UM MUNDO DIVIDIDO E UM BRASIL INTOLERANTE!

A intolerância e a desconfiança, na maioria das vezes frutos das divergências políticas ou das desigualdades sociais demonstradas, neste ultimo caso, por ações e gestos discriminatórios ou auto-discriminatórios, tem levado a uma divisão da sociedade deveras perigosa,  como já vem advertindo o cenarista nos seus vários comentários. O Instituto IPSOS divulgou resultado de pesquisa realizada em vinte e sete países no mundo onde a Sérvia é lider nessa triste avaliação e, pasmem, sem conflitos históricos, sem divisionismos provocados por regionalismos, sem questões étnicas ou divergências religiosas insuperáveis, o Brasil fica em sétimo lugar!

84% das pessoas demonstram preocupação e dizem, taxativamente, que os seus países estão divididos. No Brasil, 62% dos entrevistados concluíram que o país está mais rachado do que há dez anos atrás e, o mais grave,  é que 84% das pessoas cultivam algum tipo de intolerância derivada de divergências em termos de preferências e opiniões políticas ou por indignação e revolta com instituições e lideranças políticas, principalmente, ou ainda pela frustração e desencanto em face da crise econômica que se abateu sobre elas.

A perda de poder pelo PT e pelas chamadas difusamente de esquerdas, levou a frustrações, perda de posições e colocações, redução do acesso a fontes públicas de financiamento a projetos sociais além da revolta com a perda de emprego e renda derivada da crise são ingredientes que aumentaram a pressão na panela e geraram esse crime de revolta, indignação e rebeldia conducentes  a esse clima de angústia, dificuldade de convivência e a intolerância que hoje domina a cena social.

Ademais, outros fatores que hoje angustiam o cidadão e levam a esse estado “de nervos” como, por exemplo, os temores com a insegurança e a violência que se espraiou pelo Pais  como um todo e, a falta de crença em qualquer instituição que poderia representar uma espécie de último recurso ou uma quase tábua de salvação diante das intempéries da vida, completam esse clima de beligerância. A atitude hoje presente no meio dos brasileiros de querer “ver sangue” e de “buscar fazer justiça com as próprias mãos”, levou a esse quadro de intolerância e de revolta constatada pelo estudo. Um ingrediente fundamental a alimentar esse espírito belicoso é o uso abusivo e a falta de controle ou um mínimo de regras ou de disciplina no uso das redes sociais onde o destempero tem se mostrado frequente e as “fake news” alimentam esse clima de intransigência e belicosidade.

O pleito eleitoral talvez abra espaços para que tais manifestações de agressividade se intensifiquem como ora ocorre no futebol que só tem sido menos intensas porquanto a repressão policial tem sido dura e a punição ao impedir a frequência de grupos e de torcidas organizadas delinquentes,  tem levado a disputas, muitas vezes, com estádios vazios.

A preocupação maior é que o estudo não trouxe propostas, idéias e recomendações do que fazer diante desse estado de coisas. Na verdade o que se imagina é que, a própria operação Lava Jato,  ao recuperar a crença na Justiça, apesar das atitudes controversas e, às vezes, questionáveis, dos membros do STF, poderá contribuir, ao lado da recuperação da economia e do emprego, para desestressar a sociedade. E, se Tite conseguir o título mundial, é bem provável que um Carnaval fora de época ajude à reconciliação nacional.

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