Scenarium de 13/02/09

A CRISE NÃO SURPREENDE

De há muito se diz que da crise não se sabe a sua extensão, quão profunda ela será e por quanto tempo perdurará. Cada dia mais esqueletos saem do armário do sistema financeiro mundial numa profusão de prejuízos e crises em cadeia. Se um economista conseguisse propor ou tivesse o condão de adivinhar ou identificar quais as políticas mais adequadas para o enfrentamento da crise sistêmica mundial, provavelmente ele se tornaria Prêmio Nobel de Economia. Portanto, não se sabe muito de uma crise que, aparentemente, parece mostrar algum alivio e, logo, logo, surgem novos problemas.

Quatro coisas são sugeridas e já se tornaram lugar comum como receituário de enfrentamento do problema:

  1. As ações devem ser articuladas e compreenderem o chamado G-20 e não apenas o G-8 para que se tenha uma ação mais compreensiva e integrada capaz de assegurar maior eficácia na busca do saneamento do sistema bancário e financeiro. Também nas políticas de investimentos e de gastos públicos bem como nas ações no mercado exportador e importador e as tentativas de medidas regulatórias, devem ser previamente acordado a nível mundial;
  2. Uma política compreensiva de aumento dos investimentos;
  3. Desoneração fiscal para pessoas, empresas – notadamente as pequenas – e para o crédito;
  4. Medidas compensatórias como aumento do prazo para seguro desemprego, redução de encargos de dividas pessoais, requalificação de pessoal desempregado, etc.

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E AQUI NO BRASIL, O QUE FAZEMOS PARA ESPANTAR A CRISE?

Embora inexista uma proposta consistente, coerente e objetiva de medidas para o enfrentamento da crise, algumas medidas soltas, estão sendo tomadas, tais como:

  1. As medidas do Banco Central com o objetivo de irrigar o crédito pela redução do compulsório dos bancos, pelo socorro aos bancos médios e pequenos e pela abertura de linha de crédito para a rolagem das dívidas e dos créditos de empresas brasileiras no exterior;
  2. As medidas bem intencionadas do PAC que, em função de problemas de gestão, de problemas burocráticos, de pressão inusitada dos órgãos de fiscalização e de controle e do IBAMA, tem enorme dificuldade de andar e de gerar resultados;
  3. As desonerações fiscais que, feitas pontualmente, tenderão a gerar mais distorções distributivas do que resultados objetivos. Uma redução dos impostos da cesta básica e dos serviços industriais de utilidade pública além de redução de encargos sociais sobre as folhas de pagamento das empresas e a desoneração tributária do crédito poderiam ter melhor alcance;
  4. Lentidão no processo decisório do governo. Vide caso dos incentivos para troca de geladeiras onde a decisão ocorreu faz mais de três meses e a possibilidade de realização do processo será em seis meses e para apenas 150 mil geladeiras!
  5. Os estímulos à indústria automobilística já alcançam alguns resultados e a abertura de R$ 200 milhões em linhas de crédito com recursos do FAT para a compra de carros usados deve aquecer ainda mais o mercado;
  6. Os incentivos à construção civil também já conseguem alguns resultados mas poderiam ser bem mais dinâmicos e permitir reduzir o impacto sobre o emprego, notadamente para os trabalhadores sem qualificação profissional;
  7. O aumento do prazo para o seguro-desemprego;
  8. Redução das taxas de juros na ponta. Até agora, nada ocorreu, a não ser a promessa do Presidente Lula de baixar os spreads dos bancos oficiais;
  9. Aumento, em mais 100 bilhões das aplicações do BNDES que, até agora não mostrou como as pequenas e médias empresas serão beneficiadas;
  10. Programas de bolsas de qualificação para desempregados que poderia ser mais ousado e eficiente.

Na verdade o conjunto de ações não reflete um programa coordenado, coerente e consistente e nem indica para onde o país caminhará. É rezar e esperar para ver.

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REFORMA POLÍTICA: PARA ONDE VAI?

O Governo mandou para o Congresso uma proposta de reforma política, montada a partir de sete idéias básicas que, fatiadas, conseguem, no máximo, garantir que as coisas mudarão para ficarem do mesmo jeito. Assim, a proposta irrita bastante os pequenos partidos – vide a chiadeira de Ciro Gomes! – e provocarão uma maior concentração de poder dentro das agremiações partidárias com as tais listas fechadas, fazendo com que quem não é da “patota” dos “donos” das Executivas Estaduais partidárias poderão ficar totalmente alijados do processo eleitoral. Marginalizarão os eleitores, pois as escolhas serão da legenda e não julgamento em torno das pessoas. Com isso, se os partidos hoje não têm linha doutrinaria ou ideológica, não têm sequer linha programática, como votará o eleitor? Será usado mais ainda se for aprovado o financiamento público de campanha onde a plutocracia e a máquina partidária definirão a vontade do cidadão.

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OBAMA E AS COBRANÇAS

Alguns já o criticam dizendo que ele “perdeu a virgindade” quando indicou nomes com “culpa no cartório”. Outros se dizem frustrados, pois ele não conseguiu impor um “ippon” sobre a crise econômica mundial. Até agora não produziu políticas claras com relação ao Iraque, a Faixa de Gaza e ao Afeganistão, o que decepcionaria a muitos. Tudo isto é lorota, pois ninguém pode mudar o mundo em sete dias, a não ser Ele, inclusive só para os que acreditam.

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SUCESSÃO PRESIDENCIAL JÁ NAS RUAS

Lula não quer nem saber de legislação eleitoral. Desfila com sua candidata a tiracolo, para cima e para baixo, usa a máquina, a estrutura e o peso do governo para aliciar apoios e a oposição que chie e entre em parafuso. Serra trabalha, arduamente, na articulação política e na arregimentação de meios e, Aécinho, angustiado, tenta se achegar aos lideres do PMDB para, aliada às pedidas prévias no seu partido, conseguir o apoio da legenda para a sua empreitada. Mas, o PMDB, quem disse que tem vocação para tal desideratum? Basta lembrar das campanhas de Ulysses e Quércia para saber que o PMDB “tem os encantos da lua, a todos pertence mas não é de ninguém”.

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