BOAS E MÁS NOTÍCIAS!

AS BOAS!

1.  A expansão do cultivo da cana de açúcar para a produção do metanol fica proibida em 81,5% do país. Preservar áreas do cerrado é o grande objetivo. Hoje a cana ocupa certa de 7,8 milhões de hectares e deverá agregar mais cerca de 6,7 milhões. É Lulinha tomando o discurso de Marina da Silva.

 2. JBS/FRIBOI, líder global na produção de carnes (bovina, suína e de frango). A Brasil Foods (Sadia + Perdigão) é a quinta no mundo!

 3. A Bolsa atingiu ontem 60 mil pontos, maior nível em 14 meses e o câmbio se encaminha para estabilizar-se no ponto imaginado pelos economistas que será de R$ 1,75. A continuidade da entrada de capitais externos na bolsa responde, em parte, por tal sucesso!

 4. No balanço da crise o emprego já é positivo em 45,7 mil vagas, comparando admissões e demissões. Pelo 7º mês seguido o resultado do emprego com carteira assinada é positivo!

 5. Portaria do MEC/MS permitirá, a partir de agora, que a revalidação de diplomas de medicina obtidos no exterior, possa ocorrer através de prova escrita e oral, em habilidades clínicas, nas universidades brasileiras!

 AS MÁS!

1. Comissões da Câmara dos Deputados aprovam redução da jornada de trabalho para enfermeiros. Não que a medida não seja justa, mas que vai abrir um bruto precedente para muitos projetos que dormitam na Câmara. É esperar para ver!

 2. Previsão orçamentária para as Forças Armadas reduziu os recursos para gastos com programas de direitos humanos e recursos do mar. E ainda anda faltando grana para bancar o rango da macacada do Exército!

 3. Planejamento não fez a provisão para os valores reclamados pelos governadores para bancar o débito com a Lei Kandir. O valor vai acima de 3 bilhões de reais. A coisa vai engrossar. É só esperar a próxima semana.

 4. Deputados e Senadores enfrentam um grande drama. Como o Governo Federal vetou as emendas de bancada, congressistas estão entre a cruz e a caldeirinha. Ou atendem as suas bases ou satisfazem a voracidade dos governadores. No Ceará, a coisa esquentou de tal maneira que virou encrenca grande e grossa entre os deputados federais e o Governador Cid Gomes.

 5. Ao aprovar, após quinze anos, a unificação de documentos importantes para os cidadãos brasileiros como o CPF, a carteira de identidade, de motorista, do passaporte, etc., favorece a que, enquanto não se montarem os bancos de dados dos estados para gerenciar cada um desses dados, a coisa vai ficar só na esperança. Caso o governo conseguisse ser ágil, aí o combate ao crime seria amplamente facilitado, pois o que tem de marginal com dez carteiras de identidade, cinco CPF’s, não sei quantas habilitações, não está no gibi.

 6. Reforminha safada esta político-eleitoral. Não aprovou nada de relevante para melhorar e dar mais legitimidade ao processo e, ainda por cima, vetou coisas que o Senado havia aprovado. É, reforma mesmo, só para as calendas!

 7. A “expulsão” do Governador Joaquim Roriz do PMDB do Distrito Federal, em face da intervenção da Executiva Nacional no Diretório Regional, muito se assemelha a expulsão do antigo líder maior do PMDB no Ceará, o ex-prefeito Juracy Magalhães, já falecido. É uma pena que os partidos ajam dessa forma onde não prevalece nenhum princípio de democracia interna e os partidos são verdadeiras capitanias hereditárias.

Scenarium de 16/09/09

 

LIÇÕES DA CRISE

 Mantém-se um debate, ainda acirrado, se a crise passou, efetivamente! Para alguns economistas há sinais de que o pior da crise passou, mas que é preciso estar muito atento pois que algumas bolhas ainda podem se fazer presentes e tumultuar o quadro econômico internacional.

 Por outro lado, alguns economistas europeus já antecipam que o “cassino” voltou a operar. Ou seja, o sistema financeiro e bancário mundial mantêm muitos ativos podres e já ensaiam a retomada de outros possíveis subprimes ou de uma alavancagem não mais recomendável. Aliás, na última reunião do G-20, várias recomendações foram feitas relativas a diminuição da alavancagem dos bancos, da sua capitalização, da redução dos bônus de desempenho além de um duro protesto porquanto os contribuintes não aceitarão, mais uma vez, pagar a conta da irresponsabilidade de certos agentes  econômicos.

 Existirão possíveis novas bolhas? Que sinais são colocados? Outra indagação que se faz é se a recuperação econômica será comandada mesmo pelos emergentes ou se dependerá da superação da crise nos Estados Unidos. 

 O que é certo é que a crise ainda não está de todo superada, pois quem melhor conduziu o seu enfrentamento – provavelmente a China – ainda não retomou o crescimento pré-crise pois que se espera um crescimento de 7 a 8% este ano contra 11% de 2008! Por outro lado, parece que duas  conclusões são bastante claras do que a crise apontou. A primeira a de que, se não fora a mão pesada do Estado, a situação teria se agravado muito mais e, provavelmente, não se estaria saindo agora da crise e os efeitos  econômico-sociais teriam sido devastadores.

 A ação intervencionista do Estado, para alguns mais apressados, determinou o fim do liberalismo o que, na verdade não procede. O que pode proceder é a certeza de que a simplificadora tese de que a eficiência dos mercados resolveria tudo foi por água abaixo bem como a convicção de que a esquerda foi incapaz de propor algo para substituir a chamada visão liberal da condução da economia. A única coisa que parece que retomou os espaços e o fôlego foi o velho keynesianismo.

 E PARA O BRASIL?

 O Brasil não foi o último a entrar na crise nem o primeiro a sair. A crise, para o país, não foi um tsunami nem tampouco foi uma marolinha. A economia está saindo da crise, mas somente se configurará como a tendo superado totalmente, quando o país voltar a crescer aos níveis que vinha crescendo antes da crise. Os bons fundamentos da economia, o grande volume de reservas cambiais, uma ação enérgica e competente do Banco Central e as medidas anticíclicas tomadas pelo governo permitiram que, em pouco mais de seis meses, o país já começasse a sentir a reversão de expectativas. Claro está que se o PAC tivesse andado, como queria Lula, e se as renúncias fiscais fossem direcionadas para não permitir a queda da taxa de investimentos, os dados poderiam ser melhor festejados. As circunstâncias internacionais no que respeita à demanda e ao preço das commodities exportadas pelo Brasil, aliada a entrada de capitais de risco internacionais tanto na bolsa como nas empresas, permitiu mudar,  bastante, o quadro do balanço de pagamentos do país. Louve-se, ainda, o espírito do Presidente que esbanjava otimismo e vendia a convicção de que o Brasil sairia fácil da crise.

 Agora, o dever de casa ficou talvez um pouquinho mais difícil para a retomada do crescimento sustentado que o país requer, pois que as contas públicas pioraram, os gastos de custeio aumentaram e, diante de um ano eleitoral, as possibilidades de melhorarem são muito remotas.

 As mudanças institucionais – reformas tributária, previdenciária, trabalhista, sociais, etc. – não têm qualquer chance de serem votadas em 2010. E nem alterações perfunctórias para reduzir a carga tributária e melhorar a qualidade do gasto público, têm chance de ocorrer.

 É o caso de deixar as esperanças nas mãos do próximo governo e do novo Congresso!

 REDUÇÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA

 A crise deixou de saldo, uma redução de quase um ponto percentual – 0,95% – na carga tributária bruta em função das renúncias fiscais. Mas a boa notícia, em breve, se tornará uma má notícia não só com o fim de tais renúncias como com a criação da CSS e,  provavelmente, com a tributação da poupança, prevista para atingir valores acima de cinqüenta mil reais, a partir de 2010. A única coisa que minimiza o sofrimento dos poupadores é que o imposto de renda será cobrado somente sobre as novas contas.

PAULO HENRIQUE LUSTOSA GARANTE O MONOPÓLIO DOS CORREIOS

       O relator do Projeto de Lei que regulamenta o serviço postal no Brasil, Deputado Paulo Henrique Lustosa, garante que o monopólio dos Correios está mantido e que o Congresso não mudará essa decisão. Segundo o parlamentar, a proposta em debate na Câmara atende a uma exigência legal que estabelece o prazo de um ano para que o Poder Legislativo regulamente a matéria.

      Paulo Henrique explica ainda que a decisão adotada pelo Supremo Tribunal Federal, no último dia 05 de agosto, impôs que cartas pessoais e comerciais, cartões postais e correspondências agrupadas só poderão ser transportadas e entregues pelos Correios. “O monopólio dos Correios não corre nenhum risco pois é um assunto vencido, inclusive com o respaldo do STF”, afirmou o deputado.

BRASIL: A CRISE E A RETOMADA DO CRESCIMENTO

        Superar a crise significa voltar a crescer nas mesmas taxas de antes.

        Segundo Amaury Bier, Presidente da Gávea Investimentos, o país superou a crise, mas não conseguiu retomar o crescimento nos patamares anteriores devido à queda de investimentos. Ainda, segundo Amaury, “a política fiscal está sem norte e sem arcabouço”. Ele acredita que uma gestão mais eficiente dos gastos do governo poderia dar condições para que o PIB potencial suba de patamar.

         Para isso, Bier reforça que é preciso diminuir os gastos correntes e flexibilizar o orçamento para alocações mais eficientes. Para este Scenarium, além de tais pontos levantados por Amaury Bier, um marco regulatório estável, uma reforma previdenciária e uma reforma trabalhista também são elementos capazes de atrair um maior volume de investimentos para o Brasil.

A MONTANHA RUGE, RUGE… E DEVE PARIR UM RATO!

        O Senado Federal tentará concluir hoje a votação da proposta de reforma eleitoral. Entre as emendas pendentes está a que pretende acabar com as restrições na cobertura das eleições por sites de internet e a que muda as regras para a substituição de prefeitos e governadores cassados.

       Porém, o sentimento de todos é que os pontos mais relevantes da reforma, como o financiamento público de campanha, as listas fechadas e a fidelidade partidária não foram abordados.

AINDA SOBRE O PRÉ-SAL.

        Nesta semana será apresentado o plano de trabalho elaborado pelos relatores dos quatro projetos de lei que dispõem sobre o marco regulatório do pré-sal. Por hora, nada de excepcional será apresentado, além dos pontos já mencionados neste espaço (formas de financiamento, discussão sobre matriz energética, etc.) porquanto a sociedade civil ainda não foi ouvida.

         A única certeza é de que o processo tem data marcada para acabar: 11 de novembro.

NOTAS RÁPIDAS

Rafale, Boeing e Grippen pretendem se engalfinhar numa luta que já foi decidida a favor dos primeiros. Parece com o cartão vermelho do Senador Suplicy, expulsando de campo quem já devia ter sido expulso por falta cometida anteriormente. A única coisa que ficou um pouco complicada foi a situação do Exército – o patinho feio das Forças Armadas – que não ganhou nenhum brinquedinho e nem tampouco dispõe de grana para pagar o rango da “milicada”.

E o Presidente Michel Temer, aproveitando que os deputados não receberam os recursos de suas emendas, não vai marcar um tento aprovando o chamado orçamento mandatório ou impositivo para tornar mais transparente, previsível e menos peça de ficção o atual Orçamento da União? Ou será que o sonho de ser o candidato a vice de Dilma impede-o de propor certas ousadias?

O leitor já ouviu falar em FNB? Claro que o leitor conhece o PIB ou PNB – o Produto Nacional Bruto – mas a felicidade nacional bruta é a proposta que Sarkozy quer que a União Européia adote para medir a riqueza das nações. A idéia é antiga mas é bastante interessante e pode substituir os IDH’s, o coeficiente de GINI, entre outros indicadores, de desigualdade ou de infelicidade dos povos.

Scenarium de 08/09

UMA SAUDÁVEL COLHEITA!

O Presidente Lula está de peito lavado. O fim de semana não poderia ter sido melhor. O pré-sal, o mais relevante trunfo político assume, perante a oposição, ares assemelhados ao bolsa família e, ninguém em sã consciência tem a coragem de colocar-se contra a proposta estatizante e nacionalista embutido na forma de operar a presumida nova riqueza do País.

As reações da classe polítca, da mídia e dos formadores de opinião apenas se colocam contra a pressa na definição do marco regulatório. A maioria já foi “convencida” e aquietada com mimos que só Deus sabe quais para aprovar os projetos de lei nos prazos cobrados por Lula, ou seja, em 45 dias na Câmara e 45 dias no Senado.

A reação dos governadores será facilmente administrada, porquanto caberá aos mesmos negociarem a distribuição dos benefícios oriundos de tal exploração e definirem a forma de distribuição e gestão dos recursos do Fundo Social.

A área empresarial já se movimenta para conhecer o volume dos investimentos requeridos pela cadeira produtiva para a extração do petróleo e para o seu aproveitamento, para que prepare os seus planos de expansão a partir da nova bolha de crescimento.
Se tais circunstâncias favoráveis não fossem  o bastante para bancar qualquer projeto político, inclusive o de Dilma, o Presidente Lula, aproveitando a agilidade imposta poelo Ministgro da Defesa na negociação do reaparelhamento da Marinha do Brasil e da Aeronáutica, consegue estabelecer a negociação de um bilionário — bilionário  em euros! — contrato com a França para produzir submarinos nucleares, helicópteros e aviões supersônicos Rafale, num montante que vai além de 23 bilhões de euros com transferência integral ou quase integral de tecnologia. Aliás, contrato saudado, efusivamente, pelas Forças Armadas e pelos saudosos francófilos brasileiros tão ligados ao Liberté, Egalité e Fraternité franceses. Aliás, poucos sabem que Castelo Branco, por exemplo, um dos mais respeitados militares, tinha sua formação moldada na França e tinha um respeito e admiração pelo vinho, pelo fondue, pelos queijos, pela música e pela cultura e finesse franceses. A única frustração do sete de setembro foi a sentida ausência de Carla Bruni, a primeira dama francesa.

Se isto não bastasse para estufar o peito do Presidente, a notícia do domínio do processo de construção da bomba atômica pelo físico cearense Dalton Ellery Girão Barroso, aliada a vitória do basquete brasileiro ganhando a Copa América, e do Brasil encaçapando a Argentina em Rosário, foram demais para o fim de semana.

De quebra, o Presidente já arma o circo para ajudar a sua candidata que, com o PAC e o pré-sal, começa a invadir a praia de Marina da Silva. Ao quando vetar o projeto de lei que ampliaria as áreas para o plantio de cana, reduzindo em 50% a permitida para tanto, incluindo o Amazonas e o Pantanal, o Presidente desarma os ambientalistas e tira uma parte do discurso de Marina. Também, o Presidente, além de estabelecer essa barreira para expansão da fronteira para a cana — o veto corresponde a cortar cerca de 460 milhões de hectares! — para não desagradar agricultores e exportadores de álcool, definiu uma linha de  crédito, com juros rebaixados, para a produção de álcool, atendendo as exigências internacionais do chamado selo verde.

Ademais, na reunião do G-20 as teses defendidas pelos emergentes, inclusive o Brasil, de reforço ao FMI, de rechaçar ao idéia de retorno ao “business as usual”; a crítica à operação alavancada dos bancos e a pesada crítica à distribuição de bônus aos gestores de bancos com a frase “o que vamos dizer aos nossos eleitores que estão perdendo os seus empregos enquanto os banqueiros continuam a receber bônus elevadíssimos?”, representou uma vitória  às teses defendidas por Lula.

Não é pouco e não é pouco mesmo para um final de semana!

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TEMPORÃO CONTRA TODOS!

A inglória luta do Ministro Temporão pela ressurreição da CPMF com o codinome de CSS, está conseguindo unir esquerda e direita contra a sua proposta. Dentro do modelo hospitalocêntrico defendido pelo Ministro, pouco se opera na medicina preventiva — saneamento ambiental, combate às doenças tropicais, etc.  –, não se racionalizam os gastos com medicamento — gasta-se uma fábula em medicamentos de alta complexidade — não se tem um trabalho sequer na área de gestão de hospitais públicos e privados e, até hoje, a proposta de centros de triagem para desafogar os grandes hospitais não tem funcionado. Deveria o ministério mostrar o que faz nessas áreas, propor a ampliação do número de médicos, estabelecer uma nova onda de medicamentos genéricos  e buscar reduzir os desvios de comportamento e os desperdícios na aquisição, manejo e distribuição de medicamentos. Se fizesse um balanço do que se gasta com aihs desnecessárias, com presumidos acidentes de trabalho e outros desvios, já melhoraria bastante a eficiência da saúde pública no Brasil. Se não mostrar nada disso, não há pressão de prefeitos e de governadores que dê jeito na aprovação da CSS.

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PETROBRÁS, PRÉ-SAL E FGTS!

Quando Lula souber que as ações do fundo FGTS/PETROBRÁS, tiveram valorização de 800% nos últimos anos, ao invés de dificultar a aquisição pelos trabalhadores de mais ações da Petrobrás com o FGTS, é bem provável que Lula mande o BB e a Caixa abrir linha de crédito para trabalhadores comprarem ações, pois não seria nada justo e pouco consistente e coerente com o projeto de nacionalização do pré-sal.

Ou Lula não acredita no pré-sal ou está indo pela cabeça de algum esperto que quer tirar vantagem da diminuição da participação dos trabalhadores no capital da Petrobrás.

Scenarium de 04/09

DILMA REPAGINADA!

A ministra-candidata, após um silêncio providencial diante do entrevero e da polêmica com Lina Vieira, o que levou a mídia a revolver antigos problemas – falsos depoimentos sobre cursos e diplomas; dossiê sobre FHC e sua mulher; truculência mis com auxiliares e companheiros, etc. – voltou à tona, com disposição invejável de candidata. Reentrou em cena, primeiro dizendo-se curada do câncer e disposta para a guerra. Em segundo lugar, redefiniu a sua estratégia de ação política após o surgimento dos fatos novos – a entrada triunfal de Marina Silva e o ressurgimento de Ciro como candidato à Presidência – focada agora na busca, através de Lula, de aliança nos estados, nem que para isto atropele os potenciais candidatos do seu partido na base do argumento de que, sem a Presidência, o partido morre e as vocações políticas petistas irão para o brejo. Em terceiro lugar, aprendeu com o seu chefe que o mais importante é lembrar que, se você estiver fazendo algo grandiloqüente, os seus pecados veniais e até mortais para os outros, considerando que o povo tem memória curta, a tendência é que, nos embates de campanha você poderá tratá-los como coisas requentadas ou dentro do argumento: se todos fazem por que eu não poderia ter feito?

Mas Dilma, hábil e marqueteiramente, descobriu que essa história de mãe do PAC servirá só para mostrar que sabe gerenciar, sabe mandar e sabe coordenar ações de governo. O mais relevante agora é vincular-se a sua Brasília ou algo tão relevante que gere sonho e esperança conseqüente de que, no governo dela, o Brasil será uma nova Caná ou Canaã com o famoso ou já famigerado, para alguns, pré-sal. Será vendido como algo tão grandioso que fará com que Dilma se coloque como um Juscelino de saias.

Por fim, Dilma, na nova fase Dilminha paz e amor, talentosamente, sem mostrar-se uma plagiadora, começará a assumir a tese dos outros no seu discurso de candidata. Ou seja, tornar-se-á uma ecoxiita com lucidez e, habilmente, fará um discurso baseado em desenvolvimento sustentável, exaltação da cidadania, nacionalismo para estudantes e petistas e federalismo fiscal além de manter toda a política social do atual governo. Com o carisma e o envolvimento total de Lula, Dilma, poderá mudar o roteiro do samba que se imaginava que seria a sucessão presidencial. Ela está se repaginando e, pela determinação de guerrilheira, pode ir longe apesar de toda controvérsia, dos desacertos e dos vícios que tem sido o governo – mas não Lula pois o mito está blindado!

E O PMDB? PERDEU OU GANHOU COM O EPISÓDIO DO SENADO

César Maia, o ex-prefeito do Rio, assim se manifestou no balanço ou na sua contabilidade de perdas e ganhos do entrevero que tomou conta do Senado Federal: “O desgaste de imagem maior foi do PMDB! Quem apostou no desgaste do PT errou. Lula continua firme”! Ninguém sabe qual o propósito do PT, se influir na luta paroquial para desgastar Sérgio Cabral ou se buscar uma aproximação com forças simpáticas a Lula. Ou, simplesmente, se César, sem ser tão bom analista político, equivocou-se. O PT é só desgaste por conta dos erros do governo, dos seus vacilos e de erros e problemas acumulados do passado. Quanto ao PMDB, quem conhece o DNA do partido fará uma aposta distinta. O PMDB deve crescer e, crescer bastante, nessas próximas eleições. O PMDB, como federação de partidos, por não ser um partido nacional e tampouco solidário com os companheiros, além de ser capaz de qualquer aliança para manter o poder, parece que tal esperteza é bem vista pelo eleitorado. Assemelha-se a história de um candidato a prefeito de Fortaleza, nos idos dos anos cinqüenta ou sessenta que, carismático e populista sem igual, disputava com alguém da UDN raivosa, um novo mandato de prefeito. E o seu adversário, diante de uma praça lotadíssima, começou o seu improviso conclamando o povo a um discurso participativo e interativo. E começou a indagar do povo:

“Quem foi o prefeito mais preguiçoso que Fortaleza já teve? E o povo, em coro, respondeu: Fulano. Satisfeito saiu para o segundo questionamento: quem foi o prefeito mais irresponsável? Mais uma vez, o povo em coro respondeu: Fulano. Mais feliz ainda indagou, em alto e bom som ao povo: em quem vocês vão votar para prefeito de Fortaleza? E o povo, uníssono, respondeu: Fulano!

Scenarium de 03/09

O PRÉ-SAL TEM PRESSA!

Lula quer fazer e ficar na história. Lula não quer ser o Presidente a ser lembrado apenas pelo “nunca antes na história desse País…” mas por ter sido o homem que reescreveu os tempos do Brasil em AL e DL, ou seja, antes de Lula e depois de Lula. O Presidente é esperto. Segue uma máxima, em termos de partido, que ouvi de Teotônio Vilela, o velho: “Meu filho, não importa o animal, o que importa é a caminhada”. Assim Lula, sempre maior que o PT, esqueceu o PT. Sempre maior, na habilidade e na competência de fazer política, usou o que Getúlio costumava fazer – usar os amigos até enquanto eles são úteis. Descarta-os e, pelo seu charme pessoal, os atrai de volta como fez Getúlio com José Américo de Almeida, com Flores da Cunha, e tantos outros. Lula fez isso e faz isso com os Francisco Oliveira, Frei Beto, Luis Gushiken, José Dirceu, Marina Silva e tantos outros.

Para Lula, os companheiros se dividem entre os que são incapazes e os capazes… de tudo! E assim vai levando e sonhando cada vez mais alto. Bolsa Família foi e é o pão para garantir a popularidade necessária para governar. Atender a banca é aquietá-la e fugir das pressões e das maquinações que poderiam ser urdidas contra a estabilidade de seu governo. Conseguiu fazer o país sair da crise com “escoriações generalizadas”. E ensinou a tucanada que, mesmo sem título de doutor ou de professor, ele se saiu bem melhor do que o seu desafeto FHC, com aqueles seus ares professorais.

Consegue garantir a tal governabilidade, mesmo que para isto tenha tido que acender uma vela a Deus e outra ao Diabo, mostrando aquilo que Tancredo dizia: o que enche rio é água suja! Que vengan los apoyos!

Até bem pouco Lula buscava as glórias terrenas ou mais comezinhas como uma popularidade nas alturas, uma blindagem que só os ídolos mitificados conseguem, o respeito da mídia internacional e o entusiasta elogio de Obama dizendo que ele “era o cara”!

Aliás, o que Lula busca é entrar na história sem ter que passar dessa para outra. É ser, assim, um Nelson Mandela, marcado mais pela sorte, pela habilidade (Tertuliano frívolo peralta, que fora um paspalhão desde fedelho; tipo capaz de ouvir um bom conselho…) e pelos anos de estrada convivendo com multinacionais e com o poder militar em tenebrosas negociações para salvar o sindicalismo e a própria pele. E sem ter que ter passado trinta anos presos. (Lula tem sorte. Engana São Pedro e acaba no céu, como Tertuliano).

E aí caiu do céu a descoberta do pré-sal. Claro que os anos anteriores de estudos e pesquisas e esforços dos governos passados de nada valeram diante da sorte e da determinação de Lula. E já rejeitou o País até um convite para participar da OPEP.

O entusiasmo de Lula com o pré-sal leva-o a um delírio igual aquele caricaturado por Chaplin no filme O Grande Ditador. Com o pré-sal, entrará, de maneira definitiva e indelével na história. É melhor isto do que aquilo que alguns assessores queriam: fazer dele Prêmio Nobel da Paz o que, para Lula, nada mais seria do que um Doutor Honoris Causa melhorado.

O pré-sal é diferente. O pré-sal é o hoje, o amanhã e o depois do país e o legado de Lula as atuais e futuras gerações. Claro que Lula, cauteloso, já antecipou que tal euforia pode levar o país à chamada doença holandesa. Pode levar a desestruturação de um notável esforço que se vem fazendo na área de produção de energia limpa.  Pode também levar ao vício de reestatização, notadamente da exploração de minerais estratégicos o que, afugentará investidores privados nacionais e internacionais.

E, uma Petrobrás aparelhada política e ideologicamente, aí então as preocupações podem alcançar níveis elevados pelo potencial de desmandos, descalabros e prejuízos ao país. Sem ter projeto de médio e longo prazo, sobrando dinheiro na Petrobrás para fazer cortesia com o chapéu das gerações futuras, as coisas podem começar a preocupar.

Para aprovar, em 45 dias na Câmara, os quatro projetos do chamado marco regulatório do pré-sal Lula vai precisar de chamar os parlamentares “na chincha”, os nobres parlamentares, dramatizados pela antevéspera de um novo julgamento eleitoral. Paciente e comovidamente, ouvirá as suas demandas por cargos, por emendas que até agora não foram pagas, por verbas especiais e outro que tais. Dirá a eles que convençam aos empresários que os financiam e a mídia que lhes cobra tanto, que nas negociações será possível fazer algumas concessões que, sem mudar o espírito nacionalista da proposta, dará a flexibilidade para uma convivência pacífica entre investidores, empreendedores e produtores.

E, sem maiores discussões, apenas ao nível da pobreza de conhecimento e formação do Congresso, ajudado pelo necessário “lubrificante cívico” –nada de mensalão – e de pequenas benesses para viabilizar o retorno ao Congresso de tão prestimosos e compreensíveis líderes, Lula conseguirá o seu objetivo. E, de quebra, vai garantir que o PMDB, ficando com a promessa do controle da empresa que administrará o pré- sal, estará pronto para assumir a candidatura de vice de Dilma. Então, Lulinha, paz e amor, adentrará, com o pé direito na história! E, com certeza, dirá em alto e bom som: Nunca antes na história desse país conseguiu-se tanto em tão pouco tempo.

DEPOIS DO SONHO E DO DELÍRIO, VEM O REAL DO PRÉ-SAL!

Mal chegou ao Congresso, ou talvez antes mesmo, os excluídos – governadores que não foram ouvidos em relação à regulamentação do pré-sal – começaram uma rebelião não aceitando a má partilha proposta por Rio, Espírito Santo e São Paulo. E aí vem a pergunta? Numa economia tão desigual, com tantas diferenças, por que os resultados do pré-sal serão concentrados nos três estados? Por que os benefícios não deveriam ser de todos? Por que não adotar uma distribuição dos benefícios inversamente proporcional à renda per capita? Como ficarão os maranhões e as alagoas da vida? E o Fundo Social a ser criado, sem hierarquização de prioridades, será que, sob o controle da União não reproduzirá o que acontece com a CIDE, o FUST, a malfadada CPMF e tantos outros fundos e contribuições destinadas a fins específicos que a União teima em não cumprir? Por que o pré-sal não dá qualquer esperança ao consumidor da possibilidade de vir a ter um preço mais baixo na bomba?

Por que o fundo não estabelece margem para reduzir a tributação – hoje de 40% – sobre combustíveis e derivados, retirando um naco adicional dos ganhos da Petrobrás?

Por que será que, ao invés de fechar a participação de capitais privados na Petrobrás nas explorações do pré-sal, não se permite que trabalhadores usem o seu FGTS para a compra de ações da empresa?

Se educação e saúde são obrigações do Estado e se destina parcela considerável para elas no Orçamento da União, por que o esforço desse fundo não se dirige a melhorar a qualidade do ensino médio – vide experiência do Ceará; a aceleração da implantação das escolas técnicas; a aumentar a meta de formar, ao invés de 10 mil, cerca de 50 mil doutores/ano; garantir incentivos especiais a melhorar o ensino médio apoiando iniciativas como os resultados de escolas técnicas, escolas militares e religiosas que tem tido o melhor desempenho no país sejam públicas ou privadas; por que parte não vai para um estímulo muito maior à produção científica do país e não vai para o saneamento ambiental para cumprir suas metas em período mais curto?

Será que a sociedade, atropelando o Congresso, não começa a se mobilizar para antecipar a opinião da plebe rude ignara sobre tais temas e a definição de metas-compromisso para tanto?

OBAMA, OBAMA!

Cerca de 59% dos americanos acham que o país está sendo levado para a direção errada. Os americanos, diante dos amargos remédios para o enfrentamento da crise e, sentindo que só a banca foi a maior beneficiária da derrama de dinheiro, sentem um quê de frustração porquanto os resultados na reversão das tendências de desemprego ainda não são os esperados para tamanho esforço. A popularidade de Obama caiu 17 pontos percentuais (lembram que ele foi eleito com 70% de aprovação) porque, para o cidadão comum ele promove políticas que aumentam os gastos e centraliza o poder em Washington. A lógica na cabeça dos americanos é que se Obama está propondo algo, isto deve envolver gastos, aumentar o tamanho do governo e ruptura com a tradicional abordagem americana. É, com as questões relacionadas ao plano de saúde, os gastos adicionais com a guerra, a situação de Obama começa a perturbar-lhe o sono. Mas ele ainda tem muito capital, muito tempo e muita determinação para acertar e, pela torcida de todo o mundo, ele deve acertar!

BOAS E MÁS NOTÍCIAS!

AS BOAS

  • As reservas cambiais já chegam a quase 220 bilhões de dólares; A inflação está abaixo do centro da meta; O desmatamento da Amazônia caiu 48% de 2008 para 2009 mas, em julho, segundo o INPE, o aumento da área desmatada no mês de julho foi 158% maior!
  • A confiança da indústria cresceu 6,1%;
  • Pesquisa mostra que 75% das pessoas preferem cotas sociais – para pobres – e não raciais nas faculdades; A British Petroleum descobriu um campo gigantesco a quase dez mil metros de profundidade. E a Petrobrás tem 20% dos direitos de exploração.

AS MÁS

  • Violência chega a capital federal com o assassinato do ministro, da mulher e da empregada à facadas; Crescem os gastos de pessoal e com encargos no governo Lula de 4,51% em 2003 para 5,11% em 2009. E 2010 promete novas contratações – 51000 – e novos reajustes acima da inflação e do crescimento de PIB, de forma conjunta.
  • Déficit da previdência cresce.

PERGUNTA DO SCENARIUM

Por que não criar a bolsa cursinho para os alunos das escolas públicas com maior potencial e desempenho para corrigir falhas e lacunas na sua formação básica e permitir igualdade de condições na concorrência com os brancos e bem nascidos nas universidades públicas?