MAS É CARNAVAL…


O período dito ou chamado momino, é o tempo em que o país formal tira uma folga de seus afazeres e transfere para após quarta-feira de cinzas, as suas urgências, os seus problemas e até o que poderia ser chamado de seus impasses! Se as instituições e seus líderes assim reagem, o povo, como um todo, também esquece os seus dramas e pressões das circunstâncias e da vida e “deixa pra lá” tudo o mais, mergulhando fundo nesse completo abandono que é a festa carnavalesca! Já se tornou assim por tradição e, qualquer analista acabaria por concordar que tal hábito resulta sendo muito importante para a saúde coletiva e individual dos cidadãos.

No entanto para alguns poucos, aqueles  que  vivem angustiados pelo que ocorre e pode vir a ocorrer com o País, a tendência é buscar aproveitar essa oportunidade para debruçar-se sobre o quadro nacional e começar a se perguntar o que poderá comprometer o amanhã do Brasil! Afora essa coisa quase que doentia que ora se denomina  de “politicamente correto”,  que vem limitando a cultura, os hábitos e a convivência entre as pessoas, pelos seus excessos e radicalismos, o que ora se observa é que, o trauma causado pela impiedosa crise pela qual passou o país e, ao que parece, embora já esteja sendo superada, mudou o humor, reduziu o otimismo e, sem se saber porque, tornou os brasileiros mais agressivos e belicosos na convivência das diferenças.

Na verdade, a agressividade tornou-se uma marca maior dos dias que correm engrossando o caldo de violência que domina o Brasil. Não há mais muito espaço para diálogo. As reações contrárias à atitudes e ao comportamento de autoridades e de homens públicos têm sido de uma agressividade não apenas verbal mas até mesmo física, reeditando o justicialismo ou o “fazer justiça com as próprias mãos”! Os episódios recentes que envolveram a Senadora Gleisy Hoffman, o Deputado Aníbal Gomes e o Ministro Gilmar Mendes, só para citar alguns casos, assusta e requer uma atitude crítica da sociedade e um gesto de respeito à ordem e as instituições, por parte do estado.

Não é possível essa agressividade, esse desrespeito e essa violência praticada por cidadãos comuns, por maior que seja a sua indignação e sua revolta com desmandos e atitudes pouco republicanas de alguns bem como por maior que seja a sua descrença nas instituições. Se a representação política não presta, que se mude os seus membros. Se o Judiciário comete deslizes, que sejam feitas campanhas para que ele assuma os seus erros e que o Conselho Nacional de Justiça venha a tomar uma atitude contra tais abusos e desregramentos. Se isto não for suficiente que sejam mudados critérios de escolha de seus membros e se estabeleçam mecanismos de punição de seus erros mais severas. Que se façam protestos de rua, manifestações de desagrado e que se exteriorize a insatisfação contra pessoas e instituições, mas sem agressões pessoais morais, verbais e físicas pois isto seria aceitar a prevalência de um estado anárquico sobre o estado democrático de direito.

Se isto merece uma reflexão crítica maior, as questões relativas a reforma política já iniciada mas ainda limitada; a reforma do estado reduzindo o seu centralismo, a sua ineficiência, a sua ilegitimidade; a redefinição dos parâmetros da ação da justiça, os limites da ação investigatória do Ministério Público e o fim desses abusos injustificáveis como essas coisas ridículas como o auxílio moradia e outros penduricalhos adicionais, já ajudam a melhorar a credibilidade da instituição.

No mais que se pratique uma política economica que se marque pela busca permanente da estabilidade e da criação de um ambiente propício para que prospere a iniciativa e a criatividade sem se perder em discussões estéreis relacionadas a nacionalismos ultrapassados, esquerdismos vencidos e teses que não se sustentam num mundo marcado pela cooperação, pela integração, pela complementariedade e pela globalização!

É isto que todos os brasileiros desejam e se creem no direito de usufruírem daquilo que a modernidade pode prover. Dos governos o que se quer é que não promovam e ampliem as desigualdades sociais; que não garantam privilégios e vantagens improprias a quem quer que seja; que não limite os espaços à iniciativa privada; que priorize a sua ação maior que é garantir a plena operação do estado democrático de direito e que uma segurança pública, subordinada a uma inteligente política de enfrentamento da violência, seja o ponto alto de sua ação.

É claro que existem outras questões e desafios a serem discutidos e enfrentados mas essas duas questões são basilares para garantir o ir e vir dos cidadãos e permitir que eles busquem a sobrevivência condigna e a sua felicidade!

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