O QUE ESPERAR DO NOVO GOVERNO?

É complicado tentar antever o que será o País ou como será o desempenho do novo governo  diante e pelos dados que se dispõe até agora. Apenas dizer que será um governo ultra-conservador ou nitidamente de direita, parece expressar muito pouco do que se pode esperar de suas ações e do curso dos acontecimentos que advirá de suas decisões e das consequências das mesmas para o crescimento, para a estabilidade e diante das expectativas da população em relação ao que ocorrerá com o seu bem estar.

Em verdade, o comando do País pelo capitão Bolsonaro, para a avaliação e o julgamento dos mais exigentes, não carrega consigo expectativas as mais favoráveis embora as escolhas de seus auxiliares e a estratégia por ele até agora adotada, geram um sentimento de que, com todas as limitações derivadas do curriculum e do histórico parlamentar do novo presidente, surgem elementos que criam a possibilidade de um cenário mais favorável e mais otimista do que, o que há três meses, se imaginava. Aliás, indicadores relacionados com o mood  da população e com as expectativas dos agentes econômicos, já antecipam que 2019 será bem melhor que o ano que está prestes a terminar.

Mesmo com uma presença muito forte de militares no conjunto de auxiliares do novo dirigente maior do País, tal fato não deve gerar maiores temores de que o grupo escolhido não seja capaz de formular políticas e  administrar os instrumentos capazes de promover as reformas institucionais cobradas pelas circunstâncias. Nem tampouco dudvida-se de sua competência para criar mecanismos de política econômica capazes de permitir a retomada do crescimento e a geração de um volume de oportunidades de emprego capazes de atender às demandas da sociedade. É surpreendente e, ocorre de forma positiva, o fato de que os nomes escolhidos para a administração indireta tem sido bem recebido pelo mercado como foram os casos de Mansuseto Almeida, Paulo Roberto Costa, Roberto Campos Netto, Joaquim Levy, Ivan Monteiro entre outros.

Assim, definidos nomes e homens, estabelecidos alguns princípios básicos — menos Brasília, mais Brasil! e menos estado e mais sociedade civil — além de uma definição de uma clara opção por um liberalismo do tipo que hoje predomina na Europa, além do viés de membros do governo que, como se sabe, tendem a uma especial simpatia pelas políticas liberais adotadas por Donald Trump, o governo vai assumindo os seus contornos básicos. E, a proporção que tal ocorre, definições relacionadas a algumas políticas públicas vão sendo discutidas e o governo vai demonstrando que rumo quer seguir e que concessões poderá fazer. Tanto assim o é que a idéia de juntar os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, náo prosperou e, o próprio Presidente veio a público afirmar que havia mudado de idéia e, deixou claro que, diferentemente do passado, os dois ministérios iriam manter uma linha de ação sem conflitos e sem contestações.

Claro que muitas declarações peremptórias de Bolsonaro sobre temas relacionados à segurança pública, a educação de menores e a outros temas que pareciam polêmicas, já passaram pelo crivo de assessores, auxiliares e amigos seus que, habilmente, sugeriram reduzir os ímpetos e a incisividade de tais ênfases com vistas a fazer com que, diferentemente embrulhados e apresentados, pareçam mais palatáveis e aceitáveis pelos agentes econômicos e pelos tomadores de decisão. Diferentemente do que alguns analistas pensam Bolsonaro não encontrará dificuldades maiores na aprovação de matérias de maior relevância para o êxito de seu governo como as pretendidas e necessárias reformas institucionais, as facilitações a serem adotadas para acelerar os processos de privatizações de estatais e a aprovação de corte nos gastos do setor público como um todo. Todas serão bem vistas e, com um pouco de negociação, o Parlamento as aprovará, máxime se elas forem apresentadas no primeiro semestre do governo.

Dessa forma, o governo já começa a definir contornos, estabelecer caminhos e alternativas para o enfrentamento de problemas mais urgentes e, também, como era esperado, exteriorizar conflitos possíveis de competência entre os seus membros como acabou de ocorrer entre Ônix Lorenzoni e o filho caçula do Presidente que, segundo dizem, foi o grande artífice das comunicações que culminaram com a eleição de seu pai para o cargo maior do País. Claro está que o deputado Lorenzonix, com o seu jeito gaúcho de ser, talvez lhe falte a habilidade mineira de negociar, de transigir e de permitir divergências administradas ou administráveis. Claro que a tarefa de negociar, administrar pressões e conflitos, fazer concessões possíveis, náo caberá apenas a um só homem mas a uma ação conjunta onde até mesmo o Presidente deverá se envolver.

É bom que se afirme que, até agora a fogueira das vaidades, os conflitos de egos e as intransigências personalistas não se manifestaram tão significativas e tão contundentes e, de um certo modo, a indicação dos nomes dois meses antes da posse, permite que as diferenças de opinião, de conceitos e, até mesmo de áreas de atuação, sejam conhecidas de todos e por todos, de tal maneira que diferenças e divergências possam ser bem administradas e não representem estorvo à garantia da exigida governabilidade do País.

Sendo assim, o governo começa a tomar corpo, jeito e definir estratégias e políticas fundamentais para o atendimento das prioridades que serão externadas, em breve, pelo próprio Bolsonaro. O fundamental que já está a ocorrer é que os ministros já escolhem os seus auxiliares, já definem as suas prioridades e já estabelecem a forma de governar de tal maneira a não surpreender nem o Presidente e nem a sociedade civil. No mais, a estrutura de força e poder já começa a se definir com outros contornos onde a presença de militares, com respaldo popular, diante da eleição com ampla maioria de Bolsonaro, não choca e não surpreende ninguém, máxime uma sociedade sedenta de ordem, de equilíbrio e de respeito aos valores mais caros da disciplina, da hierarquia e do compromisso com desenvolvimento com  justiça social.

PS: Pesquisa feita pelo G1 da Globo indica que 58% dos deputados defendem idade mínima para a aposentadoria. 70% são a favor de tipificar caixa 2 como crime. Maioria dos deputados eleitos é favorável äs privatizações e mais da metade dos deputados é a favor de criminalizar homofobia. Pelo jeito, Bolsonaro deve se aproveitar, no início de governo, desse sentimento da sociedade por mudança,  que se reflete no comportamento do Congresso e que lhe facilitará as mudanças esperadas do novo governo!

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