ABANDONO, DESMANTELAMENTO E DESTRUIÇÃO!

Quem aposta no Brasil, no seu potencial e põe fé nas suas possibilidades, tem ficado apreensivo com o que vem ocorrendo nos últimos cinco anos. Estagnação econômica, pobreza política e indiferença dos brasileiros diante desse quadro de quase atraso e, o que é mais visível e preocupante,  a manifesta indiferença da população para com os seus destinos. Até bem pouco os brasileiros eram um povo otimista, alegre e entusiasta em relação a vida e ao seu futuro. Hoje, as frustrações acumuladas, notadamente, nestes últimos anos, conduziram, não apenas a incerteza quanto o amanhã, como uma certa descrença na capacidade desse mesmo povo de alimentar entusiasmo e otimismo com o futuro do País.

Na verdade, o que se teme é que o Brasil se argentinize! Ou seja, reproduza o que hoje se passa com a Argentina! Isto porque, ao perder o entusiasmo e a crença nas enormes potencialidades da nação, o itinerário que virá a se mostrar aos brasileiros, será o da incerteza, da insegurança, da descrença nas instituições e da perda das motivações e do entusiasmo de continuar acreditando nas possibilidades econômicas e no papel político, no mundo, que as dimensões continentais do País definem como possíveis! Até bem pouco era o Brasil a sétima economia mundial tendendo, segundo alguns estudiosos acreditavam,  que viesse, em breve espaço de tempo,  a situar-se entre as cinco maiores economias do mundo. De repente, a quase estagnação econômica tomou conta do País e, pasmem, uma população marcada pelo otimismo e pelo orgulho da grandeza do Brasil num passado recente, essa mesma população, mergulhou num pessimismo que assusta quem estuda possibilidades e perspectivas nacionais.

Daqui, de Luján, na Argentina, onde se encontra o cenarista, diante da exibição de abandono, de descaso e de quase ausência do poder público nesta bela nação; e pelo processo de abandono, de descaso e de desmontagem de estruturas arquitetônicas históricas e de marcada beleza, temem os brasileiros, ao assistir tal processo na Argentina, pelos destinos do Brasil. O que os brasileiros já construíram, mesmo sendo ainda uma obra incompleta e  que ainda está  “por fazer”, teme-se que tal comece a ser desestruturada e desmantelada pela falta de ação do poder público e pela omissão da sociedade civil de não cobrar das autoridades constituídas, o devido zelo pela manutenção do patrimônio público. A Argentina, que já foi uma das principais e mais dinâmicas economias do mundo, faz, pelo menos sessenta anos, que está mergulhada numa crônica crise institucional que não permitiu que a pátria do tango, do Dulce de Leche, dos churros, do vinho  e do “asado”,  reencontrasse a sua destinação histórica. Uma bela nação, com uma notável constelação de fatores produtivos e de recursos humanos de boa qualidade, debate-se hoje em seguidas e contínuas crises institucionais e não consegue reencontrar o caminho da expansão econômica com equilíbrio social,  como seria esperado e desejado.

Aqui, admirando-se a bela capital portenha, a dinâmica e moderna agropecuária do País e o patrimônio cultural constituído, lamenta-se  que a Argentina não seja capaz de superar tal impasse institucional e não retome o processo de modernização e dinamização de sua economia e de sua sociedade, como um todo! Alguns buscam atribuir essa profunda crise  as marcas indeléveis deixadas pelo peronismo, que semeou um populismo marcado pela manutenção de um crônico atraso institucional e pela presença de conflitos entre os peronistas e o resto da sociedade argentina. Talvez seja um exagero atribuir-se ao peronismo toda a culpa pelos desencontros institucionais do País. Mas o fato singular é que a Argentina, vez por outra, dá a sensação de que está indo na direção de seu reencontro histórico e, que iria superar  a tentadora proposta populista. Mas, ledo engano! As expectativas quase que se frustram totalmente como agora quando, a duras penas, Macri intenta modernizar o País  buscando fazê-lo voltar a crescer e intentando promover as transformações estruturais capazes de superar esse impasse permanente que impõe ao País patinar e não se modificar naquilo que é fundamental!

Até quando os brasileiros que sempre foram admiradores dos argentinos, embora sempre com uma ponta de ciúme, não apenas diante da qualidade de sua carne, de seu vinho e de seu tango, assistirão a esse atraso que persegue a sua sociedade ? E, será que os impasses que perseguem os argentinos não se colocarão diante dos brasileiros que ora vivem esse marasmo, essa indiferença e essa quase estagnação? É hora dos brasileiros espantarem esses fantasmas que rondam o seu hoje e o seu amanhã retomando  a alegria, a leveza, a descontração e buscando reencontrar o entusiasmo e o otimismo para com esse Brasilzão de samba, de futebol e de Carnaval. Que os brasileiros voltem a crer e apostar no futuro radioso desse País que tem tudo para dar certo. Está na hora!

 

 

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