Scenarium de 30/01/09

Pitonisa, não! Cenarista, sim!

Quando este Scenarium, em outubro passado, afirmava com muita convicção de que Sarney seria Presidente do Senado, muitos consideravam uma “tonteria” tal assertiva. E o próprio Sarney alardeava, aos quatro cantos, que não aceitaria sob hipótese alguma tal incumbência. Não só por ser quase octogenário como em decorrência de razões familiares e pessoais. Na verdade, àquela época, Sarney já pensava com os seus botões que poderia até vir a aceitar o sacrifício pelo país e pelo seu partido, desde que fosse ungido ao cargo sem ter que disputá-lo.

Já em dezembro último, diante das intensas e eficazes articulações e negociações levadas a efeito pelo Senador Renan Calheiros, Sarney já se propunha a discutir a questão, mas para poder tomar uma decisão sobre o assunto, aceitou a idéia de Renan de deixar alguém ocupando, temporariamente, a “moita” para que Tião Viana não avançasse na arrecadação de apoios e votos. E foi aí que surgiu a candidatura Garibaldi, amparada em pareceres jurídicos que, sujeitos a controvérsias, indicavam que ele poderia ser candidato, pois tal candidatura não seria uma reeleição.

A grande questão que levou Sarney a disputar a Presidência foi, não só o estímulo do Presidente da República, pois para Lula Sarney seria um parceiro equilibrado, ponderado e sem projetos pessoais de poder, que conduziria a sucessão presidencial sem causar-lhe qualquer espécie de problema ou constrangimento pessoal. Ademais, teria alguém, com força dentro do PMDB, para impedir que se entregasse o partido, de mão beijada, a José Serra.

Portanto, a eleição de Sarney não seria apenas o “ultimo canto do cisne”, mas alguém que recobraria forças para, junto com Renan, ousar, inclusive, tomar o partido do G-8 da Câmara – Michel Temer, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves, Eliseu Padilha, Fernando Diniz, Eunício Oliveira, Eduardo Cunha e Moreira Franco que, ao produzirem o ”apartheid” entre a Câmara e o Senado, assumiram, quase que de forma definitiva, o partido, excluindo, de vez, qualquer influência dos senadores.

Agora Sarney e Renan, querem o partido. E o que farão, para tanto? Torcerão, trabalharão e estimularão até mesmo as traições a Michel Temer, porquanto não interessa a tal grupo como também não interessa ao PT, entregar a Temer a Presidência da Câmara, a Vice-Presidência da Republica, o partido e, se um infausto acontecimento ocorrer – o passamento do Vice José Alencar – a chance de, na hipótese de Lula ser candidato a Câmara ou ao Senado, entregar, por oito meses, a presidência da Republica a Michel. E, em face do acordo

do PMDB em São Paulo, pavimentar o caminho para a eleição de José Serra.

Portanto, Temer, diante do que ocorrer no Senado, do que quer o PT em termos de sucessão e dos arranjos já feitos em favor de Serra, pode ir para o sacrifício.

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E o PAC, continua empacado.

Lula pede investimentos aos governadores, diz a manchete. Ora, se o governo quer reduzir o impacto da crise, deve por dinheiro na mão do povo, literalmente como estão fazendo os Estados Unidos e o Japão. E como fazer isto? Aumentando os beneficiários da bolsa família? Sim, mas o impacto maior seria se se garantisse a isenção parcial de tributos da cesta básica e a isenção para as famílias de baixa renda dos tributos sobre os serviços industriais de utilidade pública (água, energia elétrica, esgoto, telecomunicações) incluindo-se também os tributos estaduais.

Aí sim, valeria à pena chamar os governadores que aderissem à proposta e dizer a eles: todos os projetos de infra-estrutura que vocês tiverem já licitados e com licença ambiental aprovada, apresentem-me que a União bancará 75% do valor a ser investido. Isto feito, além de um amplo programa de requalificação de trabalhadores ora demitidos, daria uma grande aliviada na crise. Se se juntar a isso algumas providências na área de estimulo ao crédito e redução do spread bancário, aí a coisa anda.

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Põe confusão nisto!

O Governo Lula é prenhe de desencontros. Não só o próprio presidente faz as suas diatribes como o seu ministério vive as turras e aos encontrões. É Tarso Genro criando embaraços nacionais e internacionais e disputando poder com Dilma; é Stephanes brigando com o Minc; é Miguel Jorge brigando com o mercado; é Mantega tendo crise de ciúmes com Meirelles e é Marco Aurélio Garcia atravessando o samba do Itamaraty.

Assim é difícil governar. Talvez se Lula tivesse imitado JK com a criação de grupos de trabalho teria superado o problema da burocracia e de outros impedimentos para que seus grandes projetos se concretizassem.

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A famigerada Praça da Soberania.

Niemeyer quer poluir a Esplanada dos Ministérios colocando, entre a Rodoviária e a Praça dos Três Poderes, a sua Praça da Soberania com um unicórnio de cem metros de altura. O IPHAN e a UNESCO já se posicionaram contrários, pelo menos, quanto à localização do trambolho. Por que não situá-lo no Bosque da Constituinte, atrás da Praça dos Três Poderes para não quebrar a estética da Esplanada? Niemeyer diz que não abre mão e vai ser do jeito que ele quer.

Engraçado é que, se não me engano, o projeto urbanístico de Brasília não é dele e sim de Lucio Costa, cuja filha já se manifestou contrária a proposição do grande mestre.

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