Scenarium de 01/08/08

Que país é este?

Entre 400 mil e um milhão de grampos telefônicos estão invadindo a privacidade do cidadão. O que é mais importante não é o grampo em si que deveria ser o último recurso de uma investigação, mas é o que a Polícia Federal e o Ministério Público editam e interpretam dos diálogos. Na mídia, isenção e imparcialidade são artigos em falta. Leniência diante da invasão de privacidade, a aceitação da transformação da citação ou do indiciamento em sentença condenatória, são as marcas atuais da imprensa brasileira. Da parte do Executivo, restrições à liberdade de expressão estabelecendo regras e limites para os textos da propaganda, para a forma e para os horários de veiculação marcam a postura do Estado Brasileiro. Além disso, também a proposta de projeto de lei para censurar a internet impede a livre circulação de idéias e é uma agressão à liberdade de pensar dos cidadãos.

Está o país subordinado a uma visão dos atuais dirigentes que é a de uma democracia monitorada. Aqui se prende, se algema, se espetaculariza e somente depois se pergunta, se questiona, se investiga e se estabelece culpa.

No Brasil juiz não fala apenas nos autos do processo, mas até antecipa a sua possível sentença pela imprensa.

É urgente, mais que urgente, uma lei contra o abuso de autoridade e a leviandade midiática.

Suponha que no caso Eike Batista, se comprovada sua inocência, o Estado irá reparar os danos causados com a perda de 10 bilhões de reais de patrimônio no mercado acionário?

 

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Doha a quem Doha

Para alguns, as negociações de Doha têm sido marcadas por uma postura ideológica dos dirigentes nacionais quando excluem o Ministro da Agricultura, o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e levam, na comitiva, o Ministro do Desenvolvimento Agrário, o representante do MST e outros que tais. E pior. Mandam a conta para o agronegócio e para a indústria.

Não obstante tal falha e os desdobramentos negativos das relações do Brasil com o G-20 e com a Argentina, o fundamental é que se consiga começar a negociar. Isto já seria um ponto positivo. Parece que a expectativa foi para o brejo. Erros de várias naturezas foram cometidos pelos atores. “It’s a pitty!”

Imagine se se tivesse tido esta mesma preocupação estratégica quando se negociou a participação do Brasil no Nafta, talvez tivéssemos tido significativos ganhos e até, quem sabe, fortalecido o Mercosul. Mas, o que fazer? Não adianta lamentar. O país e os gestores que temos são esses aí!

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MST, o justiceiro!

A leniência e, até mesmo, a conivência do Governo com os movimentos sociais na sua ensandecida marcha de desrespeito ao Estado de Direito, leva a que o MST invada uma fazenda produtiva do grupo Opportunity, no Pará, sob o argumento de que “a fazenda tinha sido montada e estruturada com recursos desviados do setor público”! Assim não é possível!

Aliás, muita coisa já não desce goela abaixo para cidadãos sérios neste país. Saber que, nos últimos anos 53% das greves foram do setor público e que anualmente o MST estabelece o chamado Abril Vermelho com invasões de propriedades produtivas, prédios públicos, estações de pesquisas, interditam ferrovias, etc. sob a complacência e até mesmo o estímulo do Governo Central.

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Advertir não custa nada.

A questão da Previdência volta à tona. Pela mudança que já se observou no perfil demográfico do país diante da taxa de fertilidade de 1,8 filhos por família e a elevação da esperança de vida do brasileiro para quase 80 anos, não dá para agüentar o limite de aposentadoria de 57 anos para homens e 52 anos para mulheres. Notadamente quando as mulheres já representam 46% do mercado de trabalho e vivem mais que os homens. Ou se aumenta o tempo de contribuição e se revêem as aposentadorias do setor público ou a Previdência quebra antes do estimado!

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Gestão Pública

Toda a crise no setor público brasileiro apresenta um componente de maior peso para a sua explicação. É o problema da limitação e da precariedade de seus gestores. E isto não decorre apenas do fato de serem as indicações de natureza político-partidárias.

A razão maior para tanto é que, além da administração pública não ser profissionalizada, os gestores não apresentam as características essenciais para o exercício do mando.

Falta aos gestores não apenas o espírito de liderança bem como outros atributos essenciais. Visão estratégica, capacidade para administrar conflitos, propensão a assumir riscos e competência para visualizar o processo decisório na sua inteireza, são algumas das limitações.

Apesar disso, por não existir uma política de prêmios e recompensas aos bons gestores e por causa de uma série de entes que infernizam, limitam e cerceiam a imaginação e a criatividade de tais gestores (TCU, CGU, Ministério Público, Auditoria Interna, Controle Interno, etc.) além da mídia investigativa, tudo isto afasta os bons profissionais do setor público. E o que sobra é o que hoje transfere ineficiência ao setor privado. É uma pena!

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