimentação do PT e de seus seguidores.

 

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