ANGÚSTIA, DESENCONTRO E INSATISFAÇÃO.

A estratégia de Serra em adiar para março a definição do PSDB do nome do candidato que enfrentará o candidato ou os candidatos de Lula, está gerando um processo de angústia, inquietação e, até mesmo, de insatisfação, não só no meio dos próprios tucanos bem como de seu principal aliado, no caso, o DEM. Claro que os possíveis apoios da candidatura tucana nos outros partidos, máxime o PMDB, também sofrem do mesmo drama.

A maioria acha que as oposições perdem tempo, Lula avança sem dar bolas para a Justiça Eleitoral e, até uma avaliação do STF, de que Lula não estaria agindo dentro da lei, opinião externada pelo próprio Presidente da Suprema Corte, ao invés de beneficiar as oposições, acaba tendo efeito contrário junto à opinião pública, na proporção em que pode ser explorado como se as mesmas não tivessem discurso para se contrapor a Lula e, estariam assim,  apelando ao “tapetão”.

O Presidente do PSDB Nacional, Senador Sérgio Guerra, com a habilidade que lhe é peculiar, de maneira cautelosa ,sugere que “os dois – no caso Serra e Aécio – não querem antecipar a decisão e, eles sabem mais do que a gente”, mostra uma tolerância e uma capacidade enorme de administrar conflitos, mas tal competência poderá não ser capaz de conter a explosão de problemas que começam já a ocorrer nas sucessões estaduais e, até mesmo, a nível da cúpula nacional de partidos aliados.

Aliás, a posição do Líder do DEM na Câmara, Deputado Ronaldo Caiado, diante da indefinição e da indecisão em termos da candidatura do aliado PSDB, afirmou que vai “montar a sua estratégia na sucessão de Goiás, de acordo com as conveniências do partido no Estado”. Por outro lado, o Presidente Nacional do DEM, Deputado Rodrigo Maia, em colisão com o morubixaba Jorge Bornhausen, resolveu declinar a sua preferência por Aécio Neves para ser o cabeça de chapa das oposições.

Até agora o tempo conspira a favor de Lula na proporção em que tenta empurrar, goela abaixo, a sua pesada candidata. Da mesma forma, vai tentando construir um discurso de que o “outro lado” é o “da arrogância, da presunção e da elite branca que, nunca olhou pro povo, esqueceu e preconceituou o nordeste e, com a sua privataria, quase vendeu o Brasil para os estrangeiros”. Por outro lado, com a economia indo bem, com a baixa renda ganhando melhor, com a volta dos empregos e com o discurso da grandiloquência – pré-sal, Copa do Mundo, jogos militares mundiais, jogos olímpicos -, mexem com o imaginário popular, aumentando a autoestima da “peãozada”, dando um tapa na boca da crítica, mantém a elite branca calada, pelos privilégios concedidos a bancos e a grandes grupos e, “vamos que vamos!”. E Lula, com seu charme, com o seu carisma, com a sua capacidade de falar para o povão e com o respeito e prestígio conquistados internacionalmente, atropela tudo e tenta fazer viável algo inviável que é a sua candidata.

Se o PSDB não decidir logo quem será o seu candidato, talvez em março, o que vai sobrar de apoios adicionais seja muito pouco diante das definições estaduais que estão ocorrendo a pleno vapor. É bom que Serra se lembre que o povo vive nos municípios e as suas aspirações, interesses e sonhos, estão lá. O estado é uma ficção do direito e a União é um péssimo substituto do que seria a monarquia sem qualquer charme e qualquer afinidade com a população. Lula tem porque construiu-se como mito.

NADA DE NOVO SOB O SOL!

A semana promete em termos de monotonia da normalidade. O Congresso já está operando a meia-bomba, sem grandes questões a tratar, a não ser o marco regulatório do pré-sal e a aprovação do Orçamento Geral da União, para 2010, peça esta sempre marcada pela ficção e pelo irrealismo.

 Na verdade, além de perfumarias a serem tratadas no Congresso, os únicos assuntos  que se ouve falar, são aqueles da prioridade  dos parlamentares, destinados a mover ações e articulações capazes de garantir a liberação de suas emendas e, além, é claro , dos cochichos e bochichos relacionados às articulações em termos da sucessão presidencial e, particularmente, em termos das sucessões estaduais.

 Nem o “achado” da agenda da  ex-Secretária da Receita Federal, comprovando que, de fato, esteve com Dilma Roussef no dia em que declarou que lá esteve e que foi por Dilma desmentida; nem o exercício do “jus sperniandi” pela oposição, diante dos comícios realizados por Lula em favor de Dilma no Nordeste; nem mesmo o “rolo” que continua a ser o inquilino desagradável na Embaixada brasileira em Honduras, mexerão com as preocupações do Congresso Nacional. As discussões e votações serão só de perfumarias e acessórios.

 Já no Executivo, a par de Lula hoje chamar, “na chincha”, o Presidente da Vale e determinar alguns investimentos que produzam respaldo, apoio e votos para Dilma, para que se  pacifiquem as relações entre o Planalto e a Companhia  sem que, para tanto seja preciso sacrificar Roger Agnelli, nem atender ao amigo Eike Batista e nem entregar o comando da Vale a Sérgio Rosa, Presidente da Previ, as coisas continuarão tranquilas e serenas. Para quebrar um pouco essa placidez e essa monotonia, provavelmente, um novo balão de ensaios do mestre de factóides do governo, Ministro Guido Mantega, no caso a ameaça de taxar os investimentos externos para segurar a valorização expressiva do Real, mexa, se não com os políticos, com a bolsa de valores.

 Fora isto, as negociações relacionadas aos nossos aviõezinhos, provocando a disputa de propostas e benesses dos três contendores, não dará em nada pois que a definição já está dada, por razões históricas, pela natureza do compromissos de transferência de tecnologias e investimentos franceses no Brasil através de sua indústria bélica,  aliada a razões de ordem geopolítica regional, os franceses já levaram esta.

 De alguma repercussão ainda, serão os atos de violência ocorridos no Rio onde, cada vez mais, o Governo não tem o que dizer a população e, a atitude pouco firme do Executivo Federal, diante dos atos de vandalismo, destruição e ameaças do MST, sem maiores consequências nem providências, serão outras marcas da semana!

EIKE, O BARÃO DE MAUÁ DO SÉCULO XXI!

Eike Batista ou Baptista, é o homem de negócios que hoje domina a cena brasileira pelo empreendedorismo, pela ousadia e pela capacidade de antecipar investimentos, obras e ações que já se lhe atribui, não só a pecha de visionário, mas, de empresário inovador e que, agressivamente, busca aproveitar as melhores oportunidades de negócios do país.

 Hoje, segundo a Revista Forbes, já é o homem mais rico do Brasil. É alguém que, mesmo diante da crise que os negócios enfrentaram no último ano; das perdas derivadas de aposta de seus diretores no câmbio; da volatilidade que as ações dos seus principais negócios experimentou, Eike, ao invés de perder dinheiro, diminuir o ímpeto e reduzir os investimentos, ousou mais ainda. E, diga-se de passagem, que as suas batalhas para viabilizar os seus investimentos foram sempre dificeis e enfrentaram complicadas questões relacionadas a licenças ambientais, problemas com países vizinhos e, “last but not least”, a ciumeira da concorrência. Mas, Eike tem “lábia”, tem “jogo de cintura” e sabe onde “as andorinhas dormem” e, habilmente, faz as suas costuras políticas, negociais e de alavancagem de recursos não só em bolsa mas de empreendedores internacionais convidados à participar das  mais diferentes parcerias. Eike já começa a se transformar num mito pois hoje é tido como uma espécie de Rei Midas ou como disse o jornalista Moreno na sua coluna de Domingo em O Globo, a respeito de um casal que, não conseguindo o marido atender as carências da mulher, ela reclamou em voz alta até que um vizinho, incomodado, gritou: “Chama o Eike, pô”!

COPA DO MUNDO, OLIMPÍADAS, GASTOS SOCIAIS E PRIORIDADES!

Inexistindo uma oposição consequente e consistente no país, a discussão que algumas pessoas pretendiam travar em torno da prioridade, da relevância e da oportunidade para o Brasil em sediar dois eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, ficou totalmente comprometida e, agora, também desproposital. Desproposital porque já são fatos consumados.

Isto porque perdeu-se a oportunidade de fazê-la, buscando talvez, demonstrar, com números, que tais investimentos seriam muito mais benéficos do ponto de vista da melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro, se destinados à educação fundamental, à saúde pública, à mobilidade urbana, ao combate à violência e a recuperação da infra-estrutura de transporte e comunicações do país, do que em tais eventos.

Ou, pelo contrário, uma simulação técnico-científica dos efeitos,  diretos e indiretos; os impactos para frente e para trás em termos da atividade econömica; a capacidade de tais eventos forçarem a agilização, maior diligência e maior seriedade no que concerne ao enfrentamento dos maiores e mais graves problemas, do Rio, por exemplo, como o combate as causas da violência, a redução do caos urbano, a despoluição da Baía da Guanabara e das praias da Cidade Maravilhosa, talvez convencesse a todos os brasileiros da relevância, prioridade e importância dos eventos.

Notadamente os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro que, assim como os Jogos Panamericanos, beneficiarão quase que exclusivamente a cidade do Rio de Janeiro. E será que o Rio estaria potencialmente com mais meios do que Chicago para realizar tal evento? Em Chicago a população disse não ao evento diante do alto déficit enfrentado pela prefeitura, do rescaldo da crise econômica internacional e de outras prioridades que dominam as preocupações dos seus cidadãos.

  Alguém ou alguma instituição de estudos econômicos, sociais e políticos fez uma avaliação do que representou, para o Rio de Janeiro, os quase quatro bilhões de reais gastos com o Jogos Panamericanos? Inclusive, o que foi feito da infra-estrutura montada para garantir-lhe uso alternativo em benefício da população?

A história nos mostra exemplos positivos, como no caso de Barcelona, que após a realização das Olimpíadas inseriu a cidade no roteiro turístico mundial e exemplos não tão bons assim, como no caso de Atenas. No caso do Rio de Janeiro, após a realização dos Jogos Panamericanos, o que ficou de legado para a cidade? Como estão sendo aproveitadas as estruturas montadas para os jogos em prol da população? O Engenhão, por exemplo, carinhosamente apelidado de “vazião”, não tem condições sequer de receber jogos da Copa do Mundo. E a Vila Olímpica que até hoje não se conseguiu regularizar a documentação dos imóveis?

Talvez, aqueles que apóiam incondicionalmente o Governo, afirmem que a Copa do Mundo de Futebol, por exemplo, ao ser realizada em 12 cidades, exigirá uma série de investimentos não só na infra-estrutura física – vias, metrôs, veículos leves sobre trilhos, equipamentos de saúde, equipamentos hoteleiros, etc. – mas em ações e políticas públicas destinadas ao combate à violência e a outros males da vida urbana do país. Outros afirmarão que tais eventos atrairão uma soma significativa de investimentos privados internacionais e turbinarão a atividade turística, de tal forma, que rentabilizarão, numa visão mais compreensiva, todo o esforço feito pelo país. Outros ainda falarão de quanto tais conquistas representarão para a ampliação do respeito do país no exterior; para aumentar a auto-estima dos brasileiros e para melhorar o índice de felicidade dos tupiniquins.

Em parte, tais argumentos são até procedentes e válidos. Isto porque, sendo um país que não pensa e não age a médio e a longo prazo; sendo um país que não dispõe de políticas públicas que formatem o desenho do país que querem os brasileiros e a que têm direito, possivelmente, tais eventos, forçarão a construção de cenários que levem ao planejamento de intervenções em tais áreas urbanas e em certos segmentos sociais que permitam, ao fim e ao cabo, hierarquizar prioridades que acabem atendendo ao que o país precisa. Ou seja, tais eventos iriam representar o planejamento e as políticas de médio e longo prazo para o enfrentamento de questões cruciais do país. 

Ao que tudo indica, o Brasil acostumou-se a ser um país festeiro e que, mesmo não planejando o dia de amanhã e vivendo de símbolos e fantasias, acaba dando certo. Então que venham a Copa do Mundo, as Olimpíadas, o prêmio Nobel da paz, o Oscar e tudo que encha de orgulho e alegria, nem que seja uma alegria de carnaval, o maravilhoso povo brasileiro.

SCENARIUM

A SUCESSÃO MARCHA!

Para quem acha que o processo sucessório está se desenrolando em um ritmo lento ou dentro daquilo que seria o esperado está bastante equivocado. As articulações, as negociações e as movimentações dos presumidos pré-candidatos ocorrem a todo instante e em todos os pontos do país. 

Até a movimentação de Lula está sendo acompanhada pelos candidatos que querem se beneficiar da sua popularidade, como foi o caso das visitas às obras da Transposição das Águas do Rio São Francisco onde Dilma Roussef e Ciro Gomes dividiam o palanque e, cada um a seu modo, procurava mostrar proximidade com Lula, prestígio junto ao Chefe e, acima de tudo, assumir a paternidade da obra. Ciro, muito mais conhecido dos nordestinos, não só por ser um nordestino do Ceará, embora nascido em São Paulo, ganhava mais exposição e chamava mais atenção de quem acompanhou a visita de Lula ao Nordeste, em função da exposição de mídia fruto de suas duas candidaturas a Presidente e por ter sido o responsável pelo início das obras da Transposição. Ademais, Ciro parece estar sabendo assumir a postura de candidato da continuação e não da continuidade do governo Lula. Ou seja, adotando a posição de quem quer manter o que é bom do governo, corrigir erros e equívocos e melhorar a qualidade da gestão, além de imprimir uma nova dinâmica a conceitos de desenvolvimento com sustentabilidade, com distribuição de renda e com cidadania, Ciro cria, hoje, uma grande “saia justa” para Lula. E esta viagem de visitas a Bahia, Pernambuco e Ceará, em locais estratégicos da revitalização e transposição das águas do São Francisco acabou por favorecer mais a Ciro do que a Dilma.

Por outro lado, como o eleitorado nordestino tem enorme peso em São Paulo, no Rio e em Brasília, Ciro fala mais a alma e ao sentimento nordestino do que Dilma Roussef. E Ciro teve tanta sorte que, quando Aécio Neves se juntou a comitiva, também, mais uma vez, dada a proximidade e a amizade de Ciro com Aécio, Ciro levou vantagem pois que, como se falou muito em Minas, caso Aécio seja o candidato dos tucanos à Presidência, Ciro era visto como o provável candidato a vice do próprio Aécio, então o cearense-paulista ganhou pontos junto à mídia e ao eleitorado.

Dos demais candidatos, Marina faz seu périplo internacional, critica a ação do governo, chama a atenção para o aumento do desmatamento e pede uma atitude mais firme e comprometida do Brasil para com o desmatamento e a emissão de carbono na reunião de Copenhague. Serra tem fugido à discussão da sucessão mostrando-se incomodado mais com a incursão de Ciro em São Paulo e com suas provocações verbais. Na verdade, adotando uma atitude low-profile, fazendo declarações críticas a questões não tão relevantes como, por exemplo, às políticas do governo para reduzir os desequilíbrios regionais. Serra, habilmente, não critica abertamente o Bolsa Família mas se propõe, de maneira bastante cautelosa, torná-la uma espécie de Bolsa Cidadã, qual seja, um caminho para que o cidadão tenha a bolsa como um instrumento de inserção no mercado de trabalho e de crescimento pessoal e profissional.

É possível que a próxima rodada de pesquisas já mostre um Ciro alcançando o patamar de 20% e, cada vez mais, os erros estratégicos do PT, cometidos por declarações de José Dirceu, pelas declarações infelizes de Marta e pelo olhar enviesado de petistas de alta plumagem em relação a Ciro, só faz com que ele cresça na preferência dos insatisfeitos com o PT e daqueles que gostam de seu estilo desabrido e da pesada crítica que ele faz ao chamado PMDB que pratica o chamado pragmatismo cínico.

O que ainda embaraça o itinerário de Ciro é a insistência do Presidente Lula de querer uma eleição plebiscitária, ou seja, o PT contra o PSDB, já que os demais partidos estão vocacionados para o papel de coadjuvantes, parceiros ou aliados no processo. Ademais, Ciro ainda tem, como uma espécie de espada de Dâmocles sobre a sua cabeça, a indefinição de Eduardo Campos, o presidente de seu partido que, em função das pressões do PT Nacional e das composições locais, ainda tende a querer acompanhar o que Lula deseja. Também, Ciro sabe que, se ele tiver a paciência, a ponderação, a temperança e a humildade, nem que seja “industrializada”, para aguentar as várias pressões, provocações e ciclotimias dos processos de adesão de grupos e segmentos de partidos, ele poderá se consolidar como o candidato anti-Serra mais viável.

A mídia tenta minimizar as restrições do PT a Ciro afirmando que a Direção Nacional está a repensar o cearense como alternativa à Dilma já que, até agora, em termos de leveza de candidatura, a mineira-gaúcha está mais para “bode embarcado”.

DILMA É UMA CANDIDATA PESADA

A contratação do estrategista ou do marqueteiro de Obama, Ben Self, para tentar fazer deslanchar a candidatura de Dilma, não pode fazer milagres. Se não houver carisma, proximidade com o eleitor e alguma idéia-força para fundamentar a proposta, não haverá marqueteiro, por mais brilhante que seja, capaz de fazer de Dilma uma candidata viável. Lula, escorregadio, diz que só daqui a seis meses ficará claro se a tese dele de eleição plebiscitária prevaleceu ou não. Até lá, ele vai de Dilma, fazendo comícios, propaganda e palanque eleitoral sem dar bola para a Justiça Eleitoral e, diante de uma oposição desestruturada, desorganizada e atarantada e sem discurso para enfrentar o carisma e o caráter mítico do itinerário de Lula.

SCENARIUM

A FOME NO MUNDO.

Relatório das Nações Unidas faz alerta sobre a fome no mundo e confirma que o número de famintos já ultrapassa um bilhão de pessoas. Ademais, pelo “andar da carruagem”, se nada de especial for feito, a tendência é de um aumento significativo nos próximos anos e, as famosas Metas do Milênio correm o risco de não serem cumpridas. Tal número de famintos já atinge 15% da população mundial sendo mais concentrada na Ásia e no Pacífico – 642 milhões – e na África Subsahariana com cerca de 265 milhões de pessoas!

E diante de uma crise, como a que ocorreu recentemente, os empregos caem, os preços dos alimentos sobem e o número de famintos aumenta. Para atender as exigências mínimas de segurança alimentar para a população projetada para 2050, a produção deverá crescer, no mínimo, 70%! Tal fato remete-nos ao comentário feito, há uma semana, neste site, sobre o trabalho do Clube de Roma, realizado em 1970 quando, uma espécie de “neomalthusianismo”, tomou conta de muitos “experts” e de lideranças mundiais. 

Naquela época, iniciava-se, na Ásia, uma experiência que iria mudar todos os paradigmas da produção e da produtividade agro-pecuária mundiais, a chamada revolução verde. Melhoramentos genéticos, maior conhecimento dos solos, evolução na qualidade dos fertilizantes, melhoria substantiva nos herbicidas e pesticidas, além de significativo incremento nas técnicas de manejo. Com isto, alavancou-se de tal ordem o crescimento dos rendimentos agropecuários que o fantasma da fome, pelo menos, distanciou-se mais.

Considerando que esse é o maior número de famintos do mundo desde 1970, é bom que se mencione que, mesmo antes da crise econômica internacional, o número de famintos já atingia 850 milhões. O Brasil, face às políticas de segurança alimentar e os programas de distribuição de renda, diminuiu o percentual de subnutridos, de 95 e 97 para 2004 a 2006, de 10% para 6% da população, sendo o país que apresenta o menor número de famintos da América do Sul.

É crucial chamar a atenção para o fato de que, com as exigências de redução substancial de desmatamento – o Brasil pretende reduzir em 80% o desmatamento e, alguns ambientalistas querem o compromisso de zero de desmatamento a partir de agora! -e de alteração da matriz energética para a produção de energia a partir da biomassa, a tendência que a fronteira agrícola fique mais estreita ainda. Portanto, uma nova revolução verde é reclamada pelo mundo bem como uma política demográfica séria para muitos países que apresentam taxas de fertilidade feminina altíssimas.

 GOVERNO TIRA “O BODE” DA SALA!

 Depois de ameaçar a classe média com um verdadeiro estelionato, o governo, diante das repercussões negativas, inclusive para a sua candidata Dilma, resolveu voltar atrás e não mais adiar para 2010 a devolução do Imposto de Renda pago a mais pelos contribuintes. Ou seja, adotou aquela velha prática do “se colar, colou”. Ou, coloca-se o bode na sala. Se não houver reação, mantém-se o bode lá. Mas, se a reação for adversa, age-se como um governante generoso, e tira-se o incomodo visitante da sala. Foi isto o que o governo fez!

 EMPREGOS A MÃO-CHEIA!

 Os dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de setembro mostram que foram criados 252.617 empregos com carteira assinada no país. Meio milhão nos últimos dois meses. O saldo de 2009 chega a 932.651 colocações com carteira assinada. É um patamar próximo ao nível de emprego pré-crise.

 O Nordeste tem o melhor desempenho entre todas as regiões. E, particularmente o Ceará, em termos absolutos e relativos, foi o que teve o melhor desempenho acumulado dos últimos doze meses. E, pasmem, o melhor desempenho foi garantido pela indústria de transformação!

 SENADO FAZ UMA BOA AÇÃO!

 O Senado Federal aprovou o fim da DRU – Desvinculação de Receitas da União – para o orçamento específico da área de educação, o que agregará não só a União, mas a estados e municípios, uma margem apreciável de recursos para turbinar o esforço de melhoria da educação no Brasil. O país, segundo dados da UNESCO, é o segundo a gastar mais, em termos do seu PIB, no mundo, em educação. E, mesmo assim, continua a apresentar os mais baixos índices de qualidade da educação no ensino básico e médio. Na área do ensino universitário, continua agora o país a ostentar mais um título negativo: a USP, que era a única universidade brasileira a estar entre as 200 melhores universidades do mundo, saiu da lista! No dia que houver um plano factível, viável e objetivo de melhoria da qualidade de ensino no Brasil, com metas definidas e prazos determinados, aí a gente vai acreditar que a coisa vai mudar. Porque se depender do dinheiro do pré-sal, então só para 2020 em diante.

Imagine-se se, como agora faz o Senado, o Executivo cumprisse tão somente a lei e aplicasse todos os recursos da CIDE na recuperação e ampliação da malha rodoviária e o FUST fizesse a revolução prometida da inclusão digital, aí o país começaria a dar certo. E se o “sonho de uma noite de verão” de uma reforma cuja Comissão começou a trabalhar, para tornar a justiça mais ágil, aí os brasileiros começariam a ter certeza de que Deus é brasileiro!

 ASSENTAMENTOS RURAIS: FRACASSO, SUCESSO OU…?

 Pesquisa da CNA/IBOPE, divulgada recentemente, indica que o projeto de assentamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário tem sido um rotundo fracasso. Mais de 40% de tais assentamentos não produzem o suficiente para garantir a sobrevivência das famílias ali situadas. Além disso, mais de 30% mal alcançam um salário mínimo de rendimento. Ou seja, mesmo com a terra, os recursos investidos em infra-estrutura pelo MDA, além dos mais de R$ 115 milhões de convênios feitos com o MST, a coisa parece que não vai nada bem.

 Aliás, se a Câmara e o Senado quisessem uma boa diversão, poderiam fazer um levantamento, “in loco”, nos assentamentos para verificar se quem fala a verdade é a pesquisa do IBOPE ou o palavreado generoso do Ministro Guilherme Cassel. Também seria de bom alvitre que os nobres senadores dedicassem uma parte de seu tempo para verificar a situação dos projetos de irrigação do Nordeste.

Se estão viabilizados econômica e comercialmente? Se têm oferta suficiente d’água? Se a manutenção de sua infra-estrutura de canais, bombas, etc., opera adequadamente? E, se não há distorções na exploração de áreas, vendidas ou cedidas, pelos irrigantes de forma irregular? Tais perguntinhas dariam subsídios enormes para mudar a política de irrigação no Brasil quando se está a gastar mais de R$ 5 bilhões no projeto de transposição das águas do São Francisco!

 A CHANCELARIA BRASILEIRA!

 A Chancelaria brasileira que defende Batistti, que não permitiu asilo aos boxeadores cubanos, que apoiou o erro da brasileira na Suíça e que abrigou, apoiou e garantiu um quartel general para o Zelaya, fez-se muda, surda e cega diante da atitude do democrático governo cubano de impedir que a blogueira Yoani Sánchez viesse ao Brasil para lançar o seu livro, conforme anunciado em sua entrevista a uma revista de circulação nacional. Continua a Chancelaria no seu itinerário terceiro-mundista, marcado pelos ideologismos e bem próxima de adotar o ideário da revolução bolivariana. Estamos bem e muito bem!

O BRASIL É A BOLA DA VEZ!

Em 2010 o Brasil poderá atrair mais de 60 bilhões de reais de investimentos externos. E isto se deve a alguns fatores de atração de negócios e de empreendedores externos. São eles o custo de oportunidade da aplicação onde aqui se remunera bem mais que qualquer outro lugar do mundo; o pré-sal e seus desdobramentos; a copa de 2014; os jogos olímpicos de 2016 e a nova matriz energética que se constrói no país. Além disso, conta o Brasil ainda com uma relativa estabilidade politico-institucional; uma estabilidade econômico-financeira e um elevado nível de reservas. 

Contra o país, os gargalos institucionais – tributários, trabalhistas e previdenciários -; os gargalos logísticos; a frouxidão dos marcos regulatórios; a insegurança jurídica; além do fato de a produtividade ser muito baixa e o ambiente de negócios não ser um dos melhores. Mas, apesar de tudo isto, o país tem oportunidades de investimentos monumentais…

O ALVO É CIRO GOMES!

Se a lucidez, o equilíbrio e a ponderação forem companheiras de Ciro Gomes durante os próximos meses, ele terá tudo para vir a ser o concorrente de Serra,  se esse for o candidato do PSDB, pelo lado anti-tucano. Porque se Lula continua querendo uma eleição plebiscitária, tentando desconstruir a  candidatura de Ciro; se o PT demonstra, pelas palavras de Marta, que não o engole como alternativa à Dilma; se o PSDB, de maneira pouco inteligente, começa a bater em Ciro para defender Serra, nada mais fazem do que encher a bola do cearense-paulista. Na verdade, poucos entendem que Heloisa Helena já não é mais candidata, Marina crescerá mas não conseguirá musculatura em termos de apoios partidários, tempo de televisão e fôlego para um embate duro e Dilma continua a patinar, não terá outro jeito senão admitir que, no momento, a candidatura com maior potencial é a de Ciro Gomes. Ele já é o preferido do eleitorado do Ceará, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Rio e, a tendência, é crescer mais ainda. Basta conter a língua, fazer com que o seu partido entenda que, com 20% de preferências, Ciro pode garantir que o PSB se torne uma das forças partidárias mais representativas do país.

E mais. A pressão do PT em cima do Governador Cid Gomes, ameaçando lançar um candidato ao Governo do Ceará caso Cid não apóie Dilma, poderá fazer com que Cid abra mão da reeleição. Com isto, fortaleceria uma possível candidatura de Tasso Jereissati ao Governo do Estado, restringindo os palanques de Dilma no Ceará.

O IDH É PRECÁRIO PARA MEDIR NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO!

Embora um avanço, o IDH ainda não se constitui em um instrumento fundamental para medir a qualidade de vida das pessoas individualmente e dos povos como um todo. Como se sabe o IDH é a combinação de três indicadores: a longevidade, a renda e a educação. A longevidade, embora tenha embutida indicadores como a mortalidade infantil e a violência, por se tratar de uma média, esconde profundas distorções. Da mesma forma que a renda per capita – a média esconde enormes diferenças de renda por grupos –, os dados de taxa de alfabetização não mostram a qualidade da educação.

Ademais, o IDH deveria incluir indicadores qualitativos do tipo liberdade de expressão, direito de ir e vir e nível de preconceitos. É isto que diz recente análise do BID.

UM NOVO CLUBE DE ROMA!

Nos anos setenta, um grupo de cientistas e estudiosos resolveu dedicar-se ao exame das perspectivas econômicas do mundo diante das várias limitações que se antepunham ao futuro da humanidade. Reacendia-se uma espécie de neomalthusianismo. As preocupações eram enormes não só em relação a escassez de meios diante do ritmo de crescimento da população mas também havia uma dramática inquietação e angústia com o processo de esgotamento dos recursos naturais, para atender a demanda crescente da humanidade. Ali deveria se estabelecer um ponto de inflexão na história dos povos. Ou alguns conceitos e paradigmas eram alterados ou os constrangimentos à vida dos povos seriam enormes.

Na verdade, à época, não se conhecia o potencial de enriquecimento de minerais pobres – silício, areia monazítica, argila, etc – nem tampouco o potencial da mineração do fundo de mar que, hoje, só no caso do petróleo, a quase totalidade da produção, se faz no mar. Também a produção de alimentos escasseava, pois a fronteira agrícola, passível de aproveitamento, estreitava-se cada vez mais.

Ademais, embora se acreditasse que a tecnologia poderia produzir saltos em termos de conquistas da humanidade no que respeita ao aumento  de produção e de dinamização do crescimento, os constrangimentos aumentavam e criava-se um certo pânico diante das perspectivas de aumento da fome no mundo.

Por outro lado, ainda não havia começado a ocorrer os primeiros resultados da chamada revolução verde, que começou na India e no Paquistão, com o melhoramento genético que multiplicaria a produtividade do arroz, do milho e depois de toda a produção agropecuária do mundo. Também, àquela época, embora não se tivesse a idéia do potencial da tecnologia para mudar os padrões de produção e de produtividade na indústria manufatureira, não se pensava que tantos minerais iriam mudar os paradigmas  dos processos manufatureiros em todos os níveis. Não se sabia que, um carro pequeno, que naquela época consumia mais de 1.400 kg de aço, com o uso do plástico, das fibras de vidro e carbono, dos vidros especiais, do alumínio, etc., permitiria reduzir o peso do carro para a metade. Com o peso menor os motores passaram a consumir menos combustível e, através de inovações como a injeção eletrônica e outras, a tecnologia melhoraria o desempenho dos motores.

É certo que, embora se tivesse alguma idéia do potencial que a eletrônica, a informatica e as tecnologias da informação e de comunicações, pouco se tinha de avaliação quanto ao salto tecnológico que tais avanços iriam permitir.

Agora está o mundo diante de um novo desafio, qual seja, prevalecer a idéia de crescimento sustentável, preservação e conservação do meio ambiente, desarmamento nuclear, superação, por completo da crise econômica internacional além de ganhos significativos em termos de respeito aos direitos humanos e à cidadania, estão a exigir esse novo “Limits of growth”, como foi denominado o estudo do Clube de Roma.

E três dados novos se tornam auspiciosos. Em primeiro lugar, a chamada mudança de conceito da China. Agora, todo o esforço da China é de realizar um processo de crescimento chamado de China Verde. Melhorar a eficiência e produtividade de produção de energia e de seu uso não só explorando todo o potencial de energia solar e eólica; aumento da eficiência no uso das fontes energéticas com motores de melhor rendimento; desenvolvimento de carros híbridos, desenvolvimento de baterias recicláveis e, “last but not least”, redução de emissão de carbono. Se isto é um comprometimento da China, a concessão do Prêmio Nobel da Paz a Obama busca estimulá-lo a cumprir os compromissos que ele, reiteradas vezes tem repetido, com o meio ambiente, o desarmamento nuclear e a superação da crise econômica mundial. Por outro lado, a atitude de países como a Noruega de, partir na frente e se comprometer a reduzir em 40% a emissão de gás carbono e de propor que se garantam créditos de carbono para países em desenvolvimento que reduzirem o desmatamento de florestas, são iniciativas que podem estabelecer tal reviravolta no mundo. Além disso, crescem os adeptos – no caso famosos – da causa ambientalista no Brasil e no mundo o que, aos poucos, vai criando uma cultura de conservação e preservação.

E, aos poucos, cria-se uma agenda internacional com a adesão das maiores nações do mundo e, os emergentes, passam a assumir uma postura de novos players com responsabilidades fundamentais em tais questões.