PARA ONDE SE CAMINHA OU PARA ONDE SE É EMPURRADO?

Alguns fatos e circunstâncias atuais do País  exibem um panorama que não estimula a qualquer analista da cena política, intentar antecipar para quais destinos possíveis o país está sendo conduzido. Ou melhor, pode ser que. na verdade, por inexistir uma ou algumas  lideranças expressivas que intentem balizar os caminhos que o País deva ou precise seguir, viva-se uma espécie de era da incerteza e da insegurança. Não é que se pretendesse que o País houvesse mobilizado os seus talentos e, esses mesmos talentos, agregando espírito  público, houvesse produzido os lineamentos que viriam a balizar as políticas públicas com o fito de fazê-las operar as transformações estruturais e o dinamismo econômico requerido pela etapa que vive o País.

Na verdade, esse requinte de expectativas não se coadunaria com uma visão sóbria, ponderada e equilibrada de qualquer analista diante desse momento em que está mergulhado o Brasil. Isto porque, não apenas o seu inefável e imprevisivel Presidente que, segundo a formação do cidadão brasileiro, não atende e não corresponde a visão e o comportamento da sociedade brasileira. Isto porque, por vicio histórico, os brasileiros sempre estão à espera de uma espécie de “Salvador da Pátria”, num sebastianismo que os novos tempos não admitem. A falta de qualquer liderança expressiva, em qualquer segmento da vida nacional, que produza uma ideia, um projeto ou uma proposta objetiva e consistente para atender os problemas e demandas nacionais, representa uma triste realidade.

Para que melhor sejam avaliadas as perspectivas do quadro nacional, é fundamental que se visualize o que ocorre com a atividade produtiva nacional e com o comportamento de seus agentes. O crescimento do PIB esperado para este ano, a partir do que ocorreu com a economia nesse primeiro semestre, crescimento este estimado, ao final do ano passado, em 2,63%, representando uma elevação em relação aos últimos anos e, consequentemente, uma razoável redução nos inquietantes níveis de desemprego, frustrou-se e, no máximo, deverá expandir-se a algo em torno de 0,6 a 0,8%! E o desemprego continuará no entorno do que se sente hoje em dia, ou seja, algo por volta de 12,3 milhões de cidadãos!

É importante lembrar que, na luta pela sobrevivência, a informalidade vem crescendo de maneira perigosa, como uma forma de redução do pesado impacto que a crise está a promover sobre a renda das famílias como um todo. Também, o que ainda mais preocupa é o fato de que tais indicadores de redução ou de encolhimento da atividade produtiva, gere um ambiente de desânimo, de desinteresse e de temores por parte dos agentes produtivos que estão a postergar seus planos de investimentos embora em situação menos dramática do que aqueles que tiveram que fechar os seus próprios negócios.

O governo tem anunciado medidas de restrição de gastos públicos e algumas providências ou apontando fatos que poderão melhorar o ambiente econômico e que, segundo o mesmo governo, tais possíveis ações viriam a reverter as expectativas e criar perspectivas menos negativas para as atividades produtivas. Procura o Executivo demonstrar que os indicadores do primeiro semestre, em relação a alguns agregados como endividamento global e do setor público, além da inflação,  tem se colocado abaixo da meta do Banco Central. Ademais, a privatização de algumas estatais e a venda de ativos, como por exemplo, da Petrobras e de outras estatais, além de  “fatos novos”, como a recente assinatura do acordo de cooperação Mercosul/União Europeia, seriam suficientes para afastar o fantasma da recessão e abrir novas perspectivas econômico-sociais para o País.

O fato objetivo é que os resultados de tais iniciativas ou eventos em favor da economia, só deverão ocorrer nos próximos anos e não de forma imediata como se esperaria e precisaria enquanto a inquietação e a angústia  além das dúvidas e incertezas de empregados e empregadores sobre o que fazer, pressionam e criam esse universo em desencanto que é a cena brasileira. Buscando diminuir o pessimismo é o desânimo que toma conta dos brasileiros, o governo afirma que,s se as reformas institucionais forem aprovadas, então o País voltará a ser o grande espaço para a ação de investidores quer nacionais quer internacionais.  Agora, a área de comunicação do governo está tentando transformar a reforma da previdência numa espécie de um condão ou uma espécie de tábua de salvação para o País.

Ledo engano! Que tal reforma e outras básicas requeridas pelo processo de modernização e expansão da economia nacional são cruciais e urgentes, disso não há a menor dúvida. Porém há que se ter consciência de que, além de não serem aprovadas nas dimensões requeridas diante das concessões feitas em face das pressões dos grupos organizados, os chamados  “grupos de pressão”, o chamado “time lag” entre a sua aprovação e a geração de seus resultados, não é algo que ocorra de imedito. Assim vive o Brasil uma situação deveras complicada pois são poucos os graus de liberdade existentes para permitir que o entusiasmo e o ânimo renasçam e façam florescer esperanças consequentes  para a economia e para a sociedade brasileira. Talvez essa avaliação pessimista não ajude em nada na busca de revisão de tais expectativas. Talvez o concluir que, o quadro não sendo nada bom, não há com acreditar nas possibilidades de sua reversão apenas com a fé e com a liberação de 100 bilhões de reais do Compulsório anunciados, pelo Ministro Paulo Guedes, para irrigar um pouco a demanda.

Espera-se, no entanto, que mais de medidas anti-cíclicas ou medidas destinadas a abrir espaços para novos negócios e ingresso de uma avalanche de capitais internacionais sejam adotadas. A China parece ávida por oportunidades de negócios em países como o Brasil, tanto a partir de investimento em infra-estrutura física como na área  urbana, embora os obstáculos burocráticos a dificultar as decisões de investimento dos possíveis  grupos interessados, ainda são muito grandes. O certo é que uma ação consistente na área da abertura da economia, desburocratizacão do estado, recriação da federação com a adoção de um significativo grupo de medidas dêscentralizadoras e adoção de medidas práticas de liberalização do sistema produtivo, seja o caminho mais adequado para reverter o quadro. Porém tais medidas providęncias teriam que ocorrer o mais rápido possível pois, do contrário, criar-se-á um ambiente mais do que propício  para  o aumento das tensões e agravamento do crítico quadro social que, hoje, já se experimente e se vive. Oxalá haja a compreensão de alguns líderes políticos nacionais  e a sensibilidade do Congresso para que compreendamque cabe a ele, Congresso, ajudar e não atrapalhar o processo!

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