SERÁ QUE DEIXARÁ ALGUM SALDO A DERROTA?

É lugar comum afirmar-se que derrotas, mesmo que inesperadas e amargas, costumam deixar um saldo na forma de lições ou legarem aprendizados de vida deveras relevantes. Será verdadeira tal assertiva? Alguns afirmam, após a indesejada e frustrante derrota da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo, quando baixou um sentimento de frustração e de pessimismo nos patrícios, que “agora os brasileiros vão mostrar maior preocupação e interesse nos problemas mais graves e sérios do País!” Seria tal conclusão procedente e objetiva? Ou, ao contrário, ampliar-se-á ainda mais o desentusiasmo, a frustração e o desencanto para com o Brasil e para com o seu hoje e o seu amanhã? Será que a própria belicosidade que já domina as tensas relações entre pessoas e grupos no país, não tenderá a piorar?

Merece uma reflexão crítica sobre qual será a atitude e o comportamento dos irmãos brasileiros depois desse, aparentemente ingênuo, episódio de frustração! Reforce-se tal diante da perda de uma disputa da hegemonia do esporte que mais apaixonadamente mobiliza e entusiasma os brasileiros, que é o futebol,  É bom lembrar que, em 2022, poderá completar vinte anos que o Brasil não conquista mais uma copa do mundo e, ninguém, tampouco, poderá ou jamais esquecerá os 7 a 1, de 2014! Será que tais aparentemente irrelevantes episódios  influenciarão no que ocorrerá em termos das escolhas eleitorais de outubro próximo?

É bem provável que não mas, se por acaso ocorrerem, tenderão a tornarem mais pessimistas e desencantadoras, para, pelo menos, os 13 milhões de desempregados e o seu entorno — que, talvez atinja os 52 milhões que gravitam ou dependem deles! — diante das perspectivas pouco otimistas para a economia e para a geração de empregos. Talvez o reflexo se demonstre ou se faça na forma de uma maior radicalização do processo político favorecendo candidaturas mais radicais no estilo e nas propostas. É certo que a esquerda e, particularmente o PT, fará um dos dois candidatos que disputarão o segundo turno das eleições presidenciais, mesmo que Lula não venha a ser o candidato, já que impedido que está pelo TSE. O fato de que, em recente pesquisa de opinião, a opção partidária pelo PT alcançou cerca de 20% das preferências populares, requer que se busque considerar tal dado no impacto a ser causado nas preferências dos eleitores em outubro próximo!

Se se confirmar que 20% dos eleitores poderão votar em qualquer opção que o PT apresentar, é bem provável que um candidato dito de esquerda venha a ser uma das alternativas para o segundo turno das eleições presidenciais. Se assim, a tendência maior será que a outra opção venha a ser o candidato Jair Bolsonaro, na proporção em que o clima de mal estar e a belicosidade que hoje domina as relações entre os brasileiros, favorece as opções que se mostrem as mais radicais possíveis. O que, diga-se a bem da verdade, deixará o País sujeito ou subordinado a um radicalismo que não se quer e não se deseja quando se quer um futuro mais promissor para o Brasil. Ou seja, o desinteresse do eleitorado, desinteresse esse que deve se manter como até agora, conspira contra escolhas menos marcadas pela emocionalidade e muito definidas por uma espécie de revanchismo que domina o espírito da maioria dos brasileiros.

Na verdade, o que se desenha de perspectiva político-eleitoral é um quadro de radicalização que conprometerá a qualidade e legitimidade do pleito pois votos nulos, em branco e abstenções que, presume-se, devem representar quase 50% das opções! Ademais, provavelmente, pelo clima que deverã prevalecer, não deverá haver espaço e estímulo para uma discussão mais séria, profunda e engajada das questões nacionais mais relevantes e prioritárias.

Isto porque a sociedade brasileira vive, talvez, o seu pior momento, marcado pela indiferença, pela indignação e pela revolta diante da frustração que se instalou a partir do desencanto com a economia e com a politica ocorrida, desde meados de 2014. Ali o otimismo que sempre marcou a atitude dos brasileiros transformou-se em pessimismo a ponto de, em pesquisa recente, o Brasil se colocar entre os dez países mais pessimistas do mundo! Essa mudança de tom marca um novo e desagradável tempo que, esperam os mais otimistas, seja breve.

Mas, deseja-se que  algum fato novo possa surgir, senão para reverter a significativa crise que hoje compromete a economia e derruba os sonhos e o “mood” dos brasileiros, mas que possa reestabelecer alguma crença de que as coisas vão mudar. Ou não?

 

 

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