A SENTENÇA DE LULA E O IMPACTO PARA O PT, PARA O PROCESSO POLITICO? PARA O PAÍS

O julgamento das acusações que o Ministério Público imputou ao Presidente Lula, terminou! O Tribunal Federal de Recursos do Rio Grande do Sul acolheu e acatou a sentença prolatada por Sérgio Moro e a tonificou, ampliando a pena para doze anos e um mês. A decisão do Tribunal foi unânime o que limita as possibilidades recursais para a defesa de Lula. Caberão apenas os chamados embargos de declaração que não poderão impor qualquer alteração no conteúdo da sentença. Apenas, segundo o rito processualístico, permite e garante uma espécie de prazo para que Lula e o PT estabeleçam novas estratégias de ação política pois Lula , com isso, ganhará, no mínimo, quatro  meses de sobrevida para impetrar recursos junto ao STJ.

O balanço da decisão não representa apenas uma enorme frustração para Lula mas terá significativos impactos no processo político-eleitoral e, possivelmente, poderá vir a fortalecer a tendência conservadora do eleitorado nacional abrindo espaço para o crescimento de candidaturas centristas tipo Meirelles e Alkimim. O fato maior dessa sentença imputada a Lula é que ela esfria os ânimos petistas e os partidos a ele associados e, numa manobra politica aparentemente engenhosa, começam os petistas a falar sobre a alternativa b — Fernando Haddad — que, seria apenas destinada a ganhar tempo e não queimar as alternativas mais viáveis com que contaria o PT para a disputa presidencial. Seriam elas o ex-governador Jacques Wagner e o Senador Jorge Viana.

A tendência do partido é continuar a exercer o seu legítimo “jus sperniandi” e, de forma ousada e atē agressiva – vide manifestações dos Senadores Gladys Hoffman e Lindenberg Lins conclamando o povo à desobediência civil! –   dizer que Lula será candidato até mesmo  “detrás das grades”. Em verdade o que se conclui é que essa sentença não afetou apenas a vida de Lula e do próprio PT mas desnorteou também  as esquerdas e estimulou e deu ânimo aos grupos que buscam uma candidatura mais conservadora bem como veio a frustrar os sonhos de Bolsonaro que ver esvair-se o alcance de um discurso mais radical e militarizado que a polarização com Lula permitia e estimulava!

As candidaturas de Marina Silva, do Senador Alvaro Dias, de Fernando Collor, de Cristovão Buarque, de Ciro Gomes entre outros, não deverão sensibilizar o eleitorado porquanto nada de novo agregarão nem mesmo se forem os referidos candidatos extremamente criativos no uso das redes sociais. A tendência  do eleitorado  será a de buscar alternativas mais conservadoras, com experiência  em gestão e que partam de uma base eleitoral que alavanque apoios aqui e algures. Ao que parece essa tendência  será alinentada e melhor sustentada se as expectativas já antecipadas por alguns analistas se confirmem relativas ao crescimento da economia. Alguns admitem que a economia brasileira possa crescer acima dos 3,5% e, com isto o ambiente econômico favorecerá o discurso mais conservador!

Assim parece que o que ocorrerå a Lula, caso se confirme a manutenção da sentença do TRF da quarta região bem como os seus naturais desdobramentos,  é que ele não será candidato em outubro próximo e, pelo que se sente, o PT não terá candidato capaz de empolgar o  eleitorado. E tais circunstâncias irão favorecer ao candidato centrista já lançado que é o governador de São Paulo. Por varias razões mas,  particularmente, por não ter que disputar com outro pretenso candidato mais conservador que poderia ser,no caso, o Ministro Meirelles.

Como há uma possibilidade remota de Temer intentar disputar a reeleição, a tendência é que manifeste apoio explícito a Alkimim por varias razões inclusive pela cobrança que os paulistas farão a ele. Adicionalmente, favorece Alkimim o fato de não ter sido alcançado pela LavaJato e por algum outro escândalo . Em segundo lugar, parte ele com o apoio do maior colégio eleitoral do País onde ele assentou bases políticas sólidas pois que é a terceira vez que exerce o governo paulista. Em terceiro lugar, os paulistas não perderão a chance de apostar todas as suas fichas num candidato que representa o seu jeito de ser e as suas aspirações. E, finalmente, um candidato com a máquina do governo de São Paulo e com a força da maior parcela do poder econômico nacional a apoiá-lo, terá poucas possibilidades de amargar uma derrota.

Quanto ao País este vem experimentando dois fenômenos extremamente interessantes para qualquer analista que se detenha a avaliar suas possibilidades e perspectivas. Em primeiro lugar, apesar das dúvidas e incertezas que cercam o seu comportamento, as instituições nacionais têm passados por vários testes e têm se saído com, até certa galhardia, mostrando uma solidez que ninguém esperava que viesse a demonstrar. Em segundo lugar, uma outra característica que o analista tem sistematicamente mencionado, que é o descolamento da economia da política, demonstrado pelas poucas afetações sofridas pelo câmbio e pelo dólar quando surgem problemas políticos de envergadura assemelhada — a prisão de um Senador, de um presidente da Câmara, dos maiores empreiteiros do País, a defenestração de uma Presidente e sentença de prisão do maior líder político do Pais —!

Diante desse quadro e, com o Carnaval se avizinhando, a tendência é que as coisas cada vez mais se acalmem, as manifestações de rua sejam cada vez menores e esparsas e a aceitação de que, com a economia indo bem, o resto não interessa muito aos cidadãos que estarão com os olhos voltados para a copa do mundo de futebol e para  as eleições, fundamentalmente, aquelas que afetam mais de perto as suas vidas, ou seja, as locais!

 

o.

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