Scenarium de 04/02/09

Sarney Repaginado

A eleição de Sarney, para este Scenarium, eram favas contadas desde quando ele declarava que não seria candidato, sob hipótese alguma.

Para o país, entregar a transição de governo a dois homens com a experiência, a maturidade, o equilíbrio e a ponderação de Sarney e Temer, foi a preocupação maior de Lula.

E, mais ainda para os projetos petistas, o equilíbrio entre Sarney, anti-Serra, e Michel, pró-Serra, leva que a “noiva” PMDB, não vai se entregar assim sem impor condicionamentos e exigências as mais relevantes e ponderáveis.

Sarney fez um discurso duro. Duro e necessário pois que, a maturidade de alguns senadores, levou a críticas, insinuações e suposições sobre a sua história e postura que não correspondiam ao itinerário do velho morimbixaba do Maranhão.

Na verdade, 50 anos de Parlamento sem nunca ter sido acusado de nada quanto ao seu comportamento ético e moral, é um galardão que ninguém teve e ninguém tem. Acusá-lo de retrógrado e de atrasado, bastaria lembrar que foi José Sarney que derrubou a oligarquia Vitorino Freire no Maranhão; o papel político na UDN Bossa Nova e a excepcional forma como conduziu a transição do Brasil do Estado Autoritário para o regime democrático.

Ao responder a insinuação de “forças conservadoras e viciadas da política”, definiu que o espírito público não envelhece e este Scenarium acrescenta: o sonho não morre.

Para Sarney é o último canto do cisne mas com o sabor de alguém que quer encerrar a sua carreira política com uma contribuição significativa para manter a altivez nas relações com o Executivo; promover as reformas institucionais; recuperar o respeito do povo pelo Parlamento e fazer história mais uma vez. “Velho mas não retrógrado”, lembrava a firmeza com que Roberto Bobbio, aos 90 anos, defendia suas idéias e convicções.

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2010 já chegou.

Diferentemente do que os líderes partidários afirmavam de que essa eleição da Casa nada tinha a ver com a sucessão presidencial, todo mundo sabe que 2010 já chegou. Tal afirmação parece, de tão falsa, igual aquela de afirmar que o PMDB terá candidato próprio à Presidência.

Na verdade o DNA do PMDB é para ser “noiva”, dada a heterogeneidade de suas lideranças estaduais o que o faz uma federação de partidos.

Assim, nem o PMDB prega candidatura própria; nem os acordos estaduais permitem a definição de um projeto nacional e nem alguém como Aécio Neves ousaria ser candidato pelo partido temendo ser cristianizado.

O que vai definir o sucesso dos possíveis candidatos a Presidência será o “estrago” provocado pela crise que, pelas últimas informações, será de proporção bastante significativa.

Já há economistas que afirmam que a economia já está em recessão. A queda do produto industrial do mês de 14,7% em dezembro; o “fechamento” de mais de 670 mil postos de trabalho também no mesmo mês; o desempenho dramaticamente negativo da balança comercial; a redução de mais de 60 bilhões só de investimentos privados; a escassez do crédito, entre outras limitações, tudo mostra um quadro deveras preocupante.

Mas alguém há de perguntar: por que a crise não abala a popularidade de Lula que continua a bater recordes? Porque as pessoas simples ainda não sentiram a dimensão da mesma e porque Lula, como um mito, transfere as causas do problema para o exterior, para as elites e para a burocracia.

Mas que a crise se não chegar em Lula afetará muito, o seu partido e os seus candidatos.

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Bolsa-Vaselina

Chocante para os costumes e para o conservadorismo brasileiro a aquisição de milhões de potes de vaselina, pelo Ministério da Saúde, para distribuir entre aqueles adeptos a relações sexuais anais.

Como o país é o país da piada pronta, a tal decisão do Ministério se junta aquela de distribuição de 500 mil camisinhas às pessoas que participaram do Fórum Social Mundial em Belém. A pergunta que fica no ar é se a reunião era fórum ou ….?

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