ATACAMA, UM DESERTO EM BUSCA DA MODERNIDADE!

Sabes onde fica São Pedro de Atacama? Fica onde proliferam pickups vermelhas, de duas cabines,  próprias e exigidas para quem opera em áreas de mineração ou de muitas mineradoras como é o caso dessa comunidade! Ela fica bem ali no deserto de Atacama, no lado chileno, como, pela denominação, parece óbvio! É um Pueblo vinculado à Calama, uma das principais cidades do Departamento de Antofagasta. Se vocē nāo se situou ainda, você está longe de conhecer um dos mais intrigantes sítios, no meio da Cordilheira Andina, num buraco, de fertilidade incrível, apesar da paisagem desértica e quase lunar ou de marte. As formações são surpreendentemente encantadoras e intrigantes. Elas provocam os céus e o talento humano para compreendê-las. Ademais, para transformar mais “thrilling” a aventura, costuma ocorrer, pela madrugada,  frequentes embora  leves, tremores de terra como que  a avisar, ao visitante, que parte dos vulcões ali situados — e são muitos! — está ativa, o que representa uma saudável e permanente ameaça aos filhos da terra, ja que sua religiosidade e fé vincula-se ao culto a montanha e aos vulcões,  embora, ao estrangeiro, recém chegado, assuste um pouco.

“E os Andes petrificados, como braços  levantados, apontam para a amplidão”! Só agora, em, pleno deserto de Atacama, na simples porém acolhedora e próspera São Pedro do Atacama, o cenarista pode sentir a verdadeira dimensão da frase do poema de Castro Alves, o Livro e a America. Nunca o cenarista, embora tendo vivido três meses no Departamento de Huanuco, Província Dos de Mayo, comunidade de Chacabamba, no Peru, a 3850 metros de altitude, havia sentido a imensidão e a solidão dos Andes!

Convivendo com a cultura local, marcada pela ânsia dos nativos de afirmarem-se e não admitirem a perda de espaço territorial e nem o controle de seus destinos por parte dos chilenos, aliás atitude compreensível e encontrável entre populações aborígenes, inclusive como as do Brasil, tem a sua história marcada pelos 12 mil anos em que começaram a ocupar tais terras e pelos traumas de dois domínios de seus territórios, Primeiro, durante os  quatrocentos anos de imposição imperial dos incas e, depois, pelo controle impiedoso do colonizador espanhol.

Protegidos pelo “pai”, no caso o vulcão Likaku e pela mãe, a montanha Uima, marcados ainda pela resistência em permanecer mais fiéis a sua história, tradição e crenças do que aos valores que os espanhóis os impuseram, os nativos não deixam de ingressar no mundo moderno e, talentosamente, mostram-se habilidosos na busca de ocupar seus espaços, máxime quando a área, um oasis, cercado por alguns poucos outros oasis se mostra generosa embora aparentemente inóspita. Os atacaminhos aproveitaram as oprtunidades deixadas, para desenvolver um enorme potencial turístico face as impressionantes e magníficas manifestações da natureza. E as manifestações estão presentes nas inúmeras pickups avermelhadas cruzando a cidade de ponta a ponta.

Dizem os nativos que tudo começou com um padre que, questionado por muitos embora respeitado por outros tantos, fez incursões em áreas que seriam de grande apelo aos turistas e, aos poucos, foi difundindo, na população local, aquele que seria o veio capaz de permitir a transformação econômico-social da area, no caso a exploração arqueológica  que, por seu turno, alimentaria um significativo fluxo turístico para a área. Apesar de controverso, o padre conseguiu uma significativa transformação da área e abriu de tal forma as  perspectivas que, a partir dos anos 2005, aproximadamente, abriram-se enormes perspectivas para o pobre e um pouco abandonado vilarejo de São Pedro de Atacama.

San Pedro está encravado entre as montanhas do Sal e de Domie, sob os olhares atentos dos Andes. Pertence, como Pueblo, a Provincia de Antofagasta e a Comuna de Calama e encravou-se no meio da Cordilheira dos Andes. Montou-se e estruturou-se dentro de uma especie de  buraco e, tal circunstância, faz com que conte com abundância de água não so decorrente do derretimento de neve dos Andes e, mais recentemente, das chuvas que, faz seis anos, sistematicamente tem caído na area, propiciando o surgimento de uma vegetação que permite o desenvolvimento das llamas, das vicunhas e do próprio gado vacum.

Ali, em San Pedro, nativos mais espertos e mais empreendedores, começam a surgir num universo de negócios antes so dominado pelos chilenos e outros, considerados pelos nativos, outsiders. O cenarista teve o privilégio de valer-se dos serviços, excessivamente prestimosos e atenciosos, de dois nativos que marcaram, pela sua lhaneza de gesto, pela sua dedicação e pelos os seus cuidados tao especiais para com os turistas, algo que chamou a atenção. Tanto o dono do pequeno hotel rústico mas bem cuidado, Edgar que, com sua habilidade e qualidade de serviços, teve a sua pousada classificada como uma das melhores do local, recebendo uma nota altamente gratificante de 9,6 pontos! E, demonstrando um nível de honestidade de propósitos e honestidade profissional, ao estrangeiro não lhes cobra as taxas de turismo típicas do local e nem lhe assusta com cobranças de serviços sem propósitos. Ao contrário, numa típica demonstração de que mantém os costumes e as tradições de sua cultura, tem o hábito de presentear e cobrir de especiais atenções o visitante.

Se Edgar marcou o cenarista com sua atitude, com seu carinho e com sua  dedicação, outra agradável surpresa foi o responsável pelas incursões e visitas do cenarista aos pontos turísticos mais relevantes inclusive surpreendendo-nos com uma visita a um produtor de vinho, diga-se de passagem, de excelente qualidade, naquele exótico meio. Foi uma experiência inolvidável. Assim, por todos os dias de convivência, com um atendimento paciente, gentil e dedicado permitindo que se conhecesse tais peculiaridades da região, encantou ao cenarista pelos gestos de gentileza, de atenção e de carinho, além do profissionalismo demonstrado em toda a sua atuação. Permitiu que o cenarista admirasse toda a beleza exotica da cordilheira andina, seus vulcões, seu deserto e o que ai está se construindo e se constituindo. Segundo Christian, o nosso guia turístico, com toda a sua simples mais bem estruturada organização, tudo o que hoje ocorre de progresso e de oportunidades de trabalho e negócios decorreu da descoberta,  pelos brasileiros, desse local excepcionalmente exótico, diferente e provocador de sentimentos os mais diversos.

Descontado o excesso de entusiasmo para com o papel dos brasileiros no desenvolvimento tao rápido e em tao pouco tempo dos negócios turísticos, chama a atenção e deveria ser objeto de estudos por outros países para examinar que bases foram geradas pelo poder público nacional e local para que as atividades diretamente produtivas alcançassem o sucesso de forma tao objetiva e em tao pouco espaço de tempo. Merece um exame critico!

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