SERÁ QUE O JOGO COMEÇA AGORA?

A decisão do STJ rejeitando o habeas corpus impetrado por Lula que objetivava impedir o quase imediato cumprimento da decisão do Tribunal Federal de Recursos do Rio Grande do Sul que, em segunda instância, condenou Lula à prisão, representará, por certo, o marco definitivo do processo de deflagração da sucessão presidencial. Também, complementa e corrobora tal conclusão a quase certa não aceitação dos embargos de declaração formalizados junto a mesma Corte pela defesa de Lula. Por outro lado, a autorização de abertura de investigação sobre a possível  participação e beneficiamento de Temer em decisão governamental que favoreceu a  empresa Rodrimar, inclusive com a decisao do Ministro Luis Barroso, do STF,  de autorizar a quebra do sigilo bancário do Presidente, mostram, os dois episódios, que o ambiente politico ingressa na fase de aquecimento quanto a disputa eleitoral que se avizinha.

Também, ainda essa semana, o Governador Geraldo Alckmin, como já o fez Jair “Messias” Bolsonaro, deverá se lançar candidato a Presidência juntando-se a outros nomes já pré-lançados como Alvaro Dias, Marina Silva, Ciro Gomes, Cristovão Buarque, Guilherme Boulos além de outros representantes de pequenos partidos. Com isso dar-se-á, com certeza, a largada para, talvez, a mais “chocha” e a mais desinteressante corrida presidencial que já se assistiu  na história recente do País. Isto, com certeza, realmente ocorrerá se se confirmar a perda de direitos politicos de Lula e o seu partido já começar a se movimentar em torno do chamado  Plano B, do PT, ou seja, um nome alternativo para substituir o ex-presidente. Uma coisa, porém é mais que certa, uma campanha com Lula nada tem a ver com uma campanha sem Lula. A outra constatação é que, diante do vazio politico de sua ausência, o nivel, a emoção e qualidade da disputa eleitoral com os possíveis e pré-anunciados protagonistas,  ficará deveras apequenada!

Assim parece que, diante da falta de glamour, de charme e de um natural e sempre presente conteúdo populista e demagógico dos candidatos que ora se apresentam, o foco da disputa eleitoral será muito mais nos confrontos estatuais e, provavelmente, em função da cláusula de barreira, os partidos priorizarão muito mais as disputas proporcionais, notadamente de deputados federais, do que as disputas majoritárias. É preferir perder os anéis do que os dedos pois para garantir a preservação e a  sobrevivência das agremiações partidárias priorizam-se as eleições proporcionais em detrimento das disputas majoritárias.

A ausência de Lula das disputas aparentemente deveria prejudicar mais a Bolsonaro pois a polarização com o principal líder da esquerda do País — aliás, que esquerda? — permitiu que ele crescesse amparado no discurso de indignação, de revolta e de rejeição à chamada política tradicional, propondo um novo tempo para o País que não se sabe quando será nem como será.  Segundo as últimas pesquisas de campo, Bolsonaro continua com 20 a 20,9% de preferência na ausência de Lula da disputa garantindo, com certeza, a sua presença num provável segundo turno.

No Sul começa a crescer a candidatura de Álvaro Dias que, estrategicamente, trabalha mais intensamente seu nome ali onde tem raizes, conhece os problemas e as demandas da população e articula uma oposição ao governo Temer sem os excessos da proposta de esquerda. Claro está que o seu crescimento na região Sudeste encontrará um significativo obstáculo diante da candidatura que será oficializada,  esta semana, do Governador Geraldo Alkimin.

Uma proposta que hoje vive mais do “recall” do que de espaços novos conquistados é a de Marina Silva, pela terceira vez concorrendo a tal posto. Na verdade, o seu distanciamento do ambiente político, notadamente no período dolorido de crise vivido pelo País, criou um espécie de julgamento pouco favorável às suas pretensões pois não se admitia que, naquelas circunstâncias, não se tivesse ouvido uma só opinião sua, contra ou a favor de quem quer que fosse ou de que política se tratasse. E, não são aceitas escusas ou explicações pois tratava-se de alguém que era um protagonista relevante no quadro político do País.

Se para Marina não se pode descortinar um ambiente ou circunstâncias mais otimistas quanto às suas possibilidades, quem pode ser favorecido pela saída de cena de Lula é o indomável Ciro Gomes que deverá explorar o clima de indignação e revolta da população com um discurso agressivo e iconoclasta. Não obstante essas perspectivas favoráveis, as suas chances de manter alianças politico-eleitorais duradouras e que são exigentes em paciência, em tolerância e em compreensão, não parecem ser muito significativas. Aliás, até as suas recentes críticas feitas ao PT e a Lula, parece que não caíram bem no meio do grupo de quem ele pretende ser o herdeiro das graças e dos votos.

Ainda nas hostes governistas  o Ministro Meirelles pretende apostar num presumido apoio de Temer e conseguir transformar-se no candidato do PMDB, tarefa ingente porquanto ninguém sabe quem manda no partido e, pelo histórico da agremiação, o que se verificou foi que, nos vários pleitos desde a redemocratização do País, em nenhum momento os seus dirigentes conseguiram garantir a lealdade necessária a que se cumprissem os compromissos eleitorais esperados ou ajustados.

Agora mesmo o DEM resolve apresentar a candidatura do Presidente da Câmara dos Deputados, o jovem parlamentar pelo Rio de Janeiro, Rodrigo Maia que, no seu lançamento estabeleceu um prazo limite para a manutenção ou não da postulação  partir da viabilidade de alianças partidárias e capacidade de senipsibilizar o eleitorado que, ao rejeitar a proposta lulista e a chamada proposta de esquerda, espera alguém jovem mas respaldado pela visão e postura que marca o conservadorismo político nacional.

Finalmente, o enigma Temer continua no ar. “To be or not to be”, “That’s the question!” Será ele candidato ou não? Buscará ele uma difícil reeleição dados os seus índices de aceitação e rejeição populares? Até onde a intervenção no Rio terá um sucesso tal que redunde em aplausos e apoio popular a uma postulação dessa ordem por parte de Temer? A retomada da economia ajudará o Presidente a conquistar apoios fundsmentais a tanto? Ganhando um a dois pontos percentuais por mês, poderá ele alcançar um patamar mínimo que o estimule a enfrentar as urnas? São perguntas difíceis de responder mas, numa avaliação preliminar, parece que não garantirão a necessária base de apoio requerida para tal empreitada!

Com quem ficará o jogo? Uma possivel disputa entre Alkimin versus Bolsonaro? Será que Collor renascerá das cinzas? Será que alguma coisa de diferente pode ocorrer no País? Pelo andar da carruagem é mais fácil uma vitória dos votos nulos e brancos do que um dos atuais postulantes conquistar votos suficientes para alcançar a Presidência em um primeiro turno. E, com certeza, até para ir para o segundo turno os dois contendores vão abocanhar magros votos da sociedade como um todo!

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