Ladrões!

Existem várias histórias contadas  sobre o líder político  Acrísio Moreira da Rocha.

Tem aquela história belíssima que o Acrísio, tendo  “arduamente” que trabalhar para  recuperar dinheiro perdido na roleta, não queria ir a um  comício programado, de há muito, pelos seus pares. E, não havia jeito de convencê-lo de que não era possível ele estar ausente pois seria, certamente, o maior comício de sua campanha, a prefeito da cidade. Depois de muita insistência de sue pares, ele  só aceitou comparecer subordinando o comício a uma condição:  ninguém falaria no comício,  além dele, Acrísio.

E quando a praça já estava totalmente tomada,  Acrísio foi convidado a dirigir-se até o palanque para proferir o seu discurso. Ele adentrara na praça José de Alencar, em cima de uma carroça, vestido com  uma camisa de listras, de tamanco (como ele sempre fazia), acenando para um povo embevecido e entusiasmado com o seu simpatico líder.

Ele, na verdade, chegara em seu Cadilac, uma quadra antes da praça e, no próprio carro, mudara a idumentária para comparecer diante do seu público da maneira que eles o viam.

Adentra, gloriosamente, na praça, diante do entusiasmo contagiante daqueles que alí estavam.

Todo mundo gritava “Acrísio! Acrísio! Acrísio!” E ele, com a sua voz tonitruante, com gesto largo da mão, pediu silêncio ao povo. E fez-se aquele silêncio, que se ouvia até o zumbido de uma mosca, no meio da multidão.

Acrísio então disse, apontando o dedo e passeando por toda a platéia: “Ladrões…” E aquilo ecoou profundo. E o povo quieto estava e quieto ficou. Ele deu uma pausa e repetiu, em alto e bom som: “Ladrões…Ladrões … vocês roubaram meu coração.” E aí houve um delírio total.

Ele  então aproveitou o bom momento e, foi embora, livrando-se de aguentar um comício chato para ele e ainda, não teria a possibilidade de recuperar o dinheiro perdido na noite anterior no pano verde.

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