CRISE E DESENCANTO. É POSSÍVEL SAIR DO IMPASSE?
O cenarista apresenta as suas mais sinceras desculpas por sua ausência ao não produzir outros textos sobre o quadro político-partidário e seus possíveis desdobramentos, nos últimos dias. Na verdade, a sensação que o acometeu foi a de que “não havia nada de novo sob o sol”, apenas frases que não espelhavam ou traduziam ideias ou propostas capazes de sugerir o encaminhamento dos graves desafios enfrentados pelo Brasil. Basta que se tome um único exemplo, qual seja, aquele relacionado ao crescente déficit público que, só neste mês, apresentou um resultado altamente negativo para as perspectivas nacionais. Um déficit de mais de 77 bilhões! Para 2019 a expectativa é que o déficit das contas públicas alcance mais de 200 bilhões de reais! E pensar que, alguns anos atrás, o País assistia o setor público produzir superávits que alcançava mais de 3,1% do PIB! Ou seja, hoje produz-se um rombo anual nas finanças públicas de algo no entorno de mais de 300 bilhões/ano para uma dívida pública que já supera os 5 trilhões de reais!
Todo esse quadro de desânimo, de incerteza e de pessimismo representa um processo que hoje domina as mentes dos brasileiros! Este universo em desencanto, compreende não apenas os milhões de desempregados que, se se considerar os seus dependentes somam algo no entorno de 19 a 42 milhões de pessoas afetadas! Se a tais números juntam-se aqueles hoje vinculados ao Programa Bolsa Família, então os alcançados por esses sentimentos de pessimismo ou da perspectiva de perda de tal benefício, conduz a que se atinja a quase metade da população brasileira. Também se ainda se considerar o impacto dessa desordem econômica enfrentada pelo Brasil nos últimos cinco anos, pelo menos, ai os impactos negativos são maiores! No caso, por exemplo, se se observa só o impacto negativo sobre os micro e pequenos empreendedores que foi e tem sido terrível, aí se tem uma dimensão maior das razões para o desânimo e pessimismo, geral e irrestrito, que dominou e domina os brasileiros como um todo.
Acrescente-se a tal quadro, a crise existencial de uma classe média que sempre acreditou no império da competência e do conhecimento e, de repente, descobre que a crise tragou até mesmo conceitos desse naipe ou dessa estirpe. O que se observa, a par da revolta e da indignação dos afetados pela crise e, o que parece, algo que lhes tira a sobrevivência condigna e mata os seus sonhos e suas esperanças, é o desestímulo e a descrença no amanhã do País e nas chances de voltar a sonhar com üm país Outrora chamado grande!
O que se avalia do quadro é que as elites, também indignadas com a situação a que chegou o País, hoje prromovem uma especie de luta fratricida, estimulando o confronto entre os “contra” e os a favor” não se sabendo dizer, ao certo, sobre o que ou sobre por que tal peleja se faz mas que gera uma maldita polarização que só faz aumentar as divisões no País!
E o mas grave é que o Brasil nunca optou por uma via ou um caminho ideológico nem tampouco se mostrou favorável à este ou a aquele caminho que passasse por essas tentativas de buscar dividir o País, uma maldita proposta é, sem fundamentação em qualquer teoria ou política que a maior parcela da população, acredita e professa. Buscar reeditar uma nova “revolução farroupilha” no País como um todo é algo insensato e, no Rio Grande o que levou, apesar de todos os temores que ela levantou nos brasileiros, o que realmente deixou de relevante foi o sentimento arraigado e o orgulho do gauchismo ou do gaúcho.
Esse processo de deterioração de instituições, de valores, do ambiente e das expectativas leva a esse clima de generalizada indiferença para com o quadro partidário. Ademais, junte-se a tal, a qualidade dos candidatos, sobre os vários aspectos que se queira avaliar, máxime em relação ao charme, ao carisma e a própria capacidade de empolgar. Nem o inusitado e o exótico tem surgido nas propostas ou nas atitudes dos referidos pretendentes. Assim cá estão os brasleiros sem ter para onde ir e nem com quem ir. A tendência desse final de campanha é um possível acirramento da polarização anti-pt vesus pt que, ao que parece, só poderá conduzir à volta dos petistas ao poder, com toda a sua visão amesquinhada de aparelhamento do estado e de gestão a partir, não do mérito, mas do que eles chamam de “conveniência estrategica” e fortalecimento político dos seus apadrinhados.
Ou, a outra opção que se coloca aos brasleiros é a de Bolsonaro, com todo o simplismo de sua visão e. apoiado no modelo de governança que o antigo estado autoritário que prevaleceu nos anos sessenta a oitenta, definiu e estabeleceu. Cheio de contradições e propostas que remetem a situações que já se supunham ultrapassadas, Bolsonaro assusta a desinformados pois que ninguém governa sozinho e o Brasil não tem as dimensões institucionais, econômicas e políticas para assumir uma proposta a la Venezuela ou outra republiqueta de banana daqui ou de alhures. Nenhum salvador da pátria será capaz de empalmar o poder e estabelecer um projeto pessoal e populista.
Não obstante tais temores em relação a Bolsonaro é sempre bom levar e, conta que ninguém chega ao poder de graça e, chegando lá, ou. Tendo conquistado o poder a duras penas irá correr qualquer risco de perdê-lo. Dessa forma Bolsonaro já constrói alianças para garantir a governabilidade valendo-se de forças como Alkimim, Meirelles, Álvaro Dias Amoedo e. Marina Silva, o que lhe permitirá aprovar projetos e mudanças fundamentais no Congresso.
PARA PROVOCAR OS CANDIDATOS!