NOMES, HOMENS, PROPOSTAS E INCERTEZAS!

Muita gente se pergunta o que se pode esperar do governo que ora se forma e como as possíveis escolhas de nomes e homens, propostas por Bolsonaro, podem mudar as expectativas e criar esperanças novas para o futuro do país. Para formatar esse cenário do que pode vir a ocorrer, é fundamental incorporar também as declarações e as opiniões do Presidente eleito sobre temas econômicos, sociais e politico-institucionais. Quando Bolsonaro declara que “bandido bom é bandido morto” ou quando contesta os termos do recente aumento do Judiciário ou do questionável indulto concedido por Temer, o que ele diz, de uma certa forma, vai permitindo desenhar o perfil do seu governo.

A estratégia do Presidente, ao que parece, foi estabelecer duas cabeças de ponte para seu projeto de poder, caracterizadas pela presença, forte e poderosa, de um lado, de Sérgio Moro, sinalizando que o seu grande compromisso seria com o enfrentamento da questão da violência, do crime organizado e da corrupção.  A outra base de seu governo está apoiada no economista Paulo Guedes que definiu as linhas básicas de atuação do novo governo:  rígido controle do gasto público;  diminuição da presença do estado na economia via descentralização e privatização de estatais e, a redução de limitações que restringem o dinamismo e a criatividade da iniciativa privada. Claro está que a articulação, a negociação  e as necessárias composições políticas, serão processadas pelo próprio Presidente com o apoio do deputado Ônix Lorenzonni, sem que eles deixem de buscar contar com o indispensável apoio dos demais membros do ministério.

O processo de negociação política que Bolsonaro buscou e buscará com a sociedade civil, com a mídia e, particularmente com o Congresso, repita-se e enfatize-se, não se restringirá a ele e a Ônix como atores do processo para definir sua orientação! Caberá a todos os seus auxiliares que deverão ter em mente que governar é transigir, compor, negociar e saber o correto “timing” de avançar e recuar no encaminhamento e negociação das idéias e das propostas a serem implementadas. E isto é tarefa de cada um e de todos encarregados de funções e atribuições públicas.

A tarefa de implementar medidas, notadamente aquelas que representem reformas institucionais ou mudanças no papel e na ação do estado, requer, acima de tudo, a capacidade de garantir a adesão e o apoio de parte substancial do Congresso. Parece que, pelo que se sabe, já conta o novo Presidente, com o respaldo de segmentos ponderáveis da sociedade civil. Agora cabe ao novo governo e, parece que Bolsonaro já começa a estabelecer tais conversações, desenhar o tipo de apoio e a sua dimensão no Congresso! O objetivo é garantir apoios significativos dos parlamentares para teses fundamentais de seu governo. E tal não parece ser tarefa muito complicada diante do pensamento dos novos parlamentares que, de acordo com o G1, do sistema Globo, 58% dos novos parlamentares já defendem a idade mínima para aposentadoria; 70% são a favor de tipificar caixa 2 como crime; mais da metade dos deputados é a favor de criminalizar homofobia e a maioria, também, é a favor de privatizar estatais. Ou seja, questões polêmicas a serem enfrentados pelo novo presidente não contam com maioria e intransigência entre os novos congressistas.

Tais dados preliminares mostram um perfil do Congresso, ao que parece, mais antenado com as expectativas da sociedade civil e capaz de gerar ou propiciar um ambiente adequado para que, se o governo for ágil e hábil e encaminhar as reformas mais urgentes e relevantes para discussão e aprovação pelas duas casas,  já nos primeiros seis meses de governo, então Bolsonaro terá indicativos de que seu governo conseguirá fazer as mudanças e promover as transformações que o desenvolvimento do país requer.

Esse processo preparatório de indicar nomes, sugerir  e insinuar propostas para sentir como reage a sociedade civil, seus grupos de pressão e a classe política, bem como perceber as reações da mídia, estão garantindo a Bolsonaro e a seus auxiliares mais diretos a chance de um aprendizado que facilitará a redução das pressões, tensões e atritos típicos de um começo de governo. A parte mais problemática do processo de revisão crítica da arte de governar concebida e aceita  pelos novos liberais serão as tratativas para o desaparelhamento do estado que, após mais de treze anos de petismo, viu incrustarem-se  os seus fiéis seguidores,  nas tetas do estado. E, o processo de substituição de quadros, tende a ser um pouco mais complicado quando os atuais ocupantes buscam se prender aos cargos e posições que ora ocupam, e relutam em  se afastarem deles.

Talvez, para conseguir esse “desideratum” de desaparelhar o estado, tenha sido marcante a escolha e a presença de generais em cargos estratégicos, não com vistas a intimidar os vinculados à esquerda nacional que ora ocupam posições estratégicas, mas estabelecer que o propósito do novo governo é governar com os seus princípios, os seus valores e os seus aliados e seguidores. Quem não concordar com essa linha de pensamento e essa estratégia de tocar o processo vai ser convidado a “desocupar a moita”. A estratégia é, também como faz Bolsonaro, ser cru e direto na proclamação de seus valores, crenças, princípios e idéias. Com certeza, sem concessões a não ser aquelas que as circunstâncias da arte de governar exigem. É uma quase certeza que o governo Bolsonaro não estará disposto a fazer concessões a qualquer segmento representativo dos que sobraram da era petista.

Um outro traço que parece definir o estilo de governar de Bolsonaro é que ele descentraliza, gosta de decisões colegiadas e ouve idéias e propostas dos seus auxiliares mas, independentemente da patente de seus apoiadores, a definição de  estratégias  e alternativas, ele procura não  abrir  mão da competência institucional que lhe cabe. Agora mesmo, acaba de fazer restrições e propor comportamento distinto ao seu companheiro de chapa, o vice-presidente Mourão, numa clara manifestação e demonstração de que, delega e descentraliza mas, não admite  perder o controle e  a autoridade na condução do processo.

Finalmente, para surpresa de muitos, os quadros escolhidos pelo novo presidente, vem chamando a atenção pela qualidade técnica, pelo compromisso público com a causa do Pais e pela capacidade de poder enfrentar qualquer “pente fino” de seriedade e decência. Ademais, afora os comentários de Paulo Guedes, Sergio Moro e Ônix Lorenzoni, os demais membros do governo não se propõem, pelo menos por agora, a externar idéias e posições, a não ser quando estiverem no comando de suas pastas e cargos.  É de se crer que este tipo de atitude e comportamento esteja ajudando a que o Pais não experimente pesadas oscilações no câmbio, na credibilidade das instituições e, até mesmo, dos nomes apresentados como futuros auxiliares, dando a entender que ocorrerá uma transição mansa e pacífica do poder.

 

 

 

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