Sarney: o outono do patriarca.

Sarney vive o crepúsculo outonal de sua carreira. É o coronel em seu labirinto.

Não interessa examinar o seu itinerário, sequer as suas ações e nem seus erros e acertos.

O que interessa avaliar é o nível de empobrecimento e desmoralização das instituições e a deterioração dos valores éticos e morais na política.

Diante dos horrores da guerra civil espanhola, num desabafo magoado e ressentido diante de tanta violência contra a dignidade humana, Miguel de Unamuno, o famoso escritor espanhol lamentava: “Me duele España!

Hoje, diante da leviandade, da hipocrisia e do descaso com os valores éticos e morais máxime promovidos pela classe política e pela dita elite dirigente do Brasil, o que tem reduzido, em muito, a credibilidade das instituições do país, só resta aos brasileiros de boa-fé parafrasear Unamuno e dizer: me duele o Brasil! E rezar para que, um dia, um punhado de cidadãos de boa vontade resolvam passar o país a limpo, renovar e modernizar as instituições e recuperar o sonho e a esperança para as novas gerações.

Porque a crise é mais séria do que se pensa e não se restringe a pessoas ou ao Senado, em particular. A crise é das instituições do país. Qual dos poderes não está contaminado por práticas aéticas, ilícitas e amorais? Como se coloca a imprensa nesse processo? E a Justiça? E como se pode aceitar a leniência do Presidente diante dos mensaleiros, cuequeiros, sanguessugas e outros eiros, bem como sua condescendência para com os desvios de conduta de políticos, apenas no afã de tê-los reféns de seus interesses?

Parece que Deus é mesmo brasileiro pois, diante de toda a crise institucional, de tantos erros na condução das políticas públicas e das limitações impostas pela capacidade gerencial do Governo Federal, a economia vai bem e sai da crise mundial até mais fortalecida.

Enquanto não forem promovidas as reformas institucionais do país, máxime a reforma político-eleitoral, dificilmente conseguirá a nação estabelecer um projeto de sociedade que recrie a esperança consequente para milhões de cidadãos hoje com medo e sem esperança. Na verdade, a crise do Senado, caso não haja um processo menos autofágico, poderá levar a dificuldades seríssimas, não apenas para a chamada governabilidade como também para que tenha o país eleições menos confusas e os efeitos da crise institucional seja menos traumático para a sociedade brasileira.