DELFIM E AS AUTONOMIAS!

Para o Ministro Delfim Neto, uma nação só se consolida e se torna efetiva como player no cenário mundial quando ela alcança as três grandes autonomias: alimentos, energia e militar.

Este Scenarium  acrescentaria talvez uma das mais relevantes que seria a autonomia de recursos hídricos. E ao que parece, na área de alimentos o país já está chegando lá; na de energia, com o potencial hidrelétrico a ser aproveitado, com as fontes alternativas e com o pré-sal, também pode o Brasil dizer que já está lá. Finalmente na área militar, com as comprinhas à França, com a recuperação da indústria de material bélico e com o reequipamento do Exército que, chegará, em breve, aí a tríade famosa de Delfim estará alcançada.

Por outro lado, além de ter as maiores reservas do mundo de água de superfície, o país conta com uma reserva monumental de água subterrânea que vai de São Paulo ao Rio Grande do Sul, o que garante ao Brasil uma nova  Amazônia do precioso líquido. É claro que, dados os devidos desconto a esse “Por que me ufano do meu País”, a sociedade brasileira só precisaria reformular-se institucionalmente e elaborar o “seu plano de vôo” para os próximos  30 anos com vistas a garantir o país desejado pelas novas gerações.

AS EXPERIÊNCIAS COLETIVISTAS NO BRASIL!

Pouca gente se dá conta de que o Brasil já experimentou tentativas de implantação de comunidades coletivistas no país. Desde a experiência com os índios guaranis; o corajoso, ousado e resistente desafio de Canudos até a experiência do Caldeirão, do Beato Lourenço nos cariris cearenses à época de Padre Cícero. E tais propostas, não vinculadas a qualquer ideologia, pugnavam mais pelo solidarismo, pelo cooperativismo e pelos valores cristãos. Foram abafadas, desmanteladas e desmontadas na ponta das baionetas e até com uso de bombardeio aéreo!

SCENARIUM

“INVEJA SAUDÁVEL” DOS MACAQUITOS!
 
O Brasil sempre alimentou um certo complexo de inferioridade frente a “los hermanos” argentinos. Eles já foram há setenta anos atrás, a segunda economia mais desenvolvida do mundo; já conseguiram alguns prêmios nobel; estão à frente do Brasil em número de títulos futebolisticos à exceção de copas do mundo; tem, entre os vinte melhores tenistas do mundo, pelo menos, três filhos seus, entre “otras cositas más”! Ademais, tem bons vinhos, boas carnes e o tango, música para viver dramas passionais e sentimentos nostálgicos.
Os argentinos sempre olhavam os brasileiros com um certo ranço por ser uma sociedade miscigenada, não ter uma classe média forte, não dispor de um nível cultural como sói ocorrer com eles.
Os descaminhos institucionais dos argentinos que já duram quase sessenta anos, levaram ao desmantelamento de sua economia, a falta de perspectivas econômicas de modernização e um processo continuado de deterioração do poder de compra de sua população. Ademais, o próprio Mercosul, embora tenha diminuido a deterioração da sua economia, fez com que o Brasil fosse sempre superavitário nas relações comerciais e os investidores tupiniquins compraram grandes empresas argentinas e, “invadiram”, no bom sentido, o mundo de negócios e investimentos dos “hermanos”.

 
Agora, os “macaquitos” brasileiros chegam a causar tal inveja nos argentinos que, pasmem, em recente pesquisa de opinião feito por respeitável instituto de pesquisa daquele país, numa simulação do nome de Lula para Presidente dos argentinos, ele ganharia o pleito com 52% dos votos! Ademais, a pesquisa indica que, entre os líderes mundiais, Lula teria 73% de aprovação seguido de Obama com 60%! E os argentinos acham que a grande vantagem do Brasil é que o país tem políticas de estado!
E isto é corroborado pela mídia argentina quando o jornal A Crítica afirma: Brasil tem pela frente uma década decisiva e espetacular. Em 2014, a sede da Copa e em 2016, dos Jogos Olímpicos! E olhem que eles têm o viés esportivo, não vêm o pré-sal, os quase 250 bilhões de dólares de reservas cambiais e um dos países que mais rápido sairam da crise! E sem falar na campanha “a bomba atômica é nossa”.
 
GARFARAM A CLASSE MÉDIA, MAIS UMA VEZ!
De repente, mais que de repente, o gênio das finanças do Brasil, o Ministro Mantega, manda suspender a restituição do imposto de renda devida a quem pagou imposto a mais, transferindo-a para 2010! Imagine como vai afetar o bolso da classe média, notadamente a média média e a média baixa. Para que se tenha idéia de tal impacto, alguém que tomou um empréstimo de 2.000 reais, para o prazo de dez meses, contando com a restituição para agora, na base de 3,5% a.m., deveria ao banco 2.821,20 reais. Como não vai receber, vai ter que renovar o empréstimo e pagará 50% a mais de juros! E o mais grave é que, a restituição é a devolução de imposto que foi pago a mais. Ou seja, o governo já fez caixa, sem pagar juros ao contribuinte desse dinheiro e, agora, para justificar ajustes nas contas públicas causadas por aumentos de 15,1% nas despesas de pessoal e 12,8% nas despesas da Previdência, vai apertar o cinto dos outros. Alguém poderia justificar que foi tudo para enfrentar o impacto da crise econômcia internacional. É aceitável o argumento. Mas por que não tira de outras fontes? E a parte mais “gaiata” do anúncio era a cara da Dilma falando com os seus botões: “já não bastam os incompetentes que não fazem o PAC andar lá vem essa besta me incompatibilizar com a classe média. Esses caras, como a Martha , “queimando”, gratuitamente o Ciro, para atrapalhar a minha caminhada!”
 
UMA BOA NOTICIA!
Segundo o Economista Ricardo Paes de Barros, nos últimos dez anos houve um extraordinário avanço nas condições de vida da população. A renda dos 10% mais pobres aumentou até cinco vezes mais do que a renda do 1% mais rico. E as causas estão no Bolsa-Família, na valorização do salário mínimo, nas aposentadorias e no Pronaf.

 

IT’S NOW OR NEVER!
É o agora ou nunca, neste emblemático processo sucessório, para os principais protagonistas. Para Ciro Gomes, a sua disputa é o que no folcore popular é chamado de  o “último tiro da macaca”. Uu seja, não dará mais para ser candidato à sucessão presidencial daqui a cinco anos. A engenharia explica: fadiga do material.
 
Para Marina, já que os “companheiros” do Acre não darão chance a que ela volte ao Senado e seja candidata ao governo daquele estado. Ademais o modismo da preservação do meio ambiente, a sustentabilidade e a visão pós-Lula, já não serão modismos e tão tocantes para a sociedade daqui a cinco anos. Serão temas relevantes mas, dentro da natureza de sociedade emergente, não terão o impacto maior como terá no pleito de 2010!
 
Para Aécio, se não for agora, em 2014 ser muito mais difícil pois, Lula já tem planos de voltar nos braços do povo, reproduzindo o queremismo do “Pai dos Pobres”, Getúlio Vargas, no seu retorno em 1950!
 
Para Serra, deverão pesar a idade, a saúde e o entusiasmo pois que, daqui a cinco anos, já não terá tantos condicionantes favoráveis como agora.
 
Finalmente Dilma, uma figura desconhecida para o mundo político, sem os atrativos do carisma, da simpatia e sem o respaldo da ampla ou melhor “nunca antes vista nesse país” popularidade de um Presidente que se propõe até a licenciar-se para garantir a eleição de Dilma.
 
Já Lula continuará tentando tornar a eleição plebiscitária sugerindo a saída de Ciro da cena com a promessa da disputa do governo de São Paulo e de Marina com uma colocação numa senatória até mesmo no próprio Acre. Mas, a estratégia não tende a prosperar. Portanto, para todos os candidatos, “it’s now or never”.

Scenarium de 02/10

UNITED STATES OF SOBRAL!

Se os editores da matéria da Revista Veja pretendiam criar embaraços para orgulhosos filhos de Sobral, deram com os burros n’água pois que, ao serem tão superficiais no exame de certas peculiaridades da histórica Vila de Caiçara, permitiram que se divulgasse “esse enclave” estrangeiro no tórrido sertão nordestino.

Toda a “brincadeira” em torno de Sobral, surgiu, em primeiro lugar, pela disputa de prestígio, de nome e de tradições com Fortaleza. Da mesma forma que existia disputa entre Mossoró e Natal, Campina Grande e João Pessoa e Parnaíba e Teresina, ou entre Uberlândia e Uberaba. A tradição das famílias de Sobral era, não só histórico-cultural, diferentemente dos emergentes em Fortaleza, que, até mesmo a Academia Sobralense de Letras é de criação anterior a do Ceará. E a tendência de um distanciamento cultural se fazia mais ainda por ser Sobral um entreposto comercial para todo o norte do país como as dificuldades de acesso à cidade exigiam que ela buscasse vida própria. Tanto na cultura, na política como na economia, a cidade buscava instrumentos de autonomia para o seu hoje e amanhã.

Quanto às bobagens sobre o Arco do Triunfo é mister lembrar aos editores que o arco do triunfo não foi um criação napoleônica e já há registros – vide Roma – dos arcos para imortalizar Augusto, Constantino e outros imperadores romanos. Da mesma maneira alguém poderia dizer que o Rio de Janeiro quis imitar Paris quando ergueu o Teatro Municipal que, para alguns, é uma cópia do L’Opera de Paris. E que tal visitar a réplica perfeita da estátua da Liberdade, na Barra?

Portanto, quando se fala no Acaraú como um Rio Hudson, é brincadeira que não deve irritar os sobralenses nem tampouco que os sobralenses não abrem mão de ter os seus Alpes na famosa Serra da Meruoca. Aliás, por ser uma sociedade com fortes raízes histórico-culturais, de famílias tradicionais que faziam, periodicamente, suas viagens a Paris e casavam suas filhas com vestidos com rendas trazida de Bruges, na Bélgica, era natural que buscassem hábitos ou comportamentos parecidos com o que faziam ou diziam os franceses. O que hoje se chama de grife nada mais é o que se chamaria de plágio no passado.

Portanto, a terra onde Einstein provou a sua teoria da relatividade – vide documento no quarto andar do Hotel Glória escrito, de próprio punho, por Einstein! – é marcada por talentos nas letras – Domingos Olímpio -, nas artes cênicas – Emiliano Queiroz -, no humorismo – Renato Aragão, – na música – Belchior -, na política antiga – Chico Monte, José Sabóia, Plínio Pompeu -, na política recente com os irmãos Ciro e Cid Gomes e em tantos outros campos do conhecimento, que, pelo seu atual desenvolvimento, merece ser visitada para que se conheça, de perto, essa cidade tão peculiar e que, ao longo dos seus quase trezentos anos de história, foi recolhendo traços culturais os mais variados, globalizando-se no decorrer de sua própria construção.

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AMARGO REGRESSO?

Pelo que ocorre em Honduras e diante de alguns líderes populistas à frente de governos da América do Sul e Central, há um temor generalizado de que a região volte a viver anos de chumbo com a presença de inúmeros governos autoritários. O golpismo não foi, de todo, afastado na área. O que ocorreu na Venezuela, onde Chavez conseguiu definir-se como Presidente Perpétuo do País, através de manobras político-institucionais, levou a que vários outros países pretendessem adotar, no mínimo, a idéia de um terceiro mandato.

Portanto, o temor procede, mas existem dois elementos que impedem que o golpismo se alastre. Em primeiro lugar tem sido a atitude e a postura do Brasil que não apoiou o golpe em Honduras, impediu o movimento secessionista na Bolívia, a tentativa americana de intervir na Bolívia e “segurou as pontas” do mandato do ex-bispo Fernando Lugo, no Paraguai. Por outro lado, os Estados Unidos, vivendo outros tempos, em parte, aboliu a famosa política do “Big Stick” e busca parceiros, como o Brasil, nos vários continentes para conter abusos e tentativas de quebra do estado democrático de direito.

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CHINA: O IMPÉRIO DO CENTRO

A China comemora os sessenta anos da sua efetiva independência e libertação quando, em 1949, o Comandante Mao Tse Tung, assumiu o comando do país. As transformações foram enormes e as dificuldades imensas. Muitos transtornos, desastres e vidas dissipadas na tentativa de construção de uma nação. A Mao se deve a unidade territorial, a implantação de um idioma oficial, o resgate da auto-estima dos chineses, além de outras conquistas.

Com a morte de Mao, um grupo de políticos do PC chinês, sob a orientação e liderança de um  homem, que se criou e se fez na política inspirado nas lições do mestre Chou-en-Lai, um dos homens fortes de Mao, mas de visão mais aberta e universal, Deng Xiao Ping, começou o processo de modernização do país. A filosofia básica de Deng estava definida por uma frase singular mas de muita densidade: um centro e dois pontos. O centro seria a reestruturação econômica, apoiada em dois pontos: reforma e abertura. E, a forma como seria conquistada tal reestruturação econômica que permitiria o vigoroso crescimento do País, seria a combinação de controle político pelo partido e abertura econômica do País para o forte ingresso de capitais externos. Tal equilíbrio, muitas vezes instável, vem sendo objeto de revisões periódicas para que não se perca o controle da sociedade e se consiga definir um planejamento estratégico para o País.

Por outro lado, quando Deng foi questionado se a proposta de abertura econômica não levaria à destruição do socialismo e do fim dos ideais de Mao, Deng dizia que o grande problema era garantir comida, casa e trabalho para uma população de um bilhão e meio de pessoas. E, chamar a sua proposta de capitalismo de estado ou outra coisa qualquer, ele apenas usou uma metáfora que dizia tudo dos seus propósitos: “não importa a cor do gato, o que interessa é que ele cace ratos”.

A própria estratégia de abertura e modernização da economia começou pelas províncias localizadas próximo ao Mar Amarelo e, apoiada numa abertura econômica no campo onde parte da produção dos agricultores já poderia ser comercializada por eles mesmos. Ademais, o processo de modernização industrial far-se-ia pela abertura de seu capital, já que eram todas estatais, e por contratos de gestão a partir de resultados a serem alcançados.

No mais, só mesmo uma análise mais profunda das mudanças institucionais que foram sendo aprovadas nos vários congressos do PC, ao lado da maior abertura externa e integração econômica internacional, fizeram, ao lado da capacidade de poupança do povo chinês – 40% de sua renda – e da descoberta dos investidores internacionais de sua mão obra altamente competitiva e de seu enorme e dinâmico mercado interno, o fenômeno de crescimento que o mundo observa com espanto. Aliás, mesmo tendo que fazer os ajustes diante da crise mundial recente, a economia chinesa deve crescer 8% este ano e fechar o exercício com reservas que vão além dos 2 trilhões de dólares!

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TEMPORADA DE CAÇA, ENCERRADA!

Neste sábado, encerra-se o prazo de filiação partidária e de mudança de domicílio eleitoral para quem pretender ser candidato a alguma coisa em 2010. O pleito dar-se-á com os mesmos vícios e defeitos, sem a transparência e legitimidade desejadas pelo eleitorado e, praticamente, com os mesmos players. Talvez o que venha a mudar seja o fato de, em não ocorrer uma eleição plebiscitária a nível nacional, a temática será mais palatável. Ou seja, discutir-se-á sustentabilidade, desenvolvimento com redução de desigualdade, menor presença do estado e reformas institucionais. E aí, é bem provável, que as idéias sejam mais favorecidas do que a verborragia inconseqüente dos candidatos.

SCENARIUM

O RESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS!

O Secretário de Segurança Pública do Ceará, Dr. Roberto das Chagas Monteiro, homem culto e de fino trato, considerado um dos grandes especialistas no trato da questão da violência urbana, dá notável exemplo para o país diante dos constantes abusos e desrespeito à dignidade humana.

Agora mesmo afastou de seus cargos três dos seus mais importantes auxiliares e respeitados delegados de polícia do Estado por ferirem direitos inalienáveis da pessoa humana e de levarem a execração pública os cidadãos presos sob a sua custódia.
Tem sido praxe no país, cidadãos, presos pela polícia, qualquer que seja ela, serem exibidos através de uma mídia ávida por sensacionalismos, como troféus dos êxitos policiais, mesmo sem processo concluído, são presos, julgados e apenados sem que sequer tenham sido ouvidos.

Diz o Secretário: “Acho que a imprensa tem o dever de informar e é nosso dever cooperar com a informação… Agora, a gente não pode  pavimentar nosso caminho de sucesso com base na miséria alheia, na exposição dos outros, de forma execrável”. E, vai mais adiante, dizendo que “é importante que a OAB e seus advogados proveja ações de indenização dessas pessoas que estão sendo execradas indevidamente, forçadas a comparecer perante a imprensa para serem mostradas como troféus do trabalho policial”.

Aparentemente, para muitos, pode parecer que o Secretário, num excesso de zelo na defesa dos direitos humanos de possíveis “bandidos” desautoriza a polícia na sua atuação. Mas, o que se depreende da atitude do Secretário é que, a polícia não precisa espetacularizar a sua ação nem armar um picadeiro com a mídia para quem já é marginal na sociedade. Deixe que polícia prenda, o Ministério Público acuse, a Justiça julgue e a consciência dos que cometeram os crimes os atormentem.

O EXEMPLO PODERIA SER SEGUIDO!

O deputado federal Ibsen Pinheiro – PMDB do RS – foi vítima, há quase vinte anos, de um julgamento sem direito de defesa, pela mídia, orquestrado por um jornalista que, após quinze anos, veio a público confessar o seu grave equívoco e fazer um pedido de desculpas a vítima. Mas isto, após a execração pública onde a mídia acusou, processou, julgou e condenou sem que a presumida vítima pudesse exercitar o seu inalienável direito de defesa. Durante o Governo Collor, o ex-ministro da Saúde, deputado Alcenir Guerra, foi acusado de licitação fraudulenta na compra de bicicletas. Foi estigmatizado, execrado, humilhado, aviltado, a família sofreu horrores e ficou traumatizada para, logo depois, ficar demonstrado que ele não era culpado de nada!

É lamentável que isto ocorra no país, pois tal fato tem levado ao desespero, não só homens públicos sérios, destruído as suas reputações, desmantelado as suas famílias e, após, todos os sofrimentos impostos, verifica-se que o que houve ou foi o confronto de interesses políticos, interesses inconfessos feridos ou pura irresponsabilidade e leviandade. E o pior. Não se considera a história, o passado, o itinerário e os antecedentes criminais ou de contravenção do homem público. Pior ainda. Não se busca descobrir onde a presumida vítima se beneficiou e onde está o resultado de sua conduta criminosa. Por que não se examina a evolução patrimonial do cidadão, dos seus familiares, ou dos seus possíveis laranjas? Por que não se buscam os seus sinais exteriores de riqueza? Enfim, os próprios órgãos de fiscalização do governo são, juntamente com o Ministério Público, os que vazam, os que alimentam e os que constroem as farsas para alimentar uma imprensa, muitas vezes venal.

O desrespeito aos direitos humanos ocorre assim, nos mais humildes, da forma deplorável como reagiu indignado o Secretário do Ceará. E, nos gestores públicos ou nos homens públicos, como ocorreu com Ibsen e Alcenir Guerra. Mas, em ambos os casos, representam a síntese da agressão aos direitos inalienáveis da pessoa humana que só se admitia à época do estado autoritário.

LULA E O TCU!

Lula anda indignado. As obras do PAC não andam. Os grandes projetos sofrem atrasos monumentais. Antes, acusava-se, de forma genérica, a burocracia. Até bem pouco, eram os órgãos que concediam licenças, notadamente as ambientais. Agora, o Presidente descobre que a estrutura montada para prevenir desvios de conduta, irregularidades e corrupção na condução de projetos de governo é a que mais atrapalha a celeridade das obras e projetos prioritários do governo.

A queixa é contra o TCU. Sabe bem o Presidente que o sistema de controle interno e externo do Governo Federal, praticamente, paralisa o Executivo bem como afasta os bons gestores do seu mistér. É preferível não fazer nada a correr o risco de ser denunciado, pois hoje tudo que o gestor fizer estará sob suspeição.

E CIRO ESTÁ EMBALADO!

Depois que Dilma começou a patinar nas pesquisas eleitorais Ciro Gomes “esqueceu” a estratégia de Lula de fazê-lo candidato a Governador de São Paulo e se descobriu com viabilidade para um eleitorado que não simpatize com Serra e tenha se cansado do discurso petista. Por outro lado, Ciro, com a chegada de Marina Silva ao pedaço, mais ousado na exposição à mídia e mais contido nas suas colocações, conseguiu conquistar o apoio do seu próprio partido, na figura do Presidente do PSB Nacional, Governador Eduardo Campos. Aí a sorte ajudou Ciro, pois o governador conseguiu resolveu as suas pendências com o PT pernambucano e ficar livre de um apoio a Dilma. Ademais, Ciro, tendo cerca de 15% de preferência do eleitorado nacional, é um capital político que um partido, pequeno por enquanto, como o PSB, não poderia dispensar se se pretende, pelo menos, tornar-se um partido médio.

Agora Ciro trabalha a sua estratégia. Não quer aliança com o PMDB, para distanciá-lo do pragmatismo. Quer se diferenciar da Dilma que, para tentar a Presidência, aceita a composição com o PMDB apenas na base da barganha por cargos e poder.
Adota uma postura de ser um pós-Lula, reconhecendo os méritos do Presidente e exaltando os seus grandes feitos, mas fazendo questão de ressaltar que foram pelos méritos de Lula que o país melhorou e não se contém de endereçar duras críticas a algumas figuras do PT e do Governo!

Respeita a Dilma, mas fala de suas “más companhias”,  de sua inexperiência parlamentar e política e do seu jeitão de lidar com as pessoas. Centra fogo em Serra para angariar a simpatia dos lulistas, que são figadalmente anti-tucanos, e cobra a existência de um discurso consistente, coerente e capaz de gerar esperança consequente para a população, principalmente os jovens.

Por outro lado, Ciro, inteligentemente, não quer ser o cara que vai substituir Dilma assim que Lula concluir que ela é inviável pois representaria a mesmice e, pior ainda, os ressentimentos dos não petistas com os petistas e a má vontade dos petistas ortodoxos, inviabilizariam a sua candidatura. Marina será poupada e homenageada por Ciro até o ponto em que ela não represente uma verdadeira ameaça ao seu projeto.

Os únicos problemas de Ciro são, ele mesmo em primeiro lugar e, em segundo, um problema que pode transformar um limão em uma limonada: é se Aécio for o candidato do PSDB. Aí, para Ciro, dependendo do patamar onde esteja, será uma espécie de escolha de Sofia: ou enfrenta Aécio ou se torna seu vice.

BRASIL E A FELICIDADE INTERNA BRUTA.

Uma saudável discussão se descortina no país. Não vale à pena medir o desenvolvimento pelos tradicionais indicadores como o PIB, o PNB e etc. Tem-se evoluído na construção e na quantificação dos índices de desigualdade sociais ou o chamado cumprimento das metas dos milênios estabelecidas para as várias nações do mundo. Mesmo tais novos indicadores não revelam, como desejado, o nível de satisfação e de atendimento das necessidades, das aspirações e dos sonhos das pessoas dos mais diversos grupos sociais.

 Na avaliação das metas do milênio, o Brasil as cumpriu em vários itens, mas, por exemplo, no capítulo escolaridade, o país está 25 anos atrás do Chile! No que respeita a redução de desigualdades avançou-se nos últimos anos, mas tais avanços têm sido lentos. Nesse processo contraditório, segundo o economista Sebastião Paes de Barros, do IPEA, o Brasil, ao evoluir em alguns itens, ficar estacionado em outros e não crescer em outros indicadores, “acaba se tornando um país rico sem se dar conta”, pois não se preparou para tanto e as coisas foram ocorrendo sabe Deus como.

 Se a tentativa de mensurar o desenvolvimento de uma nação pelo conceito de Felicidade Interna Bruta prosperar, aí as idéias de crescimento sustentável ou de sustentabilidade começam a tomar corpo e sentido. Segundo um notável economista que opera no desenvolvimento desse novo conceito “o PIB mede o fluxo dos meios, não o atingimento dos fins”. Se essa nova visão se consolidar, os conceitos de renda per capita não servirão para comparar níveis de atendimento das necessidades, demandas e aspirações de segmentos, notadamente os cidadãos de segunda categoria, nesse país de falsas castas, pois como já se disse, já que a renda per capita é uma média – e a média “é uma pessoa com a cabeça no forno e os pés na geladeira e a temperatura média do corpo está ideal” – e aí ter-se-á uma visão precisa de como as políticas públicas devam ser modificadas.

 O estudo da felicidade não é recente. Muita gente boa vem trabalhando na idéia porquanto, ao se falar tanto em um mundo mais humano, solidário e justo, agora se pode dispor de ferramentas que indiquem como esse mundo pode ser construído. Até idéias simplistas como a que recentemente conferiu ao povo do Rio de Janeiro o título de mais feliz do mundo, remete a qualquer analista, a se dedicar e a se debruçar sobre o que pode constituir a verdadeira medida de felicidade de pessoas, grupos e comunidades.

 Talvez uma das lições do exame e da construção de tal medidor é que não há que se imaginar o conceito de Felicidade Nacional mas de Felicidade Local, fazendo com que se dirijam os esforços para tentativas de solução de construção de novos caminhos de qualidade de vida, a partir da comunidade e de seus pequenos grupos. De que vale uma política nacional de educação diante de realidades tão distintas e de tantas desigualdades?

 Que se pense na conquistas das três autonomias – de alimentos, energética e militar – como paradigmas de consolidação da sociedade brasileira e como proposta de estratégia econômica para o país, tudo bem. Agora, construir o verdadeiro conceito de desenvolvimento com cidadania passa, talvez, por essa busca de medi-lo pela FIB.

A POLÊMICA EM TERMOS DOS NÚMEROS DA SUCESSÃO!

Alguns analistas de pesquisas de opinião, buscando assumir o papel de pitonisa, já antecipam, numa manipulação de números e no exame do que ocorreu nos pleitos passados, que, Dona Dilma, não vencerá o pleito  2010. Os argumentos são os mais variados desde o fato de que “os números não mentem jamais”, pois a candidata continua patinando nos mesmos índices de meses atrás; não mostra vigor nem densidade eleitorais, apesar do apoio irrestrito e absoluto do maior cabo eleitoral do país; não reage, positivamente, a exposição intensa de mídia; e, nem tampouco, mesmo se lhe atribuindo a pseudo-responsabilização por tudo de importante e positivo que ocorre no Governo Federal, mesmo assim, não dá mostras de que vá deslanchar em termos de preferência popular.

 Na verdade, é bem possível que a mera avaliação de como se desenhavam as preferências populares em relação às candidaturas, como ocorreu com outros candidatos a Presidente, um ano antes da eleição, como argumentado por Carlos Montenegro do IBOPE, não tenha valor para assentar previsões de resultados. Também não parece tão segura a afirmação de que Serra mantém-se, faz mais de dois anos, como candidato preferencial a Presidência, com pequenas alterações nas preferências em relação ao seu nome, garanta-lhe a convicção de que ele já é o ungido para dirigir os destinos do país.

 Mas, há alguns fatos que devem merecer avaliação para definir um desenho preliminar do que pode ocorrer em 2010. Em primeiro lugar, diferentemente do que Lula queria, a eleição não será plebiscitária, ou seja, hoje o país já conta com, pelo menos, cinco candidatos com índices de preferência popular acima de 10%. Ainda, a chegada de Marina Silva, ampliou os horizontes para Ciro, reduziu as margens para Dilma e Serra e, ela mesma, já atinge quase 7% com menos de um mês de se dizer da possibilidade de ela vir a ser candidata à Presidência.

 Ademais, se se examina, detidamente, os resultados alcançados pelo PT nos embates municipais nas grandes cidades, mesmo quando o Presidente Lula, pessoalmente, empenhou-se na eleição de seus candidatos, as derrotas de Porto Alegre, de São Paulo, de Natal, e outras mais, são indícios que a transferência de votos não ocorre como alguns imaginavam.

 Se alguns analistas, parafraseando o marqueteiro de Clinton, de que o que determina resultado de eleição é o comportamento e o desempenho da economia, e, com isto, com a retomada do crescimento, o candidato – ou os candidatos?  – do Governo será beneficiado, a opinião deste cenário é distinto. E isto por diversas razões. Uma coisa é o Lula, mito e, com uma popularidade invejável e que o eleitorado consagrou que tudo de bom que ocorreu foi fruto de seu descortínio, compromisso social, simplicidade, etc. etc. etc. Lula é uma espécie de Padre Cícero só não santificado por que a elite da Igreja tinha medo de sua liderança. Padre Cícero morreu e, mitificado, endeusado e santificado pelos romeiros, não rendeu votos e nem prestígio para ninguém que estava por perto dele. Todos dizem, inclusive lá fora, que Lula teve agilidade, presença de espírito e otimismo para impedir que o Brasil mergulhasse numa crise que lhe tirasse o prestígio e diminuísse o otimismo do cidadão comum e do próprio mercado em relação ao país. Mas, se tal conta pontos para Lula, uma sociedade aligeirada como a brasileira, nem sequer sentiu, os mais pobres, que houvesse tido crise. E isto se deveu ao fato de, em primeiro lugar, a crise não ter sido um tsunami e os fundamentos da economia estarem muito sólidos, mas também e principalmente pela existência de importantes amortecedores sociais como o bolsa família, previdência rural, uso do FGTS, vale gás, salário-desemprego, etc. – que impediram que a sociedade, notadamente as classes D e E, não tivessem sofrido perda de seu poder de compra. Ora, diante disso, se o Brasil crescer a 3, a 5 ou a 8%, não mudará, em nada, a cabeça do eleitor.

 Finalmente, Lula é tão esperto que sabe que criar sonhos de grandeza – Brasil, grande potência; não interessa ingressar na OPEP; Consolidação das Leis Sociais; PAC da mobilidade, etc. – são como que factóides para bombar Dilma e não serão concretizados no seu governo. Nem a Copa do Mundo de 2014 e nem, se se conseguir, os Jogos Olímpicos de 2016, vão gerar votos para quem quer que seja. 

 2010 não será para o PT. Talvez o povo já sonhe com a volta de Lula em 2014. E, talvez, para alimentar o saudosismo e o queremismo, para Lula será melhor a eleição de Serra, pois que terá que adotar medidas antipáticas que só fará aumentar o sonho do povo simples de que Lula tem que voltar.

 Mas, como dizia o velho Magalhães Pinto, “política é como nuvem. Você olha prá cima, ela está de um jeito. Baixa a vista e quando olha de novo, ela está de outro”.

FINANÇAS MUNICIPAIS EM CRISE!

Todo mundo sabia, de antemão, que com a crise econômica a queda na arrecadação, nos três níveis de governo, seria grande, máxime nos municípios, pois que, 80% deles vive às custas da cota do Fundo de Participação dos Municípios e este é calculado como um percentual da arrecadação do IPI e do IR. Com a queda na arrecadação dos dois impostos, não só pela crise mas pela renúncia fiscal realizada pelo Governo Federal, os municípios começaram a não pagar funcionários, suspender programas e fechar mesmo até as portas das prefeituras. O Governo Federal está garantindo soltar, nesses dias, um bilhão de reais para amainar o problema. Mas, o que se pode dizer é que, enquanto não houver uma reforma fiscal séria no país, subordinada aos princípios de redução da carga bruta de impostos; melhoria na gestão dos gastos públicos e a aplicação de um verdadeiro federalismo fiscal essa lenga-lenga será permanente. Um país que se leva a sério é um país descentralizado e que tem a perfeita noção de que a vida ocorre nas comunidades onde se estabelecem as relações interpessoais, os laços de solidariedade e as afinidades de propósitos. Menos Brasília e mais Brasil!

UMA MÁ NOTÍCIA!

A dívida interna líquida do país cresceu, de julho a agosto, 3,63% atingindo a marca de 1,5 trilhão de reais. E isto se deve a, pelo menos, cem bilhões de reais destinados a capitalizar o BNDES. E destes cem bilhões, o BNDES socorreu à rica Petrobrás em 26 bilhões, apenas para a regularização parcial do caixa da empresa.

UMA BOA NOTÍCIA!

O uso da banda larga no Brasil cresceu 16% do ano passado para cá. E, caso o Governo Federal resolva usar o FUST – 8 bilhões em caixa! – para promover a inclusão digital, tal crescimento será bem mais dinâmico e os ganhos em termos de modernização da sociedade serão enormes.