Scenarium de 22/05/09

QUE SE LIXE A OPINIÃO PÚBLICA E O PAÍS!

Pelo que se assiste da atitude dos partidos políticos, de lideranças congressuais expressivas e da própria ação de parte do governo, parece que todos estão se lixando para a opinião pública e para o país.  O PMDB protagoniza, como era previsível, um espetáculo que não dignifica a história do partido e dos seus protohomens. De um lado, luta desesperadamente, não pela CPI da Petrobrás, mas pela capacidade que terá de auferir benefícios em termos de cargos e posições e controle de nacos mais gordos dentro do poder. Também, busca, na base do “ou dá ou desce”, reverter as medidas saneadoras na Infraero, garantindo empregos de parentes, amigos e outras benesses ou, se o Ministro Jobim insistir na “limpeza”, a própria cabeça do ministro! Por outro lado, a bancada ruralista pretende reduzir, substancialmente, as áreas de preservação ambiental, através de legar aos estados a competência para estabelecer os limites preserváveis às margens de estradas e rios, numa perigosa manobra que pode criar sérios problemas ambientais para as gerações futuras.

Agora o próprio líder do PMDB na Câmara diz que é preciso correr com a emenda propondo o terceiro mandato para Lula. Com isto já define um réquiem para Dilma e já se preparando para ampliar mais e mais, a conquista de poder dentro do governo. Não apenas a Diretoria de Pré-sal na Petrobrás, mas uma série de avanços na estrutura do estado brasileiro. Tal atitude causou indignação de figuras do PMDB como Pedro Simon.

Por outro lado, o governo tem se mostrado leniente no que diz respeito a crise econômica e os seus efeitos sobre o país a ponto do Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, alertar para o fato de que a crise não passou e, caso o país não seja cauteloso e alerta, os seus efeitos poderão ser bem mais adversos do que a redução do crescimento para um por cento este ano e a recuperação quase completa em 2010.

Para tanto, adverte, sobre o que ocorre com a frouxidão em relação a responsabilidade fiscal, com a lentidão das obras do PAC e com a elevação dos déficits da Previdência.

E enquanto tudo isto ocorre, insistem os políticos brasileiros na tese de que a memória do povo é fraca e, que daqui até as eleições, os escândalos estarão esquecidos, a esperteza será premiada e tudo ficará como “dantes no quartel de Abrantes”.

E para corroborar tal tese, não se fala mais em reforma política mas tão somente em remendos de como ampliar o prazo para operar a janela da infidelidade, permitindo que se possa mudar de partido seis meses antes do pleito. E a pantomima da reforma política continuará a ser uma proposta talvez agora, a ser alcançada através de “uma constituinte exclusiva” em 2011.

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E O CADASTRO POSITIVO?

Desfiguraram de tal modo a proposta de cadastro positivo que, se o Senado não repuser as coisas no seu devido lugar, o que seria até mais lógico ou mesmo engavetá-lo, os consumidores não serão beneficiados, o spread bancário não será diminuído e, talvez, o que sobrará  venha a ser a capacidade de algumas lideranças de apresentarem uma bela fatura a bancos, cartórios, etc. O tal cadastro positivo não será positivo em praticamente nada. As alterações na legislação deveriam ser para melhorar as leis e não para piorá-las.

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O ITAMARATY EM PALPOS DE ARANHA

Diante do suposto fiasco, segundo alguns analistas, da viagem do Presidente Lula a China, a responsabilidade recai sobre o Itamaraty.

Para muitos, o Itamaraty não é mais aquele respeitado pela bela diplomacia que praticava. Desde os casos Batisti, da visita do presidente do Iran e da opção preferencial pelo terceiro mundismo, a Casa de Rio Branco, dividida na sua liderança e na sua condução, tem cometido uma série de enganos. E os enganos não são só na forma do “approach” com os parceiros da América do Sul – onde sofremos com as pressões e chantagens dos Chavez, dos Evo,  dos Bispo Lugo e dos Rafael Correa mas também com essa dramática preocupação com Cuba. Por outro lado, não se prepararam quadros e as suas embaixadas para prover de pessoal, treinamento e qualificação com o objetivo de ampliar os espaços de mercado no mundo.

Agora mesmo se faz crítica em não se ter na China a metade dos diplomatas que existem, por exemplo, em uma embaixada como a dos Estados Unidos mesmo que a China tenha superado os Estados Unidos como parceiro comercial do Brasília. Por outro lado, na própria embaixada na China e nos consulados em Shagai, Hong Kong, entre outros centros chineses, praticamente inexiste quem fale fluentemente o mandarim e conheça a alma chinesa para permitir uma negociação mais proveitosa para o país. Aliás, o caso Marcos Barbosa, o mais recente, afora a pisada de bola no caso da brasileira que inventou um ataque de skinheads nazistas na Suiça, dão bem uma amostra da queda de qualidade da diplomacia brasileira.

Ou seja, para muitos analistas, o Itamaraty está letárgico, ideológico e emotivo.

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APESAR DE TUDO …

Apesar de tantos desencontros, bobagens proferidas e feitas, dos descaminhos do Congresso Nacional e da corrupção endêmica que toma conta do país, os dólares chegam aos borbotões, os empregos começam a retornar ao mercado, as exportações crescem acima do esperado, a bolsa mostra vigor e recupera as perdas passadas, o varejo mostra sinais de recuperação e a construção civil apresenta quadro positivo.

Mesmo com enchentes, dengue, saúde em frangalhos e uma educação que, por enquanto, não nos leva a lugar algum, as pessoas ainda mantém a esperança que dias melhores poderão vir. Não sabem os brasileiros para onde vão e nem como vão pois falta ao país o que sobra tanto na China: visão estratégica e a capacidade de pensar o país para 20, 30 e até cem anos. Bastaria que o Brasil ousasse pensar o país para os próximos dez anos e aí fizesse a montagem do quadro de políticas públicas a partir de tal referencial.

É pena que isto não ocorra pois, ao invés de pensar no país, quem deveria formular tais políticas está discutindo como garantir um terceiro mandato para lula ou como se apropriar de nacos a mais de poder com a CPI da Petrobrás.

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