O MESMO DO NADA!

Com um pouco mais de 120 dias o governo Bolsonaro na avaliação de uma mídia pouco simpática a Bolsonaro, por razões aparentemente justificáveis, quase que procura, apenas, em duas grandes linhas de atuação,  definir o perfil político-ideológico do governo. E que linhas seriam estas? A primeira, uma pouco  entusiasta e,  aparentemente relativamente bem vista busca de austeridade nos gastos públicos  e, a segunda, uma opção preferencial por afastar qualquer dirigente ou grupo com viés de esquerda, das opções de poder!

Essa parece ser os dois pontos que fangsm um pouco de respaldo da mídia. Não obstante essas ponderações, na verdade, o que se observa, de maneira fria e sem “part pris”, é que o Presidente Bolsonaro não tem, em primeiro lugar, a chamada perspectiva do estadista, capaz de vislumbrar alternativas e caminhos para as transformações da sociedade. Em segundo lugar, por ser uma figura quase tosca, não  é  capaz de vislumbrar uma noção estratégica sobre os problemas, questões e prioridades  nacionais mais urgentes. As suas propostas e as suas avaliações de quadros e de perspectivas, diante de suas características particulares e especiais, levam o Presidente e os seus  principais assessores — os filhos e o exótico e singular Olavo de Carvalho! — a elaborarem ideias e soluções muito rasteiras e muito pobres para questões, no mais das vezes, deveras complexas. Ademais, o assessoramento prestado pelos mesmos  carece de embasamento técnico-político bem como se sustenta numa visão estreita, limitada e precária claro que isto decorrente da própria dimensão de suas formações políticas e intelectuais. Por serem as pessoas mais próximas e mais confiáveis diante dos vínculos de lealdade os mais estreitos possíveis, isto, como que justificaria, para o Presidente, esta sua opção! Mas, tudo isto não justifica que os mesmos cometam erros imperdoáveis quando se trata das conversações, negociações e busca de entendimentos com parceiros ou adversários no processo político-administrativo  do País.

Talvez a impiedosa avaliação que a mídia vem, sistematicamente fazendo do seu governo e de suas propostas de ação, decorram do fato de Bolsonaro manifestar-se, sistematicamente, em divergência e, até mesmo em confronto,  com veículos como  a Rede Globo e como a Folha de São Paulo. Na verdade o fato do Presidente   ter mandado cortar parcela substancial de verbas publicitárias como um todo e, até o momento, não ter demonstrado qualquer interesse em estabelecer um entendimento educado e equilibrado com tais veículos, acirra o desentendimento e dificulta o diálogo.

O cenarista tem estado ausente do processo de discussão e avaliação das ações do governo Bolsonaro pois o tempo do novo governo ainda é por demais limitado para uma apreciação séria e isenta das iniciativas e providências tomadas. Ademais, diante da situação de  enormes dificuldades  do quadro político-institucional e econômico-social herdado pelo novo governo, não seria justo e próprio cobrar resultados significativos em menos de seis meses de atuação. Ou seja, o Presidente assumiu um país “desmantelado” em todas as suas dimensões e com vícios e distorções a serem corrigidos o mais rápido possível. E as medidas corretivas propostas ou ainda, no campo da especulação, promovem uma reação pesada daqueles que se beneficiavam e se beneficiam de determinados privilégios concedidos pelo estado.

Claro que, o cenário não é muito favorável ao Presidente pois as medidas de austeridade adotadas; os cortes de gastos em vários setores; a crise em que se encontra mergulhada a economia; a radical disposição de desaparelhar o estado de grupos ligados a esquerda, ao petismo e ao lulismo e o manifesto desapreço do Presidente para com o sistema Globo de TV e a Folha de São Paulo, são alguns dos ingredientes que alimentam uma manifesta insatisfação da mídia para com o atual governo.

Como as coisas andarão daqui para frente, só o tempo dirá. O sentimento que se tem é que o governo sofre da sua pobreza de espírito, da pobre vivência política do Presidente e de seu entorno e da falta de visão estratégica do que é administrar pressões, conflitos e interesse de um país dessas dimensões! Enquanto isto o País experimenta uma paralisia econômica, uma pobreza de debates sobre os seus principais problemas e uma certa angústia sobre como andará o amanhã desta nação outrora crente e otimista!

 

 

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