SERÁ A HORA E A VEZ DE HENRIQUE MEIRELLES?

Um quadro político sem sal e sem qualquer entusiasmo parece que pode favorecer quem também se pareça com ele. Ou seja, um candidato que não mobilize, sensibilize e empolgue o eleitorado brasileiro, máxime de um país que hoje está marcado por repetecos ou candidaturas à reeleição. Diante disso tenderá, por esse sentimento, não se empolgar com quem que seja e apoiar, mesmo numa espécie de sem querer, um candidato que não lhe leva a pensar, a se questionar ou a adotar uma postura proativa no processo de escolhas eleitorais. Será esse o quadro ou representa uma interpretação errônea da realidade, por parte do cenarista?

Os estados não mostram cenários de qualquer disputa mais ferrenha ou qualquer confronto de idéias, opiniões ou mesmo candidatos com posturas, idéias ou atitudes que os diferencie dos seus contendores. Ou seja, mais uma vez é uma eleição sem qualquer disputa, sem qualquer entusiasmo e sem qualquer apelo à própria disputa e ao confronto. Tudo insosso, tudo sem graça e sem qualquer apelo! O cenarista admite que, a crise dos últimos anos afetou muito profundamente o humor e o “mood” dos brasileiros que deixaram o rol dos países alegres e mergulharam no tenebroso espaço do pessimismo e do desencanto.

É nesse ambiente que se insere a campanha presidencial a ocorrer em outubro próximo, logo após talvez, para os brasileiros, também acompanhar, sem entusiasmo, uma das mais chochas copas do mundo de todos os tempos, notadamente para este que já foi o país do futebol. E, diga-se isto diante de um rol de candidaturas à presidência que se igualam na mesmice e na incapacidade de provocar as massas, de promover o entusiasmo dos eleitores e de empolgar comentaristas e jornalistas afeitos a tais disputas.

Nesse quadro que exibe, como que  as chamadas propriedades organolépticas da água — insípida, inodora e incolor! — um candidato, pela sua história, pelo seu sucesso pessoal e pela sua conta bancária, tende a empolgar os eleitores, principalmente aqueles marcados pelo excesso de oportunismo e de pragmatismo, como é o caso dos que fazem o MDB. Claro que sem a certeza de muita lealdade e fidelidade pois que essas nunca foram as marcas da agremiação — partido que foi capaz de abandonar, no meio do caminho e da disputa, o sonhador Ulysses Guimarães ou o pragmático Orestes Quércia  — e que sempre se justificou por não ser um partido de unidade nacional, mas por expressar os sentimentos dos seus chefetes regionais e as peculiaridades das causas locais, sobrepondo-se as causas nacionais, representa o principal partido que sustentará a candidatura de Meirelles.

Assim, nesse ambiente surge Henrique Meirelles que, sem uma capacidade de comunicação que sensibilize e empolgue, conseguiu que o MDB afastasse as pretensões de candidato de Temer e o ungisse o seu candidato. Claro que o MDB, no seu pragmatismo, negociou com Meirelles que, como ele já havia antecipado que todos os gastos de sua campanha correria por sua conta e, portanto, presumidamente, legaria a parte que lhe tocaria do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral,  aos candidatos a deputado federal e estadual do partido. Ora isto caiu como uma sopa no mel dentro da visão e da perspectiva pragmática do partido.

Certamente tal gesto provoca suspiros nos dirigentes regionais dos vários partidos pois que, ao contar com um candidato rico, muitos eventos e gastos de publicidade poderão ser partilhado por Meirelles e, através de manobras criativas, recursos poderão vir de doações de aliados de Meirelles para atender às necessidades e aspirações de candidatos nos estado como um todo. Por incrível que pareça, apesar das pesquisas terem mostrado Lula ainda à frente das preferências, seguido de Bolsonaro agora mais próximo, quem começa a aparecer é Alkimim com os treze por cento que podem gerar esperança de que possa crescer e vir a ser um disputante no segundo turno! Mesmo assim, Meirelles, conseguindo uma equipe de alto nível, já que ele pode pagar, poderá superar o seu jeitão sem sal, melhorar a sua pobre comunicação e gerar apelos ao eleitorado de um candidato honesto, provado na sua competência na área privada e na área pública pelos dois grandes cargos que ocupou.

Como é sabido, Henrique Meirelles, por dez anos presidente mundial do Banco de Boston, amealhou uma enorme fortuna pessoal o que permite dispor de meios suficientes para bancar uma disputa presidencial sem maiores problemas. Ademais de seu curriculum como banqueiro, apresenta outras credenciais como economista e gestor além de executivo com excepcional e respeitado trânsito na elite financeira internacional, o que o torna, máxime após as experiências como presidente do Banco Central e Ministro da Fazenda, um experimentado político a concorrer à presidência. Na verdade, como diz o marqueteiro Elsinho Moco, Alkimim e Meirelles, diferentemente de Bolsonaro e Ciro que dizem apenas o que fazer, os dois dizem e convencem, mostrando como fazer!

Nas apostas o candidato de centro ficaria entre Alkimim e Meirelles e, mais polêmicos e controversos, Ciro e Bolsonaro, representariam os nomes que se oporiam aos candidatos centristas enquanto Marina Silva continua sendo o patinho feio sem muito a oferecer a não ser o seu pensamento que embira guarde coerência mas que não desperta paixões.

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